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Uma Introdução
à Roda do Ano
A Roda do Ano é um conjunto de oito celebrações - comumente chamadas na Wicca de sabás - que nos conectam com as mudanças que o nosso Planeta sofre durante o ano. Essas mudanças são definidas pela translação da Terra ao redor do Sol e a conseqüente alternação entre as quatro estações: verão, outono, inverno e primavera. Por isso, todos os sabás refletem o momento que a Natureza está vivendo e a posição do Sol em relação a Terra, representado pelo Deus Cornífero.
Os oito sabás são: Yule (Solstício de Inverno), Imbolc, Ostara (Equinócio de Primavera), Beltane, Litha (Solstício de Verão), Lammas, Mabon (Equinócio de Outono) e Samhaim. Desses oito sabás, os equinócios e os solstícios são de origem germânica, enquanto que os outros quatro são de origem celta. Mas há também em cada um dos oito sabás influências de outros povos.
Nenhum povo antigo celebrou todas essas celebrações juntas. Quando criou a Wicca, Gerald Gardner pesquisou várias celebrações de diversos povos diferentes e escolheu essas oito, articulando-as de forma a expressar o nascimento, a vida e a morte do Deus Cornífero enquanto filho e amante da Deusa. Portanto, os sabás da Wicca possuem significados ligeiramente diferentes das celebrações antigas, nas quais eles foram inspirados.
Atualmente, esses são os significados dos oito sabás da Roda do Ano:
Yule: A Deusa, em seu aspecto de Mãe, dá a luz ao Deus Cornífero, a Criança da Promessa, que trará a vida abundante de volta ao mundo. É o começo do Inverno.
Imbolc: A Deusa, em seu aspeto de Donzela, cuida do Deus Cornífero, então ainda uma criança, que está descobrindo o mundo. É um festival de luzes e esperança, que nos prepara para o final do inverno, que se dará no sabá seguinte.
Ostara: Agora o Deus Cornífero é um jovem Guerreiro, na sua puberdade. A Deusa se mostra também como uma jovem. Em Ostara eles passam a descobrir um certo interesse amoroso-sexual um pelo outro. O início da Primavera.
Beltane: A paixão entre a Deusa e o Deus Cornífero e a sua união sexual. É o sabá da fertilidade. Nele, o Deus Cornífero engravida a Deusa.
Litha: Um sabá solar por excelência. O auge do poder do Deus Cornífero. A Deusa é sua esposa, também no auge do seu poder. O início do Verão.
Lammas: A primeira colheita. O Deus Cornífero é ferido e começa a perder poder. A Deusa dá-lhe apoio. Sabá em que se agradece à Mãe-Terra pelos bons frutos que colhemos na nossa vida.
Mabon: A segunda colheita. O Deus Cornífero agora está no final da sua vida, muito ferido. É o Deus Moribundo. A Deusa mostra a sua face de Anciã, tendo adquirido a Sabedoria. O começo do outono.
Samhaim: A colheita final. O Deus Cornífero finalmente morre e torna-se o Senhor do Outro Mundo. A Deusa chora pela morte do seu amado. Mas há a esperança, pois o Deus Cornífero renascerá da Deusa em Yule, fechando a Roda. É o Dia dos Mortos, quando os nossos antepassados devem ser honrados.
Ano após ano, este ciclo se repete, seguindo o mesmo padrão, porém sempre com as suas particularidades, pois o Tempo não é nem linear nem circular, e sim, uma espiral.
O mais interessante na Roda do Ano é a sua analogia entre a vida do ser humano e as mudanças ocorrentes na Terra durante o ano. Afinal, "o que está embaixo é como o que está no alto e o que está no alto é como o que está embaixo, para produzir os milagres de uma só coisa" (Hermes Trimegisto).
Assim, leva o wiccan a uma verdadeira jornada iniciática de individuação, a uma transmutação interior diretamente conectada com a nossa Mãe-Terra e com o nosso Pai-Sol, fazendo-nos compreender melhor a nós mesmos, ao nosso mundo e que não há separação entre um e outro. Qualquer separação que possamos pensar entre o interior e o exterior advém de uma mente limitada, que deve ser trabalhada magicamente.
Em um mundo em que a Humanidade está tão apartada da Natureza, a celebração dos ritmos da nossa Mãe-Terra mostra-se como sendo de grande importância. Pois sob uma perspectiva pagã, grande parte dos problemas do mundo e do indivíduo tem a sua origem no afastamento que houve do ser humano em relação à Natureza, a ponto de torná-la sua escrava.
A identificação do Ser com a Terra leva a uma consciência ecológica e humanitária muito grande. E isso é essencial para que o nosso planeta não entre em um colapso total, rumo ao qual tudo leva a crer que hoje estamos indo. Mas para que haja essa identificação, não basta celebrar a Roda do Ano de uma forma cultista, apenas honrando determinadas deidades. É preciso que ela seja celebrada de uma forma mágica, iniciática. Ou então apenas a forma é cumprida, deixando-se a essência de lado.
Concluindo, a Roda do Ano é uma das pedras fundamentais da Wicca. É importante que todo wiccan celebre as oito celebrações, sem pular nenhuma, para que ele se desenvolva plenamente no seu Caminho, esteja sempre mantendo a sua ligação com a Terra e vivendo sempre o processo iniciático de individuação à qual Roda do Ano dirige o praticante.