Métodos de estudo

TRABALHOS PRÁTICOS
METODOLOGIA

 ANÁLISE E COMENTÁRIO DE UM DOCUMENTO ICONOGRÁFICO

   Ao ser-lhe pedido, na aula de História, que realize um trabalho de análise de um quadro, não se lhe pede que o analise com os olhos de um perito de arte: o seu comentário deve ser acima de tudo histórico, isto é, fundado na análise do testemunho datado que é o próprio quadro. Todavia, ao nível da leitura desse documento, deve ter em conta certos dados técnicos, que diferem de época para época ou de autor para autor.

INTRODUÇÃO

1. Dados sobre o autor:   
Datas  e lugar de nascimento e de morte;
Origem social;
Anos e lugares de formação;
Idade quando realizou a obra.
2. Dados sobre a obra:
Tema;
Contexto histórico em que foi realizada;
Se e quando apareceu ao público;
Acolhimento.

ELEMENTOS PARA ANÁLISE DO DOCUMENTO ICONOGRÁFICO

Análise visual:
Dimensões do quadro;
O enquadramento da cena;
As personagens;
A acção dessas personagens.
  Deverá tentar perceber porque é que o autor pintou um quadro com aquelas dimensões e não outras, proceder à análise da cena, do enquadramento desta, dos móveis, dos objectos representados, da paisagem, da posição das personagens, identificando-as, como estão vestidas, em que atitude se encontram, etc.

Análise plástica:
A composição, isto é, a organização das figuras segundo esquemas geométricos ou não, com eixos bem marcados ou não, segundo leis de perspectiva ou sem elas;
A cor (frias ou quentes, fundamentais ou complementares);
A técnica de pintura (mancha larga, pontilhada, linear, sfumato, modelado);
A matéria (óleo, têmpera, etc.)
   Deverá analisar se o olhar do espectador é atraído para algum ponto em especial (centro, direita , esquerda) e porquê; o que se pretende traduzir com o emprego de determinadas cores; se o emprego de determinada técnica marca decididamente o estilo do autor; se o emprego de determinadas matérias representa um avanço em relação a outros, atraso, ou inserção no domínio das técnicas mais comuns, etc.

C) ANÁLISE HISTÓRICA
Porquê este tema?
Porquê esta técnica?
Porquê este estilo?
Que efeito pretendeu produzir no público?
Insere-se numa corrente artística ou rompe decididamente com as correntes dominantes?

    A resposta a estas questões levará à descoberta de problemas relacionados com: tipos de encomendas, ideias perfilhadas pelo autor, mentalidade dominante; tipo de materiais colocados à sua disposição pelo sistema comercial da zona em que vivia; influências de outros artistas, muitos deles seus mestres; possibilidades de deslocação para outras regiões, etc.

CONCLUSÃO

   Com as informações fornecidas pela análise do quadro poderá concluir do valor histórico do documento que analisou, isto é, de que modo é que ele serve ou não de testemunho da sua época, fornecendo elementos de índole económica, social, política, religiosa e artística.

TRABALHOS PRÁTICOS
METODOLOGIA

TRABALHO DE SÍNTESE

Antes de elaborar qualquer trabalho de síntese, quer o tema tenha sido proposto por si ou pelo seu professor, a primeira coisa que tem de fazer é procurar informações sobre o tema, não só no seu manual mas, sobretudo, recorrendo a bibliografia complementar. Do material recolhido aproveitará apenas as informações importantes para o tratamento do tema.

Depois de conhecer bem o assunto sobre o qual vai trabalhar, deverá fazer um plano, a que o desenvolvimento do seu trabalho obedecerá.

Esse plano deverá começar por uma introdução, onde porá em evidência o interesse e a importância do assunto e como pensa tratá-lo.

Passará depois ao desenvolvimento, onde o tema proposto será tratado, não todo de uma só vez e atabalhoadamente, mas sim subdividido em pequenos capítulos.

Finalmente, aparecerá a conclusão. Esta servirá para fazer um resumo breve do que pretendeu demonstrar ao longo do seu trabalho. Nela poderá ainda apresentar novas pistas de investigação do mesmo assunto.

Deve referir a bibliografia consultada.

Ex: MULLETT, Michael - A Contra-Reforma, Gradiva, Lisboa, 1984

Não se esqueça que a  apresentação estética do trabalho, embora seja do domínio pessoal, também é importante e poderá incluir, um índice, capa e contra-capa, gravuras, etc.


METODOLOGIA

ELABORAÇÃO DE UMA BIOGRAFIA


É-lhe sugerido que estude um homem ou uma mulher, a sua vida e a sua obra, a sua personalidade, de que modo é um produto da sua época ou como influenciou os acontecimentos do seu tempo ou de épocas posteriores.

Deve evitar cair no erro de fazer um trabalho sobre a história da cidade ou do país, ou da época em que o seu objecto de estudo viveu. A pessoa em si é que deve ser estudada (no contexto, evidentemente, da época em que viveu).

Não se esqueça que, tal como qualquer outro tipo de trabalho, também este deve obedecer a um plano.

METODOLOGIA

 TRABALHO DE SÍNTESE  -  UMA BIOGRAFIA

Escolha a pessoa cuja vida, personalidade e obra quer tratar.

Evite dissertar sobre o país e a época em que viveu: a pessoa em si é que deve ser tratada.

O plano de trabalho deve dar resposta a determinados tópicos de reflexão, tais como:

Quem é este homem ou mulher?
Quais os traços essenciais da sua personalidade?
De que modo reflecte a época em que vive?
De que modo influencia a época em que vive?
Como age sobre os acontecimentos do seu tempo?

O plano pode ser de tipo temático ou cronológico, quer opte por organizar o estudo da pessoa escolhida em torno dos grandes temas em volta dos quais se desenrolou a sua acção, ou sequencialmente, seguindo cronologicamente as etapas da sua vida.

Não se esqueça das várias partes que constituem um plano de trabalho de síntese.

METODOLOGIA

 ELABORAÇÃO DE UM TRABALHO DE SÍNTESE  EM HISTÓRIA

1. Delimitação do assunto proposto

Indicações gerais

Não se apavore perante a tarefa que lhe é proposta. No 11º ano não lhe é pedido que elabore um trabalho original que venha revolucionar o mundo científico.
 Exige-se que:

Mostre bons conhecimentos do assunto;
Mostre capacidade de organizar esses conhecimentos;
Adquira capacidade de expor esses conhecimentos.

Normalmente, um trabalho de síntese em História exigirá que tenha em conta três elementos importantes: o tempo (data ou duração), o espaço e um problema fulcral.

Compreender o tema

Dê atenção, no tema que lhe é proposto, a cada uma das palavras. Por exemplo: o tema Portugal no Renascimento e Portugal e o Renascimento - apesar de, à primeira vista, parecerem idênticos, não são a mesma coisa, devendo ter, portanto, tratamentos diferentes. Aqui a diferença é marcada, não pelas palavras-chave (Portugal, Renascimento), mas pelas palavras de ligação (no, e, o).

Delimite depois o assunto: tente perceber cada uma das palavras-chave, a que período e a que espaço geográfico se referem, qual é o objecto principal de cada tema, etc.

Pode então iniciar a segunda fase do seu trabalho.

2.  Seleccionar as questões importantes
Elaborar o plano

Seleccinar as questões importantes

Escreva num rascunho as ideias-chave essenciais para a redacção do seu trabalho, mesmo sem grandes preocupações de encadeamento entre elas;

Risque, no seu rascunho, todas as questões que estão a mais ou desajustadas em relação ao tema;

Se o tema proposto for evolutivo, deverá ter o cuidado de anotar também as datas entre as quais se desenrola o tema proposto, bem como todas as etapas importantes desse evoluir.

Se for estático, deverá situar-se em determinada problemática e caracterizá-la.

Elaborar o plano

Precisa agora de:
Ordenar as ideias seleccionadas, dando resposta à problemática colocada pelo tema;
Repartir essas questões seleccionadas, pelas várias partes constitutivas do plano (introdução, desenvolvimento e conclusão).

3. Tipos de planos

Estudo de uma personagem (biografia);
Plano cronológico - para o estudo de uma questão entre tal e tal data;
Plano explicativo - para o estudo de um grande acontecimento, suas causas e suas consequências;
Plano temático - para a análise de uma situação.

Pesquisa bibliográfica (ver metodologia)

Precisa agora de iniciar as suas leituras;
Peça sugestões bibliográficas ao seu professor;
Leia e faça fichas de leitura (ver metodologia);
Terminadas as leituras, pode iniciar a terceira parte do seu trabalho.


4. Redacção do trabalho

Chegou finalmente a altura de redigir o seu trabalho

Lance mão de todos os materiais que recolheu e do rascunho onde seleccionou as ideias-chave;
Redija primeiro um rascunho.

Redacção da introdução

Nesta parte do trabalho deverão ser apresentados o quadro cronológico e geográfico, se for caso disso, e o assunto principal que vai desenvolver. Serão aqui levantadas as questões a que deverá dar resposta no desenvolvimento, bem como explicar a metodologia que seguiu e as razões por que escolheu o plano segundo o qual trabalhará;
Deverá evitar começar a tratar o assunto principal logo na introdução;
Ou começar a colocar a questão num período demasiado afastado daquele que está a tratar.

Redacção do desenvolvimento

Deverá dividir este em pequenos capítulos para mais facilmente tratar o tema proposto;
Redija com frases curtas e simples;
Se citar um autor que leu, faça-o entre aspas  e coloque a referência bibliográfica em nota de rodapé.

Redacção da conclusão

A conclusão deve ser um resumo breve daquilo que desenvolveu anteriormente;
Saliente a novidade das suas conclusões;
Pode também apontar novas pistas de investigação sobre o assunto, de que se apercebeu durante o período de leituras, mas que não pôde tratar porque fugiam ao âmbito do tema proposto;
Termine o seu trabalho com a lista da bibliografia efectivamente consultada e o índice;
Apresente o seu trabalho o melhor que puder; redigido à máquina ou em computador, com capa, etc. A apresentação cuidada é um factor positivo para quem vai avaliá-lo.


TRABALHOS PRÁTICOS

METODOLOGIA

PESQUISA  BIBLIOGRÁFICA



   Muitas vezes, quando um professor lhe pede para fazer um trabalho de síntese, confronta-se com a necessidade de ter que procurar, numa biblioteca, obras sobre o assunto que pretende trabalhar. Começam também aí as suas dificuldades. Dirige-se normalmente ao funcionário de serviço para esclarecimentos que ele nem sempre lhe pode dar. Pense que as dificuldades são mais aparentes que reais e terá transposto o primeiro obstáculo.


Imagine que vai procurar um livro numa biblioteca (da sua escola, do seu bairro, ou da localidade da sua residência, ou outra), que não está informatizada.

Existem normalmente nestas bibliotecas três tipos de catálogos: o de autores, o de títulos e o de assuntos.

O seu professor deu-lhe como bibliografia livros de que conhece o autor. Basta procurar no catálogo de autores, a ficha referente ao livro que procura, uma vez que o catálogo está ordenado por ordem alfabética do último nome.



   Exemplo de uma ficha de autores:





                    Título


Ano de edição

  Outros catálogos        
        onde aparece
 a mesma obra       


HP 412
TAVARES, Maria José Pimenta Ferro

Judaísmo e Inquisição / Maria José Pimenta Ferro Tavares, Lisboa, Editorial Presença  

1987, 216 páginas.

I. Títulos                                  R. 4013 / 87

II. Assuntos


        Cota
        Autor


 Local de edição e editora

 Características físicas

Número de entrada na biblioteca









 Se procura este mesmo livro pelo título sem saber quem é o autor, neste caso, dirige-se ao catálogo de títulos.


HP  412
   Judaísmo e Inquisição


    Maria José Pimenta Ferro Tavares /
    Judaísmo e Inquisição, Lisboa.
    Editorial Presença, 1987, 216 páginas

    I. Autores                                        R. 4013 / 87
    II. Assuntos   



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 FICHA DE LEITURA


   A ficha de leitura contribui para o aperfeiçoamento da ficha bibliográfica e serve para a leitura critica.

   A ficha de leitura deve conter:

Indicações bibliográficas precisas, possivelmente mais completas do que as da ficha bibliográfica; esta servia-nos para procurar o livro, a ficha de leitura serve-nos para falar dele e para o citar como deve ser na bibliografia final; quando se faz a ficha de leitura, tem-se o livro na mão e, portanto, podem tirar-se todas as indicações possíveis, tais como número de páginas, edições, dados sobre o editor, etc.;

Informações sobre o autor, quando não é autoridade muito conhecida;

Breve (ou longo) resumo do livro ou artigo;

Citações extensas, entre aspas, dos trechos que se considera dever citar (ou mesmo de alguns mais), com indicação precisa da ou das páginas;

Comentários pessoais, no final, no início e a meio do resumo; para não se correr o risco de não os confundir depois com a obra do autor, é melhor pô-los entre parênteses rectos a cores.


RESUMINDO, A FICHA DE LEITURA DEVE CONTER:

Indicações bibliográficas precisas;

Informações sobre o autor, sempre que possível;

Resumo do texto, artigo ou livro;

Citações do autor, entre aspas;

Comentários pessoais, entre parênteses rectos, se a ficha for para constar do seu ficheiro; se a fiche se destinar a ser entregue ao seu professor, deve deixar claro quais os comentários que são da sua autoria, apesar de não usar os parênteses.


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METODOLOGIA

ANÁLISE DE GRÁFICOS


   Muitas vezes ao estudar um tema encontra a informação condensada num gráfico ou num quadro! É o resultado do trabalho de análise de um historiador sobre fontes históricas que têm em comum serem quantificáveis. A partir dessa representação estatística é possível tirar conclusões de natureza económica, social ou outra.

Se se tratar de um gráfico, não se esqueça de:

Observar as datas na abcissa. É no eixo horizontal que o tempo é sempre indicado;

Observar o fenómeno a medir (produção, consumo, população, preços, etc), na ordenada;

Começar sempre por analisar a tendência geral. Se sobe, se desce ou se se mantém;

Analisar depois na especificidade os acidentes (aceleração, abrandamento) e marcar os períodos em que se verificam;

Quando o gráfico apresentar duas curvas (por exemplo: exportação e importação), compará-los.

Se se tratar de um quadro, a apresentação difere, mas os dados são do mesmo tipo. Por isso são normalmente convertíveis um no outro e o processo de tratamento é o mesmo.


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METODOLOGIA

 ANÁLISE E COMENTÁRIO DE UM MAPA


   Os mapas que frequentemente são utilizados em História têm a dupla finalidade de situar factos, acontecimentos e documentos no tempo e no espaço. Com a comparação de mapas pretende-se analisar informações idênticas em documentos diferentes. Pretende-se com estes caracterizar ou descrever uma situação e, quando são mais do que um e se referem a momentos diferentes, podem confrontar-se situações.

   Ao utilizar um mapa, observe:
Os elementos de informação fornecidos: título, legenda e escala;

O espaço representado;

Se tem vários mapas observe cada um atentamente, se estão na mesma escala, se representam o mesmo fenómeno, se se referem ao mesmo período de tempo ou a fenómenos diferentes na mesma data. Depois compare.

Tente explicar os dados fornecidos recorrendo ao manual ou ao que aprendeu nas aulas ou investigou sozinho.