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O Retorno de Lillith

Por Nuvem que Passa
Temos dois momentos nesse tema e que precisam ser tratados de
forma clara.
Enquanto homens e mulheres, temos nossas realidades existenciais.
Nestas realidades estamos inseridos numa sociedade que tem o
pseudopatriarcalismo como norma.
Digo pseudo porque o que temos na civilização dominante não é
o patriarcal, mas uma paródia do mesmo.
Assim como os mercenários a soldo dos países poderosos não
podem ser chamados de guerreiros, no sentido taoista e xamânico
do termo, não podemos chamar de patriarcal esta sociedade, que
tem no despotismo, na valorização dos valores desequilibrados
dos conquistadores suas referências.
Somos uma civilização criada para gerar escravos.
De vários níveis, mas escravos a servir um sistema, servir a
Matrix, doar nossa energia vital para manter o sistema que aí
está existindo.
Portanto sair dessa prisão é romper com os paradigmas que nos
mantém atados a mesma.
E é um longo processo.
O paganismo tem uma diferença fundamental das crenças
judaico-cristãs.
O ser humano não é especial, à parte da natureza.
É parte integrante da natureza, nem mais nem menos.
Assim somos unos com a vida .
Enquanto homens temos características que nos marcam.
As mulheres tem as suas.
A Deusa não é apenas feminina, é o principio feminino e mais
que isso.
A mulher não é tudo que a Deusa é.
A mulher precisa se trabalhar muito para recuperar a sintonia com
a Deusa e depois seguir trabalhando para deixar a condição de
fêmea dos primatas e continuar sua fusão com a energia feminina
da existência.
Assim como o Deus não é apenas masculino. É o principio
masculino e mais que isso.
Nós, homens, temos que nos trabalhar muito para recuperar a
sintonia com o Deus e deixarmos de ser apenas a condição de
macho dos primatas e continuar nossa fusão com a energia
masculina da existência.
Todos trazemos em nós energias masculinas e femininas.
Biologicamente, somos levados a manifestar a energia masculina,
se somos homens, e feminina, se somos mulheres, mas existem
homens profundamente femininos e muitas mulheres masculinas, quer
manifestem isso sexualmente também ou não.
Enquanto seres humanos nada mais sério e profundo que
encontrarmos o equilíbrio dessas forças em nós, mas ao final,
mesmo no nível que o casamento alquímico, interior, o
Hierogamos sagrado foi realizado, o homem continua sendo homem,
embora não mais um simples macho primata e a mulher continua
sendo mulher, embora não mais uma simples fêmea primata.
Entraram em fusão com outros aspectos.
E neste nível, neste plano o equilíbrio perfeito é mais que
necessário e bem vindo.
Isto é uma estância.
Mas no xamanismo também reconhecemos que a energia feminina é
mais predominante na existência que a masculina.
Mais longe, os xamãs de várias linhagens consideram a própria
existência feminina.
Mesmo biologicamente a mulher tem um papel muito mais complexo
que o homem no manter da vida.
É claro que é fundamental a existência de ambos para
"criar" um novo ser.
É o homem que estimula a vida que seguiria potencial.
Sem o esperma, semente, do homem o ovo não vingaria.
Mas, uma vez "ativado" o processo, a participação da
mulher é muito maior.
É um fato.
Nenhum homem corre riscos durante a gestação de seu filho.
Nenhum homem tem enjôos, problemas de coluna, engorda enfim tudo
que acompanha a gravidez.
Nenhum homem amamenta a cria.
E mesmo que o leite materno não venha e seja substituído por
leite de cabra ou vaca é uma fêmea que está na história.
Isso não "diminui " o homem, a meu ver apenas nos
localiza em nosso contexto real.
Para os xamãs de várias linhagens a energia predominante na
existência é feminina.
A matéria original é feminina.
Por isso a Deusa aparece com mais poder que o Deus.
Mas isso de forma alguma quer dizer que devemos deixar a
ligação com o Deus de lado e nos focarmos só na Deusa, pois
isso seria perceber a parte e nào o todo.
Algo profundamente desequilibrado.
É que falar de Deus e Deusa já me soa muito antropomórfico,
parece que estamos falando de Jeová e Nossa senhora, imagens
feitas a semelhança do ser humano para indicar o que está além
da forma.
Se colocarmos que o principio feminino é predominante na
eternidade fica mais claro.
O principio masculino é mais raro.
Na própria espécie humana sabemos que há muito mais mulheres
que homens e note que países como a China e tantos outros
fundamentalistas islâmicos buscam sofregamente um
"varão" como herdeiro.
Falando ainda dentro dos paradigmas do xamanismo vem outra
questão.
A mulher tem um elo mais fácil com a eternidade.
A intuição faz parte dos atributos femininos.
Nós homens temos que trabalhar para desenvolver essa outra
abordagem.
Por isso que temos maior domínio sobre ela.
Fomos nós que estudamos e sistematizamos processos para o
trabalho mágico, que nas mulheres é natural e sensível.
Daí que toda religião fundamentalista tem uma necessidade muito
grande de afastar a mulher de seu centro de poder.
Vejam que as grandes religiões dessa era de escravos não tem
mulheres fortes e elas só tem respeito dos cleros
pseudopatriarcais quando são servis, como a virgem que gerou a
semente de deus em si, logicamente resultando num
"varão".
Sim, ambos, homem e mulher, são sagrados. Sim, ambos precisam se
harmonizar de forma equilibrada e equipotente quando do casamento
sagrado.
Mas o mundo, a existência é mais que o ser humano, e nesta
amplitude pelo que estudei e sinto a energia feminina de fato é
o estofo onde nos apoiamos.
Daí que isso reflita na visão pagã da Deusa e seu consorte.
Aí vamos para a outra questão.
Quando uma mulher se submete a um homem ela não apenas perde seu
poder. Ela se torna a fonte de poder do homem.
Quantos homens dependem totalmente de uma relação vampiresca
com a companheira para seu sucesso, daí o ciúmes doentio e o
medo constante de perder sua "fonte " de energia.
É claro que uma troca justa entre pessoas maduras é mais que
recomendável, mas isto ocorre?
Raramente.
E tem outro ponto que é ainda mais polêmico e só comento
porque alguns autores, entre eles alguns taoistas e alguns xamãs
já publicaram sobre o que me exime da responsabilidade de ser o
primeiro a falar sobre isso, coisa sempre delicada.
Antes um detalhe.
Quando falo xamanismo estou falando do ramo que estudo. Se vocês
dizem que o termo Wicca é um guarda chuva sob o qual muitas
linhagens agem, o termo xamanismo é daqueles guarda-chuvas de
hotel .
E precisar a fonte das tradições é delicado, pois o termo Maia
é equivocado demais, pois os Maias existiram num tempo antes do
aceito pelos registros históricos modernos, sendo os Maias por
estes citados os que chamamos Maias históricos, que herdaram a
forma, mas não o conteúdo da ampla civilização maia.
Astecas eram conquistadores, como os romanos, que tomaram as
terras e a cultura dos conquistados, muito deturpando, criando
sacrifícios de sangue onde antes havia outra coisa.
Incas então é um termo completamente equivocado, chamar de
Incas o povo que se desenvolveu em certa região dos Andes é
como chamar de Faraós todos os egípcios.
Que não dizer então das sofisticadas civilizações da
Amazônia que não contrariam monumentos em pedras ( os que ali
existem ainda perdidos são de civilizações mais anteriores) e
não deixaram "vestígios" classificáveis pela
arqueologia?
Assim uso o termo genérico xamanismo para especificar as
linhagens as quais estou exposto, com o cuidado de deixar claro
que o tema é amplo.
Bom, o fato é que nestas linhagens consideramos que a mulher
não apenas gera e amamenta o ser, mas sustenta o homem também
energéticamente através do ato sexual.
Só um homem que trabalha bem sua sexualidade e sua energia
realmente oferece para a mulher uma "troca justa de
energia" .
Os que não fazem isso na realidade sugam a energia feminina
durante o orgasmo.
Me lembro quando uma garota do meu grupo questionou a Marta sobre
isso.
Ela explicou que as mulheres por processos seus tem mais
facilidade de guardar energia que os homens, até por terem
útero, um órgão mágico .
Assim é normal que esta energia a mais vá se acumulando, se a
mulher não sabe levar essa energia para outras oitavas num
trabalho consciente acaba que tal energia afeta o emocional e o
mental.
Ai a mulher se sente "elétrica", com "muita
energia" , irriquieta.
Daí que após ficar com um homem essa energia extra é toda
levada embora.
Aí ela vai considerar que está bem, quando na realidade foi
vampirizada.
Se a mulher em questão não pretende nenhum trabalho
transcendente de beleza, foi mesmo um equilíbrio, mas se
pretende ir a esferas mais amplas da percepção, tchau, vai
demorar bem, pois a energia suplementar necessária lhe foi
tirada.
O tema é amplo, complexo, mas vale a pena abordar.
Aí vem minha total concordância quando se diz que se a mulher
não rompe com o vício de crer que o homem amado é o centro de
sua vida e para o qual ela deve viver nunca chegará a bruxa nem
a xamã.
Falo isso observando as mulheres do meu grupo, como isso é fato.
Isso não quer dizer que a mulher não vai estabelecer uma
relação sagrada de troca e harmonia com um homem, apenas não
vai fazer dele o centro de sua vida, sua única meta, como via de
regra as mulheres fazem, por terem sido condicionadas a fazer.
E nós, homens, temos que redimensionar nossa visão da mulher,
da companheira, aceitando que não somos o centro da vida das
mesmas, somos seus companheiros, se somos aves livres voando nos
céus nenhum dos dois é o centro, o prazer de compartilhar o
vôo é que nos une.
Tive uma namorada que dizia ser a melhor relação a suplementar,
não a complementar, pois quando precisamos de outra pessoa para
nos complementar é sinal que não estamos inteiros e vamos
sempre ter medo que a outra parte, a "cara metade" vá
embora e nos sintamos menos que inteiros de novo, palco fácil
para ciúmes, crises e tudo mais.
Se somos completos em nós não estamos em busca, da "cara
metade", este mito platônico que tanto já confundiu.
Estamos em busca de outra pessoa também inteira, também plena
para partilhar conosco a aventura fantástica e empolgante que
chamamos vida.
Ora, se somos inteiros não haverá insegurança, medo de perder,
ciúmes doentio.
Aí podemos "viver e deixar viver" .
Sem medos, sem ranços.
Só quem já viveu relações assim vai entender como isso é
demais.
Aceitar a mulher na sua total liberdade é o passo para nossa
plena liberdade também.
E não se esqueçam que sou um escorpião, com toda a
possessividade de um, daí que fique claro que não foi em dois
dias que consegui atingir essa visão das coisas, que isso não
me caiu do céu, mas após anos de árduo trabalho interior.