As Plantas

de Poder

 

 

Por Lobo do Cerrado

 

As plantas foram as primeiras formas de vida na Mãe Terra, elas tem uma relação muito forte com o sol e a lua. Delas obtêm-se os medicamentos, quer sejam alopáticos ou homeopáticos. Porém algumas delas são chamadas de Plantas de Poder e levam a mente de quem as utilizam a regiões "espirituais", alterando nossa consciência profundamente.

O uso dessas plantas, fazem parte da experiência xamânica a milhões de anos. Elas não podem serem confundidas com drogas que causam dependência e colocam em risco a saúde de que as utilizam. Ao meu modo de ver, cada Planta de Poder abriga um Ser, Seres esses que nos ensinam ao entrarmos em contato com eles, mas não é simplesmente ingeri-las para contactar esses seres, é preciso que tenhamos certos princípios para conseguirmos contactá-los. É devido a essa falta de princípio, que muitos dos que as utilizam, não conseguem estabelecer contato e podem até sofrer com alguns problemas mentais, principalmente aqueles que vivem arraigados ao mundo mundano urbano.

No Universo Xamânico, aprendemos que tudo tem o seu lado de luz e sombra, basta termos conhecimentos em que dimensão pretendemos trabalhar. Na luz, as Plantas de Poder são consumidas em rituais, no qual temos que nos abster da carne e do sexo, de preferência deveríamos jejuar por 3 dias.

As Plantas de Poder aumentam a percepção, a acuidade visual e auditiva, e nos levam para outras camadas vibracionais ou dimensões. A experiência em si, é individual, alguns tem visões, outros canalizam mensagens de outros planos, outros realizam regressões de memórias de outras reencarnações, recebem insights, têem a intuição ampliada, recebem cura,encontram entidades, entre tantas outras coisas. O seu uso ritualístico, enfim, nos leva a uma experiência mística maravilhosa.

Existe diversas destas plantas, os povos amazônicos usam a Ayuhaska, a Coca e o San Pedro, já os Mexicanos usam o Mescal e a Cannabis Sativa, os brasileiros além da ayuhaska, utilizam a Jurema, o Virola conhecido também como Paricá. Alguns Nativos Americanos do Novo México utilizam o Peyote. Ainda existem uma infinidades delas, além dos cogumelos. Porém falarei aqui com vocês da Ayuhaska.

A fonte de informação do yagé, um caldo feito com a mítica casca da ayahuasca, deve-se ao ayahuascero, o xamã da selva, a quem os métodos de sua preparação e a condução dos rituais foram transmitidas por gerações passadas.

O uso da ayahuasca leva a visões e imagens, além de experiências telepáticas. Ela é chamada de Vinha da Morte, porque ela supostamente leva as pessoas até os portais da morte, e as trazem de volta. O uso da planta e o ritual para fins visionários parece estar enraizados na pré-história da América do Sul.

No dialeto quechua aya significa "morte". Huasca é "corda" ou "vinha".

O yagé geralmente é fervido e posto numa cuia. O líquido é grosso, cor de sopa de cogumelos misturada com suco de beterraba e cenoura, e exala um forte odor ocre; bem diferente da erva de San Pedro que tem cheiro de anís.

Então o xamã fuma um cachimbo com um fumo picante, solta baforadas em cima do yagé, antes de beber. Quando se bebe, sente-se um gosto de sopa azeda fria de cogumelos, de consistência leitosa e com um gosto amargo. Pode-se sentir o líquido descer, envolvendo nossas entranhas.

Segundo os xamãs peruanos, o Jaguar é o espírito da ayahuasca, e segundo eles, é muito importante na experiência não deixar-se seduzir pela ayahuasca e sim procurar ser um espectador que assiste ao ritual. Surge então um grande dilema: "Viver a experiência ou servir à experiência".

No sentido mítico o ayahuasca nos leva de encontro a morte, é o lugar do Oeste na Roda da Medicina é onde deparamos com a morte e somos levados por ela.

O ayahuasca, como qualquer remédio sagrado, é o ponto indicador onde o caminho se ramifica: ajuda-nos a percorrer nossa trilha, mas pode ser inútil e até perigoso, se não estivermos prontos a aceitar a jornada.