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CAPA
AGRADECIMENTOS
DADOS PESSOAIS
ÍNDICE
INTRODUÇÃO
LOCAL
PROBLEMAS
FAMÍLIA
SUJEITO
LOGO
SOE
PROJETOS FUTUROS
INFORMÁTICA
ESCOLHA DO MÉTODO
ESTRATÉGIAS DE APRENDIZAGEM
PROFESSORES
GRUPO ESCOLHIDO
CRONOGRAMA
MÉTODO UTILIZADO
AMBIENTE DA INFORMÁTICA
INTERNET
LÓGICA DO COMPUTADOR
JOGOS
CRIANÇA HOJE
LOGO NA AULA
OUTROS USOS  DO LOGO
DA TV A INTERNET
EIXO CENTRAL
A IDADE DA TERRA
FILME
GLAUBER
ANÁLISE
CONCLUSÃO
BIBLIOGRAFIA
E-MAIL

 

O ensino enquanto uma construção- possibilidades de uma intervenção através da linguagem LOGO

A intervenção na instituição escola- professores e SOE

Conclusões e projetos futuros a partir do trabalho realizado

Trabalhos desenvolvidos com a informática

Método escolhido e desenvolvimento do trabalho

Desenvolvimento de estratégias de aprendizagem

A segunda parte, o trabalho com o corpo docente

 

 

 

O ENSINO ENQUANTO UMA CONSTRUÇÃO- POSSIBILIDADES DE INTERVENÇÃO ATRAVÉS DA LINGUAGEM LOGO

Através de vários métodos que possibilitassem trazer a idéia central do aprendizado como uma forma de construção, me deparei com a linguagem logo. O objetivo de utilizar essa linguagem foi poder trazer até a escola um método que trabalha-se com os alunos em dificuldades e os auxiliassem a construir soluções, ao invés de apenas repeti-las.

Como foi demonstrado antes, o problema do fracasso escolar foi abordado de várias nuances, desde o papel da família e , agora, procurava estabelecer um método em auxílio a aprendizagem que pudesse estimular uma educação construtora. como vimos acima, Piaget supõe que a criança não pode estar passiva no processo de aprendizagem, mas interagindo constantemente e buscando inventar suas soluções, de acordo com sua história pessoal e seu contexto de vivência. A construção de um conhecimento se dá em sua aplicação em um dado momento da historia da cultura em que o sujeito vive: portanto, era necessário superar o modelo de escola onde o saber possui status de verdade absoluta para o modelo de saber como processo construtivo. Para tanto, inicio esta intervenção apresentando a escola a linguagem logo.

 

Ela se baseia no vasto trabalho realizado pela prof. Léa Fagundes:

"Temos realizado trabalhos de pesquisa, na linha da Psicologia piagetiana, desde 1974, fundamentalmente na área do desenvolvimento dos mecanismos perceptivos e na área do desenvolvimento das operações mentais. A partir de 1979 ocorre para nós a passagem da "investigação artesanal" para a "investigação dos processos cognitivos da criança em atividade de programação". Neste quadro, a realização de dois projetos de pesquisa no ano de 1982 (Fagundes, 1982; Mosca & Fagundes, 1982) permitiram: a) dar uma resposta positiva quanto à possibilidade de uso do microcomputador com a linguagem Logo por escolares; b) verificar que a interação de crianças com o mundo Logo pode ser utilizada como "instrumento para observação" do funcionamento do raciocínio dessas crianças; c) levantar a hipótese de que, no emprego da linguagem Logo, para a construção de formas geométricas no monitor, a criança utiliza procedimentos mentais modulares de raciocínio na atividade mental de programação. "(Fagundes, Léa da Cruz & Mosca, Paulo Roberto Ferrari. Interação com computador de crianças com dificuldade de aprendizagem: uma abordagem platina Arquivos Brasileiros de Psicologia, 37(1):32-48, jan.lmar. 1985.)

 

Esse trabalho de Léa Fagundes a propósito da linguagem logo, se baseia no seguinte conceito de imagem mental:

"A noção de "imagem mental" tem urna história "tumultuosa". (Pylyshyn, 1973). Platão, por exemplo, colocava que o espírito era como massa de barro onde as percepções deixavam os seus traços, sendo que estes traços poderiam ser evocados depois. No século XVIII a noção de "imagem" fica confundida com a noção de "idéia", e no início do século XX a imagem fica como um traço residual das sensações (Binet; Galton, 1883). Ao interregno da Escola de Wurzug (com as discussões célebres sobre a possibilidade de pensamento sem imagem), Watson ( 1913 ) volta a colocar a imagem como um fruto da percepção. A escola russa, liderada por Sechenov e Pavlov, coloca a imagem mental como uma reação do organismo frente a estímulos externos (Luria, 1974).

O estudo sobre as alucinações de Holt (l964), o neobehaviorismo de Hebb (1968) e os trabalho de Burt (1962) e de Richardson, porém, reabilitam a noção de "imagem" como algo independente da percepção. No que se refere às crianças, a independência de imagem em relação à percepção está já implícita nos trabalhos de Paivio, Rowler e Reese no Imagery in Children Learning Symposium, promovido pela Society for Research in Child Developinent em 1969. A partir daí o conceito de "imagem" fica como uma evocação das qualidades perceptivas de um objeto ou evento na ausência deste Objeto ou evento. Em relação ao desenvolvimento das imagens, a escola piagetiana mostrou que a imagem é um prolongamento da percepção: ela surge no final do período sensório-motor, a partir da imitação interiorizada da atividade perceptiva (Piaget,1964). Por outro lado, Piaget & Inhelder (1966) mostram que a estutura de imagem mental evolui com o desenvolvimento cognitivo, sendo reprodutora estática na criança pré-operatória e reprodutora cinemática e de transformação ou mesmo antecipatória na criança operatória. Este processo ocorre pela aplicação das operações mentais sobre as imagens mentais. (Fagundes, Léa da Cruz & Mosca, Paulo Roberto Ferrari. Interação com computador de crianças com dificuldade de aprendizagem: uma abordagem platina Arquivos Brasileiros de Psicologia, 37(1):32-48, jan.lmar. 1985.)

 

Nesse sentido, a linguagem logo serve para testarmos o quanto a escola está conseguindo oferecer um ambiente construtivista positivo para os alunos, e quais suas principais deficiências na produção de um raciocínio construtivista. auxilia também a melhorar a capacidade de construção dos alunos. Os primeiros trabalhos que deram a origem a linguagem logo, foram:

"Os trabalhos iniciais na área da computar vision foram sobre a simulação redes neuronais (Pitts & McCulloch, 1947); depois, porém, envolvem noções mais abstratas como perceptrons (Minsky & Papert, 1968), discriminação linear (Niílson, 1965) e caracteres classificadores (Uhr & Vossler, 1963) Guzman (l968) constrói um sistema para recognição de objetos de três dimensões (Programa SEE); Clower (l971) e Huffman (l971) modificam modelo no que se refere à interpretação de indicadores de junções. Nake Rosenfeld (l972) têm nesta linha uma abordagem sintática para a recognição padrões, sendo o output uma descrição estrutural do input .(sem que ocorra uma tomada de decisão sobre a classe do input).

Walz (l975) amplifica o modelo de Guzman (l968) envolvendo aí um algoritmo de filtração que permite levar em conta as diferenças de iluminação local. Hanson & Riseman (l978) ampliam o modelo de Walz (l975) no que concerne à segmentação de objetos. Por outro lado, Rosenfeld e outros ampliam o modelo de Walz (l975) para detecção de clusters, Davis & Rosenfeld (l978) para detecção de curvas, Ullman (l976) para detecção de contornos, Barrow & Tenembaum (l978) para a orientação em superficie de cenas .

Tenembaum & Barrow (l977) propõem um sistema para detecção de cenas naturais, que envolve colocar um modelo de camas, paredes, janelas etc. no sistema ; é feita então uma implementação da teoria dos frames - a qual é seguida também em Brady & Wielenger, Kuipers (l978) e no projeto Visions de Hanson & Riseman (1978).

Levando em conta ainda os trabalhos de Lesser & Erinan (l977), Marr (l977), Marr & Nishishara (l978) e as revisões de Brady (1982a, 1982b), no que concerne às preocupações de nosso trabalho, as unidades de reconhecimento usadas tendem a ser linhas e cantos no inicio; hoje, porém, existe uma tendência para o uso de fremes como unidades de representação, além de níveis de representação como vértices e segmentos, regiões, volumes, objetos, esquemas.

Ao nível da computação gráfica, o uso de " pacotes" (no qual ficam embutidas certas noções geométricas) aparece desde o trabalho inicial de Sutherland (l963) sobre o sistema Sketchpad até hoje (Foley & van Dam, 1982). Estes conceitos de "pacotes" existem também nos sistemas que assumem uma representação proposicional da imagem, desde os seminais projetos do sistema de perguntas-e-respostas de Green & Raphael (l968), do sistema Deducom de Slagle (l971), do sistema Shakey de Raphael (l968) e do clássico sistema de Winograd (l972).

O sistema tipo estrutura de dados, aparecido em Newell & Simon (l972), nos trabalhos de Lincoln no MIT, em Minsky (l968), Reitman (l965) e Fridge, pode ser visto como uma representação proposicional, onde (informalmente) as relações entre as proposições são tornadas explícitas.

Não é intenção dos autores reduzir modelos de sistemas cognitivos humanos a modelos de sistemas de inteligência-artificial. Porém esta revisão coloca o problema (para os autores) da existência dos módulos na imagem mental das crianças, em especial as unidades desta imagem e a geometria de sua construção. "(Fagundes, Léa da Cruz & Mosca, Paulo Roberto Ferrari. Interação com computador de crianças com dificuldade de aprendizagem: uma abordagem platina Arquivos Brasileiros de Psicologia, 37(1):32-48, jan.lmar. 1985.)

 

A linguagem logo vem então em suplência para auxiliar o trabalho de construção do conhecimento dentro da escola. Serve como instrumento medidor e desenvolvedor do raciocínio construtivista. Todo o conceito de imagem mental tem seu correlato na teoria Piagetiana, donde a linguagem logo busca seus substratos para possibilitar suas características educativas.

"A partir de nossa tradição piagetiana, dos nossos trabalhos anteriores sobre o desenvolvimento da inteligência, nas crianças que estão programando em Logo e da revisão já esboçada, concebemos o problema-chave de modelizar o funcionamento cognitivo da criança que está programando em Logo no que se refere às interações entre suas imagens mentais e sua programação em Logo. Nossa abordagem ocorre dentro da psicologia piagetiana, acoplada a preocupações sobre o processamento da informação.

Concebemos como primeiro grande problema o das conceitualizações da criança em atividade de programação de desenhos sobre sua imagem mental. Dentro deste problema procuramos investigar a análise que a criança faz da imagem do desenho pretendido, em especial o uso de partes significativas (módulos) e a análise que ela faz das relações entre essas partes. Quanto a isso, importa para nós a forma dessas partes, a nitidez delas e as relações espaciais (geométricas) das partes entre si e com o todo.

Dentro desse primeiro grande problema, o segundo subproblema é o da seqüência da análise da imagem mental quer das partes entre si, quer das idas e vindas da análise sobre a imagem. O terceiro subproblema envolve a existência para a criança de seqüências alternativas na análise da imagem mental, bela como a natureza em série ou em paralelo dessas seqüências.

O segundo grande problema envolve as conceitualizações da criança sobre a programação em Logo. Em primeiro lugar envolve a significação dos procedimentos Logo (quer dos comandos primitivos, quer dos procedimentos definidos como programas) para a criança. Em segundo lugar envolve a definição dos módulos de programação: o processo de construção dos módulos, a estrutura final dos módulos e a significação destes módulos para a criança.

Em terceiro lugar envolve conceitualizações que a criança faz sobre os bugs de programação e sobre as atividades de debugging; no caso, isso implica a investigação do tipo de superação do bug e também o processo de reestruturação das conceitualizações.

O terceiro grande problema envolve o desenvolvimento dos dois tipos de conceitualizações citados antes (sobre as imagens mentais e sobre a programação em Logo) durante as sessões de trabalho no computador. Em especial isso implica o progresso da análise feita pela criança sobre suas imagens mentais e o progresso de sua atividade de programação (complexidade/simplicidade na elaboração de programas em Logo e também nos programas acabados). "(Fagundes, Léa da Cruz & Mosca, Paulo Roberto Ferrari. Interação com computador de crianças com dificuldade de aprendizagem: uma abordagem platina Arquivos Brasileiros de Psicologia, 37(1):32-48, jan.lmar. 1985.)

 

Assim, vemos que a linguagem logo possibilita abarcar uma ampla área de estudo do raciocínio humano, a partir do conceito das imagens mentais e de seu manuseio pelo sujeito. a linguagem logo é conhecida pela sua alta capacidade de gerar possibilidades e combinações infinitas, criando assim um ambiente frutífero para o desenvolvimento do raciocínio por parte da criança. O método a ser utilizado baseia-se na pesquisa de Léa e Mosca:

"Como técnica de investigação foi utilizada a descrita em Mosca & Fagundes (l982),' a qual está baseada no "método clínico" piagetiano. No específico a este projeto de pesquisa, durante sessões individuais de programação, os sujeitos desenvolveram projetos gráficos propostos por eles próprios ou sugeridos pelo experimentador. Durante a sessão de programação, era solicitado ao sujeito que desenhasse a figura pretendida com lápis e papel, era feito um interrogatório "clínico" visando acessar à fragmentação e à recomposição conceitual dos módulos de suas imagens mentais. Também era feito um interrogatório "clínico", visando acessar aos procedimentos pelos quais o sujeito acreditava poder realizar seu projeto, procurando a detecção de possíveis etapas, possíveis módulos e a natureza em série ou em paralelo desse planejamento mental. Além disso, era feito um interrogatório "clínico", durante o trabalho do sujeito no computador, visando acossar o significado atribuído pelo sujeito aos procedimentos da linguagem Logo, o significado atribuído aos módulos mentais de programação e às conceitualizações feitas pelo sujeito sobre os problemas que apareciam durante a atividade de programação" (Fagundes, Léa da Cruz & Mosca, Paulo Roberto Ferrari. Interação com computador de crianças com dificuldade de aprendizagem: uma abordagem platina Arquivos Brasileiros de Psicologia, 37(1):32-48, jan.lmar. 1985.)

 

A linguagem logo se divide em vários estágios:

"O tipo mais inferior de estratégia envolve o emprego pelo sujeito de muito apoio perceptual (quer no desenho feito no papel, quer no desenho projetado na tela de TV a partir dos comandos Logo), durante a atividade de programação; este tipo implica a geração mental de procedimentos Logo a partir de retroações a partir da percepção. O tipo mais elevado envolve o emprego basicamente de imagens mentais e operações mentais para a geração do programa em Logo; a separação entre estratégias baseadas na imagem mental e estratégias baseadas nas operações não é ainda clara para nós. Fica claro, contudo, que este tipo mais elevado envolve a geração mental de procedimentos Logo, a partir basicamente de processos top-down, apoiando as estratégias e os procedimentos mentais ao que parece sobre o próprio raciocínio operatório. A essa geração se seguem retroações (após rodar o programa) via percepção, mas a importância dos processos top-down não fica obscurecida.

As estratégias apoiadas na percepção e as estratégias apoiadas na imagem mental convivem em algumas crianças lado a lado, podendo ser formulada a hipótese de três "níveis": apoio predominantemente perceptivo, intermediário, apoio predominantemente na imagem mental. Em relação à separação apoio na imagem/apoio só nas operações mentais - isto requer uma investigação maior.

A linguagem logo então permite abarcar o problema da aprendizagem em três frentes:

"Concebemos a partir destas nossas construções três grandes problemas para" investigação:

- a organização das estratégias;

- a relação entre as estruturas cognítivas e as estratégias;

- a relação entre as "teorias em ação" e as estratégias" (Fagundes, Léa da Cruz & Mosca, Paulo Roberto Ferrari. Interação com computador de crianças com dificuldade de aprendizagem: uma abordagem platina Arquivos Brasileiros de Psicologia, 37(1):32-48, jan.lmar. 1985.)

 

Donde se conclui que:

" Em relação ao problema da organização das estratégias, concebemos o estudo dos procedimentos mentais que realizam a coordenação da ordem produtiva (no sentido de um procedimento Logo produzir um efeito) com a ordem teleonômica (no sentido de a representação da imagem goal atuar sobre a escolha de um procedimento Logo). Quanto a isso, a relação entre a escolha de um procedimento e a representação da imagem goal nos parece como um processo complexo, pois a própria representação do goal (imagem mental) se modifica durante a atividade de programação - como foi descrito antes. Um trabalho inicial sobre a organização das estratégias, desenvolvido no LEC/UFRS, é o de Mosca & Silveira (l984).

Em relação ao problema da relação entre as estruturas cognitivas e as estratégias de descoberta, concebemos que os esquemas cognitivos (quer de natureza lógico-matemática, quer da natureza física) funcionam como sistemas "interpretadores" para o goal e para os meios de descoberta ("interpretadores" de Mosca & Fagundes, 1982). O problema geral aqui é o do relacionamento entre duas funções do sistema. cognitivo: a compreensão (representada pelos esquemas cognitivos) e o êxito (representado pelas estratégias cognitivas). Nossa hipótese sobre os "interpretadores" envolve aqui o papel da compreensão em relação ao êxito.

Contudo, temos claro que esta relação não é tão simples assim, pois a atividade de programação envolve a ativação de esquemas cognitivos já possuídos pelo sujeito, a especificação destes conhecimentos na representação de um específico micromundo Logo, a aquisição de esquemas e a acomodação de esquemas. A interação entre todos estes processos ainda nos é desconhecida.

Um subproblema que temos investigado aqui é a natureza da inferência que o sujeito estabelece entre a representação que ele atribui ao goal e a representação que ele atribui aos instrumentos de intervenção no micromundo Logo; descrevemos quanto a isso a existência de significações uni e multifuncionais em relação aos procedimentos Logo. Concebemos, como hipótese, que estas inferências significativas são "sustentadas" pelos esquemas cognitivos ao nível das representações do sujeito (hipótese dos "interpretadores").

Em relação ao problema da relação entre as "teorias em ação" (teorias desenvolvidas pelo sujeito durante a atividade de programação num específico micromundo Logo) e as estratégias de descoberta, concebemos dois aspectos: o da nacionalidade das estratégias em função das teorias desenvolvidas pelo sujeito e o do grau de formação e de adequação destas teorias. Os casos mais interessantes aqui para a investigação são os das teorias adequadas mas em formação (teorias lacunares eficientes) e os das teorias formadas mas inadequadas (teorias erradas)." (Fagundes, Léa da Cruz & Mosca, Paulo Roberto Ferrari. Interação com computador de crianças com dificuldade de aprendizagem: uma abordagem platina Arquivos Brasileiros de Psicologia, 37(1):32-48, jan.lmar. 1985.)

 

Como vimos nessa apresentação da linguagem logo através dos trabalhos de Léa e Mosca, ela nos permite analisar a capacidade de raciocínio de um aluno sob vários ângulos, tomando vários aspectos. Permite com isso avaliar o quanto de seu aprendizado está sendo construtivo, quais seus principais problemas e deficiências.

como citou Léa o confronto das teorias em ação com as descobertas permite perceber o quanto ele pode ter sua capacidade de assimilação comprometida ou não, além de que, como os operadores cognitivos irão ser desenvolvidos a partir das teorias de ação e recombinados para conter as imagens mentais, pressupõe demonstrar como os novos conteúdos de sala de aula são acomodados pelo aluno, pois a passagem de um apoio predominantemente instintivo, a partir de novas reformulações das teorias cognitivas para dar conta da organização do raciocínio lógico operatório, até a elaboração de estratégias que o tornem apto ao pensamento lógico apoiado predominantemente em imagens mentais, traz toda uma confluência de dados que nos permitem mapear a forma e as deficiências do aprendizado do aluno.

O logo permite isso porque:

" Através dos desenhos, estamos apresentando conceitos que seriam extremamente difíceis de serem compreendidos se trabalhássemos somente com os aspectos tradicionais de programação(...)as atividades gráficas utilizam idéias poderosas e sofisticadas as quais, quando embutidas nas atividades gráficas, se tornam manipulávies." ( José Armando Valente, ann Berger Valente- Logo: conceito, aplicação e projetos, pág.58)

Como vemos, esses elementos do logo fazem com que ele não somente seja uma espantosa ferramenta de avaliação da real capacidade construtiva da criança, mas também possibilita auxiliar na compreensão de problemas que se apresentem de difícil solução para esta. Isso é fundamental porque as crianças que repetiram a mesma série várias vezes, por exemplo, tem dificuldade e preconceito de aprender a matéria, na primeira tentativa fracassada se desestimulam e tem sua autoestima afetada. com o logo, podem aprender coisas que consideram difíceis sem nem mesmo notar. Aprendem brincando.

Aqui, alguns exemplos utilizados com a linguagem logo, para testa a capacidade de raciocínio construtivo das crianças:

" Desenhos recursivos= Isso pode ser feito, por exemplo, com um pentágono regular desenhado numa folha de papel. Se unirmos os vértices para formar uma estrela, como mostra a figura abaixo, um novo pentágono é formado no centro da estrela. Uma nova estrela pode ser obtida unindo os vértices deste pequeno pentágono. E assim por diante. como definir um procedimento para obter estes sucessivos pentágonos? Quando e como este procedimento deve parar?" ( José Armando Valente, ann Berger Valente- Logo: conceito, aplicação e projetos, pág.60)

Além dessas aplicações, utilizamos um exercício simples para possibilitar combinar de várias formas palavras, para se formar poemas:

" Podemos alterar o vocabulário para produzir frases ainda mais loucas ou engraçadas. Podemos ainda melhorar as frases produzidas tanto do ponto de vista semântico( significado) como do ponto de vista da concordância verbal." ( José Armando Valente, ann Berger Valente- Logo: conceito, aplicação e projetos)

Para ilustrar esse exemplo:

" O procedimento vocabulário cria três variáveis cujos valores são listas de nomes, verbos e objetos, respectivamente.

Aprende vocabulário

coloque [[ o rapaz[ [ o tigre] [ a tartaruga] [ sua irmã]]

" nomes

coloque[[ tomou mordeu bateu feriu] ‘ verbos

coloque[[ o sorvete] [ o telhado] [ o carro]] " objetos

fim" ( José Armando Valente, ann Berger Valente- Logo: conceito, aplicação e projetos, pág. 69)

Este foi um esboço de um projeto simples de palavras utilizado. Cada criança escolhia suas palavras e tentava prever qual geração aleatória de frases o computador iria escrever. A tartaruga foi ainda preparada para executar conceitos mais complexos para as crianças( o grupo de 12 a 14anos), pois foi criado três grupos conforme a idade: o de 09-11, o de 10-12 e o 12-14. ao terceiro grupo mostramos o funcionamento da lei newtoniana:

" A visão aristoteliana de movimento dos objetos é muito simplista. Não leva em consideração uma série de fatores que influem o movimento dos objetos. Por exemplo, no caso da flecha, se existe uma força impulsionando a flecha constantemente, porque ela eventualmente para? Por que é difícil alterar a direção de seu movimento? Estes fatos não foram considerados por Aristóteles. O conceito de inércia( de Galileu) desbancou a teoria de Aristóteles e revolucionou as idéias sobre o movimento dos objetos. eles provocaram alterações profundas, colocando por terra um verdadeiro castelo intelectual da época. e mais tarde Newton desenvolveu suas famosas leis do movimento, destruindo completamente as idéias de Aristóteles. a primeira lei, chama-se lei da inércia, afirma que:

Primeira lei: Todo corpo continua no seu estado de repouso ou de movimento retilíneo uniforme, a menos que forças atuam sobre ele fazendo-o alterar seu estado.

Segunda lei: A força aplicada a um objeto altera seu movimento de acordo com a relação f=m*a.

(...) O comportamento da tartaruga segundo as leis de Newton podem ser obtidos através:

aprenda tatdi.newton

prepare

movimento.newton

fim" ( José Armando Valente, ann Berger Valente- Logo: conceito, aplicação e projetos, pág. 114)

Os procedimentos aqui em linguagem logo não são muito didáticos, pois não coloquei os conceitos básicos da linguagem nem seus caracteres de comando, pois ocuparia no mínimo um outro módulo de igual tamanho. Mas serve para demonstrar os tipos de exercícios que são utilizados nos grupos para estimular e medir a capacidade dos alunos de construírem raciocínios lógicos. Se eles conseguem aprender as teorias de Newton de uma forma agradável e divertida e comprovando-a na prática, tomam mais auto-confiança para resolver problemas complexos e não desistem mais facilmente frente ao primeiro fracasso. além disso, a experimentação é parte intrínseca da aprendizagem, como diz Piaget:

" ... o que se deseja é que o professor deixe de ser apenas um conferencista e que estimule a pesquisa e o esforço, ao invés de se contentar com a transmissão de soluções já prontas." (Jean Piaget, Para onde vai a educação?, pág. 15)

Neste sentido, o projeto logo pode servir como um meio de se realizar experimentos via computador, para dar mais ênfase em determinado aspecto da matéria. Piaget considera a experimentação como um dos pontos fundamentais da apreendiam via construção do conhecimento:

" Em outras palavras, se existe um setor no qual os métodos ativos se deverão impor no mais amplo sentido da palavra, é sem dúvida o da aquisição das técnicas de experimentação, pois uma experiência que não seja realizada pela própria pessoa, com plena liberdade de iniciativa, deixa de ser, por definição, uma experiência, transformando-se em simples adestramento, destituídos de valor formador por falta de compreensão suficiente dos pormenores das etapas sucessivas." (Jean Piaget, Para onde vai a educação?, pág. 17)

a linguagem logo tem todos os elementos necessários para realizar isso, pois ela consiste em problemas que são analisados e construídos pelos alunos e depois são experienciados em uma utilização prática no computador, traduzindo assim a base da própria atividade construtivista, que no entanto, Piaget já lamenta, não existe na escola tradicional:

" Essas são as noções que inspiraram as doutrinas da escola tradicional:(...) Basta, em suma, acumular conhecimentos na memória, ao invés de conceber a escola como um centro de atividades reais( experimentais) desenvolvidas em comum, tal como se elabora a inteligência lógica em função das ações e trocas sociais." (Jean Piaget, Para onde vai a educação?, pág. 31)

 

a linguagem logo possibilita demonstrar um viés para a superação e passagem da escola tradicional para um a escola construtivista, voltada para o aluno como sujeito. O próximo passo seria poder colocar a internet na escola e realizar assim trocas de idéias e conteúdos, buscar soluções em conjunto com alunos de outras escolas e mesmo de outros países. esse intercâmbio de soluções é uma mola mestra para a produção cada vez maior de um aprendizado mais eficiente. como diz Piaget:

" As correspondências interescolares, os clubes de ajuda mútua em favor da juventude de outros países, os grupos de viagens internacionais( trocas de estudantes em tempo de férias e mesmo de aula), e muitas outras iniciativas já tomadas entre as duas guerras constituem métodos ativos cujo alcance se revelou positivo. (...) Pode-se conceber, por exemplo( sem envolver a responsabilidade do professor e a título de livre troca de idéias), um grupo de alunos secundaristas procurando estabelecer, por meio de uma confrontação de artigos de jornal ou de declarações radiofônicas, a multiplicidade dos pontos de vista, a respeito de um mesmo acontecimento, e as dificuldades de uma história objetiva." (Jean Piaget, Para onde vai a educação?, pág. 80)

Até aqui apresentei o que é o logo, qual a teoria que o embasa e suas múltiplas possibilidades de aplicação dentro da escola, desde a avaliação, até um poderoso instrumento de trabalho e experimentação dentro da escola. a teoria que o sustenta constitui-se das idéias de Piaget aplicadas na prática, em uma aprendizagem interativa, não-passiva, que possibilite ao aluno construir o conhecimento e ter a noção deste como algo a ser produzido e constantemente reformulado, ao invés de algo acabado e absoluto. Vimos como a linguagem logo, em suas várias possibilidades e caminhos permite as mais variadas formas de se construir uma resposta, respeitando assim o caminho que a individualidade de cada aluno escolherá para se expressar.

Neste último ponto, veremos como poder ligar todas essas formas de intervenções em uma melhoria no próprio sistema de ensino da escola, fazendo com que não se perca o que até aqui foi construído, mas se aplique na instituição. Cabe lembrar que somente separei as intervenções para fins didáticos, pois na prática elas se deram conjuntamente e creio ser assim a melhor forma de passar adiante o que se pode trazer de novo deste trabalho. Passo assim, ao último ponto.

A INTERVENÇÃO NA INSTITUIÇÃO ESCOLA- PROFESSORES E SOE

 

De acordo com as idéias de Piaget, o sujeito situa-se em um dado momento histórico e contextual, onde ele constrói seu conhecimento e o aplica. Para Piaget, a construção da inteligência se baseia nas premissas que:

" O pensamento representativo, por oposição à atividade sensório-motora, começa, desde que, no sistema das significações que constituem toda inteligência e, sem dúvida, toda consciência, o significante se diferencia do significado. a representação pode ser entendida em dois sentidos:

- no sentido lato, ela " se confunde com o pensamento, isto é, como toda inteligência que já não se apoia simplesmente nas percepções e nos movimentos( inteligência sensório-motora), mas antes num sistema de conceitos ou de esquemas mentais".

-No sentido estrito, " ela se reduz à imagem mental ou à lembrança-imagem, isto é, à evocação simbólica das realidades ausentes."( Jean Marie-dolle, Para compreender Jean Piaget, pág. 34)

Todo esse esquema sobre a formação da inteligência não pode no entanto deixar passar em brancas nuvens a importância das relações coletivas e do contexto onde o indivíduo se insere:

" Do mesmo modo, os métodos ditos " ativos", que são os únicos a desenvolver a personalidade intelectual, supõem necessariamente a intervenção de um meio coletivo ao mesmo tempo formador de personalidade moral e fonte de intercâmbios intelectuais organizados." (Jean Marie-dolle, Para compreender Jean Piaget, pág. 35)

Assim demonstra-se que o meio coletivo tem, para Piaget, um papel extremamente importante na formação das capacidades do aluno. Foi baseado nesta premissa que estabeleci as intervenções a nível de família. Podemos entender isso em um conceito de formação de personalidade, em uma postura crítica do sujeito:

" Na sociedade brasileira há a necessidade de constituição do sujeito epistêmico como condição básica para o processo de crítica. De certa forma, se estabelece uma situação paradoxal: por um lado, a escola está eivada pela razão formalizada; por outro lado, é nessa mesma escola que está a possibilidade de constituição desse sujeito, sem o qual não se estabelece a capacidade operatória formal que levaria à tomada de consciência." ( Vários, Teoria crítica e educação, pág. 89)

Para fazer-se uma intervenção dentro de uma escola e transformá-la em um ambiente propiciador de uma aprendizagem construtivista, temos que ter em mente que não pegaremos um ambiente "límpido" de outras teorias, mas um local já contaminado por preconceitos subjacentes:

" O professor de primeiro e segundo grau é visto como um mero repetidor de fatos já conhecidos e aceitos pela comunidade em geral.

Faltam-lhe os méritos da investigação em novos campos do conhecimento, da pesquisa. Além disso, há um " cheiro" de simplificação indevida, de superficialidade, de formulações estratégicas no ensino que ele ministra: os alunos " pressentem" que tratamento didático não é o produto integral, mas o produto sucedâneo, o ‘ Ersatz" que lhes cabe. Devolvemos agora a palavra a Adorno:

" Não apenas os professores se limitam a reproduzir algo já estabelecido, mas esta função mediadora, como tal, ocorre em todas as atividades de divulgação, se torna socialmente um pouco suspeita.

E, ainda,

O problema da imanente falsidade da pedagogia consiste no fato de que esta recorta a coisa sob a medida dos receptores e, portanto, seu trabalho acaba por não ser puramente objetivo, por não ser motivado pelo próprio tema. Só por este motivo, as crianças de uma maneira inconsciente, já deveriam se sentir enganadas." ( Vários, Teoria crítica e educação, pág. 130-31)

O professor já ocupa um lugar no imaginário social, que é reforçado pelas condutas da escola tradicional. Vimos que pela linguagem logo este método da escola tradicional pode ceder espaço para a busca de um currículo verdadeiramente construtivista. o conceito de logo, explorando a imagem mental e as estruturas cognitivas, baseia-se nas idéias piagetianas entre imagem e estruturas:

" Quanto ao problema das relações entre a imagem e o pensamento, tanto Binet quanto os psicólogos alemães da escola de Wurzburgo( de Marbe e Külpe e Bühler) mostraram a existência do que denominavam um pensamento sem imagem: pode-se imaginar um objeto, mas o juízo que lhe afirma ou nega a existência não é, ele próprio, acompanhado de imagem. Isso equivale a dizer que juízos e operações são estranhos à imagem, mas não exclui o fato de que esta desempenham um papel não como elemento do pensamento mas como auxiliar simbólico complementar da linguagem. Com efeito, esta última não se apoia senão em conceitos ou objetos conceptualizados na qualidade de classes singulares( meu pai, etc) e a necessidade subsiste, tanto no adulto quanto na criança, de um sistema de significantes que se firmem não em conceitos, senão em objetos como tais, e em toda a experiência perceptiva passada do sujeito: é à imagem que está destinado esse papel e o seu caráter de símbolo( em oposição a " sinal") permite-lhe adquirir uma semelhança, mais ou menos adequada e esquematizada, com os objetos simbolizados." ( Jean Piaget e Bärdel Inhelder- a psicologia da criança, pag. 61)

O conceito de imagem em Piaget tem um papel importantíssimo dentro da formação de esquemas cognitivos e, cabe retomar, na linguagem logo a imagem e raciocínio constituem as peças-chaves de todo seu funcionamento e possuem uma valorização bem grande, daí sua possibilidade de ser bem empregada para auxiliar na solução de problemas de aprendizagem.

O esquema da linguagem logo, de se construir premissas e depois testá-las dentro do computador, tem correlato na observação de Piaget sobre o jogo:

" Se o ato de inteligência culmina num equilíbrio entre a assimilação e a acomodação, enquanto que a imitação prolonga a última por si mesma, poder-se-á dizer, inversamente, que o jogo é essencialmente assimilação, ou assimilação predominando sobre acomodação.

Primeiramente, o jogo é simples assimilação funcional ou reprodutora. O fenômeno do " pré-exercício" de que K. Groos quis fazer a caracteristíca de todo o jogo só se explica pelo processo biológico segundo o qual todo o órgão se desenvolve funcionando; de fato, assim como, para crescer um órgão tem necessidade de alimento, o qual é por ele solicitado na medida de seu exercício, também cada atividade mental, desde as mais elementares ás tendências superiores, tem necessidade, para se desenvolver, de ser alimentada por uma constante contribuição exterior, mas puramente funcional e não material." ( Jean Piaget, a formação do símbolo na criança, pag. 115)

A linguagem logo possibilita a passagem desta relação entre trabalhar com imagens mentais e estruturas cognitivas onde estas se inserão para a validação ou não dos esquemas realizados na experimentação final no computador.

Essa retomada que eu fiz do que já foi abordado anteriormente, serve para rever os pontos e refletir sobre como tudo isso irá agora se inserir dentro do processo educacional do dia-a-dia da sala de aula, como passar todas essas descobertas para a relação professor-aluno.

Em primeiro lugar, considero necessário que, como as minhas intervenções inicias demonstraram, que o papel da família seja visto sob outro ângulo dentro da escola. Minha primeira intervenção junto aos professores, adveio da queixa destes de não saber o que fazer com os alunos problema. Nesse sentimento de impotência aparentemente desesperador, meu primeiro passo foi mostra que os professores tinham algo a oferecer sim e que eles, melhor do que eu, tinham capacidade de formular respostas, pois convivem e conhecem o ambiente de aprendizado melhor do que qualquer outro. São eles que diariamente atendem os alunos, que dedicam parte de sua vida para estes. Assim, fiz com que vissem que esse conhecimento que ali estava mas que no entanto era relegado a segundo plano, é importante pois pode mostrar a direção para buscarmos soluções para problemas de aprendizagem dentro da sala de aula. assim também foi com a família, pude exibir a esta que eles traziam um saber sobre o aluno- sua história, sua forma de relacionamento haja vista que são quem possuem laços mais fortes com este- e que isso é uma parte importante do aprendizado que deve ser passada para os professores, pois pode auxiliar muito a entender a forma como o aluno está construindo seu conhecimento, tendo em vista que o aluno nunca é passível frente ao conhecimento e isso os professores tem de levar em conta, mas expressará sua conflitiva emocional através da forma original e particular de construir o conhecimento.

Para tanto, realizei um trabalho com os professores para que pudessem deixar de lado antigos preceitos da escola tradicional, da generalização dos alunos, e pudessem começar a perceber que cada aluno tem a sua forma específica de abordar o conhecimento e para tanto me utilizei da linguagem logo no seguinte sentido: O meu trabalho com a linguagem logo trouxe resultados significantes, que pude demonstrar aos professores como cada aluno, mesmo encontrando uma solução em comum, a fez através de um trajeto bastante particular. Com estes resultados na mão, pude demonstrar-lhes que o conhecimento possibilita muitas vias de construção e que o ensino pode se dar de forma construtivista e , além disso, como a experimentação pode ser mais frutífera do que a mera repetição de conteúdos ministrados por parte dos alunos.

Através dos resultados obtidos no trabalho de logo, pudemos também nos sentarmos juntos, eu e os professores, e avaliar as respostas dos alunos, indentificando possíveis falhas na construção do conhecimento e no raciocínio lógico destes. Isso se devia a alunos que tomavam o conhecimento como algo absoluto e pronto, imutável e portanto logo se desinteressavam deste. Pudemos nessa avaliação conjunta determinar para cada caso se esse conceito errôneo de conhecimento se devia a valores e preconceitos oriundos do contexto familiar, ou se, pelo método de ensino, os professores estavam transmitindo uma visão desta natureza para as crianças. Havia um papel da família em alguns casos, mas prevaleceu uma dificuldade dos professores em saírem do modelo tradicional de escola e entrarem em um modelo eminentemente construtivista. Essa avaliação serviu como termômetro para os professores repensarem sua prática pedagógica. Aos poucos, penso em direcionar o trabalho com a linguagem logo para a sala de aula, não somente fazendo o corpo docente da escola tomar essa tarefa para si, mas incorporando neles a necessidade, para bem ministrar os conteúdos, de utilizar-se de métodos de experimentação.

 

Para que todo esse trabalho se realiza-se, foi preciso no entanto que eu ganha-se a confiança dos professores e para que isso ocorre-se teve de serem sanadas questões relativa a própria instituição. São questões nebulosas no entanto, pois quando se entra em uma instituição, há relações não-verbais, não-declaradas, modus operanti baseados em regras obscuras, movimentos imperceptíveis ao primeiro momento, ao olhar desatento. Como cita Bleger:

" A existência ou identidade de uma pessoa ou de um grupo são dadas na ordem do cotidiano e manifesto pela estrutura e integração que alcança o ego individual e grupal em cada caso; considerando como ego grupal o grau de organização, amplitude e integração do conjunto daquelas manifestações incluídas no que chamamos verbalização, motricidade, ação, juízo, raciocínio, pensamento, etc. Porém, esta individualização, personificação ou identidade, que um indivíduo ou um grupo tem ou espera ter, baseiam-se necessariamente numa certa imobilização dos extratos sincréticos ou não discriminados da personalidade ou do grupo. Descrevi em outros artigos como se instala entre ambos os estratos da personalidade( ou da identidade) uma forte clivagem que impede que entrem em relação um com o outro; pela imobilização dos aspectos sincréticos permite-se a organização, a mobilização, a dinâmica e o trabalho terapêutico dos aspectos" (José Bleger, Temas de psicologia- entrevista e grupos" pag. 86)

Existia assim conflitos subjacentes, que somente vim a conhecer depois que ganhei a confiança dos professores. Descobri que as relações entre o SOE e os professores havia esmoecido, pois devido a uma dificuldade de diálogo nem o SOE conseguia intervir com os professores nem estes conseguiam entender as diretrizes do SOE para ajudar os alunos indisciplinados, ou como contribuir para melhor beneficiá-los. Havia uma certa imobilização por parte dos professores, com medo de que se algo fosse alterado eles não soubessem que caminhos percorrerem, medo de ficarem desamparados, ademais que sua relação com o SOE estava bloqueada.

 

Alguns trechos do diálogo que estabeleci com os professores buscando construir um método conjunto para lidar com os problemas da sala de aula. Uma das professoras me diz:

- Mas tem salas que os alunos são insuportáveis, tem turmas que a gente nem pode entrar...

As outras professoras balançavam a cabeça concordando. Parece que, além de alunos-problemas, tínhamos agora turmas-problema. Digo a elas:

- Mas como é essa turma? O que a faz insuportável?

A mesma professora toma a palavra:

- Olha, digamos que tenho uma turma onde ninguém para quieto. Isso ocorre na 702- as outras professoras confirmam- eles se levantam, andam pela sala toda, não querem fazer nada.... e isso uma turma inteira!

- Mas quem sabe se a aula for feita de forma mais interessante, se conseguir cativar eles- mostro os números do trabalho com logo- veja, consegui desenvolver três projetos de programas com eles, três atividades, enquanto eu esperava somente duas no máximo... isso só foi possível porque consegui cativar a atenção deles plenamente.

-Mas como fazer isso em sala de aula? Pergunta uma professora.

- Bom, pode-se dar um conteúdo e fazê-lo voltado para a experimentação, deixá-los investigar... ao invés de dar pronto a matéria, propor jogos, desafios... poderia por exemplo, ao invés de dar determinado dado histórico, fazê-los pesquisar na biblioteca, incentivando-os a buscar soluções por si...

- É, a gente tem usado tão pouco a biblioteca...

- Tem algum texto que fale sobre esse método? Para nos fazer entender melhor?

Indico alguns livros de Piaget, mas falo que além disso elas precisam se sentar e discutir conjuntamente formas de melhorar a atividade delas.

-Vocês mesmas tem que construir a forma de dar aula, não partir de esquemas prontos, por exemplo, chegar na sala, ministrar o conteúdo e mandar os alunos repetir, tem que, por vocês, criarem métodos para transformarem a aula constantemente...

No terceiro encontro que tivemos, elas me indagaram especificamente sobre os alunos indisciplinados. Uma das professoras mais antigas me disse:

- Conheço alunos que vem apresentando problemas há tempos, como a gente resolve isso?

Ao invés de dar uma resposta pronta, lhe pergunto:

-Bom você os conhece a mais tempo do que eu, o que sugere?

- Eu não sei, só sei que eles não deveriam perturbar os outros alunos...

Outra interrompe:

- E alguns deveriam ter uma educação melhor em casa, tem famílias que se permite fazer tudo e quando chegam na sala de aula, eles querem agir assim...

- Além do mais, tem alunos que não querem nada com nada, que já tem uma ficha extensa no SOE, você suspende ele e ele nem liga, dá risada da tua cara...

- É, e depois os pais vem nos cobrar...

Antes que todos comecem a falar ao mesmo tempo, tento retomar uma certa ordem:

- Esperem um pouco, vamos retomar isso... há muitas coisas interessantes que vocês disseram... primeiro, podemos falar com a família, trocar idéias, talvez até dar orientações sobre formas de conduta.... e aprender com a família também...

- Tínhamos que falar com o SOE, a gente encaminha um aluno e depois não sabe nada do que aconteceu....- sugere uma professora. Aos poucos começam a aparecer idéias.

- Se os pais conseguissem valorizar nosso trabalho, já seria cem por cento melhor...

- Muitas vezes a gente quer ajudar, dar uma força para tal aluno... a gente sabe que ele não é mau, que tem futuro... mas não temos contato com a família, não sabemos por onde começar, entende?

Proponho que tracemos em conjunto uma forma de abordagem da família.

- Acho que os pais podem vir nos procurar mais seguidamente e, quando vier falar de algum menino, a gente poder trocar informações não só do que fizemos, mas do que o SOE sabe também....

- Elaborar fichas sobre condutas, conselhos e atitudes que sugerimos, mostrar aos pais e discutir com eles...

- Mostrar que a educação não depende só de nós, né? Eles participam também, mostrar isso.

Aos poucos, minha intervenção junto aos professores vai se direcionando para aquilo que eu considero o mais produtivo, a saber, que eles mesmos possam encontrar soluções, traçar planos e métodos, em suma, que adotem para si o modelo construtivista de trabalho e construam suas soluções, aprendendo a compartilhar dados e informações, a manter contato com a família e o SOE e, principalmente, poder sair daquela visão de que " não há nada que possamos fazer, não há o que temos para dar". Só essa mudança de atitude já gera toda uma possibilidade de movimento e modificação. Como eu digo a eles, não sei se todas as mudanças ocorreram ou se irão para o caminho certo, mas sei que pelo menos estamos tentando construir alguma coisa. A tentativa é o que importa, o resultado que dará não temos como prever.

Um outro ponto que considero necessário ser bem trabalhado e que até então pouca coisa consegui fazer, foi melhorar a comunicação entre o SOE e os professores. Considero que é necessário ao SOE trazer dados sobre o que foi realizado como trabalho, quais as condutas para se lidar com tal aluno que ele acha mais relevantes de serem tomadas, para que o trabalho não se torne fechado e não se perca, além de que os professores podem colaborar e muito, pois convivem diariamente com as crianças, tem mais acesso a elas do que o SOE. Assim, penso em fortalecer mais ainda essa via de comunicação, estabelecendo uma certa norma de se escrever dados, guardando o compromisso de sigilo, é lógico, daquilo que possamos ter de informação, seja do que foi obtido via SOE ou da clínica do CAE e poder encontrar uma metodologia em conjunto entre clínica+SOE+professores, pois certamente muito um tem para contribuir com o outro. Trocando informações, podemos traçar estratégias de trabalho muito mais frutíferas e eficazes, do que se fizéssemos isso solitariamente.

Em resumo, o trabalho com o corpo docente e o SOE engloba aspectos de uma intervenção institucional que tem por objetivo poder fazer a escola trabalhar como um todo bem sincronizado, vencer as barreiras que cada grupo levantou para impedir o livre fluxo de informação e preferencialmente fazer com que, decisões que envolvam os métodos e formas de abordagem sejam construídos a partir das informações e opiniões de todos os grupos, sem que a visão de um prevaleça sobre a de outro.

Assim as informações que a família trouxer, que o professor tem, irão auxiliar o SOE a ter uma visão mais clara do aluno e, as intervenções que o SOE fizer, passarão para a família e os professores, construindo assim uma rede onde todas as variáveis que cada grupo observa são trocadas. Não se trata de um grupo ter soberania sobre o outro, ou de um ter um conhecimento mais aprofundado ou intelectualizado sobre outro mas, acima de tudo, são conhecimentos diferentes.

Falei que, para esse trabalho se realizar, é necessário contudo desvelar-se certas barreiras que os grupos criam, para impedir o livre intercâmbio de informações ou para evitar demonstrarem seus pontos fracos, com medo de serem repreendidos. Cada grupo possui regras e normas que não são verbalizadas, mas que notamos sua presença como teias quase imperceptíveis no ar, ligando cada membro do grupo ao todo.

Como bem expressou Bleger, foi necessário para mim analisar os elementos que compunham a parte indiferenciada do grupo:

" Um grupo é um conjunto de pessoas que entram em interação entre si, porém, além disso, o grupo é, fundamentalmente, uma sociabilidade estabelecida sobre um fundo de indiferenciação ou de sincretismo, no qual os indivíduos não tem existência como tais e entre eles atua um transitivismo permanente. O grupo terapêutico se caracteriza também por estas mesmas qualidades, acrescido o fato de que um dos integrantes do grupo( o terapeuta) intervém com um papel especializado e predeterminado, mas isso( esta última função) se realiza sobre uma base na qual o terapeuta está envolvido no mesmo fundo de sincretismo que o grupo." (José Bleger, Temas de psicologia- entrevista e grupos" Pag. 87)

A parte indiferenciada é um aspecto comum a todos, que une o grupo em um sentimento único de identidade, mas que no entanto não é perceptível ou consciente para os elementos do grupo. Pois bem, no grupo docente, notei primeiro que havia um certo receio, um medo de que eu os deixaria no meio do caminho caso eles fossem buscar soluções inovadoras. Além disso, havia um certo sentimento de fracasso e de não saber bem o que poderia ser feito, um desejo de não falar dos erros por temer não conseguir consertá-los.

Mas a parte que considerei mais importante foi que os professores resistiam à mudança não porque negassem os postulados piagetianos, mas porque no fundo ainda concebiam a escola como modelo tradicional, conforme eles foram formados. Isso denotou-se em um encontro meu com os professores em que um deles disse:

- Mas no meu tempo a gente tinha que repetir os conteúdos de forma correta e aprendia bastante, era bom...

Isso demonstrou que internamente os professores ainda continuavam transmitindo o conhecimento pelos métodos da escola tradicional, porque eles mesmos foram criados por ela. Inconscientemente, sua visão de escola ainda estava ligada ao conceito que viveram e aprenderam de escola quando crianças. Eles não repensavam os métodos, apenas repetiam um padrão aprendido anteriormente. Isso era um ponto que os unia, embora acreditassem serem construtivistas, na prática secretamente reverenciavam a escola de sua infância. Era uma "norma não-verbalizada", que os unia incoscientemente contra as mudanças no método de ensino:

" Um dos exemplos que Sartre apresenta como típico da serialidade é o de uma "fila" é um indivíduo totalmente isolado; esses indivíduos, enquanto números, são intercambiáveis um pelo outro. Para mim, ainda no exemplo de uma " fila" à espera de um ônibus está presente a sociabilidade sincrética depositada nos modelos e normas que vigoram para todos os indivíduos. Cada um dos integrantes da " fila" conta com essa segurança, de tal forma que nem sequer chega a ter consciência da mesma, tanto que o próprio Sartre foi levado a ignorá-la." (José Bleger, Temas de psicologia- entrevista e grupos" Pag. 90)

Assim os pressupostos e regras da escola tradicional ainda vigoravam nesta escola, mesmo que não declarados. Eram frutos de uma repetição de um esquema aprendido e tido como um "oásis" quando não se sabia o que fazer e por um temor do que uma mudança de método traria de insegurança, um caminho que não conheciam e que tinham medo de se perder. Assim, a socialização entre eles e a dificuldade de discutirem entre si métodos novos, criava uma identidade grupal baseada na repetição de modelos que constituíram a infância daqueles sujeitos:

" a identidade grupal tem dois níveis em todos os grupos: um é o da identidade proporcionada por um trabalho em comum e que chega a estabelecer modelos de interação e modelos de comportamento que são institucionalizados no grupo; esta identidade é dada pela tendência à integração e interação dos indivíduos ou pessoas. Porém, outra identidade que existe em todos os grupos, e que às vezes é a única( ou a única que se atinge em grupo), é uma identidade muito particular que podemos chamar identidade grupal sincrética. Esta não é dada com base numa integração, numa interação em modelos de níveis evoluídos, mas com base numa socialização em que esses limites não existem e cada um daqueles que, do ponto de vista naturalista, vemos como sujeitos ou indivíduos ou pessoas não tem identidade enquanto tal, mas sua identidade reside no seu pertencimento ao grupo." (José Bleger, Temas de psicologia- entrevista e grupos" Pag.92)

Como é um corpo docente que atua junto há muito tempo, a pertença ao grupo se dava pela aceitação dos pressupostos velados do mesmo, e pela repetição, inconsciente destes.

" Podemos estabelecer aqui uma equiparação, uma equivalência, ou uma fórmula, dizendo que quanto maior for o grau de pertencimento a um grupo maior será a identidade grupal sincrética( em oposição á identidade por integração). E quanto maior for a identidade por integração, menor será o pertencimento sincrético ao grupo". (José Bleger, Temas de psicologia- entrevista e grupos" pag.92)

aos poucos, isso tornava-se uma norma instituída, mais difícil ainda de ser modificada porque não era verbalizada, não estava amostra, a olho nu. Lógico que dissolver este laço não se dá de hora para outra, pois implica muitas coisas:

" Assim, compreende-se que a dissolução de uma organização ou a tentativa de mudança da mesma possa ser diretamente uma desagregação da personalidade; e não por projeção, mas porque diretamente o grupo e a organização são a personalidade de seus integrantes. Assim se explica a grande freqüência de doenças orgânicas graves nos aposentados recentes, e podemos entender melhor como o ostracismo na antiga Grécia era mais destrutivo para a personalidade do que a prisão ou o fuzilamento." (José Bleger, Temas de psicologia- entrevista e grupos" Pag. 97)

Neste momento procuro cada vez mais deixar consciente aos professores esses aspectos velados da relação grupal e possibilitar cada vez mais fazer essa passagem dos conceitos da escola tradicional para um método puramente construtivista. É um trabalho que ainda perdurará por muito tempo.

 

 

 

 

CONCLUSÃO E PROJETOS FUTUROS A PARTIR DO TRABALHO REALIZADO

Pude conseguir resgatar o aspecto de historicidade do aluno dentro da sala de aula através do contato mais estreito com a família deste e possibilitar novas formas mais precisas de avaliação das dificuldades escolares através da linguagem logo, acompanhada de uma melhoria nessa aprendizagem, tanto em dar ferramentas facilitadoras da construção do conhecimento quanto estimular o aluno e levantar sua auto-estima constando que pode superar os obstáculos o que a linguagem logo permite fazer.

Através desses instrumentos, pode-se levantar junto ao professor o papel que a história do sujeito deve ocupar na educação do mesmo, nova postura do professor frente ao conhecimento e da forma de transmiti-lo, operando a passagem do modelo tradicional para o construtivista, demonstrando ao professor que pode-se ter uma aula mais investigativa e com experiências para transmitir o conhecimento de novas formas, possibilitar canais de discussão entre corpo docente e família, buscando gerar soluções em comum. Para que todo esse trabalho ocorre-se foi necessário apontar os pressupostos velados da escola tradicional sobre a qual se constituía o grupo de professores e auxiliá-los a não temer as mudanças em seu método de aprendizagem- trabalho esse que ainda permanece inconcluso, devido ao forte sentimento arraigado que os professores trazem de lembranças e esquemas seus de seu conceito de escola quando eram crianças.

Isso faz com que pensemos quais os caminhos que o trabalho vai seguir daqui para adiante. Em primeiro lugar, é necessário que estas mudanças sejam internalizadas pelos professores, que eles assumam isso como um trabalho seu, de importância para sua atividade, para que, com a troca de estagiários, esse canal que foi aberto com os professores não venha a se fechar. Há a necessidade também de se reatar as relações entre SOE e corpo docente, pois sem este laço fica impossível realizar trabalhos dentro da escola. A clínica do CAE, o SOE, a família e a o corpo docente são elementos de uma mesma rede que tem por objetivo proporcionar a melhor qualidade de educação para as crianças que atendem. Uma plena comunicação e troca de informação faz-se necessário para estabelecer um bom trabalho. Para isso é preciso estabelecer todo um planejamento futuro de integração dessas várias áreas e lutar contra as rixas internas. É preciso fazer cada uma dessas áreas da complexa rede educativa busquem se unir e abram-se para troca de idéias.

 

Por fim a questão principal é fazer a escola avançar na direção certa, tendo por base um modelo construtivista que forme cidadãos críticos e participativos, que contribuíram para a comunidade. Nesse intuito, preserva-se os canais já abertos e os trabalhos construídos mais como exemplos do que pode-se realizar na escola e de como um método construtivista pode e deve ser empregado no âmbito educacional, resignificando e ressaltando os valores principais que constituem a essência do construtivismo, do que acreditar que o trabalho feito até aqui foi tudo que se podia fazer em termos educativos. Nosso trabalho também não pára, também se constrói a cada momento, se reinventa perpetuamente. Novas soluções sempre surgem e sempre haverão de surgir. Para mim, o melhor significado disso foi expresso por um garotinho de 9 anos, quando lhe indaguei qual a matéria que ele mais gostava. Ele respondeu: " Não existe matéria ruim, depende de como a professora dá a aula!" Que essas palavras sirvam de guia para o que buscamos constituir dentro de uma escola.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

TRABALHOS DESENVOLVIDOS COM A INFORMÁTICA

 

O trabalho desenvolvido na verdade engloba um todo, ou seja, teve como principal objetivo reformular o ambiente de sala de aula para torná-lo mais construtivista. Para isso, contamos com o determinado material na escola:

- 10 computadores 486 dx60, 8 meg de ram, win 3.11

- Software de jogos, entre eles: memória, incredible machine, campo minado, write e paint

- Software educativo: logo

- O trabalho foi desenvolvido nos seguintes módulos:

1- Jogos e aplicativos para desenvolver a destreza no computador, para as crianças se acostumarem com o uso do mouse e teclado- desenho, campo minado, write

2- Jogos para estimular o raciocínio- memória, incredible machine, logo

3- Aplicativo para desenvolver a criatividade e noção de espaço- Paint

4- Escrita de palavras que foram recentemente aprendidas em sala de aula- Write

O trabalho foi realizado com dois grupos:

- O grupo da pré-escola( 11 alunos) e do primeiro ano( 12 alunos) em 98/02

- Em 99/01, os alunos comproblemas de parendizagem( que eu vinha atendendo) do primeiro ano são transferidos todos para uma turma. Os que passaram de ano, não acompanhei mais a evolução pois já tinham conseguido melhorar seu desempenho. Continuei a trabalhar com aqueles que ainda apresentavam dificuldades- por isso repetiram- e com os egressos do pré( não são reprovados, apenas a partir do 1 ano)

- Em 99/01 continuei o trabalho com o grupo sendo que ele se constitui:

    • 9 alunos que repetiram a primeira série;
    • 4 alunos com problemas no pré, que agora estão na primeira série;
    • 3 alunos novos, dois repetiram esse ano, um vem de outra escola com problemas de aprendizagem;

Para além desse trabalho, procurei criar um ambiente construtivo para todas as classes do primeiro ano, embora meu trabalho se concentre mais nos alunos com dificuldades escolares.

 

 

 

MÉTODO ESCOLHIDO E DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO

 

Devido aos graves problemas de fracasso escolar que a escola enfrenta, decidi que o primeiro passo era poder traçar os principais motivos envolvidos nesse fenômeno.

Primeiro, constatei que a escola ainda não tinha realizado convenientemente a passagem do modelo tradicional de escola para o modelo construtivista. Ademais, os professores nem mesmo tinham bem claro para si como constituir uma educação construtiva na escola e desprezavam assim seu papel nesse fenômeno do fracasso.

" Graças a combinação entre provas psicológicas e um estudo continuado da sua atividade individual, é que o aluno será encaminhado definitivamente para as diferentes seções onde irá terminar seus estudos secundários: encaminhamentos profissionais diversos e preparação para os altos estudos."( Piaget, Jean. Para onde vai a educação? pág.47)

O primeiro ponto que estabeleci foi de poder fazer a escola trabalhar em conjunto, sistematizando de forma racional as trocas de informações dentro da escola:

    • Em primeiro lugar, poder juntar as informações específicas sobre cada aluno em um único lugar. Assim, havia material sobre o histórico do aluno na secretária e outro no SOE, sendo que um setor desconhecia o que o outro possuía. Além disso, havia dificuldades entre o SOE e os professores, dificultando o trânsito de informação sobre os alunos. A isso soma-se o fato de ser difícil trabalhar com o corpo docente, por ser um grupo muito fechado que teme que as críticas possam desestabilizar seu trabalho. O primeiro ponto foi unificar todas as informações sobre os alunos, na secretária e no SOE, além de estabelecer dispositivos que pudessem fazer fluir melhor uma comunicação com os professores. Isso pode ser obtido com um trabalho em conjunto com a direção e a vice-direção, pois tinham um acesso maior aos professores. Como muitos casos de alunos são atendidos pelos próprios professores e pela direção, achei mais oportuno poder transmitir a eles algumas indicações de como proceder, para que nosso trabalho como estagiários de psicologia não ficasse " sobrecarregado" de casos, quando na verdade deveria haver mudanças estruturais no funcionamento educativo da escola.
    • Com isso abordei o ponto principal para iniciar uma renovação da metodologia escolar, a meu ver o único caminho para se abordar convenientemente o problema do fracasso escolar, sem cair numa " culpabilização" do aluno, como geralmente os professores preferem fazer. Acreditei que para realizar uma modificação metodológica, era necessário conhecer os principais problemas dos alunos na realidade e abordar cada um em sua especificidade. Os principais pontos que eu levantei de problemas que dificultavam o aprendizado dos alunos, foram:

 

 

- A dificuldade econômica, logicamente, influi bastante por ser uma comunidade carente. Isso se reflete na falta de material educativo em casa, dos pais não terem tempo de auxiliar as crianças no estudo, falta de uma alimentação balanceada, etc.

 

- A falta de interesse ou de orientação dos pais para reconhecer a importância da família na educação da criança, para participarem mais ativamente na educação dos filhos, seja auxiliando em casa, seja vindo à escola obter informações.

" Em primeiro lugar, os pais existem na mesma forma que todas as outras coisas: há pais excelentes, mas também os há menos bons, contra a vontade dos quais é vantajoso que se possa proteger a criança. Existem os inteligentes e bem informados, mas existem igualmente os pouco dotados e os retrógrados, que haverão de hesitar por exemplo em consultar um médico ou seguir seus conselhos, em caso de moléstia, e aos quais não se deverá falar, em se tratando de educação, nem de psicólogos nem de pedagogia moderna... A questão está principalmente em saber como atuar em relação aos pais desse último tipo: bons sujeitos, desejando unicamente o bem de seus filhos, mas opondo-se por ignorância ou por tradicionalismo, a tudo quanto lhes possa ser realmente útil."(Piaget, Jean. Para onde vai a educação? pág.49)

 

- Problemas familiares mais graves, como casos de abuso, luto, etc, que envolviam uma problemática mais profunda que excedia o âmbito das possibilidades de auxílio via educação e que em geral eram encaminhados para um atendimento psicológico fora da escola ou para o Conselho Tutelar, conforme o caso. Cabe salientar que, embora estes casos possam a primeira vista não parecer relacionado diretamente com a modificação da metodologia escolar, na verdade para que eles aparecessem era necessário reconhecer dentro de sala de aula a especificidade da forma da criança de se portar e de interagir com os outros colegas. Se todos alunos com dificuldade receberem o rótulo genérico de " aluno-problema", se desprezará que cada dificuldade tem sua configuração especial, embora muitas vezes eliminando-se um elemento importante que a esteja causando soluciona-se vários problemas ao mesmo tempo. Além do mais a não busca de locais que podem ajudá-los- como o conselho tutelar- refletia também como as pessoas desconhecem seus direitos e sentem-se incapazes de reivindicá-los e acho que isso é também um papel importante da escola que muitas vezes o professor acaba deixando de lado, pois uma escola não educa apenas as crianças, mas é um centro de produção de saber dentro de uma comunidade, uma referência para as pessoas e ensinar participação como cidadão é algo que deveria estar como meta principal dentro da escola.

 

- A falta de interesse pelos conteúdos de aula, de ler um livro, dado preferência aos video-games ou televisão.

Também se avaliou os fatores que influenciam as dificuldades escolares oriundos da escola ou mais especificamente os advindos do corpo docente:

- A dificuldade dos professores em estabelecer a disciplina em aula, em poder passar as normas básicas de conduta social ou de estabelecer trabalhos em conjunto. Considero isso um fator de não estar bem claro o papel da escola e sua importância como elemento transformador da sociedade.

- Uma educação ainda não totalmente construtivista, que não consegue incorporar o ambiente onde as crianças vivem e construir conjuntamente com estes um conhecimento que auxilie no cotidiano do aluno e que seja ao mesmo tempo divertido e instrutivo, que possa apropriar-se do fascínio dos meios de comunicação e que possa, ao mesmo tempo, ser também instrutiva.

- Os professores encontram hoje uma dificuldade de poder dialogar com a família, de fazer um trabalho " aberto" onde a família contribua com sugestões ou conselhos e que os professores por sua vez também possam orientar a respeito da parte instrutiva que o aluno necessita. Quando os professores e a família brigam, quem perde sempre é o aluno.

- Dificuldade dos próprios professores de verem os dispositivos presentes em sua profissão para construir uma cidadania e que podem ser utilizados para evocar uma maior participação social e transformar a comunidade onde a escola está presente. Os professores parecem não reconhecer que na sua profissão é onde está o maior poder de construção da democracia.

Assim, pude correlacionar onde as dificuldades metodológicas dos professores produziam os efeitos nas dificuldades de aprendizagem dos alunos. Fiz um levantamento da ficha de cada aluno, além de estabelecer um contato com a família e repassei estes dados ao professor, recebendo conjuntamente conselhos deste. Selecionei um grupo através do que a escola considerava os mais problemáticos e, mais do que fazer uma avaliação categórica, meu interesse se voltou em transmitir ao professor uma metodologia de abordagem: conhecer um pouco da história de cada aluno, seja pelo seu histórico ou em contatos freqüentes com a família. A idéia principal era passar ao professor que a educação é um processo de construção, que ele não recebia apenas o aluno, mas que era uma das peças do processo, ou seja, um professor da quinta série deveria ter acesso e conhecer o que os seus alunos produziram desde a pré-escola até agora, pois conhecendo toda a riqueza do processo, fica mais fácil detectar quais as dificuldades específicas e a forma do aluno de aprender. O professor deveria não apenas avaliar o aluno, mas avaliar o método pessoal do aluno de abordar o conhecimento.

" ... o método mais seguro para o diagnóstico e prognóstico é sem dúvida aquele que se baseia na observação dos alunos e de seu trabalho real. Trata-se porém de um método delicado, que presume em nosso entender uma colaboração constante entre os professores, responsáveis pelo ensino, e os psicólogos escolares, cuja tarefa consiste em acompanhar os alunos individualmente." (Piaget, Jean. Para onde vai a educação? pág.47)

Aos professores é transmitido um método de abordagem do aluno diferente dos modelos tradicionais: em um primeiro ponto o resgate da importância da história do aluno e sua individualidade no processo de aprendizagem, através de um diálogo com a família e do levantamento do histórico do aluno, sua história escolar. Em um segundo momento dar uma ênfase maior a forma do aluno de abordar o conhecimento procurando respeitar e trabalhar isso em aula. a forma do aluno de aprender vem da análise de sua história pessoal.

 

 

 

 

DESENVOLVIMENTO DE ESTRATÉGIAS DE APRENDIZAGEM

 

Com base nos dados colhidos, procuramos utilizar um ambiente que pudesse proporcionar uma educação mais adequada. Escolhemos o ambiente de informática porque ele tem muitos aspectos que privilegia a construção do conhecimento.

    • A informática possui um ambiente interativo rico de possibilidades, somente limitada pela imaginação de quem a utiliza
    • Ela possibilita realizar as mesmas tarefas de diferentes formas e percorrendo vários caminhos
    • Ela pode tanto servir como um elemento de lazer quanto de trabalho
    • Os elementos trabalhados dentro do computador se interligam entre si e possuem vários aspectos e funções, o que ajuda a criança a entender a complexidade do raciocínio
    • Possibilidade de interligar elementos e realizar tarefas combinadas, fazendo com que a criança entenda o raciocínio como um processo.
    • Poder refazer comandos, repetir processos de raciocínio, trabalhar em uma mesma tarefa por dias, modificar seu ritmo de aprendizagem, etc.

Em suma, o ambiente de computador permite que o sujeito imprima seu ritmo para o trabalho, sua forma de aprender. Se é verdade que o computador disponibiliza vários recursos ao usuário, também é verdade que a maleabilidade destes fica totalmente a critério do usuário de computador.

Nossa principal meta é poder demonstrar que, em um ambiente estimulante e construtivo, os problemas de aprendizagem podem ser melhor sanados. O trabalho com a informática visou colher dados a respeito da forma de cada aluno de construir o conhecimento e poder utilizar isso para na sala de aula auxiliar este aluno a aprender melhor.

Assim, verifiquei como os alunos solucionavam determinado problema, qual caminho preferencialmente escolhiam, como se portavam diante dos erros, etc. Com o levantamento da história de cada aluno, trazida de seu currículo escolar e de entrevistas com os familiares, aliada à análise da forma de construir o conhecimento, passei ao passo seguinte que era trabalhar mais efetivamente com os professores( até então so professores apenas auxiliavam na coleta de dados dos alunos) para que eles se comprometessem para construirmos uma metodologia que privilegia-se os dados que colhemos para melhorar o ambiente de sala de aula, tornando-o construtivo. Para tanto, fazia-se necessário poder produzir nos professores o desejo de reflexão e autocrítica de sua prática.

 

 

 

A SEGUNDA PARTE, O TRABALHO COM O CORPO DOCENTE

 

 

O trabalho com o corpo docente foi a parte mais difícil do trabalho. Primeiro porque as professoras já estavam acostumadas ao tipo de modelo tradicional de ensino, e tinham dificuldade para utilizar na prática os pressupostos construtivistas. Achamos que o ideal seria juntar todos os alunos problemáticos ( estávamos trabalhando com a 1 série do 1 grau) em uma única sala. Solicitei que o ideal seria uma estagiária nova até porque ficaria mais fácil trabalhar com alguém que não estava tão "contaminada" com o método tradicional de ensino. Trabalhei com ela o fato de que reunir os alunos em uma mesma classe não implicava constituir uma classe especial, mas sim que os objetivos seriam diferentes, ou seja, enquanto que em uma classe habitual preocupa-se com as notas dos alunos e se eles conseguiram repetir corretamente o que é ensinado, nesta procuraríamos investigar e nos adequar a forma como cada um consegue aprender. O mais importante era poder elucidar ao máximo a forma de construção de conhecimento de cada um dos alunos e poder trabalhar essas especificidades.

Nos baseamos então nos seguintes pontos:

    • Uma busca de incentivar atividades artísticas e manuais, para que eles possam desenvolver a destreza e a sensibilidade
    • Incentivo a atividades interligadas a situações de vida
    • Estímulo a atividades de grupo, onde é necessário a participação com a observância das regras sociais básicas para convívio
    • Trabalhos com informática, permitindo a eles usarem a criatividade e procurando indagar sobre os erros, fazendo-os utilizar estes para construir o conhecimento ao invés de simplesmente desprezá-lo

 

Baseado nesses pontos básicos de aspectos a se trabalhar na sala de aula, busquei ao máximo que meu trabalho e o da professora pudesse estar integrado. A minha intervenção com a professora foi realizada da seguinte forma:

    • Realizamos grupos onde podíamos discutir sobre cada aluno, tentando traçar um panorama do modelo de aprender deste
    • Fizemos fazer um levantamento do processo de aprendizado dos alunos realizando uma agenda onde consta-se todos os aspectos relevantes da turma
    • Busquei melhorar o diálogo professor-aluno através da organização do conselho de classe onde transformamos em um momento do aluno aprender cidadania, podendo expor ao professor o que ele gosta ou não em sala de aula, mas fazer isso de uma forma construtiva, ou seja, eu creio que a cidadania está em aprender como exercer seus direitos. Por outro lado, foi mais importante para poder mostrar aos professores uma via de comunicação com o aluno inclusive para saírem de uma posição defensiva e observarem as críticas como ligadas à forma de ensinarem, não ao lado pessoal. É fazer eles perceberem também que seus erros são o melhor guia para construir uma metodologia proveitosa de ensino. Se eles não souberem aproveitar os erros, como ensinarão os alunos a fazê-lo?
    • Buscar que o corpo docente escute a família do aluno e que perceba as críticas não como algo que o desestimule mas podendo utilizar estas para demonstrar ao familiar a importância da participação deste e pedir-lhe que auxilie no trabalho de ensino, mesmo porque a família é uma das partes mais importantes do processo de aprendizado
    • É necessário, como foi dito acima, que para o professor aprender a trabalhar o erro do aluno ele possa saber como lidar com seus próprios erros

 

O trabalho com o corpo docente envolve que eles possam perceber como é importante o trabalho em conjunto, que para ensinar é preciso estar em sincronia com a família e o aluno. Sozinho, um professor não ensina. Como salienta Piaget:

" ... em todos os meios onde a nova educação vai adquirindo uma certa importância, foram desencadeados movimentos de colaboração entre a escola e a família, os quais se revelaram extremamente produtivos, e aproveitáveis, para as duas partes em questão. A escola na realidade tem tudo a ganhar, ao tomar conhecimento das reações dos pais, e estes experimentam um proveito cada vez maior ao serem iniciados, por sua vez, nos problemas da escola."( Piaget, Jean- Para onde vai a educação?, pág. 50)
Além do mais, no diálogo que ele pode estabelecer com a comunidade, existe a possibilidade de transformá-la e inclusive de poder trabalhar com a visão que esta tem de seu trabalho. É através da participação e do diálogo com a comunidade, é podendo tirar a discussão sobre o ensino de dentro da escola e levá-la para a comunidade, pois é a partir desta e dentro desta que o ensino pode tornar-se frutífero e pode ser um elemento transformador social.

Segundo Piaget:

"... a preparação dos professores, o que constitui realmente a questão primordial de todas as reformas pedagógicas em perspectiva, pois, enquanto não for a mesma resolvida de forma satisfatória, será totalmente inútil organizar belos programas ou construir belas teorias a respeito do que deveria ser realizado."( Piaget, Jean. Para onde vai a educação? pág.25)

O ensino não é somente uma atividade do aluno, mas é um mecanismo que possibilita formar cidadãos e através deste que a comunidade pode exercer sua participação e conquistar seus direitos. Mas para tanto é preciso que a escola realize o trabalho de levar a comunidade o significado do ensino e as possibilidades que ele abre.

" Ora, esse assunto apresenta dois aspectos. Em primeiro lugar existe o problema social da valorização ou da revalorização do corpo docente primário e secundário, a cujos serviços não é atribuído o devido valor pela opinião pública, donde o desinteresse e a penúria que se apoderaram dessas profissões e que constituem um dos maiores perigos para o progresso, e mesmo para a sobrevivência de nossas civilizações doentes."( Piaget, Jean. Para onde vai a educação? pág.26)

É importante que o professor tenha a verdadeira dimensão da sua atividade para passá-la à comunidade. Através da escola, as pessoas podem ganhar uma maior qualidade de vida, seja conhecendo mais sobre higiene, sobre as doenças e remédios, sobre como lidar com os filhos além da parte mais importante que é conhecer seus direitos e deveres, podendo saber quais os órgãos do governo que pode acionar, para que serve cada um ,etc. Enfim, conhecer o funcionamento social é um excelente exercício de cidadania.