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I PARTE REAÇÕES SOCIETÁRIAS À ASCENSÃO SOCIAL DO NEGRO
OS MECANISMOS DE ACEITAÇÃO SELETIVA
Ao aceitarem certos negros nos seus círculos, os brancos tendem a apresentar explicações irracionais para sua atitude. Obrigados a reconhecer o valor do negro, explicam seu êxito como decorrente da miscigenação ou do contato com o branco. Costumam dizer: “São negros só na cor”. Os negros se insurgem contra essas reavaliações. Não querem ser aceitos como se fossem homens pela metade. Preferem serem tratados formalmente.
Para muitos brancos, o indivíduo deixa de ser negro para alguns efeitos sociais, e é encarado como figura importante ou grande personalidade. A cor, então, é descartada da situação social e esta passa a compor a base dos sentimentos e atitudes do branco com relação ao negro. A cor passa a não ser encarada como símbolo de posição social, mas apenas como atributo racial, que não deve ser levada em conta, por sua irrelevância. A cor é de tal modo neutralizada, que um André Rebouças, engenheiro negro, tem entrada franca e apreciada, não só nos salões sociais, como também nos corações de prendadas moças brancas da sociedade da época. Quem recebia André Rebouças, não recebia apenas um simples negro, mas um homem de grande prestígio profissional, com quem a própria Princesa Isabel não corou de abrir um grande baile imperial realizado na Ilha Fiscal.
Não só o prestígio cultural e profissional, mas também as gradações da cor da pele possui importância nas relações étnicas. Muitos brancos se dispõem a colaborar e a dar uma chance aos pretos mais claros. Isto fez com que os mulatos pudessem preceder os negros na aquisição das técnicas sociais e passassem a assumir a liderança de movimentos sociais. Para efeito de aceitação seletiva, estabeleceu-se a diferença entre negros e mulatos (também denominados pardos ou mestiços). Os negros, contudo, não admitem a validade dessas classificações: todos são negros. O termo preto é hoje em dia tão pejorativo para o negro brasileiro, quanto nigger para o negro americano.
Serafim da Silva neto registra, em sua obra já citada, essa ascensão seletiva do negro:
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“A ascensão social do mestiço acarretava polimento e planificação na linguagem, uma vez que essa é um importantíssimo sinal-marca de classe social.
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Em 1686, o Rei de Portugal obrigava os jesuítas a reaceitarem, em suas escolas, os meninos e os moços pardos, isto é, mulatos. Foi esse um passo decisivo na assimilação do mestiço, pois que as letras o habilitavam a penetrar na tradição do grupo dominante.
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Em 1774, uma lei conferiu aos pardos acesso a todos os ofícios, honras e dignidades, sem discriminação por questão de cor.
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...informavam Kidder e Fletcher, meticulosos observadores da vida brasileira: ‘alguns dos homens mais inteligentes que encontrei no Brasil – homens educados em Paris e Coimbra – eram descendentes de africanos, cujos antepassados foram escravos (...) alguns dos mais assíduos estudantes que aí (na Biblioteca Nacional) se encontram, são mulatos.’
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