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O Modelo de Um
Ritual Wiccano 1.5
Copyright © 1989, 2001 c.e., Isaac Bonewits
Tradução: Quíron
| Este é um excerto do que
deveria ter sido um capítulo sobre rituais do meu livro não publicado sobre Bruxaria. Agora eu o estou publicando aqui para que as pessoas possam ter um idéia geral da minha pesquisa e prática deste tópico. Ele será expandido para incluir um script de um ritual completo, mas não por enquanto, pois eu tenho outros itens para publicar primeiro no meu website. |

O começo
Nos anos 40 e 50, um funcionário público aposentado e folclorista amador chamado Gerald B. Gardner (chamado carinhosamente de "GBG" ou "Old Gerald"), começou com seus amigos a reconstruir ou talvez inventar o que ele escolheu chamar de "a Antiga Religião" da "Bruxaria." Eles declaravam que Margaret Murray estava correta ao postular que um culto pagão secreto havia sobrevivido na Europa Cristã e que os membros deste culto seriam as "bruxas" as quais a Igreja tanto tentou exterminar durante o Renascimento. Fora isso, Gardner e seus acólitos disseram que a Velha Religião continuou a existir mesmo até o século XX. Veja detalhes sobre Gardner e como ele se enquadra na história da palavra "bruxaria"em A Very Brief History of Witchcraft (este texto pode ser encontrado no site de Isaac Bonewits: www.neopagan.net).
A despeito da declaração conflituosa historicamente em relação ao fato de ter havido ou não um coven "real" que iniciou Gardner, está muito claro nas suas próprias anotações que ele poderia ter criado as bases litúrgicas do que se tornaria conhecido como "Wicca" a partir de fontes publicadas e das sua própria experiência em outras organizações ocultas do Ocidente. Eu tenho estudado os primeiros rascunhos manuscritos que ele chamou de Ye Bok [sic] of Ye Art Magical, o que finalmente transformou-se no seu primeiro Book of Shadows ("BOS"). Não há nada lá que possa se demonstrar ser reminiscências de um sobrevivente culto pagão britânico secreto (apesar de que algumas partes pareçam com rituais tântricos hindus).
Há um famoso ditado entre os acadêmicos que diz que "Ausência de evidência não é evidência de ausência" e este ditado normalmente é verdadeiro. Entretando, nesta situação a falta de evidências torna-se muito importante. Pessoas ao escrever liturgias quase sempre começam retrabalhando o cerimonial que já lhes sejam familiares. Um exemplo, as liturgias episcopal e luterana são similares à liturgia católica. Outro exemplo, os rituais que Aleister Crowley escreveu para a sua ramificação da Ordo Templi Orientis (um desdobramento dos maçons-livres que ele transformou em um grupo de maior orientação magista) incorporam frases e atos de rituais mais antigos dos maçons, da Hermetic Order of the Golden Dawn (a mais conhecida ordem oculta britânica do nosso tempo) e dos ritos de iniciação da O.T.O pre-crowleyana. Um terceiro exemplo (que "prova" os outros), grande parte dos primeiros rituais da A.D.F incluem partes dos rituais da R.D.N.A que eu aprendi anteriormente (alguns deles, pelo menos os que eu pratico, ainda incluem essas partes).
As primeiras versões dos escritos iniciáticos e litúrgicos de Gardner estão cheios de empréstimos óbvios dos maçons, dos grimórios (livros mágicos) da Renassença Goética, dos escritos de Crowley etc. Não há orações, encantamentos, atos rituais ou modelos litúrgicos que reflitam outras fontes além da (judaico-cristã) tradição ocidental, dos então disponíveis materiais publicados de antropologia e folclore, de alguns métodos tântricos que ele poderia facilmente ter aprendido no Extremo Oriente ou através de Crowley, de algumas poucas linhas de tagarelice em alguma "língua" desconhecida e de alguma poesia roubada de Kipling e Yeats. Se Gardner esteve presente em ritos genuinamente paleopagãos (ou mesmo mesopagãos) na Inglaterra os seus métodos de culto deveriam ser visíveis em suas anotações privadas, mesmo que ele fosse proibido de colocar palavras e frases secretas no papel. Apesar disso modelos litúrgicos pagãos são invisíveis nas suas antigas anotações. Eles apenas começam a aparecer na década de 50 ao serem gradualmente removidas as influências goéticas e crowleyanas sob a influência da sacerdotisa de Gardner, Doreen Valiente.
Neste momento, a autenticidade da "sucessão apostólica" de um coven secreto no qual Gardner foi iniciado se torna particularmente irrelevante. Se houve um coven de verdade que treinou Gardner, eles aparentemente não mostraram ou disseram muito a ele de qualquer coisa que fosse genuinamente antigo ou pagão, pelo menos não em relação à liturgia.
Isto talvez não importe muito. Gardner era extremamente criativo. Ele alterou as técnicas mágicas goéticas para torná-las utilizáveis por grupos pequenos de pessoas ao invés de magistas solitários. Ele reescreveu as três primeiras iniciações maçônicas para torná-las aplicáveis tanto para homens quanto para mulheres. Ele tornou a sensualidade e o erotismo uma parte central (pelo menos na teoria) da sua nova/velha religião ao tomar emprestado técnicas e simbolismos tântricos. Finalmente, e mais importante, no começo da década de 50 ele adicionou a teologia sincrética de Ísis e Osíris criada por Dion Fortune ("Todos os deuses são um Deus e todas as deusas são uma Deusa") e algumas elementos politeístas para tornar a sua criação genuinamente (Meso-) pagã.
Em 1954, todas as anotações que ele havia feito durante os anos 40 e o começo dos anos 50 foram transferidos para um novo livro, que se tornou o seu primeiro Livro das Sombras oficial e o Ye Bok foi deixado no fundo de um arquivo, aonde ele ficaria esquecido por vinte anos.
Quaisquer que sejam as suas origens, as primeiras versões dos rituais wiccanos (especialmente aqueles dedicados aos festivais) são extremamente resumidos, normalmente sendo apenas uma ou duas páginas de texto. Seguindo o conselho de Gardner de que "é melhor fazer ritual a mais do que ritual a menos," os membros dessa nova religião começaram a adicionar material em cada um deles. Durante os anos os rituais se expandiram consideravelmente, com enormes variações nos detalhes, mas com a mesma estrutura litúrgica sendo normalmente mais-ou-menos conservada.
Variações Atuais na Estrutura Litúrgica da Arte
Por várias razões históricas, muitas delas tendo a ver com (1) a discrição a qual os wiccanos tanto apreciam e (2) a aparente necessidade constante de inventar novas variações para convencer estudantes de que não se está usando realmente o material de Gardner e Valiente, não há um modelo universal do ritual wiccano, embora o seu formato geral seja similar de grupo para grupo. Diferentes tradições (denominações ou sectos) fazem mais ou menos os mesmos atos rituais, mas em ordem diferente.
Quase todas as tradições começam com os participantes fazendo algum tipo de purificação pessoal (banhos de ervas, jejum etc.) antes do ritual realmente prosseguir. Estas purifacações não são estimuladas no sentido de impureza ou iniqüidade da parte dos participantes, mas sim, refletem uma necessidade de começar a focar a consciência, limpando a mente de pensamentos irrelevantes e mostrando respeito pela Deusa e pelo Deus, assim como pelos outros coveners, da mesma forma como membros de muitas outras religiões fazem antes de atender o serviço religioso.
As pessoas que atendem ao ritual então vestem os seus robes cerimoniais ou se despem para estarem em estado de nudez ritual (tornando-se "vestidos-de-céu," um termo hindu usado para sábios nus que vivem nas matas e que abandonam todas as preocupações sociais e distinções de classes pela sua busca pela iluminação). O propósito da roupa cerimonial (ou da nudez ritual) é ser outra indicação para o íntimo das pessoas de que atividades sagradas logo irão começar, assim como é outra maneira de mostrar respeito aos Deuses.
Quase todos os grupos wiccans usam um círculo como o formato do seu espaço sagrado. Alguns marcam esse círculo fisicamente no solo ou no chão, mas a maioria não o faz (eis porque freqüentemente ele se torna um "oval mágico"). A maioria coloca velas ou tochas ao Norte, Sul, Leste e Oeste - chamados de "Quadrantes" - de duas linhas invisíveis que se cruzam no centro do círculo, dentro ou fora da linha do círculo. Se as direções são marcadas acuradamente com uma bússola ou sem tanta precissão, pois a sala ou outros fatores o exigem, isso varia consideravelmente.
Algumas tradições colocam o quase universal altar fora do círculo quando o rito começa. Outros, o colocam dentro do círculo, no centro ou perto de um dos quadrantes.
Alguns grupos preferem que qualquer pessoa, com exceção dos sacerdotes (em geral, uma Alta Sacerdotisa e um Alto Sacerdote, e às vezes também uma Donzela e/ou um Green Man como assistentes) esperem fora da área ritual (normalmente no nordeste, por razões relacionadas com os ritos maçônicos de iniciação) enquanto ela é preparada para a cerimônia, e os introduzem para o círculo após isso ser feito. Outros preferem que todos já estejam dentro do círculo desde o começo.
As tradições nas quais as pessoas já começam dentro do círculo e o altar é colocado fora dele podem começar com "a dança espiral", que foi primeiramente descrita por Gardner em Witchcraft Today e depois em A Dança Cósmica das Feiticeiras, de Starhawk. Depois que todos já espiralaram para o centro do círculo e espiralaram para fora novamente, com trocas de beijos ao longo do caminho, e estão de novo de mãos dadas, formando um círculo, este anel é quebrado e o altar é trazido para dentro. Infelizmente, como muitos podem declarar, a dança espiral freqüentemente se torna uma "torção da coluna" espiral. Eis porque eu normalmente não a recomendo, exceto para grupos compostos somente por pessoas jovens e saudáveis dançando em uma superfície macia e plana.
Sal e água são normalmente exorcisados e/ou abençoados pelos sacerdotes, às vezes juntamente a outras substâncias como incenso, óleo, velas etc. Estes ítens são usados, tanto antes quanto depois do círculo ser "lançado" (formado simbolicamente) para exorcisar e/ou abençoar o círculo como um todo e/ou todas as pessoas dentro dele. Assim como as purificações pessoais mencionadas acima, os exorcismos feitos em rituais neopagãos têm pouco a ver com o banimento de espíritos malignos e muito mais a ver com a "afinação" das energias espirituais dos objetos e/ou pessoas envolvidas para torná-las apropriadas para o trabalho que irá começar - da mesma forma que um cozinheiro que acabou de cortar alho irá tomar o cuidado de lavar as suas mãos e a faca antes de começar a cortar maçãs para uma torna (pelo menos nós esperamos ele tenha!).
O círculo é lançado quando a Alta Sacerdotisa (quase sempre é ela que o faz) caminha em torno da área ritual na direção horária, começando no Quadrante Leste (o mais comum), no Quadrante Norte (menos comum), Sul ou Oeste (raramente), com uma espada ou faca consagrada. Esta arma pode ser segurada no ar a qualquer altura, apontada para cima, para baixo, para frente, para fora, ou mesmo tocando a sua ponta no chão ou solo (que é a técnica original de Gardner, a qual era feita por um "Magus" masculino) ao longo do limite do círculo desejado. O termo "lançamento," por sinal, é usado para significar "cortar" ou "traçar," e eis porque os magistas goéticos usam espadas afiadas para realmente marcar o solo - e porque uma espada wiccana ceremonial deve ter a ponta afiada.
Se os membros esperaram fora do círculo enquanto ele foi traçado, eles serão então trazidos para dentro através de um "portal" (normalmente no nordeste) simbolicamente "cortado" quando for a hora ou deixado "aberto" durante o processo de lançamento do círculo (e "fechado" depois da entrada dos membros). As pessoas são trazidas para dentro do círculo de modo formal, normalmente com trocas de certas frases e/ou beijos, freqüentemente com purificação pela água com sal grosso, incensamento, ungimento etc. Os grupos que praticam o ritual do açoite pode fazê-lo neste momento da cerimônia, tanto como um processo de purificação como uma forma de começar o fluxo de mana intencionalmente erótico e/ou pode esperar para fazê-lo após a "Invocação dos Quadrantes". ("Mana" é uma útil palavra polisésia que significa energia mágica, espiritual, artística, emocional, atlética e/ou sexual. Eu não conheço outra palavra que combina todos esses significados tão bem.)
Como uma regra geral, após o círculo ser lançado, exorcisado, abençoado etc. e após as pessoas serem todas trazidas para dentro (e também exorcisadas/abençoadas), uma série de invocações serão feitas, em cada um dos Quadrantes, de espíritos chamados de "Os Poderos," "Os Senhores das Torres de Observação," "os animais totêmicos," "os espíritos da natureza," "Os Reis Elementais" etc. Alguns grupos irão incluir uma invocação do centro do círculo e outros do nadir e do zênite também. Todas essas invocações finalizam o processo de criar o espaço sagrada, ao pedir a proteção e cooperação dos Guardiões Espirituais dos Portais. A razão pela qual há tantas invocações, em contraste com rituais paleopagãos ou rituais de druidismo neopagão é a de que todo o espaço sagrado é considerado "entre mundos" e é em essência por si mesmo um grande Portal. Os múltiplos Guardiões dos Portais focam e sintonizam as energias permitidas ou encorajadas a passar entre as pessoas no círculo e os seres espirituais encontrados.
Na Wicca de Starhawk (e algumas outras tradições liberais) , o lançamento do círculo, as invocações dos quadrantes, o exorcismo/abençoadamento do círculo e das pessoas etc. podem ser realizadas completamente ou fragmentadamente, em qualquer ordem ou todas de uma vez, dependendo do consenso e/ou caprichos dos participantes.
Uma vez que o círculo esteja completo, o passo seguinte usual é um processo ritual conhecido como "Puxar A Lua Para Baixo." Isso significa que a(s) Alta(s) Sacerdotisa(s), ou todas as mulheres, ou todo mundo no círculo, irá procurar manifestar a Deusa da ocasião através de inspiração divina, conversa, canalização ou possessão. Se apenas a Alta Sacerdotisa o fizer, em geral ela irá fazer um discurso memorizado conhecido como O Chamado da Deusa. Isso não tem nada a ver com entrar em uma batalha ou ou cobrar uma conta, mas sim com um hábito maçônico em que os oficiantes fazem "declarações" de conselho, expectativas e advertências aos seus iniciados. Às vezes, se estiver suficientemente inspirada ou possuída pela Deusa invocada, a Alta Sacerdotisa poderá dar aos membros da congregação, individualmente ou como um todo, conselhos ou informações específicas, que se presume virem da Deusa.
Algumas poucas tradições wiccanas irão então fazer o ritual de "Puxar O Sol Para Baixo" sobre o(s) Alto(s) Sacerdote(s), sobre todos os homens, ou sobre todos no círculo. Se for feito sobre o(s) Alto(s) Sacerdote(s), ele poderá proferir um "chamado" ou mensagem divina do Deus da ocasião. Algumas tradições podem fazer o ritual de Puxar O Sol Para Baixo antes do de Puxar A Lua Para Baixo em certos festivais e/ou apenas durantes certas estações do ano.
Outras formas de transe podem ser adicionadas ou podem substituir o Ritual de Puxar a/o Lua/Sol Para Baixo. Uma dança ritual, mais açoitamento, canções e salmos, jogos sexuais, dramas rituais, iniciações, handfastings (casamentos), outros ritos de passagem, jogos sazonais, e/ou feitiços (em qualquer combinação e ordem) podem seguir ou substituir este ritual.
Em um determinando momento, entretanto, será feito um ritual conhecido como "Bolos e Vinho" (ou "Bolos e Cerveja," "Cookies and Leite" etc.). Isto involve o abençoamento da comida e da bebida (usualmente) pela Alta Sacerdotisa e pelo Alto Sacerdote e a sua divisão entre os membros da congregação. Algumas tradições oferecem libações (ao solo quando estão ao ar livre ou em uma tigela quando estão em ambiente fechado) antes de consumir a comida e a bebida. Se esta refeição será feita antes ou depois de um rito de passagem ou de um feitiço, ou se ela será acompanhada por um discussão geral ou pontual (se houver alguma a ser feita), isso depende da teoria daquela tradição a respeito da função desta refeição.
Junto ao Bolos e Vinho ou (usualmente) como parte desta cerimônia acontece o ato mágico conhecido como "O Grande Rito," que é um símbolo primordial do Casamento Sagrado entre a Deusa e o Deus, um conceito central na duoteologia wiccana. Originalmente O Grande Rito era (segundo as anotações de Gardner) uma relação sexual ritual entre a Alta Sacerdotisa e o Alto Sacerdote, e às vezes entre todos os casais do coven, feita para elevar poder mágico, abençoar objetos etc. Entretanto, quase que desde o começo da Wicca, ele tem sido feito simbolicamente ao invés de fisicamente, ao se mergulhar uma adaga ou bastão em uma taça para abençoar o vinho ou a cerveja. Gardner estava, apesar de tudo, trabalhando com um grupo de ocultistas britânicos de classe média e trabalhadores, e não com indivíduos de classe baixa ou de classe alta, que poderiam ser menos inibidos em relação à sua sexualidade. A sexualidade descontraída e saudável dos paleopagãos da antiga Índia e da antiga Bretanha já havia desaparecido há muito tempo, acabando desde o começo com os seus sonhos de um Tantra Inglês.
Ocasionalmente, o Grande Rito é usado como parte de um feitiço, iniciação ou para consumar um handfasting. Algumas tradições insistem que algumas ou todas essas funções requerem que o ato sexual seja físico e não simbólico, mas mesmo essas poucas tradições geralmente removem o casal que o realiza da presença do resto do coven.
Quando os participantes estão prontos para finalizar a sua cerimônia, a Deusa e/ou o Deus, assim como as entidades invocadas nos Quadrante, são agradecidas e/ou "dispensadas." Em algumas tradições, o excesso de mana é "aterrado" (drenado). Estes passos são feitos em uma ordem variada. Ao final, o círculo é cortado com uma faca ou espada e/ou a Alta Sacerdotisa caminha rapidamente ao seu redor contra o sentido dos ponteiros do relógio e declara-se que a cerimônia acabou.
Há muita confusão nas tradições e na literatura wiccanas a respeito do uso dos termos "abrir" e "fechar" ao se referir ao estado mágico do círculo. Alguns grupos dirão "o círculo está fechado" no começo do rito para indicar que as barreiras mágicas foram totalmente levantadas (após o lançamento do círculo e exorcismo/bênçãos etc.) e que então ninguém deve entrar ou sair sem permissão e precauções especiais (como se fazer um "portal" mágico). Outros irão dizer "o círculo está fechado" ao final do rito, para significar que a cerimônia terminou. Reciprocamente, algumas tradições usam a frase "o círculo está aberto" no mesmo estágio inicial do ritual com o sentido de se estar "aberto para trabalho" ou de que os Portais entre os mundos estão abertor para a comunicação com o Outro Lado. E ainda outros grupos dirão "o círculo está aberto" para significar que a cerimônia terminou e as barreiras mágicas foram derrubadas. Este conflituoso uso de termos pode ser bem confuso até você descobri como um determinado grupo funciona. Originalmente, o círculo era aberto no começo e fechado ao final, seguindo a prática maçônica de "abertura" e "fechamento" das cerimônias da Loja (da onde tirou essa terminologia).
Toda essa coleção de variações nos modelos do uma cerimônia wiccana se ajustam a grosso modo no "Modelo Padrão de Culto" que eu tenho descrito em outros textos, com algumas tradições se encaixando mais do que outras. A minha experiência diz que o ritual wiccano pode ser muito mais poderoso e efetivo, tanto taumaturgicamente quanto teurgicamente, se é escolhida um litugia que se encaixa o máximo possível neste modelo. Isto é feito primariamente ao se adicionar os passos que faltarem.
Uma das coisas que você notará rapidamente se comparecer a muitos rituais wiccanos é que eles tendem a ser muito pesados - de metade a dois terços da sua estrutura litúrgica consistem em se estabelecer o espaço sagrado e fazer as elevações preliminares de poder (chamando os Guardiões dos Quadrantes etc.) e assim o(s) Ritual(is) de Puxar a/o Lua/Sol Para Baixo, os feitiços e/ou os ritos de passagem, supostamente a finalidade dos rituais, tomam muito menos tempo e a liberdade da liturgia é com certerza perdida. Talvez estes ritos fossem muito menos pesados se o transe, a dança, ou outros métodos de geração e mana e concentração fossem usados, como eu acho que Gardner originalmente pretendia, ao invés dos usuais cinco minutos dedicados a essas práticas nos ritos wiccanos atuais. Entretanto, talvez Gardner tenha pensado que os Ocidentais modernos precisam de mais tempo e esforço para escapar da realidade mundana do que povos de outros tempos e lugares, e então tenha deliberadamente elaborado as partes de abertura da liturgia. Se for assim, o esboço de ritual apresentado em seguida insere as partes que faltam no modelo padrão de culto e faz com que o meio do ritual seja mais importante do que o começo ou o final.
Um Modelo Abrangente de um "Rito Wiccano Genérico"
Eu sublinhei os ítens que são mencionados no Modelo Padrão de Culto. Os ítens moderado, por outro lado, são os passos abserváveis da cerimônia da forma como ela é realmente executada. Lembre que este é o meu desenvolvimento e a minha ordenação desses passos da forma como eu tenho feito rituais wiccanos há décadas com grande sucesso. Eu sinceramente sugiro que as pessoas experimentem adaptar as suas liturgias para se encaixar neste modelo.
Primeira Fase: Começando o Rito & Estabelecendo a Mente-Grupo
Começo: Consagração do Tempo
(1) Anunciação do Começo do Trabalho
A Consagração do Espaço
(2) Abençoamento dos instrumentos elementais
(3) Lançamento do Círculo
(4) Abençoamento/Exorcismo do altar, das pessoas e do círculo
Centramento, Aterramento, Ligação & Absorção
(5) Começando Meditação e a Dança
(6) Especificação da Proposta do Ritual & do Histórico Precedente
(7) Especificação da(s) Deidade(s) da Ocasião & As Razões da Sua Escolha
Segunda Fase: Abertura dos Portais & Elevação Preliminar de Poder
Invocando os Guardiões dos Portais/Definindo o Círculo como Centro
(8) Convidando os Guardiões dos Quadrantes
(9) Canto ou Afirmação de que se está "Entre Mundos"
Terceira Fase; Principal Envio de Mana às Deidades da Ocasião
(10) Invocacão da Deusa e do Deus
(11) Principal Elevação de Poder
(12) O Sacrifício (conhecido como a "Libertação")
Quarta Fase: Recebendo e Usando o Poder Retornado
Preparação para o Retorno
(13) Meditação sobre as Necessidades Pessoais e/ou do Grupo
(14) Indução à Receptividade
Recepção de Poder das Deidades da Ocasião
(15) Puxando a Lua para Baixo
(16) Instruções da Deusa; o Chamado
(17) Atividade Opcional: Puxando o Sol
(18) Atividade Opcional: Instruções do Deus; o Chamado
(19) Atividade Opcional: o Grande Rito (ou ele pode ocorrer no passo 23)
(20) Bolos e Vinho
(21) Aceitação das Bênçãos Individuais
(22) Reforço da União do Grupo
(23) Atividade Opcional: Feitiços ou Rito de Passagem
(24) Atividade Opcional: Uma Segunda Refeição com Conversas e/ou Instruções
Quinta Fase: Finalizando a Cerimônia
(25) Agradecendo às Deidades Invocadas
(26) Agradecendo aos Guardiões dos Quadrantes /Fechando os Portais
(27) Afirmação de Continuidade & Sucesso
Desabsorção, Desligamento, Aterramento & Centramento
(28) Meditação de Fechamento/Dança
Drenamento do Mana Excedente
(29) Carregamento dos Instrumentos
Desconsagração do Espaço
(30) Fechamento do Círculo
Desconsagração do Tempo
(31) Anunciação do Final do Ritual
Fonte: www.neopagan.net (Home-Page pessoal de Isaac Bonewits)