Breve História da Informática

Desde a Antiguidade que o homem sonha e executa instrumentos mecânicos, com o objectivo de o substituir, ou auxiliar nas sua tarefas.

Homero relata já na Ilíada   que Hefestos fabricava mesas cujas pernas se moviam por si, transportando automaticamente as iguarias junto dos convidados. É inegável que o homem, ao longo da história, tem vindo a construir engenhos mecânicos  com o objectivo de o libertar ou auxiliar nas tarefas mais árduas e fastidiosas. Mas o momento determinante desta evolução, teria início com o aparecimento da máquina a vapor; a partir deste momento, o homem enceta uma fase imparável a nível do desenvolvimento tecnológico.

A par deste desenvolvimento tecnológico, o homem coloca a si mesmo um novo desafio: a concepção de "engenhos intelectuais", capazes de executar operações intelectuais.

Foi o francês Blaise Pascal, em 1640, que construiu um engenho que calculava somas e subtracções de modo manual.

Em 1690, Gottfried Leibniz, interessou-se pela Pascalina, nome da máquina de Pascal, e descobriu-lhe as limitações tendo-a modificado. Este técnico desenvolveu também o cálculo diferencial e iniciou estudos do domínio da aritmética binária «… que está na base do funcionamento dos modernos computadores» (Campos, 1994).

Um outro avanço decisivo para o aparecimento do computador, deu-se na área da lógica simbólica, através de George Boole, «o primeiro capaz de demonstrar claramente que a lógica era um ramo da Matemática e não da Filosofia» (Brok, 1985). George Boole apoiou o desenvolvimento da lógica matemática com a elaboração de um método Matemático, a álgebra booleana.

O Mundo teve que aguardar ainda dezenas de anos pelo verdadeiro pai do computador: Charles Babbage.

Nascido em Inglaterra, em 1793, época que precede a Revolução Industrial, Babbage concebe uma máquina, que possuía a inovação de trabalhar segundo o método das diferenças e que podia resolver problemas matemáticos. Apesar de fazer os cálculos, a Máquina Diferencial também os imprimia em papel. Babbage, começou a imaginar nesta altura algo mais ambicioso que designaria, como motor analítico.

 

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Foi neste preciso momento que nasceu o conceito de computador. A base desse conceito era o de uma máquina que, ao contrário de todas as outras até aí construídas, não tivesse apenas um objectivo específico de funcionamento mas, que fosse capaz de efectuar operações diversas, dependendo da necessidade do operador num dado momento. Isto implica que a máquina deveria ser construída de modo a que as suas diferentes partes constituintes pudessem ser utilizadas de diferente modo, diferença de utilização essa que dependia do tipo de instrução introduzida pelo operador.

Pela primeira vez, foi construída uma máquina, cujo funcionamento, permitia que as suas diversas partes pudessem ser utilizadas de diferente maneira atendendo às instruções do utilizador em cada momento, o que a distinguia de todas as suas antecessoras que apenas tinham um objectivo específico de funcionamento. Babbage, estava já a referir-se ao moderno computador programável.

Mas o papel inventor de Babbage, não se limitou apenas ao contributo atrás exposto, no que diz respeito à "máquina pensante".

Babbage partiu igualmente do princípio que em termos estruturais a máquina teria um conjunto de dispositivos destinados a introduzir diversas intenções:

Um processador, que seria responsável pela realização dos cálculos;

Uma unidade de controlo, que asseguraria as prioridades ou selecção das diversas tarefas e completaria os cálculos na sequência correcta;

Uma área de memória, que armazenaria números que viriam a ser processados ;

Um mecanismo de saída da informação.

 

Um único elemento que faltava neste processo eram as instruções programadas, as quais se ficaram a dever à invenção do francês Joseph Jacquard, sob a forma de cartões perfurados, cartões esses que viriam a ser utilizados em computadores e outras máquinas até há bem poucos anos.

 

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O principal motor de inovação são os desafios colocados ao Homem e aos quais ele tenta responder de modo eficaz.

Foi deste modo que Herman Hollerigth, tentou responder ao desafio lançado pelos Estados Unidos da América com «um concurso para aquisição de um método que permitisse cálculos rápidos e em grandes quantidades» (Software Evaluation, 1992), através da apresentação de uma máquina de calcular que além de utilizar cartões perfurados, era movida por electricidade, facto que a tornava rápida e fácil de manejar.

Deste modo Herman Hollerigth respondia de um modo eficaz, a um desafio do seu tempo. A procura da nova máquina de calcular subiu em flecha no mercado mundial, o que teve implicações a nível da prosperidade da empresa de Herman Inetrnatinal Business Machine Coorporation, actualmente com a designação de I.B.M..

Durante a II Guerra Mundial, os trabalhos de investigação neste sentido foram feitos em quase «total segredo nos Estados Unidos e no Reino Unido» (Gates, 1995) por Alan Turing, Claude Shannon e John von Neumann como três importantes contribuintes para a criação do computador moderno.

Em meados dos anos 30, Alan Turing (matemático Inglês), apresentou um máquina de calcular que podia ser instruída para trabalhar com quase todos os tipos de informação, a máquina Turing.

Nos finais dos anos 30, Claude Shannon demonstrou que uma máquina além de executar instruções lógicas podia igualmente manipular a informação, utilizando o número 1 para representar verdade e 0 para representar falso. A isto chamou-se sistema binário. Shannon, começou a desenvolver uma descrição matemática informática, fundando um campo que viria a ser conhecido como teoria da informação.

A teoria de informação, de Shannon, acabou por dar origem a outros avanços concretamente - compreensão de dados – vital tanto para a informática como para as comunicações. Shannon, concluiu que as partes de dados que não forneçam informação única são redundantes, podendo por isso ser eliminados.

Os princípios de Shannon foram aplicados tanto à compressão do som, como de imagens.

Ainda no período da II Guerra Mundial, um grupo de matemáticos: J. Presper Eckert e John Mauchly desenvolveram uma máquina computacional electrónica, o ENIAC (Electronical Numerical Integrator and Calculator – Calculador e Integrador Numérico Electrónico). Muito mais rápido do que qualquer antecedente embora de proporções monstruosas: pesava 30 toneladas e incorporava 18 000 válvulas.

O objectivo do ENIAC era o de acelerar a velocidade dos cálculos dos alvos de artilharia; no entanto, era mais uma máquina de calcular do que um computador, pois «… em vez de representar em número binário através de definições ligado/desligado – como as antigas calculadoras mecânicas, utilizava interruptores de válvulas a vácuo» (Gates, 1995).

EM 1945, John von Neumann, um americano de origem Húngara, criou um paradigma que actualmente ainda é seguido por todos os computadores digitais, a arquitectura von Neumann, segundo a qual «um computador poderia evitar o processo moroso de reconciliação de cabos, armazenando instruções na sua memória» (Gates, 1995).

Nasceu o novo computador EDVAC – um computador com memória permanente. A partir do momento em que esta ideia foi posta em prática, podemos dizer que, nasceu o computador moderno.

Em 1949, a IBM, a BELL e a SPERRY, iniciaram a fabricação de computadores para o mercado de consumo.

Em 1950, é inventado o transístor, nos laboratórios da Bell Telephone, que implicou uma redução considerável nos custos e espaços anteriormente exigidos.

Em poucas décadas ocorreram assim progressos decisivos na tecnologia dos computadores. De uma super calculadora (Robert, 1979) até às novas formas de comunicação, entre o utilizador e o computador, tudo se passou num curto período de tempo de modo imparável e crescente. Pouco a pouco, o computador perdeu parte da sua substância física, passou de pesado a leve, de caro a barato, de fixo a movível, de restrito a alguns a um produto acessível a todos.

Enquanto no início do Século XX, o confronto entre o homem e a máquina tomava a forma de um corpo-a-corpo, actualmente assemelha-se mais a uma partida de xadrez, a um conflito entre capacidades mentais. A partir deste momento, iniciou-se uma transformação tão imparável a nível do aperfeiçoamento, acessibilidade (custos, espaço) que poderemos certamente correr o risco de afirmar que o computador dos nossos dias já não é o mais actual, tal é a velocidade com que as inovações neste momento surgem no mercado.

O computador é uma máquina, um instrumento, uma ferramenta. Não pode, por si próprio, conceber quaisquer ideias ou fazer deduções científicas. Limita-se a desempenhar três tarefas básicas:

Receber, guardar e emitir os dados ou informações que o utilizador entenda, de tal modo que não seja necessário recriá-lo de novo para, por exemplo, proceder a uma alteração;

Executar tarefas repetitivas sem cansaço, durante longos períodos de tempo e com grande precisão;

Seguir instruções do utilizador, permitindo-lhes definir o trabalho de modo a responder a necessidades específicas.

Neste sentido, quando nos referimos a um Computador queremos dizer tratamento automático de Informação e, por conseguinte, Informática.

Informação, «… é um conjunto de dados organizados segundo determinadas regras resultantes da comunicação» (A. Bork, 1987).

Tal como para se transmitir uma mensagem não basta um punhado de palavras, é indispensável que as mesmas se encontrem organizadas segundo regras de concordância e localização na frase e outras, pois caso contrário correm o risco de serem apenas palavras isoladas – dados – que não constituem informação: são apenas símbolos simples e portanto, com um significado limitado àquilo que representam.

Para passarem a constituir informação têm que sofrer uma série de operações: selecção, combinação, transformação, alinhamento e o cumprimento de regras até se constituírem no seu conjunto como uma frase – uma informação – a qual «será um conjunto de dados organizados que segundo determinadas regras resultam na comunicação do conhecimento» (Campos, 1994).

A Informática é a produção de informação de forma automática, isto é através de meios automáticos.

A palavra Informática é um neologismo criado pelo francês Philippe Dreyfus, em 1962, e adoptado posteriormente pela Academia francesa a partir das palavras INFORMAtion e automaTIQUE (em português INFORMAção e automáTICA).

Em síntese, o computador produz informação de forma automatizada , a partir de dados. Contudo, é imprescindível referir que o computador, embora sendo um elemento central e o mais importante, resume-se a um elemento de um sistema, o qual não poderá ter uma aplicação funcional isoladamente. Portanto, o que chamámos computador « não é um bloco metálico com peças dentro, é, sim um sistema» (Campos, 1994).

Por conseguinte, grandes progressos se realizaram em aspectos que dizem respeito à velocidade, à capacidade e à fiabilidade da informação.

Nesta evolução podemos assinalar o que se convencionou chamar as "GERAÇÕES DOS COMPUTADORES".

 

1ª Geração
2ª Geração
3ª Geração
4ª Geração
Componentes distintos

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