Da descoberta do fogo... aos fósforos
O fogo, desde sua descoberta e mesmo durante muito tempo, causou no homem um grande temor e ao mesmo tempo um enorme fascínio. Isto explica-se pelo facto de que só se conhecia o fogo natural, pela observação de fenómenos naturais como relâmpagos e raios (descargas eléctricas), a erupção dos vulcões e o calor do Sol. O calor que ao mesmo tempo que aquecia, muitas vezes se propagava a grande velocidade devorando tudo que encontrava pelo caminho; mas, ao mesmo tempo que amedrontava, o fogo também exercia uma fascinação estranha, até mesmo nos tempos actuais.
Entre o mais antigo sinal de fogo, há uma história de pelo menos 350.000 anos. Provavelmente o fogo surgiu por obra da natureza e o seu uso pelo homem dependia de extraordinários cuidados de conservação.
O nosso pré-histórico ancestral via no fogo a manifestação de algum Deus irritado, daí o seu temor. Aos poucos, porém, convenceu-se de que o fogo não era um inimigo, já que fornecia luz e calor. A sua experiência de aproximação com o fogo dá-se através de uma série de acidentadas experiências. Fascinado pela chama luminosa, o homem certamente tentou tocá-la ou guardá-la, antes de aprender que o fogo precisava de ar, que a água o apagava e que materiais como a madeira, queimavam facilmente. Depois, terá percebido que o fogo não só servia para iluminar e aquecer, mas também para cozer alimentos e assustar as feras.
Na época do homo-sapiens, entre 60.000 e 10.000 a.C., surgem as primeiras habitações construídas e, com elas, os braseiros alimentados a carvão. Com a descoberta da alimentação, as gorduras animais são queimadas em lamparinas de pedra. Mas a técnica de obter fogo era tão difícil que, uma vez aceso, ele merecia um carinho especial para não apagar.
Após muitos anos, o homem aprendeu que ao friccionar a madeira seca ou produzir faísca pelo impacto de pedras poderia ter o fogo "em pequenas porções", muito mais fácil de ser manejado e controlado. Tendo-se familiarizado com o manuseio do fogo, o homem primitivo obteve o seu primeiro contacto com a idéia de que poderia evoluir...
Três condições são necessárias para se produzir fogo. É preciso que haja um combustível ou uma substância que queime. O combustível precisa de ser aquecido até atingir a sua temperatura de ignição ou acendimento, ou seja, a temperatura em que o oxigénio rapidamente se combina com o combustível.
Há três classes de combustível: sólido, líquido e gasoso. O carvão mineral e a lenha são exemplos de combustíveis sólidos. O petróleo e a gasolina, de combustíveis líquidos. O gás natural e o hidrogénio, de combustíveis gasosos.
Existem vários métodos para dar início a um fogo mas em todos eles obrigatoriamente devem estar presentes as três condições já citadas acima.
Antes da invenção dos fósforos, usavam-se pedras-de-fogo e o aço. Esse método requeria uma peça de aço, uma pedra-de-fogo (pederneira ou sílex) e uma mecha. Esta geralmente era um pano de algodão ou linho, ou casca de certas árvores ressequidas: era posta num forno para aquecer até que estivesse quase queimando. A seguir, era colocada numa caixa-isqueiro, usada há séculos, onde se colocavam também a pedra-de-fogo e a peça de aço.
Para acender o fogo, punha-se a mecha no chão e batia-se a pedra-de-fogo contra a peça de aço. Algumas das centelhas que saltavam, entre a pedra-de-fogo e a peça de aço, atingiam a mecha acendendo-a .
Outro método de produzir fogo é a fricção ou atrito, consiste em fazer girar um pedaço de pau num entalhe, numa tábua, até que o pó da madeira começasse a avermelhar. Assegura-se a quantidade de oxigénio necessária à transformação da incandescência em brasa soprando cuidadosamente sobre o pó avermelhado.
Uma invenção tóxica
... Segundo alguns autores, os palitos fosfóricos de segurança, hoje mundialmente usados, devem sua invenção a um químico de Berlim, de nome Jacques Friedrick Kammerer. Diz-se que fabricou os primeiros fósforos em 1882 . Kammerer, que era natural de Wartemberg, onde nasceu a 24 de maio de 1796, teria morrido num hospício de Viena, em 1857 .
Por outro lado, ha quem diga que os palitos fosfóricos foram inventados por Travany, em 1832 , na cidade de Veneza.
Atribui-se, também, a invenção ao inglês John Walker, em 1827 .
Por volta de 1830, Charles Sauria, em França, produziu fósforos com uma cabeça de fósforo amarelo cujas emanações tóxicas podiam incapacitar, ou mesmo matar, as pessoas que os fabricavam.
Cerca de 20 anos mais tarde (1855), foram introduzidas pelo sueco John Lundstrom os primeiros fósforos de segurança com uma superfície de fricção especial. O fabrico de fósforos tornou-se mais seguro a partir de 1890, quando em França se começou a utilizar o sesquissulfureto de fósforo na cabeça.
Até 1900, fabricou-se fósforo branco. Por ser venenoso, foi pouco a pouco sendo substituído pelo de cor vermelha.
Como medicamento, o fósforo apareceu no século XVIII. É um corpo químico, metalóide, de símbolo P, de peso atómico 31,02, luminoso na obscuridade.
A palavra tem o sentido de "portador de luz". Vem do grego ikos (luz) e phoros (portador)...
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