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ALGUMAS CONCLUSÕES
O problema racial ainda depende da criação de melhores mecanismos de mobilidade social vertical, que permita uma elevação acelerada dos níveis de participação da renda, prestígio social e poder por todo os estoques raciais. Isto só poderia ser conseguido a longo prazo. Mas a sociedade parece hesitar diante das preliminares necessárias. Urge primeiro resolver problemas fundamentais como educação popular, política educacional e ocupacional. É na camada assalariada inferior, na faixa da subcultura de classes, que se encontram os grandes segmentos da população de cor. São contingentes que precisam ser absorvidos e não abandonados a destinos ingratos.A cor possui, ainda, significação especial nas relações raciais. Ela precisa ser neutralizada ou desmobilizada como força operante. Só assim, desaparecerá o paralelismo entre cor e condição social ínfima; e não haverá razões para a existência da dominação racial.
No Rio de Janeiro, por exemplo, temos o Instituto de Pesquisa e Cultura Negra (IPCN), o Movimento Negro Unificado (MNU), o Grêmio Recreativo Quilombo etc. Este último se propõe a guardar as tradições da Cultura Negra, principalmente através da dança e da música, apresentando-as no País e no Exterior.
As atividades gregárias e associativas de negros, nos moldes em que tendem a operar, nada ajudam a causa do negro; pelo contrário, prejudicam-na. Elas alimentam preconceitos do negro contra o branco, despertando antipatias, ao invés de atrair cooperação. Movimentos como o Núcleo Negro, que começava a se esboçar no âmbito da UFF, pretendendo congregar os estudantes negros da Universidade, cheiram a radicalismo racista. Queriam congregar para segregar. O negro não tem o direito de formar um núcleo no seio de uma coletividade eminentemente branca. A Universidade, com brancos e negros, já é núcleo dentro do contexto cultural brasileiro.
Na Universidade, não há brancos X negros, mas brancos & negros, ou melhor, nem brancos nem negros; mas uma família de estudantes e professores intimamente integrados.
Os negros não devem repetir os erros do passado, recordando os inimigos do passado; mas aceitar a mão estendida de milhões de brancos de boa vontade, que se alçaram acima dos preconceitos, e que se acham inclinados a aceitar as reformulações estruturais do sistema societário, mesmo à custa de privilégios tradicionais.
As associações ainda podem desempenhar um grande papel: acelerar a efetivação da verdadeira democracia racial. Não podem, todavia, ser associações negras nem brancas. Devem ser associações híbridas: duas raças e uma só bandeira: a bandeira da cruzada pró-redenção não apenas de uma raça, mas de uma massa, ou seja, de todos os cidadãos materialmente e culturalmente necessitados.
Nos tempos atuais, o grande papel social do negro é dar a mão, fraternamente, aos demais estoques raciais, numa aliança para o progresso do País. Este progresso só poderá ser possível, se promoverem, junto aos órgãos controladores do sistema, a assistência à infância pobre, analfabeta e faminta, à gente desempregada e sem teto. Na erradicação de todas as formas de pobreza e de todas as formas de ignorância está a solução dos problemas raciais do Brasil e no mundo.
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