INTRODUÇÃO
O estudo dos problemas raciais foi muito estimulado pela Segunda Grande Guerra. Acreditou-se mesmo que as questões étnicas e raciais estavam na base dos conflitos. Assim, a UNESCO programa uma pesquisa em grande escala em torno do assunto. Como frutos dessas pesquisas, no Brasil, surgem obras como Races et Classes Dans le Brèsil Rural, de Marvin Harris;  O Negro no Rio de Janeiro, de L.A . da Costa Pinto; As Elites de Cor, de Thales de Azevedo. Florestan Fernandes e vários outros estudiosos congregam-se em torno de um projeto de investigações sociológicas, dando aparecimento a mais uma obra: O Preconceito Racial em São Paulo.

Alguns sociólogos têm lamentado a falta de isenção de ânimo com que se tem examinado as questões raciais. A empatia social por um lado, e a demagogia democrática por outro, têm ameaçado a autenticidade das pesquisas. Há mesmo os que chegam a sustentar que os conflitos raciais não derivam simplesmente de fenômenos étnicos, demográficos ou culturais, mas do reajustamento do mercado de trabalho em escala regional ou nacional.

Não se pode negar a dificuldade que tem o pesquisador social em se posicionar neutramente diante dos fatos em estudo, principalmente quando se trata da questão racial. Por outro lado, não se pode aceitar que alguém se proponha a abordar tal questão sem a necessária isenção de ânimo. O pesquisador não deve se envolver emocionalmente com o objeto de pesquisa, sob o risco de privilegiar alguns dados em detrimento de outros, comprometendo a validade de seu trabalho.

Esperamos ter conseguido desenvolver este trabalho, segundo o critério de imparcialidade que defendemos.


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