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Dia 10 de Dezembro de 1990. Eu tinha 14 anos de idade. Assistia, com meus
pais, ao último capítulo da novela Pantanal, na saudosa Rede
Manchete de Televisão.


Na última cena da novela, duas crianças - um menino e uma
menina - passeiam na margem de um rio com José Leôncio, o
novo "velho do rio" da trama. As crianças eram os filhos de Joventino
e Juma Marruá.

A menina era Leandra Leal, com então 8 anos de idade, filha na vida
real da atriz Ângela Leal, que havia participado da novela como a
Maria Bruaca, uma mulher submissa e explorada por um marido sem escrúpulos,
Tenório, interpretado por Antônio Petrin.

Foram poucos segundos de aparição na tela da futura atriz,
e para mim ela passou despercebida. Imaginávamos, meus pais e eu,
que as crianças fossem filhos de moradores da região onde
a novela era filmada; o Pantanal mato-grossense. Jamais imaginei que aquela
menininha, que havia acabado de participar de uma pequena ponta da novela
- encerrando a mesma - iria me surpreender tanto e se tornar, de longe,
uma de minhas atrizes prediletas na década seguinte.

Em 1995, estava no ar a novela Explode Coração, de autoria
de Glória Perez.

A trama narrava a estória de uma família de ciganos que vivia na cidade. Foi a segunda vez em que vi a Leandra em cena. Ela era irmã de Dara, interpretada por Tereza Seiblitz. Lembro-me de uma cena em especial: Yanka (personagem da Leandra) se enfurece com Dara por ela não querer se casar com o cigano Ygor (Ricardo Macchi), e assim atrasar seu próprio casamento, pois ela era mais nova e, segundo a tradição dos ciganos, as filhas mais novas só se casam depois das mais velhas. Essa foi a segunda vez em que vi a Leandra em cena, mas como não acompanhava a novela, ela novamente passou despercebida por mim.
Em 13 de Janeiro de 2003, a Rede Globo iniciou a reprise de O Cravo e a
Rosa - novela exibida originalmente em 2000/2001.


Em sua primeira exibição, eu ainda vi trechos do primeiro
capítulo, mas já depois do segundo acabei desistindo de acompanhar
a novela, que eu julgava "engraçadinha demais" pro meu gênero.
Talvez nessa época eu estivesse um tanto seletivo em relação
às tramas globais, e bastante exigente quanto à verossimilhança
e seriedade das novelas, desde a última, que eu havia acompanhado
em 1994 (A Viagem). Quando da ocasião da reprise, resolvi "desligar
um pouco o senso crítico" em relação ao ritmo da trama
e do gênero comédia - que definitivamente não me agrada
tanto em novelas. Assim, "dando um desconto", resolvi acompanhar O Cravo
e a Rosa.

Foi exatamente então, nessa reprise, que uma jovem e "desconhecida"
atriz começou a me chamar a atenção pela suavidade,
meiguice e carisma de sua personagem. Era Leandra Leal interpretando, impecavelmente,
a ingênua, pura, romântica e sonhadora Bianca; um dos mais
sublimes e encantadores personagens de novela já criados.

Comecei a pesquisar sobre ela. Descobri que era filha da veterana Ângela
Leal, e que tinha, na época de O Cravo e a Rosa, apenas 18 anos
de idade. Supus, logo, que aquela deveria ser uma das suas primeiras novelas
- talvez a primeira - e sendo assim, eu teria chance de acompanhar sua
promissora carreira desde o início. Só depois - bem depois
- é que percebi que ela não era tão iniciante quanto
eu imaginava...

O Cravo e a Rosa teve um elenco extraordinário, com alta compatibilidade entre atores / personagens / interpretações. Foi uma obra em que todos faziam muito bem seu papel. Fica difícil dizer quem estava melhor em cena, mas em compensação é notório que a Leandra, ainda tão jovem, estava mais que convincente em seu personagem, e pode ser facilmente indicada como uma das melhores interpretações dentre todo o elenco. Parecia que ela havia encarnado a Bianca, de tão perfeita que era sua interpretação. Foi a partir dessa novela que passei a conhecer, efetivamente, o trabalho da competente Leandra Leal.
Pouco depois da reprise de O Cravo e a Rosa, ouvi falar num novo filme nacional que estava para ser lançado: O Homem que Copiava. Algo nesse filme me chamou a atenção: uma das protagonistas era aquela jovem atriz a quem eu havia aprendido a admirar. Até o momento, achava que só a tinha visto na novela que eu acabara de acompanhar; e esse filme era uma boa oportunidade de vê-la interpretando um outro papel. Até porque eu não conhecia direito a atriz. Conhecia unicamente sua atuação através de um único personagem de novela. Não sabia muito sobre sua vida pessoal, seus gostos, sua personalidade. Essa era uma boa chance de conhecer mais a fundo sua capacidade de interpretação, cujo papel deveria ser bastante diferente (e era) do que ela acabara de fazer na supracitada novela.
Não lembro do motivo, mas acabei perdendo a exibição de O Homem que Copiava nos cinemas. Lembro que assisti a um making of no canal Brasil, e quando apareciam "spoilers" (algo que possa estragar a surpresa do filme) eu tirava o som e a vista da tela. De qualquer forma, perdi a chance de ver o filme na telona.
Em 28 de Junho de 2004 teve início a novela Senhora do Destino. Eu, até pouco antes da estréia, ainda hesitava em acompanhá-la. De qualquer forma, fui gravando todas as propagandas de estréia que conseguia, e assisti ao primeiro capítulo, obviamente, também gravando-o, para o caso de realmente resolver acompanhá-la até o fim, e assim ter o primeiro capítulo gravado - algo que geralmente faço com as novelas que assisto. E assim fiz: gravei o primeiro, o segundo, e todos os demais capítulos da primeira fase da novela (gravei mais pelos automóveis antigos do que pela intenção de gravar a novela pela novela). Acabei gostando da trama, principalmente depois da morte de Leila, e resolvi definitivamente acompanhá-la. Adoro novelas policiais, e essa parecia ser (e era!) do referido gênero.
Segui acompanhando a novela com bastante interesse. Porém, Senhora do Destino era apenas mais uma boa novela que eu tinha o prazer de assistir. Nada além disso.
Finalmente, em determinado momento da trama, entra em cena o núcleo da Nazaré, situado no Bairro Peixoto. Foi quando apareceu pela primeira vez a Renata Sorrah interpretando a vilã (uma das melhores vilãs que já apareceram numa novela): Nazaré. Juntamente com ela, voltou à trama Carolina Dieckmann, que já havia feito a Maria do Carmo na primeira fase da novela; desta vez fazendo o papel de Isabel/Lindalva. E, para minha surpresa (diga-se de passagem; uma agradabilíssima surpresa!!!), uma certa atriz, que eu jamais imaginaria fazer parte de Senhora do Destino, integra-se ao elenco: Leandra Leal. Nem acreditei quando a vi interpretando a Maria Cláudia Tedesco.

A primeira cena da Leandra Leal contracenando com Renata Sorrah, na minha
opinião, foi uma das mais bem interpretadas de toda a novela: Claudinha
tem uma discussão contundente com Nazaré, logo após
a morte de José Carlos.

Essa cena memorável - um verdadeiro show de interpretação - foi a constatação definitiva de todo o talento da Leandra, e de que muito da emoção da novela estaria em suas mãos; em sua capacidade de interpretação; em seu carisma; em sua beleza; em sua perfeição em cena. A novela, pra mim, a partir desse capítulo, deu um enorme salto qualitativo.
Além de uma perfeita incorporação da personagem pela
atriz, sua caracterização é um importante ponto a
ser exposto. Claudinha é uma moça revoltada pelo fato de
seu pai ter abandonado a esposa - sua mãe - e ficado com a Nazaré.
Por isso, ela tem um visual dark, com roupas essencialmente pretas, piercing
na sobrancelha e brincos em forma de espetos.

Eu definitivamente não curto piercings, mas a Leandra com o seu na sobrancelha ficou simplesmente linda!!! E, pra completar, sua personagem tem cabelos longos e lisos. Indubitavelmente, ela nunca esteve tão linda e graciosa como na novela Senhora do Destino. A Leandra Leal simplesmente atingiu a perfeição, caracterizada como a personagem Maria Cláudia Tedesco - a Claudinha!
Uma outra cena bastante forte em Senhora do Destino, e com alta carga emocional,
foi a queda de Cláudia na escada e sua suposta morte.


O momento em que Leandro (Leonardo Vieira), seu par romântico na
novela, chora copiosamente sobre seu corpo inerte no sofá, lembrou
o clássico Romeu e Julieta. E o filete de sangue escorrendo pelo
canto da sua boca, quando ela ainda estava ao pé da escada, realmente
deixou apreensivos todos os fãs da personagem, que a partir desse
momento, começavam a achar que a Claudinha estava realmente morta.
O final do capítulo, quando Cláudia ressuscita, é
emocionante e inesquecível. Essa seqüência protagonizada
por Leandra Leal foi, para mim, uma das melhores e mais marcantes de toda
a novela.

Foi em Senhora do Destino que eu me tornei um fã incondicional da Leandra. Até O Cravo e a Rosa, eu apenas a admirava, por sua perfeita atuação em cena. Porém, não a conhecia a fundo ainda. Ela, juntamente com Mayara Magri (que eu acompanho desde 1986), tornou-se, de longe, uma de minhas atrizes prediletas.
Em Fevereiro de 2005, assisti finalmente ao filme O Homem que Copiava. É redundante dizer que a Leandra, mais uma vez, está perfeita em cena. O filme é tão envolvente que nem parece que tem mais de 2 horas de duração. Assim como Senhora do Destino já entrou pra minha lista de novelas prediletas, O Homem que Copiava figura dentre meus filmes nacionais prediletos.
Aguardo ansioso por constatar sua atuação em outras obras às quais infelizmente ainda não tive a oportunidade de conferir, como a novela Explode Coração; a minissérie A Muralha; sua participação especial no seriado A Grande Família; e no longa Cazuza. E pretendo rever A Ostra e o Vento - filme que assisti de maneira um tanto descompromissada e achei-o um tanto monótono e arrastado. Porém, "pra variar", com uma excepcional atuação da Leandra. É incrível o potencial que ela tem na composição e interpretação de seus personagens, tanto na TV quanto no cinema!
A Leandra Leal é, sem dúvida alguma, um dos maiores talentos
já surgidos na área artística recente. Tem extrema
intimidade com a câmera, carisma de sobra, capacidade de incorporar
personagens, e de emocionar seu público e fãs Brasil afora.
Leandra Leal é muito mais do que apenas um rostinho (e corpo) bonito.
Ela é a prova viva da profunda diferença existente entre
atrizes/modelos pré-fabricadas oportunistas e sem talento; e atrizes
com "A" maiúsculo, não apenas lindas, mas com conteúdo
e competência na arte de representar. Ela, mais do que ninguém,
merece todo o reconhecimento e prêmios que vem recebendo. A você,
Leandra, desejo todo sucesso do mundo.
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Possuo um número razoável de revistas antigas em minha coleção,
e ao encontrar essa edição, achei interessante colocá-la
aqui no site, apenas como curiosidade.

Fonte:
Textos:
Fabiano Suassuna Dutra de Albuquerque Montenegro
(Webmaster)
Aberturas
e cenas de todas as novelas citadas nesta seção: Arquivo
pessoal do Webmaster
CD
da novela O Cravo e a Rosa: Arquivo
pessoal do Webmaster
Algumas
fotos da Leandra foram extraídas das revistas: Contigo;
TPM (Arquivo pessoal do Webmaster)
Imagens
do filme e elenco de O Homem que Copiava, em: http://www.ohomemquecopiava.com.br
Imagens
da revista Veja nº 731 (de 08 de Setembro de 1982): Arquivo
pessoal do Webmaster
Foto
da Leandra com vestido azul: http://www.terra.com.br/istoegente/290/reportagens/leandra_leal_01.htm