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Todos temos consciência das (inúmeras) irregularidades cometidas
por grande parte de nossos governantes, da falta do cumprimento efetivo
das leis, da não revisão do Código Penal, etc. De
qualquer forma, acabamos empurrando esses problemas com a barriga, e nos
acomodamos.
Contudo, vez por outra tomamos conhecimento de absurdos que, de tão
descomunais, fazem com que não suportemos ficar calados. É
o caso da deterioração de QUASE TODO o acervo
da nossa querida REDE MANCHETE, por pura falta de respeito com a história
da televisão brasileira.
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No processo de falência da Bloch Editores, quem acabou condenado foi o acervo de imagens da extinta TV Manchete, que pertencia ao mesmo grupo. A maior parte das fitas da emissora ficou presa no prédio da Bloch, lacrado pela Justiça, sob péssimas condições de conservação. Entre as obras que se deterioram no local há um ano, estão novelas como "Pantanal", "Dona Beija" e "Xica da Silva".
O juiz Walter Soares, que responde pela massa falida, não quis dar entrevista. Mas o TV Folha apurou que todo o patrimônio contido no prédio foi arrecadado para o pagamento de dívidas trabalhistas e irá a leilão. O material está em fase de catalogação, e não há previsões para que saia de lá. Mesmo que Flávio Saboya consiga na Justiça o direito de retirar as fitas do edifício, será necessária uma longa auditoria para separar deste acervo o que é pertencente à Bloch Som e Imagem, uma terceira empresa, também detentora de imagens de algumas novelas produzidas pela Manchete. ![]()
Neste processo kafkiano, a morosidade da Justiça não é
o único complicador. Também falta interesse dos proprietários.
Saboya reconhece que o valor comercial do acervo não é mais
suficiente para cobrir seus custos. Segundo ele, para manter as quase 98
mil fitas em local aclimatado, seriam necessários pelo menos R$
30 mil por mês. "Já propus até doar esse material para
um órgão competente, porque, como lucratividade para a minha
empresa, não é mais interessante", diz.
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Algo precisa ser feito, antes que seja tarde demais!