|


Mas, para a maioria, ficou a dúvida: afinal, o que era o Batmóvel?
Nos quadrinhos dos anos 40, o então sombrio Batman utilizava vários
automóveis, mas nenhum modelo de série. Os carros eram sempre
caricaturados e, por ocasião do início da produção
dos novos episódios da “Dupla Dinâmica” nos anos 60, surgiu
a necessidade de criar um veículo permanente.
Surgiu assim o lendário Batmóvel (Batmobile), encomendado
a George Barris, famoso construtor de automóveis especiais, inclusive
os novos Batmóveis dos recentes longa-metragens do cinema. Conta
a história que Barris havia adquirido da Ford o Lincoln Futura,
um “dream car” que a montadora havia projetado na década de 50 e
que foi construído pelos estúdios Ghia, na Itália.
O Futura nasceu de uma idéia de Bill Schmidt, estilista-chefe da
Lincoln-Mercury de 1945 a 1955. Este carro fez muito sucesso nas apresentações
em que participou durante os anos 50 e, como não mais interessava
à Ford, teria sido repassado a Barris por apenas um mísero
dólar. Para a montadora era só mais uma sucata ocupando espaço.


Ainda na parte inferior traseira, a grade interna do pára-choque
foi modificada, e ali foram colocados os dois pára-quedas e, o melhor
de tudo, a saída da turbina. A idéia inicial era de que o
Batmóvel teria uma turbina de emergência, que auxiliaria o
motor original (Ford V8) como uma fonte de potência extra durante
as perseguições, por exemplo, ao “Coringa”. Mas na realidade,
do filme (ou ficção?), a turbina era a fonte permanente de
energia do carro. Basta lembrar dos nossos heróis descendo pelos
Bat-Postes da Mansão Wayne, entrando no Batmóvel e, na arrancada,
a câmera sempre mostrava a turbina em close, entrando em funcionamento
imediato (graças às baterias atômicas) com direito
a fogo e fumaça, além do inconfundível som.

Nas laterais, muito trabalho também: o estilo das rodas semi-encobertas
do Futura foi eliminado. As “bolhas” de plexiglass, que no Futura faziam
o papel da capota, foram mantidas, tendo sido eliminadas apenas as seções
centrais. Considerando que Batman raramente agia em dias de chuva, nenhum
problema. Entre as bolhas, foi instalado um “santantonio”, com sirene e
duas antenas especiais. O interior foi remodelado e recebeu o “Bat-Fone”,
talvez o precursor da telefonia móvel atual. Foram instalados sistemas
anti-furto, rádios, “Batscópio”, armas-laser” e até
um monitor de vídeo para uma “Bat-Câmera”, além de
computador e diversos acionadores, como o da rede que era lançada
de dentro do porta-malas e aprisionava os vilões (estes, sempre
“especialmente convidados”, inclusive alguns famosos astros de cinema,
como Vincent Price, o “Cabeça de Ovo”; Burgess Meredith, o “Pingüim”;
Cesar Romero, o “Coringa”; e muitos outros). Os “Bat-Bancos” contavam com
cintos de segurança e eram ejetáveis, para afastar de vez
quem tentasse roubar o carro.

Finalmente a pintura, preta com filetes e morcegos vermelhos nas laterais,
que só tivemos o prazer de conhecer em detalhes nos anos 70, com
a chegada da TV em cores no país. Para completar o “pacote”, rodas
Rader em liga-leve, enfeitadas por “Bat-Calotinhas” vermelhas em forma
de morcegos. Barris cumpriu sua palavra e entregou o carro para a estréia
da série na Rede ABC de Televisão, que literalmente “delirou”
com o carro pronto, e imediatamente deu início à produção
dos episódios, nos estúdios da 20th Century Fox, em Burbank,
Califórnia. Com poucas aparições, logo o Batmóvel
se tornou um “cult”, alcançando o posto de “mais famoso e versátil
custom-car já produzido”, chegando a níveis de fama semelhantes
aos do Fusca ou Ford T.
Graças ao sucesso do carro, Barris construiu 3 réplicas a
partir do original, que correram o mundo e puderam ser apreciadas por milhões
de fãs da série, e uma delas está exposta no
“Motorama Cars of the Stars Museum”, na Hollywood Boulevard, Califórnia.
Mas o tempo passa e, implacável, nos faz perder a ingenuidade, e
hoje nos perguntamos como é que um carro movido a jato poderia cantar
pneus nas arracadas?
Existem 5 Batmóvel, numerados de um a cinco, sendo quatro originais
e um pirata. O Batmóvel #1, o original do filme, era realmente o
Lincoln Futura modificado. Com carroceria de aço e o retrabalho
feito por Barris, que inclui em seu currículo muitos carros para
Elvis Presley, “Família Monstro”, além do protagonista do
filme “Carro, a máquina do diabo”; Barris é o mais famoso
“customizador” dos Estados Unidos e foi também responsável
pela pintura do Porsche que matou James Dean.
O Batmóvel pesava nada menos que 3 toneladas. O motor original Lincoln
foi substituído por um Ford 427, com dois compressores Paxton e
injeção de nitro, e a transmissão era automática.
As suspensões não foram alteradas, o que conferia ao Batmóvel
indesejado movimento de carroceria, especialmente nas freadas e curvas
fortes.
As réplicas (#2, 3 e 4), produzidas em fibra de vidro, utilizavam
chassi de Ford LTD adaptados, pois o Futura era único e não
existiam outros chassi na mesma medida. Uma delas, a #4, participou até
de competições de “dragster”, mas acabou recebendo sua digna
aposentadoria, e hoje participa apenas de exposições. Uma
aposentadoria bem menos arriscada.
Já o Batmóvel #5 é elegantemente chamado de “não
oficial”, e foi produzido por um particular a partir de um Ford Thunderbird,
com motor 351 V8 Cleverland. Como o carro era usado em exposições
mediante pagamento, sem autorização de Barris, após
uma demanda judicial o “#5” também acabou nas mãos de Barris,
que fez as modificações necessárias e o vendeu em
1988 por cerca de US$ 150 mil! Noticias não confirmadas dizem que
este carro hoje pertence a Burt Reynolds. O #1 está com Barris e
os demais modelos estão nas mãos de felizes colecionadores.
Afinal, quem não queria ter um Batmóvel na garagem? Isso
sem contar a Bat-Lancha, a Bat-Moto, o Bat-Cóptero...

O Batmóvel original, chamado “número um”, pertence hoje a
Barris e fica guardado na sua empresa, a “Barris Kustoms”, em Hollywood,
na Califórnia. Há pouco tempo, o carro estava em condições
muito ruins, com a pintura gasta e desbotada, e interior bastante desgastado.
Hoje, segundo consta, o Batmóvel está perfeitamente recuperado,
e pode ser visto em raras exposições e encontros de carros
antigos.
