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A Tradição
Alexandrina
Geralmente quando encontramos algum artigo sobre as diversas Tradições Wiccanas somos remetidos de imediato às biografias dos fundadores, suas histórias pessoais, contatos, influências que receberam, etc.
Pouco se fala da matriz filosófica ou do sistema em que determinada tradição se situa. Isto acontece, entre outras coisas, por que a tradição específica não desenvolveu uma filosofia ou teologia própria ou sua matriz teórica se assenta em outra tradição já conhecida.
Além disto, certas tradições estão ligadas profundamente à personalidade e visão de mundo de seu fundador, ficando difícil ampliações e aprofundamentos futuros.
A Tradição Alexandrina foi criada por Alex Sanders e sua esposa Maxine em meados dos anos 60. Embora Alex tivesse dito ter sido iniciado por sua avó, o que ele desmentiu posteriormente, na verdade foi em um coven Gardneriano, onde recebeu sua iniciação através de Lady Pat Kopanski. Embora herdeira da Tradição Gardneriana, o sistema Alexandriano busca sua inspiração e aprofundamento no reavivamento científico-cultural Helenístico.
O nome Alexandrina ou Alexandriana não provém do nome de seu fundador "Alex". Provém da cidade de Alexandria, situada no delta do Nilo, Egito. Conhecer um pouco do que era a Alexandria do período Helenístico é fundamental para entender as matrizes do sistema Alexandrino e seus posteriores desdobramentos a partir da década de 70.
A cidade de Alexandria era um centro de cultura científica e de diversas tradições espirituais. Em Alexandria congregavam-se e daí partiam cientistas de todo o mundo civilizado, sendo que a época áurea deste centro de cultura foi nos séculos III e II a.C. Podemos lembrar diversos sábios que por lá residiram e realizaram um amplo trabalho de pesquisa em diversas áreas do conhecimento - Euclides, Arquimedes, Hiparco, Ptolomeu, entre outros. A cidade era organizada de tal forma a oferecer infra-estrutura à pesquisa e ao conhecimento.
A cultura Alexandrina diferenciava do período grego clássico, onde reinava uma filosofia somente especulativa, por uma nova forma de reflexão sistemática - o método indutivo, onde as hipóteses eram testadas e a partir daí construía-se uma teoria.
Mas o que teria haver toda a revolução filosófica-científica de Alexandria com o sistema criado por Alex Sanders?
O sistema Alexandrino, a exemplo do que acontecia com a efervecência cultural helenística, sugere que qualquer aspirante aos graus de conhecimento, devem ter uma ampla e profunda base teórico-metodológica, como pressuposto básico à experimentação, e daí à construção daquilo que é a meta fundamental do ocultismo ocidental - a realização da "Grande Obra".
A exemplo do que acontecia nas escolas de Alexandria, onde diversas tendências filosóficas e científicas eram estudas, praticadas e debatidas. O Curriculum Alexandrino, também é extenso, busca fundamentar a prática mágica e operacional e a experiência religiosa numa base filosófica que confere ao sistema uma unidade e organicidade qualitativa. Esta base filosófica, Alex a encontrou na filosofia hermética-cabalista e nas Tradições de Mistérios greco-romanas e também na espiritualidade nativa das Ilhas Britânicas.
A partir dos anos 70, o sistema Alexandrino conheceu um aprofundamento e ampliação pela contribuição do casal Stewart Farrar e Janet Owen, que foram iniciados neste período.
Stewart Farrar, um autor profícuo, iniciou uma extensa produção literária sobre a Tradição Alexandriana, sendo o Livro What Witches Do (1971), sua primeira publicação, após um ano de iniciação como bruxo por Sanders.
A Tradição passou a aprofundar o treinamento de seus membros oferecendo um corpo teórico e prático que incluía magia cerimonial, filosofia hermética, mistérios egípcios e gregos, cabala, magia angélica e enoquiana, yoga, psicologia, entre outros. Os covens Alexandrianos possuem estruturas hierárquicas e realizam reuniões semanais para estudos e experimentação, além dos Esbasts e sabats.
Os Alexandrianos usam essencialmente os mesmos instrumentos que os Gardnerianos. Em alguns grupos, ou rituais, apenas se troca as associações em relação às armas elementais, especialmente o athame e a vara.
A doutrina dualista da Divindade - Masculina (Deus) e Feminina (Deusa) - é o centro de toda a vida litúrgica. O encontro com a Divindade nas diversas formas de Deusas e Deuses se faz através da meditação e do drama ritual. A suma-sacerdotiza representa a Deusa e sumo-sacerdote representa o Deus, seu esposo e consorte.
A Tradição Alexandrina, é uma religião mistérica, pois seu sistema, nos seus três graus iniciáticos, estimulam o buscador a morte do ego, sua ampliação de consciência e seu renascimento como expressão terrena do Sagrado pelo contato místico com a Divindade.
Apesar deste sistema ser exigente em sua eclética formação, visando a síntese alquímica, Alex Sanders não foi poupado de inúmeras críticas pelos praticantes tradicionais, principalmente por explorar junto à mídia sua própria imagem (intitulava-se Rei dos Bruxos) e popularizar os segredos da Arte.
Seja como for, Alex Sanders foi um dos maiores divulgadores da Tradição Wiccana e ofereceu a ela o respaldo teórico-metodológico digno de uma Religião Mistérica.
Alex morreu em Sussex, no dia 30 de abril de 1988.
Conta-se que no dia de sua morte vários bruxos e bruxas ligados Iniciaticamente a Alex, como seu pai espiritual, perceberam de alguma forma a passagem do "Rei" às Terras da Eterna Juventude.
Salve o Rei!
Sol : gêmeos - 2000