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Temas de História
Introdução
No continente americano existiam áreas não habitadas, outras habitadas por povos nómadas e outras, ainda, onde já se praticava a agricultura. Nestas desenvolveram-se brilhantes civilizações que conheciam o trabalho dos metais, com excepção do ferro, assim como um sistema de escrita e de cálculo. Os centros de governo e de comércio eram grandes cidades. Destas civilizações destacam-se as seguintes:
Maias - grupo de povos indígenas meso-americanos pertencente à família linguística Maia (iucateque e quiché), que tradicionalmente habitou o México, nos estados de Veracruz, Iucatã, Campeche, Tabasco e Chiapas, na maior parte da Guatemala e em regiões de Belize, El Salvador e Honduras. O povo mais conhecido, o Maia propriamente dito, que dá nome a todo o grupo, ocupa a península de Iucatã. Entre os demais povos significativos, encontram-se os huastecos, do norte de Veracruz; os tzeltales, de Tabasco e Chiapas; os choles, de Chiapas; os quichés, cackchiqueles, pokonchis e pokomanes, das montanhas da Guatemala, e os chortis, do leste da Guatemala e do oeste das Honduras. À excepção dos huastecos, todos estes povos ocupavam territórios vizinhos. Formavam parte de uma civilização comum que, em muitos aspectos, alcançou as mais elevadas parcelas de desenvolvimento entre os indígenas de todo o hemisfério ocidental.
A agricultura constituiu a base da economia Maia desde a época pré-colombiana, cultivavam essencialmente milho, além do algodão, o feijão, a batata-doce, a mandioca e o cacau. As técnicas de fiar, o tingimento e o tecido alcançaram um elevado grau de perfeição. Os Maias domesticaram o peru, porém faltava-lhes animais de tracção ou veículos de rodas. Fabricavam finos objectos de cerâmica, que dificilmente têm sido superados no Novo Mundo, excepto no Peru. Como unidade de troca, utilizavam sementes de cacau e sinetas de cobre, material que se empregava também para trabalhos ornamentais, assim como o ouro, a prata, o jade, as conchas do mar e as plumas coloridas. Desconheciam as ferramentas metálicas.
Os povos Maias formavam uma sociedade muito hierarquizada. Eram governados por uma autoridade política, o halach vinic, cuja dignidade era hereditária pela linhagem masculina. Este delegava a autoridade sobre as comunidades do povoado a um chefe local ou bataboob, que cumpria funções civis, militares e religiosas.
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História
As origens da civilização Maia são objecto de discussões devido a interpretações contraditórias nos achados arqueológicos. O período de formação começou cerca de 1500 a.C. Durante o período clássico, aproximadamente entre 300 e 900 d.C., propagou-se por todo o território Maia uma civilização mais ou menos uniforme. Construíram-se então os grandes centros cerimoniais como Palenque, Tikal e Copã. Os centros Maias foram abandonados de forma misteriosa pelo ano 900 e alguns indivíduos migraram para Iucatã.
No período pós-clássico, de 900 até à chegada dos espanhóis no século XVI, a civilização Maia teve seu centro em Iucatã. Uma migração ou invasão tolteca procedente do vale do México alterou fortemente seus estilos artísticos. Chichén Itzá e Maiapã foram cidades esplendorosas. A liga de Maiapã preservou a paz durante algum tempo, mas após um período de guerra civil e de revolução, as cidades foram abandonadas. Os espanhóis venceram com facilidade os grupos maias mais importantes, porém o governo mexicano não conseguiu subjugar as últimas comunidades independentes até 1901. Hoje, os Maias formam a maioria da população camponesa nos seus países de origem.
Fig.5 - Civilização Maia
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Mitologia Maia - conjunto de crenças e fábulas míticas próprias da cultura Maia, que se estendeu pelo sul do México, Guatemala e parte norte de Belize. O surgimento e o desenvolvimento cultural do chamado período clássico dos Maias estendeu-se aproximadamente de 250 até 900 d.C. A fonte mais completa e exaustiva para o conhecimento da sua mitologia é o Popol Vuh (Livro da Comunidade ou do Conselho), a bíblia dos Maia-quiches (de qui, 'muitos' e che, 'árvore': 'terra de muitas árvores') do ano 1550. Outra fonte é o Chilam Balam, escrito em Maia de Iucatã na época da conquista e a Relação das Coisas de Iucatã, de 1566, composta pelo espanhol Diego de Landa, que inclui interessantes dados sobre a vida dos Maias no século XVI.
Os deuses Maias possuíam uma natureza antropomorfa, fitomorfa, zoomorfa e astral. A figura mais importante do panteão Maia é Itzamná, deus criador, senhor do fogo e do coração. Representa a morte e o renascimento da vida na natureza. Itzamná é vinculado ao deus Sol, Kinich Ahau, e à deusa Lua, Ixchel, representada como uma velha mulher demoníaca. Alguns pesquisadores acreditam que o seu nome deriva das palavras com as quais supostamente se definiu ante os homens: "Itz en Caan, itz en muyal" ("Sou o orvalho do céu, sou o orvalho das nuvens"). Porém, também parece significar 'Casa da Iguana'. Segundo esta ideia, haveria quatro Itzamnás, correspondentes às quatro direcções do Universo. Quatro génios ou divindades, os Bacabs, por outro lado, aparecem sustentando o céu, identificados com os quatro pontos cardeais, que por sua vez estão associados a quatro cores simbólicas (Leste, vermelho; Norte, branco; Oeste, preto; Sul, amarelo), uma árvore (a seiva sagrada) e uma ave. Segundo a versão de alguns povos Maias, seria filho de Hunab Ku, ser supremo e todo-poderoso.
Chac, que se destacava pelo nariz comprido, ocupava o lugar de deus da chuva e costumava aparecer multiplicado em chacs, divindades que produzem a chuva esvaziando as suas cabaças e jogando machados de pedra. As uo (rãs) são suas companheiras e agem anunciando a chuva. O jovem deus do milho, Ah Mun estava relacionado com a vegetação e com o alimento básico; brigava frequentemente com o deus da morte, Ah Puch, Senhor do nono inferno. Outras divindades associadas às trevas e à morte são Ek Chuah, deus negro da guerra, dos mercadores e das plantações de cacau, e também Ixtab, deusa dos suicídios.
A semelhança e os contactos entre a cultura Maia e a Asteca explicam a aparição entre os Maias da Serpente Emplumada (Quetzalcoatl), que recebe o nome de Kukulcan em Yucatán e de Gucumatz nas terras altas da Guatemala.
Arte Maia - foi a forma de expressão social, política e ideológica de um dos povos mais interessantes da América pré-hispânica. A suas manifestações abrangem todos os materiais e técnicas que podemos imaginar e estendeu-se por mais de 2 mil anos. As raízes da arte Maia remontam à cultura olmeca (1200-400 a.C.) e, posteriormente, recebeu influências da arte de Teotihuacán e Tula. Compartilhou os mesmos padrões e conceitos da arte centro-americana como um todo.
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Aztecas - povo que dominou o centro-sul do México, famoso por ter estabelecido um vasto império altamente organizado, destruído pelos conquistadores espanhóis e seus aliados mexicanos.
Construíram palácios, templos e mercados. Desenvolveram a indústria têxtil e a ourivesaria. Não conheciam a moeda mas utilizavam certas quantidades de metal nas trocas comerciais.
Após a queda da civilização tolteca, ondas de imigrantes chegaram ao planalto central do México, nas proximidades do lago Texcoco. Cercados por inimigos poderosos que exigiam tributos, ocuparam as pequenas ilhas do lago. A lenda, segundo a qual fundariam uma grande civilização ao encontrar sobre um nopal (cacto) uma águia devorando uma serpente, tornou-se realidade. Os Aztecas foram capazes de consolidar um Império estabelecendo organizações civis e militares superiores. Em 1325, fundaram a cidade de Tenochtitlán (a capital do império).
Os Aztecas-mexicas formaram alianças militares com outros grupos e construíram um Império que se estendia do México central à actual fronteira com a Guatemala. No início do século XV Tenochtitlán era governada em conjunto com as cidades-estado de Texcoco e Tacuba (a Tríplice Aliança); após um século, conquistou o poder sobre a aliança.
No final do reinado de Montezuma II os povos da periferia lutaram para conservar sua independência. Em 1521, os conflitos internos facilitaram a derrota imposta pelos espanhóis comandados por Hernán Cortés (Fernando Cortez).
A sociedade Azteca era dividida em escravos, plebeus e nobres. Integravam a nobreza os nobres de nascença, os sacerdotes e os guerreiros. A educação, imposta desde os primeiros anos, era muito rigorosa, e aos homens exigia-se a vocação guerreira.
No panteão Azteca destacam-se Huitzilopochtli, Coyolxahuqui (deusa da lua), Tláloc (deusa da chuva) e Quetzalcóatl.
Os Aztecas utilizavam a escrita pictográfica gravada em papel ou pele de animais (códices). Também conheciam um sistema de calendário.
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Mitologia Azteca - conjunto de mitos e crenças religiosas próprios dos Aztecas. De cunho politeísta, o panteão Azteca abrangia uma abundante hierarquia de deuses.
Tezcatlipoca era uma das deidades (deusa,divindade) principais e representava o princípio da dualidade. A festa mais importante consagrada a Tezcatlipoca era o Toxcatl, em que se sacrificava um jovem honesto como representação do deus na terra, guarnecido com todos os seus atributos, entre eles um apito que produzia um som semelhante ao do vento nocturno pelas estradas.
Considerado 'pai dos toltecas', Quetzalcóatl aparece enfrentando Tezcatlipoca. Os seus devotos, para o venerar, tiravam sangue das veias que passam por baixo da língua ou por trás da orelha e untavam com esse sangue a boca dos ídolos. A efusão do sangue substituía o sacrifício directo. Huitzilopochtli era o deus da guerra, honrado numa cerimónia, o Panquetzaliztli, onde o sacerdote atravessava, com uma flecha, uma massa preparada com sangue das pessoas sacrificadas para tal ocasião.
Outro dos deuses importantes era Tláloc, deus da chuva. Morava num paraíso de águas chamado Tlalocan, para onde se dirigiam as almas das pessoas que morriam em inundações, fulminadas por raios ou doentes de hidropisia (acumulação anormal de líquidos) e aí desfrutavam da felicidade eterna. Os camponeses, para prevenir as secas, faziam imagens de Tláloc, venerando-o.
Xolotl representava as formas ascendentes e descendentes do fogo. Aparecia representado sem os olhos. Tlazolteotl, deusa da imundície, da luxúria e do desejo, absolvia os fiéis das suas faltas e pecados. Mictlantecuhtli (senhor do inferno) era o deus das trevas e da morte.
O deus Omacahtl simbolizava a alegria e o espírito festivo; castigava os erros no seu culto com indigestões e náuseas.
Ometecuhtli e Omecihuatl formavam o casal criador da espécie humana. Representantes da dualidade da geração, equivaliam respectivamente ao céu, o masculino, e à terra, o feminino, e ocupavam o primeiro lugar no calendário. Os Aztecas acreditavam que quatro mundos ou sóis haviam precedido o actual. Como em muitas outras mitologias e concepções religiosas, entre os Aztecas existia a ideia da sucessão de diversas eras ou mundos, interrompidos ou transformados através de cataclismos.
Fig.1 - Códice Borbônico, mostra os deuses Tezcatlipoca e Quetzalcoátl.
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Arte Azteca - manifestações artísticas (1250-1521 d.C.) que se encontram entre as mais importantes da Mesoamérica antes da chegada dos europeus. O termo asteca, juntamente com mexica e tenochca, é utilizado actualmente para designar os sete povos que chegaram ao vale do México procedentes de Aztlán, lugar mítico situado ao norte da América Central.
A arte asteca é, fundamentalmente, uma arte a serviço do Estado, uma linguagem utilizada pela sociedade para transmitir sua visão de mundo, reforçando a sua própria identidade face às culturas estrangeiras. De forte componente político-religiosa, a arte asteca expressa-se através da música e da literatura, mas também da arquitectura e da escultura, valendo-se, para isso, de suportes tão variados como os instrumentos musicais, a pedra, a cerâmica, o papel e as plumas.
O que chama atenção é a assimilação asteca das tradições artísticas anteriores e a reprodução de imagens pessoais que deram às suas manifestações. A arte asteca é violenta e rude, mas deixa entrever uma complexidade intelectual e uma sensibilidade que nos falam da sua enorme riqueza simbólica.
Fig.2 - Máscara Azteca
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Incas - civilização agrária e teocrática que floresceu do século XII ao XVI nos Andes, na América do Sul, pouco antes da conquista do Novo Mundo pelos espanhóis.
Originalmente, os Incas eram uma pequena e belicosa tribo que habitava uma região do Peru. Durante quase trezentos anos realizaram incursões impondo tributos aos povos vizinhos. O Império alcançou sua maior extensão durante o reinado de Huayna Cápac, e em 1525 compreendia o sul da actual Colômbia, o Equador, o Peru, a Bolívia, o Chile e o norte da Argentina.
A morte de Huayna Cápac provocou a divisão: os seus dois filhos, Huáscar e Atahualpa, tinham aspirações ao trono e a disputa entre eles enfraqueceu seriamente o Império. Nesta ocasião, Francisco Pizarro desembarcou com 180 homens e, apoiado por vários grupos indígenas, aprisionou o chefe Atahualpa. Em 1533, os espanhóis ocuparam Cuzco.
O Império Inca era uma teocracia baseada na agricultura, rigidamente organizada em grupos sociais e governada pelo todo poderoso Inca, adorado como um deus vivo. Dividia-se em quatro grandes regiões administrativas (Tahuantinsuya), subdivididas por sua vez em unidades sócio-económicas de propriedade familiar denominadas ayllu. Os cultivos mais importantes foram a batata, o milho, o tomate e o feijão. Domesticaram o lama para o transporte, e a vicunha e a alpaca devido à sua fina lã.
Fig.3 - Império Inca (início do século XIV)
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Entre as expressões artísticas dos Incas encontram-se templos, palácios e fortalezas estratégicas, como Machu Picchu. Também construíram pontes suspensas, canais de irrigação e aquedutos.
O deus supremo dos Incas era Viracocha. Outras grandes divindades foram Pachacámac e Pachamama. As cerimónias e rituais religiosos Incas estavam relacionados com o cultivo, a colheita e a cura de doenças.
Mitologia Inca - conjunto de crenças, de base animista, próprio dos povos de origem Quíchua e Aimará, que constituíam o império Inca (nome que significa Povo do Sol) e cuja capital era a cidade de Cuzco. Dentre esses povos, destacam-se os Mochicas e os Chimus.
O deus criador, com características de deus cultural, é Viracocha, qualificado como Velho Homem dos Céus, Senhor e Mestre do mundo. Por ter criado a terra, os animais e os seres humanos e ser o possuidor de todas as coisas, os Incas adoravam-no. Criou, destruiu os homens e tornou a criá-los a partir da pedra. Depois dispersou-os nas quatro direcções. Como herói cultural, ensinou aos seres humanos várias técnicas e ofícios. Empreendeu muitas viagens até chegar a Manta (Equador), de onde partiu sulcando o Oceano Pacífico - segundo uma versão, partiu numa embarcação feita com a sua capa; outra versão diz que caminhou sobre as águas.
Inti, o deus Sol, era a divindade protectora da casa real. O seu calor beneficiava a terra andina e fazia as plantas florescerem. Era representado com um rosto humano sobre um disco radiante. A grande Festa do Sol, o Inti Rami, era celebrada no solstício de Inverno. Para dar as boas vindas ao Sol, ofereciam-lhe uma fogueira, onde queimavam uma vítima em sacrifício, juntamente com folhas de coca e milho. Finda a celebração, exclamavam: "Oh Criador, Sol e Trovão, sede jovens sempre! Multiplicai os povos! Deixai que vivam em paz!".
A mulher de Inti era Mama-Kilya, a mãe Lua, encarregada de regular os ciclos menstruais das mulheres.
O deus da chuva, Apu Illapu, era uma divindade agrícola. Na época da seca faziam peregrinações aos templos consagrados a Illapu, construídos em regiões altas. Caso a seca fosse muito persistente, ofereciam-lhe sacrifícios humanos. Os Incas acreditavam que a sombra de Illapu se encontrava na Via Láctea, de onde jorrava a água que cairia na terra em forma de chuva.
Outros deuses importantes são Pachamama, a mãe terra, o mundo das coisas visíveis, senhora das montanhas, das rochas e das planícies, e Pachacámac, o espírito que alenta o crescimento de todas as coisas, espírito pai dos cereais, animais, pássaros e seres humanos.
Fig.4 - Cerâmica nazca
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Arte Inca - acredita-se que seja o momento culminante de um longo processo social e político iniciado vários milénios antes. Mais que um conjunto de formas inovadoras, as suas manifestações artísticas pressupõem uma continuidade das tradições anteriores, sendo as mais elaboradas a têxtil, a ourivesaria, o trabalho em pedra e a cerâmica.
A partir de uma experiência local modesta, os Incas desenvolveram uma arte simples, à qual foram incorporando as técnicas e as habilidades dos povos que conquistaram. Respondendo às necessidades derivadas de um estado tão complexo como o Inca, as suas manifestações artísticas converteram-se numa arma propagandística de grande importância.
Pesquisado e adaptado por:
Pedro Santos, nº22, 8ºD
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A Restauração - 1640
- LIBERDADE! Viva El-rei D. João IV!
- Cala-te, Vasco! Os Castelhanos podem ouvir-te e prender-te!
- Já não temo ninguém, Margarida! Ali, nos Paços da Ribeira, deitaram à rua, como coisa sem valor, o traidor Miguel de Vasconcelos. E muitos fidalgos estão a dizer-nos que temos rei Português!
- O duque de Bragança?
- Sim, esse! E irá ocupar o trono deixado pela duquesa de Mântua.
- Viva, acabou-se a noite de tormentas que durou 60 anos!
- E que bela manhã, pura e feliz, a deste 1.º de Dezembro!
Pesquisa:
Francisco Mendes, n.º 12, 8ºAno, Turma A
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Mafra, povoação antiquíssima tomada por D. Afonso Henriques aos mouros em 1146. Foi nesta vila que D. João V, com o ouro vindo do Brasil em grande quantidade, mandou erguer um dos mais belos e gigantescos monumentos de Portugal, o Convento de Mafra .
"Reza a tradição", que a origem da construção do Monumento de Mafra (Palácio, Convento e Igreja), se prende com o cumprimento de um voto que o rei D. João V teria feito a Deus no intuito de obter sucessão, o que , na realidade aconteceu.
Foi em 1717, mais exactamente a 17 de Novembro, que se deu início a esta grandiosa obra, onde chegaram a trabalhar 45000 operários e 7500 Soldados, ocupando uma área de 40000m.
O convento, destinado inicialmente a 13 frades franciscanos, sofreu sucessivas alterações no projecto, tendo chegado a albergar 342 religiosos.
As Torres são o grande ornamento da fachada do templo e em cada uma há cinquenta e sete sinos de diferentes dimensões.
O Real Convento foi inicialmente habitado por franciscanos, substituídos em 1771 pelos cónegos regrantes de Stº Agostinho que nele permaneceram cerca de 20 anos, voltando a ser ocupado pelos irmãos de São Francisco, até 1834.
Considerado sempre como residência de Verão, o palácio Nacional de Mafra apenas foi habitado permanentemente no reinado de D. João VI, período em que atingiu o máximo do seu esplendor. Os salões foram objecto de grandes beneficiações e diversas pinturas murais, apresentando-se ricamente atapetados e repletos de valiosos mobiliários e outras preciosidades artísticas.
Por altura das invasões francesas a família real retirou-se para o Brasil, ficando no convento apenas 20 frades, tendo o Palácio sido ocupado pelas tropas de Junot em 1807 e um ano mais tarde pelo exército inglês, que aí permaneceram até 1828.
A extinção das ordens religiosas levou os franciscanos a abandonar definitivamente as instalações do convento.
Com a implantação da República, o antigo Paço Real passou a denominar- se Palácio Nacional. O Paço Real serviu, pela última vez, de guarida a D. Manuel II, na noite antes do exílio.
PESQUISA DE:
TIAGO JOSÉ, nº21, 8ºB
Convento de Mafra
Palácio, Basílica e Convento de Mafra formam o conjunto arquitectónico da mais vasta área do barroco. Devido a um voto de D. João V, que desejava um herdeiro para o trono, com Mafra atingi-se o ponto cluminante do barroco em Portugal. Ludovice foi encarregado dos planos embora desconheçamos quais foram. Inicialmente previsto para proporções mais modestas, conforme o desejo dos Arrábidos, o rei resolve ampliar as obras lançando-se a primeira pedra em 1717 e fazendo-se a sagração em 1730. As obras decorreram rapidamente devido ao interesse real, aos recursos financeiros disponíveis e à enorme quantidade de mão-de-obra recrutada. O rei pedia, entretanto, para Roma, planos e modelos de edifícios religiosos.
O plano do monumento consiste em dois rectângulos articulados, sendo o da frente ocupado pela Igreja e Palácio e o da retaguarda pelo convento.
O primeiro andar do rectângulo fronteiro é ocupado por corredores, dando acesso às dependências do palácio, o varandim comunicante com a Igreja e ainda a uma " janela das bênçãos".
A parte conventual é uma sucessão de celas, refeitório, livraria laboratórios e cozinhas.
Salienta-se o seu cromatismo com predomínio dos mármores rosa num tom alegre que se harmoniza com o gosto Português. Regista ainda maior contenção decorativa do que o barroco Romano.
Para além da basílica encontramos ainda a Capela do Campo Santo, com mármores escuros e a Capela dos Sete Altares - com uma loggia num dos topos. A sala do Capítulo é a mais original do conjunto, com uma planta elíptica, criando um espaço fluido animado pela luz natural . Aqui estão ausentes os mármores tal como na sala dos Actos - ambas se harmonizando com o espírito dos Arrábidos e definindo espaços de privacidade. Tal atitude acentua-se na parte conventual que, na portaria, ainda acolhe mármores e uma bela escadaria dupla, mas no labirinto dos corredores a nudeza é total. A biblioteca, construída posteriormente, contêm já elementos rocaille.
Mafra é a "escola" de arquitectos como será de escultores em 1753 sob a direcção de Giusti. O monumento permanece como exemplo maior da vontade europeizante do rei tendo Roma como modelo orientador. Obra notável e de grande qualidade consagra definitivamente o gosto oficial do soberano.
Biografia de João Frederico Ludovice
Johann Friedrich Ludwig, de seu verdadeiro nome, nasceu em Schwabisch-Hall, na Baviera, em 1670 e faleceu em 1752. Era filho de Peter e Elizabete Ludwing. Chegou a Lisboa em 1701, contratado pelos Jesuítas, para trabalhar no sacrário de Santo Antão. Rapidamente ganhou os favores de D. João V. Dirigiu a chamada Escola do Risco, em Mafra, responsável por toda uma geração de arquitectos.
Em Mafra Ludovice dá corpo a ideias e práticas apreendidas em Roma, veiculando influências que o monumento regista e colaborando na definição do gosto oficial Joanino. Autor(parcial ou total) dos planos de Mafra, a acção de Ludovice é inegavelmente meritória. Na década de 40 é conselheiro do rei, dialogando vivamente com Roma, a propósito dos planos para a Capela de S. João Baptista. Era o coroamento natural de uma notável carreira de arquitecto -reconhecido pelo próprio D. José,que o nomeará arquitecto - mor do reino.
Convento de Mafra
Trabalho de pesquisa, elaborado por:
Catarina Alexandra C. Silva
Nº18/8ºC
Convento de Mafra
Convento de Mafra, mandado construir no século XVIII (1706-1750), por D. João V, cumprindo uma promessa pelo nascimento de um herdeiro ao trono de Portugal. Em 1717, lançou-se a primeira pedra do convento de Santo António dos capuchinhos arrábidos na vila de Mafra: complexo que incorporava basílica, palácio, biblioteca, jardim e tapada de caça. O mais pobre ramo franciscano, que ali instalara 12 monges, recebia dinheiro e suprimentos para 300 frades, exagero só comparável ao Escorial, na Espanha, que D. João V pretendia superar.
Projectado pelo germano-italiano João Frederico Ludovice, o Convento de Mafra foi erguido rapidamente (igreja, 1730; edifício; 1750); apesar da sua escala monumental, ocupa uma área total de 37.790 metros quadrados. A sua fachada tem cerca de 220 metros com torreões laterais (o do Rei e o da Rainha), escadaria cenográfica, cúpula e torres de derivação romana, vestíbulo com 18 estátuas gigantescas de santos encomendadas em Roma e interior em nave única. Ao todo o edifício apresenta 880 salas e quartos, 300 celas, 4.500 portas e janelas, 154 escadarias e 29 parques. Tudo nos melhores mármores e materiais mais ricos. Expressão do ideal absolutista do monarca, acabaria, com o tempo, transformado em quartel. Hoje procura-se dar um destino condigno a este monumento "maior do que o país". A sua construção inspirou o escritor José Saramago para criar um dos seus mais célebres romances, Memorial do Convento.
Convento de Mafra
Pesquisado e elaborado por: Pedro Santos nº22 8ºD
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O Mosteiro de Alcobaça
"A igreja do Mosteiro de Alcobaça é dos mais nobres e elegantes exemplares de arquitectura que tenho visto - e tenho visto muitíssimos; se não todos, os melhores que existem.
Nobre, elegantíssimo e sóbrio.
De majestoso efeito, na singeleza quase severa das suas linhas, a grande nave central dilata-se e ascende, sem demasias de ornamentação, numa profunda curva puríssima onde parece caber, ainda melhor que na vastidão da abóbada celeste, toda a expansão religiosa."
M. Teixeira Gomes
PESQUISA DE:
Tânia Antunes, nº19 do 8ºB
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O Mosteiro da Batalha
"Entre os mais perfeitos monumentos góticos que há na Europa, figura o Mosteiro da Batalha; e raro se encontrará fábrica de tão subido valor, pela nobreza e elegância nas formas, severidade nas linhas, beleza e sobriedade dos ornatos, perfeição e harmonia em todas as suas partes.
E - coisa notável! - o arquitecto que presidiu a tão arrojada obra e que por muitos anos a dirigiu foi um português, Afonso Domingues, nascido em Lisboa e baptizado na igreja Madalena, em que tem uma biografia singular, relacionada com a "casa do capítulo", testemunhada pela tradição.
Conta-se que andava ocupado na direcção dos trabalhos, quando enfermou dos olhos e cegou. Para que não parasse a obra, foi encarregado o arquitecto Houguet, ou Huet, talvez de origem francesa, de o substituir. Não soube este compreender aquela maravilha, que só a alma portuguesa pudera conceber. Quando, depois de concluída a abóbada, segundo o plano do grande artista inutilizado, lhe fez retirar os espeques, desabou todo o trabalho. Segunda tentativa, e idêntico resultado. Acabou o francês por declarar que o plano de Afonso Domingues era de impossível execução.
Sabedor o artista português da sentença do arquitecto estrangeiro, fez saber a D. João que, mesmo privado da vista, seria capaz de dirigir satisfatoriamente os trabalhos e respondia pelo êxito do seu projecto. El-rei reintegrou-o na obra, e Domingues conseguiu o seu arrojado fim.
A abóbada daquela extensa sala lá ficou sem coluna e sem pilar que a sustente, e lá se mantém, como a desafiar a vaidade do estrangeiro e a afirmar ao Mundo que Portugal sabe ser grande na arte."
António Pereira de Almeida
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Não caiu... Não cairá! ...
"Restava agora o mais delicado e sério da operação, que era ver se, depois de tirados os simples e cambotas, a abóbada se aguentava. Veio o rei, de prepósito, assistir ao acto. Para tirar o aparelho das combotas, foram mandados castelhanos prisioneiros de guerra e criminosos condenados a pena última, por se presumir que poderiam morrer soterrados nos escombros. Então, Afonso Domingues, serenamente, com o olhar vago iluminado de fé, mandou colocar uma pedra sobre o fecho da abóbada, sentou-se nela, contra o aviso de toda a gente e sem ligar importância às exclamções do próprio rei, que não soube nem pôde convencê-lo, dali ele mesmo em pessoa comandou a manobra. Queria testar a segurança do seu trabalho com o risco da sua própria vida.
E, com efeito, desta vez a abóbada não caiu. Mas, não contente com este triunfo de ocasião, o genial construtor perseverou e naquela posição expectante se manteve durante três dias e três noites, imóvel, sempre no seu posto, donde ao cabo o tiraram, já moribundo de inanição, porém balbuciando num convicto ar de triunfo:
Não caiu... não cairá ! ..."
Alexandre Herculano
PESQUISA DE:
Tânia Antunes, nº19 do 8ºB
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