PREFÁCIO


Conceitos e fatos veiculados neste trabalho não devem influir de maneira radical na avaliação dos conflitos raciais que perduram hoje. A pesquisa foi realizada há mais de quinze anos, e alguns conceitos reportam-se a épocas mais distantes ainda.

Ninguém deve contestar o fato de que o problema racial vem perdendo seu caráter genérico e assumindo, cada vez mais, um caráter específico. O preconceito e a discriminação não mais se dirigem à população negra como um todo, mas apenas ao negro ignorante e marginalizado, que é colocado ao mesmo nível do branco com esses mesmos atributos negativos. Já não há mais diferença entre o branco e  negro, quando ambos gravitam na periferia do sistema social competitivo. A pobreza material e cultural nivela todas as pessoas, independente da raça. A cor negra, antes identificada com fatores sociais negativos, como a criminalidade, há muito foi substituída pela condição social ínfima, para efeito dessa conexão. Um integrante do estrato social periférico pode chegar à criminalidade não por causa de sua raça, mas devido às péssimas condições de vida a que se vê relegado. Nas posições que se situam próximas do ápice da pirâmide social, a cor torna-se um traço étnico que tende a ser neutralizado diante da igualdade sócio-cultural ou sócio-econômica. Na disputa pelas posições-chave, o branco sabe que não é uma estratégia inteligente atentar para a cor do concorrente, sob o risco de subestimar as reais capacidades do mesmo.

O mito da superioridade racial, que levou milhares de judeus à morte e milhares de negros ao cativeiro, está superado. Pesquisas fraudulentas e tendenciosas não conseguiram escamotear o caráter inconsistente da teoria da supremacia ariana. Apesar de todos aqueles fanáticos conceitos, a História fez Hitler amargar vários desmentidos à sua teoria, em todas as áreas do conhecimento e das aquisições humanas: foi um judeu, por exemplo, que criou a teoria da relatividade e foi justamente um atleta negra que subiu ao pódio, durante uma olimpíada em que concorreram atletas alemães.

Enfim, as discussões sobre diferenças raciais tornaram-se cada vez mais irrelevantes, estéreis e inúteis. Segregação racial faz-se antônimo de cooperação. Não se pode esperar que haja um processo efetivo das relações humanas sem a comunhão efetiva de todas as raças.

J.O . Nascimento