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Introdução à Wicca
Versão 2 - Revisada e Ampliada
| O crescimento da Wicca no
Brasil e no mundo tem sido muito acelerado desde o seu surgimento em meados do século XX, pelas mãos de Gerald Gardner, principalmente, contando com a preciosa parceria de Doreen Valiente. Infelizmente, tem-se passado muitas informações incorretas sobre essa religião. Este texto pretende expor de forma sucinta, porém não superficial, o que é a Wicca. Pretende-se mostrar que a Wicca é simples, porém não simplista, e mais do que apenas um sistema de magia ou uma religião profunda, todo um modo de pensar, sentir e viver. |

1 - O que é Wicca?
Poderíamos definir Wicca como uma religião pagã moderna sincrética. Mas o que vem a ser isso?
Como religião, seu objetivo é religar os seus praticantes ao divino. Muitas vezes há medo das pessoas em se falar de religião, pois logo vem a idéia de um sistema dogmático que serve para a dominação da massa e para o castramento intelectual e espiritual dos seus praticantes. Infelizmente, muitas religiões que surgiram com a proposta de religar o homem ao divino incorreram neste erro. A Wicca pretende se manter fiel ao objetivo real de uma religião, que é realmente este religare.
Como pagã, isso quer dizer que é uma manifestação religiosa centrada na Terra e seu culto. Pelo que lemos na filosofia, vemos que na história do mundo ocidental se destacaram principalmente duas visões de mundo: teocentrismo a primeira instância e a antropocentrismo a segunda. No teocentrismo, como indica o nome, tudo gira em torno de Deus, toda a vida se organiza em sua função. Levada ao extremo, essa visão acaba causando uma certa alienação do indivíduo de si mesmo. Em reação a isso, surgiu o antropocentrismo, que retira Deus do centro de tudo e coloca o Ser Humano em seu lugar. Uma idéia bem mais interessante, porém também apresenta os seus limites. Sendo o Homem o que há de mais importante, o mundo torna-se algo "menor" e seu servo. Com isso, surge o que vemos hoje: o aniquilamento acelerado de toda a Natureza e da Vida. Em reação a essas duas idéias, no paganismo tomamos uma visão de mundo ecocêntrica: centrada da Terra. A Terra é o mais importante. O Homem é apenas um dos seus componentes, não sendo superior ou inferior ao resto, mas sim, igual, pois todos temos o nosso lugar neste planeta. Como vemos as divindades na própria Terra, o culto aos Deuses é o culto à Natureza. Além da Wicca, há muitas outras religiões pagãs no mundo, várias delas em franco crescimento atualmente, tais como o Druidismo, o Xamanismo, a Bruxaria Tradicional e o Ásatrú, entre outras.
Como moderna, quer-se dizer que ela é uma adaptação aos novos tempos de uma religião pagã mais antiga do que ela, a Bruxaria. Sim, a Bruxaria, que foi tão mal interpretada e perseguida por séculos e séculos de dominação judaico-cristã e uma "Santa" Inquisição, que levaram ao aniquilamento de tantas culturas e à morte de milhões de seres humanos.
Como sincrética, diz-se que a Wicca não é Bruxaria na sua forma mais pura, mas que ela incorporou em si elementos de outras tradições. Quando Gerald Gardner criou a Wicca, ele usou como base o que diz ter aprendido de uma linhagem tradicional da Bruxaria em que foi iniciado num coven chamado New Forest por uma bruxa chamada Old Doroth. A essa base, adicionou uma simplificação sistema de Magia Cerimonial da ordem mágica da qual era membro, a O.T.O (Ordo Templi Orientis), sistema este desenvolvido a partir dos rituais de uma outra ordem, a Hermetic Order of the Golden Dawn (Ordem Hermética da Aurora Dourada), e algumas idéias thelêmicas de Aleister Crowley, "manda-chuva" da O.T.O, a quem ele muito admirava. Obviamente, Gardner também se utilizou de todo o seu conhecimento de maçonaria (ele era Maçon), teosofia, religiões orientais, européias antigas e africanas e folclore (era folclorista amador).
Alguns pagãos mais puristas condenam esse tipo de sincretismo. Mas, se formos olhar hoje para o mundo contemporâneo, veremos que a tendência mundial - religiosa, política, filosófica etc - é o sincretismo. As muralhas do separatismo estão caindo pouco a pouco e a Humanidade vai lentamente percebendo que fazemos parte todos de uma grande família. O sincretismo se estabelece como um caminho adaptado à contemporaneidade. Mas claro que o purismo não está descartado. Há pessoas que simplesmente preferem caminhos mais puristas, como o Druidismo e o Ásatrú. São caminhos válidos, como também é o da Wicca.
2 - No Que Acreditam os Wiccans?
OS DEUSES
Primeiramente, falaremos dos Deuses. Com poucas exceções, como o Budismo, é impossível falar de religião sem falar de alguma espécie de Divindade.
Na Wicca acredita-se em duas divindades básicas: A Grande Deusa e o Deus Cornífero. A Grande Deusa é a Criadora de Tudo. Foi ela quem criou o Universo e o próprio Deus é de sua Criação. Ela é a Incriada, a que tudo precede, a energia primordial. É Yin, de aspecto negativo (sem as qualidades morais que normalmente damos a essa palavra), feminina e ligada à Terra. O culto da Wicca é centrada na Deusa justamente por causa dessa sua ligação com a Terra. Afinal, a Terra é a própria Deusa.
Ela é representada pela lua e desse modo se manifesta de três diferentes formas, sendo chamada então de Deusa Tríplice. Na lua nova/crescente, a Deusa é a Donzela. Na lua cheia, Ela é a Mãe. Na lua minguante, a Anciã. Esses são os seus três diferentes aspectos. Mas há um quarto aspecto também... Nos três últimos dias de lua minguante, a Lua não pode ser vista no Céu. A Deusa se recolhe nesse tempo e o passa com o Deus Cornífero no Reino da Morte (que não é vista de modo negativo na Wicca). É o seu aspecto invisível, portanto, a de Deusa Negra, a sua face oculta e terrível.
A Donzela: Esse é o aspecto virginal da Deusa. A cada dia dessa fase, a Deusa cresce e fica mais forte até atingir o plenilúnio, em que ela se converte para o aspecto de Mãe, explicado mais adiante. Ela é cheia de energia, pura e independente. Ela está descobrindo o mundo, testando seus limites. A Donzela se maravilha com a Existência que Ela acaba de descobrir. Nessa face, a Deusa muitas vezes é identificada como uma Caçadora. Duas Deusas que representam bem esse aspectos são Blodeuwedd celta e Perséfone - grega/romana.
A Mãe: No plenilúnio (primeira noite de lua cheia), a Deusa está em seu período de mais poder. Nessa fase, a Deusa já menstrua e é capaz de dar vida a novos seres. Do seu ventre tudo surgiu, para o seu ventre tudo voltará. Ela é uma provedora e por isso é relacionada à terra, à colheita e tudo o que nos alimenta. É Aquela que acalenta os seus filhos no colo, que é toda Amor. A Mãe é que dá a luz ao Deus Cornífero, seu filho, que ao crescer se tornará seu Consorte. Uma Deusa grega que a representa é Deméter. Uma celta é Dannu.
A Anciã: Após o primeiro dia de lua cheia, a Deusa começa a perder poder. Todo auge é o começo de um declínio. Assim, a Deusa vai declinando até a última noite de lua cheia. Na lua minguante ela é a Anciã. Nessa face, a Deusa já perdeu o viço da juventude. Não é mais tão graciosa, não possui a mesma energia de antes. Mas é aquela que tem experiência e sabedoria. Por isso, é também chamada de A Velha Sábia. Ela é Senhora da Morte, a Ceifadeira. A Anciã não tem piedade em ceifar o que já está obsoleto e desgastado. Assim, ela pode parecer uma face temível, mas é absolutamente necessária: é através do fim do velho que o novo pode aparecer. No panteão celta ela é Ceridwen. No grego, Hécate.
A Deusa Negra: Essa face da Deusa é praticamente um complemento da Anciã. É a face oculta da Deusa e a maioria das deusas que podem representar a Anciã, podem também representar a Deusa Negra, tais como Hécate e Ceridwen. Algumas deusas que representam bem a Deusa Negra, mas não tão bem a Anciã, são Morrigham (celta), Nyx (Grega) e Bast (Egípcia).
O Deus Cornífero: Ao contrário da Deusa, não é incriado. Como já dito, Ele é filho da Deusa Mãe. Ao crescer, se torna seu Consorte. Com o tempo, fica doente e morre. Mas, como já a engravidou, renasce do Seu ventre. Essa é a base do mito da Roda do Ano, que será explicado mais adiante.
Um detalhe interessante a se notar é o paralelo entre a Deusa ser Incriada e o Deus não e uma descoberta da biologia. Até o terceiro mês de gravidez, todo feto é feminino. Apenas a partir do quarto mês é que mais ou menos metade dos fetos passa a se masculinizar para nascer homem ao invés de mulher. Assim vemos, que os homens vêm das mulheres, da mesma forma que o Deus vem da Deusa.
Do mesmo modo que a Deusa é representada pela lua, o Deus é representado pelo Sol. Tendo nascido da escuridão do ventre Dela, Ele é a luz que surge. É um Deus de alegria, o Condutor da Dança do Êxtase.
É chamado de Deus Cornífero, Deus-de-Chifres, Deus Astado, Deus Galhado, Chifrudo ou Cornudo, pois possui longos chifres na sua cabeça. Longe de serem associados ao mal pela Wicca, os seus chifres representam a força, a coragem e a virilidade. Diversos dos animais mais viris são ornados por chifres. E por isso o Deus também os tem.
Muitas vezes, ele também é representado como tendo patas de bode. Novamente, isso não representa o mal, mas a sua ligação com os animais. Afinal, ele é o Deus dos Bosques, que corre entre os gamos. É também um Deus da Caça.
No panteão celta, o Deus Cornífero costuma ser representado por Cernunnos. No grego, por Pan ou Dioniso.
O Deus nasce e morre. Sendo assim, ele é tanto o Deus da Vida, quanto Senhor dos Portais da Morte. A sua mortalidade e seu renascimento pode ser visto todo dia com o nascer e o pôr-do-sol. Esse ciclo também pode ser verificado com a mudanças das estações climáticas. Isso será visto quando falarmos da Roda do Ano.
O Cristianismo, quando se deparou com povos pagãos que adoravam o Deus Cornífero, optou por associá-lo ao Diabo. Assim, haveria uma boa desculpa para dizimar essas culturas, aumentando o poderio da religião cristã. É muito importante que se tire essa imagem maligna do Deus Cornífero. Nós, bruxos, não o vemos e não o cultuamos dessa forma.
Uma questão que muitas vezes se levanta na Wicca é se a Deusa é mais importante do que o Deus. Muitas brigas entre wiccans já nasceram a partir desse tema. O que se pode dizer é que é uma discussão inócua. A Deusa e o Deus são de igual importância na Wicca. O fato é que a Deusa é Yin e, portanto, ligada à Terra. Assim, desde que a Wicca é uma religião ecocêntrica, é natural que seja centrada na Deusa. Mas isso não quer dizer que o Deus seja menos importante. Ele é apenas menos presente nessa religião, ainda que de suma importância. O Deus é o sol. E pode-se imaginar vida sem Ele? Obviamente não. As duas divindades básicas da Wicca são complementares. Não há hierarquia entre elas.
Apesar disso, há segmentos da Wicca que honram apenas a Deusa, ou ela acima do Deus. Mas isso não deveria gerar um conflito com aqueles que discordam dessa visão. A Wicca não é uma religião dogmática e admite várias interpretações sobre a sua teologia.
Quando se fala nessas duas divindades básicas, logo se deve imaginar que há outras também. E isto está correto. Na Wicca se acredita numa infinitude de Deusas e Deuses. Mas todas essas Deusas e todos esses Deuses são aspectos diferentes da Grande Deusa e do Deus Cornífero. Não são entidades separadas Deles. O Casal Divino as contém. Assim, quando falamos na Deusa Brighid, estamos falando em uma das faces da Grande Deusa. Quando falamos em Dioníso, falamos em uma das faces do Deus Cornífero. Por isso dizemos que "todas as deusas são uma Deusa e todos os deuses são um Deus."
O wiccan é livre para cultuar os Deuses do panteão com o qual sentir melhor afinidade. Usualmente, os preferidos são os Deuses do panteão celta - tais como Brighid, Cernunnos, Morrigan, Dagda e Dannu e os greco-romanos tais como Deméter, Dioníso, Pan e Afrodite. Mas pode-se cultuar quaisquer outros Deuses: Egípcios, indígenas, africanos (os Orixás), sumérios, nórdicos, etruscos, maias, havaianos etc. É comum o wiccan escolher um determinado panteão para cultuar. Mas pode-se também cultuar todos, alternadamente. Apenas aconselha-se que em um mesmo ritual não se cultue Deuses de panteões diferentes, pois o conflito de egrégoras pode ser forte. Observando-se esse detalhe, faça como achar melhor, pois todos os Deuses são Deuses da Wicca.
Outra questão comum para aqueles que se interessam pela Wicca e por outros ramos do paganismo é: Os Deuses existem? Para a surpresa de muitos a resposta é simples: sim, eles existem! Mas é preciso compreender direito o modo como vemos os Deuses. Peguemos, por exemplo, o Deus Pan. Será que realmente existe uma entidade meio animal, meio humana, com patas, barba e chifres de bode, que toca flauta pelos bosques? A resposta é óbvia: não! Essa imagem do Deus Pan é um representação de uma entidade REAL, CONSCIENTE, mas sem forma definida. Todas as imagens de Deuses são antropomorfizações de entidades reais que cumprem um papel da Natureza. Como essas entidades na sua realidade íntima são muito abstratas, os povos antigos criaram modos de representá-las que usamos até hoje. As imagens dos Deuses são vestes que damos a certas entidades para que possamos nos aproximar mais facilmente delas.
E o que são essas entidades, os Deuses? São as forças do Universo. A força do trovão foi bem representada por Thor e Zeus. O Amor, em seus diferentes aspectos, por Eros, Afrodite e Angus. Hades representa a Morte e por aí vai. O antropomorfismo é preciso ser bem compreendido. Não é uma manifestação religiosa primitiva, como tantos acreditam.
O UNO
Eis um ponto controverso da Wicca: o Uno. Para alguns wiccans, ele seria o verdadeiro incriado (e não a Deusa). Dele surgiriam a polaridade Deusa/Deus. O Uno conteria os dois gêneros (masculino e feminino) em si, seria transcendente, não podendo ser definido, compreendido ou representado. Desse modo, o Uno se assemelharia muito à idéia do Tao, indefinível. A Deusa seria Yin e o Deus seria Yang.
Outros nomes comumente dados ao Uno são: Eterno, O Incriado, O TODO, O Grande Espírito e Awen.
Porém, nem todos os wiccans acreditam nele e a idéia do Uno não é uma idéia original na Wicca. Ela foi adicionada posteriormente por alguns praticantes, como, por exemplo, Scott Cunningham. Essa teoria é corroborada pelo hermetismo, segundo o qual existe O TODO, que ao mesmo tempo que criou tudo o que existe, É tudo o que existe. E pelas teorias herméticas, tudo no mundo se manifesta ou em gênero feminino ou em gênero masculino. Teríamos aí, então, a Deusa e o Deus. Essa teoria também pode ser corroborada pelo rosa-crucianismo e a sua idéia de Alma do Mundo, assim como pela Teosofia.
Muitos wiccans acreditam que o Uno é a própria Deusa em seu aspecto primordial, de Incriada, de antes de ter criado o Universo e o Deus. Essa é uma visão típica da tradição diânica.
Como wiccans, todos são livres para acreditar no Uno ou não e na maioria das vezes essa crença não interfere de forma prática na Wicca.
OS GUARDIÕES
Esses são seres muito importantes, ligados aos quatro ventos e aos quatro pontos cardeais: norte, sul, leste e oeste. Possuem também ligação com os quatro elementos (fogo, água, terra e ar) e com as estrelas Aldebaran (leste, assinalando o equinócio de primavera), Regulus (sul, assinalando o solstício de verão), Antares (oeste, assinalando o equinócio de outono) e Fomalhaut (norte, assinalando o solstício de inverno).
São os construtores dos mundos e os que nos guiam de um mundo a outro em jornadas espirituais (a mesma opinião dos xamãs andinos). Sempre são invocados nos rituais, para o protegerem e testemunharem. Eles são considerados por alguns como Senhores do Carma (idéia apoiada pela Teosofia), os que registram todos os atos que ocorrem na vida de cada um e que encaminham o carma pessoal para cada indivíduo.
Podem também relacionados com os deuses romanos dos quatro ventos - Bóreas (Norte), Apeliotes (Leste), Noto (Sul) e Zéfiro (Oeste); aos quatro arcanjos da Cabala Rafael (Leste), Gabriel (Oeste), Micael (Sul) e Uriel (Norte), aos anjos caídos do Livro de Enoch e também a muitos deuses dos quatro quadrantes presentes em diversas mitologias do mundo.
A Imanência, a ligação e a comunidade
De acordo com uma importante autora wiccan, Starhawk, em seu livro A Dança Cósmica das Feiticeiras, "os três princípios essenciais da religião da Deusa são a imanência, a ligação e a comunidade". Baseado no que Starhawk diz, explico abaixo o que significam esses conceitos.
A IMANÊNCIA
Significa que os Deuses estão manifestados em tudo o que vive. Eles não são deidades distantes, transcendentes, como o Deus cristão. Os Deuses estão nas rochas, nas plantas, nos animais, nos seres humanos. Eles estão na Natureza e dentro de nós, pois fazemos também parte da Natureza. Nós mesmos somos Deuses. Daí vem o ditado que diz: "Tudo é bendito, pois tudo procede dos Deuses." Vê-se que a Wicca é uma religião de Alegria, de Amor e Êxtase. Wiccans não vêem a vida material como algo pecaminoso e sujo, como vêem os cristãos. A vida não é sofrimento, como acreditam os budistas. É alegria! É amor! É sagrada! Não temos do que sermos salvos, ao contrário, nascemos abençoados pela Deusa. Eis o porque de haver a Lei Máxima: "A Lei é o Amor, Amor em Liberdade e Harmonia."
A LIGAÇÃO
A Humanidade acostumou-se a ver o mundo como se fosse um grande pote em que foram jogados diversos "trecos" que nada têm a ver uns com os outros. Os Seres Humanos em geral vêem tudo como entes separados. Isso vem principalmente desde a popularização do pensamento cartesiano de Descartes. Com seu método analítico, Descartes nos diz que para conhecermos um objeto de estudo temos que separá-lo em suas partes mínimas e estudá-las uma a uma.
O filósofo não estava de todo errado. Mas ele não percebeu que ao dividirmos um objeto em diversas partes, podemos nos apegar a essas partes e nos esquecer do objeto como um todo.
Como reação a esse pensamento, temos o conceito de ligação. Conceito este que sempre foi muito usual nos povos ligados à terra, os povos pagãos, como os celtas. É um conceito ainda corrente entre os povos indígenas e hoje vem encontrando muitos adeptos entre filósofos, pensadores, ecologistas e cientistas (como Fritjop Capra, autor de A Teia da Vida, que trata justamente deste assunto).
O pensamento analítico de Descartes é típico do antropocentrismo, enquanto que o pensamento do conceito de ligação (também conhecimento contemporaneamente como sistêmico) é típico do pensamento ecocêntrico das religiões pagãs.
Certo, mas o que é, afinal, o conceito de ligação? É o que diz que nada no Universo está separado do todo. Tudo está interligado e tudo é interdependente. Todo ato que nós fazemos afeta a vida de todo o planeta. Nossa responsabilidade se estende a todos os seres do mundo, pois nossos atos se estendem a eles também. É como se vivêssemos numa Grande Teia, a Teia da Vida. Ao se balançar um único fio, todos os outros também balançam. E temos o dever de fazer com que esse balanço seja harmônico. Para isso, devemos sempre estar atentos de seguir a nossa única regra moral, o Dogma da Arte, também chamado de Conselho Wiccano: "Faça o que quiser, desde que não faça mal a nada nem a ninguém."
COMUNIDADE
Como foi dito acima, vivemos todos na mesma Grande Teia. Sendo assim, ninguém, por mais que queira, vive isolado do resto do mundo. Vivemos inseridos num contexto e ligados a ele. Isso inclui não só as pessoas, como toda a Natureza os animais, as plantas, as rochas, os ventos, os mares, rios, matas etc. A comunidade inclui toda a Terra.
Por isso, o objetivo da Wicca não é a salvação individual de cada pessoa. Ela inclui toda essa comunidade que nos diz respeito, todo o mundo. Ao se tornar um wiccan, floresce a consciência de que vivemos dentro de um todo e somos responsáveis por ele. A salvação almejada pela nossa religião se for apropriado usarmos o termo "salvação" é de todo o planeta.
Essa mentalidade estimulada pela Wicca é muito importante. Vivemos em mundo assolado pelo individualismo, pelo combate de todos contra todos, pobreza, dizimação da natureza, entre outras catástrofes. E são poucos aqueles que se dão conta da magnitude desses problemas. Não é mais possível manter o mundo como está. É preciso que a consciência da humanidade mude e se adapte às novas necessidades, que são de união, de confraternização, de ajuda mútua, de preocupação com o meio em que vivemos.
VIDA APÓS A MORTE E REENCARNAÇÃO
Em geral, os wiccans acreditam em reencarnação. Acreditam que nossos espíritos são imortais e que a morte não os afeta. Pois a morte de verdade não existe. É algo que foi inventado pelos seres humanos por causa da sua incompreensão do fenômeno da desencarnação.
Segundo a Wicca, depois que morremos, vamos para o que se denominou de O País do Verão, um termo retirado da Teosofia (doutrina iniciática amplamente divulgada no século XIX por Helena Petrovna Blavatsky). O País do Verão é aonde permanecemos até que seja hora de reencarnarmos. Lá, tudo o que necessitamos nos é provido, não se passa necessidade. É uma terra de descanso. O tempo que temos lá pode ser aproveitado como quisermos. O ideal seria refletir sobre o tempo que passamos encarnados, o que fizemos nesse tempo, como o aproveitamos e como poderemos aproveitar melhor a nossa próxima encarnação.
Gerald Gardner era reencarnacionista e, por isso, ao fundar a Wicca, fez da reencarnação parte dessa religião. Mas nem todos os wiccans acreditam em reencarnação. E bruxos de ramos mais tradicionais da bruxaria também não costumam acreditar. Muitos acham que ao morrer nos dissolvemos no Universo. Nossa energia seria então aproveitada por outros seres. Partes de nós poderiam ir para as plantas, animais, minerais etc.
Os que acreditam na reencarnação, em geral não corroboram o pensamento de que estamos aqui para pagar por "pecados" cometidos em outras vidas. A nossa vida é uma dádiva dos Deuses e não sofrimento. Pela Lei Tríplice, tudo o que fazemos de bom ou de mau volta a nós multiplicado por três ainda nesta encarnação. "Aqui se fez, aqui se paga."
Fazendo-se um adendo sobre a Lei Tríplice, que é uma das regras mais importantes da Wicca: o número 3 é visto por alguns wiccans de forma simbólica. Segundo esses wiccans, o que fazemos não volta realmente multiplicado por três, volta na mesma proporção. O fato de se dizer que volta triplicado se deveria, portanto, à tradição.
Doreen Valiente, que ajudou Gardner a criar a Wicca e escreveu vários textos importantes dessa religião, como o Chamado da Deusa, falou sobre essa questão. Segundo ela, Gardner criou a Lei Tríplice de uma forma mais simbólica, valendo-se da importância do número 3 na cosmologia celta, e muitos acabaram tomando-a muito ao pé da letra. Valiente afirma que não faz sentido haver uma lei de retorno especial para bruxas e bruxos e outra para o resto do mundo.
O VITALISMO, OS ELEMENTOS E OS ELEMENTAIS
No pensamento wiccano, tudo o que existe está vivo. Não apenas o reino vegetal e animal (e humano), mas também o mineral. A terra é viva, os ventos são vivos, o fogo é vivo. Há vida na Terra, no Sol, na Lua, nas Estrelas. A morte é apenas um estado, não é algo real.
Ao falarmos no vitalismo é importante falarmos nos elementos. A teoria dos quatro elementos foi tirada da cosmologia grega (e, principalmente, do pitagorismo), mas que também é encontrada na cosmologia de outros povos. Nessa cosmologia se acreditava que tudo o que existe no mundo material é formado por quatro elementos - terra, fogo, água e ar em diferentes proporções. A terra seria o elemento mais denso e o fogo elemento mais sutil.
Obviamente que quando se fala em terra, fogo, água e ar, não estamos falando da terra real, do fogo real, da água real e do ar real. Essas palavras são usadas como símbolos que dão uma boa idéia de como são os elementos de verdade. Assim, o fogo elemental se correlaciona ao fogo "vulgar", a terra elemental, da terra "vulgar" etc.
Na Wicca, trabalha-se com os quatro elementos. Como somos formados por eles, é importante harmonizá-los em nosso ser. Para isso, há práticas específicas.
Há seres relacionados aos quatro elementos, que chamamos de elementais. São entidades que moram nos reinos elementais. Os gnomos moram no reino elemental da terra. Os silfos, no reino elemental do ar. As salamandras, no do fogo. E as ondinas no da água.
Esses seres são também chamados de espíritos da natureza. Eles auxiliam os processos naturais. Por exemplo, uma árvore cresce porque os elementais as ajudam a crescer. Em troca, os elementais se alimentam dos produtos desses processos naturais. As salamandras se alimentam do fogo, seja a chama de uma vela, seja um incêndio.
Na magia Wicca, os elementais são chamados para prestar ajuda. E eles ajudam mesmo! Mas em troca deve-se sempre tratá-los com respeito e amor. Eles não são nossos escravos. São nossos companheiros. E se os tratarmos mal, eles podem inclusive se voltar contra a gente (como muitos seres humanos também fariam!).
Esse é um ponto importante a se reforçar quando falamos de Wicca. Como os wiccans assumem uma visão ecocêntrica de mundo, nessa religião não há superioridade do homem sobre outros seres. Não somos superiores aos elementais, aos animais ou a qualquer outro ser. Cada ser ocupa o seu espaço no mundo e cumpre a sua função. Estamos aqui para viver a nossa vida e cumprir a nossa função e não para reinar sobre a terra.
3 - O Culto à Natureza e a Questão Ambiental
Uma vez que se adota uma visão ecocêntrica do mundo e que se vê os deuses como imanentes, o culto à Natureza é um aspecto da maior importância na Wicca. Ser bruxo significa principalmente estar em comunhão com os reinos naturais. Significa termos intimidade com as plantas, os animais, as pedras, os ventos, a chuva e tudo o mais que faz parte da Natureza.
O homem dito civilizado se afastou da Natureza e passou a viver num meio artificial. Não há como haver felicidade plena se estamos desterrados do nosso lar. Desse modo, nos realinharmos com os ciclos naturais da terra é muito importante. Por isso, nosso culto aos Deuses segue as fases da lua e o deslocamento da terra em relação ao sol, que causa a mudança das estações.
É sempre bom lembrar que a Natureza pode muito bem viver sem o ser humano, mas o ser humano nunca poderá viver sem a Natureza. Infelizmente, ainda são poucos que percebem isso. A devastação das florestas, a poluição das águas, o buraco na camada de ozônio, a mineração indiscriminada etc, estão matando o planeta. Tudo o que a Deusa levou milhões de anos para formar, está sendo destruído em poucos séculos pelo ser humano. A Humanidades está se suicidando rapidamente e levando o resto do planeta com ela.
É dever de todo wiccan se preocupar com a questão ambiental. De nada adianta realizarmos todos os rituais religiosos que temos se não criarmos a consciência da importância desta questão. Não basta se dizer wiccan, deve-se viver como um. Afinal, a Wicca é muito mais do que um sistema de magia - é uma religião e um modo de vida.
Está ainda faltando muito desse engajamento ambiental entre os wiccans no Brasil. Infelizmente, são poucos os que fazem algo de efetivo por essa luta. Os wiccans deveriam exigir mais esforço dos nossos representantes políticos na questão ambiental. Na Internet é muito fácil achar e-mails dos políticos eleitos e assim escrever a eles mostrando a nossa indignação e dando as nossas sugestões. É fácil também se afiliar a uma organização de proteção da Natureza, tais como a WWF e o Greenpeace, entre outras. Também na Internet pode-se encontrar informações sobre o assunto. É apenas questão de procurar, de se interessar. Também é possível realizar-se ritos mágicos com a finalidade de preservar a Natureza. Nos seus esbás, faça um pedido aos Deuses, faça um feitiço com o intuito de ampliar a consciência das pessoas. Mas lembre-se sempre de ampliar a sua própria consciência. Todos nós devemos dar o exemplo.
A Wicca não deve ser uma religião passiva em relação à questão ambiental. Deve ser uma religião de ação. Lembremos que vivemos todos na mesma Grande Teia e que cada fio que balança influi nos outros fios e, assim, temos o dever da fazê-los todos vibrar em harmonia.
4 - A Sexualidade na Wicca
Passamos por um longo período de patriarcalismo no mundo. O homem passou a ser visto como o sexo forte - o dominador - e a mulher como o sexo frágil - a dominada. Pelo patriarcalismo, criou-se apenas dois tipos de mulheres: a santa e a puta. E também criou-se apenas dois tipos de homens: a bicha e o machão.
O comportamento correto ditado para o patriarcalismo variava de sexo para sexo. A mulher deveria ser a santa, que se submete ao seu marido, não dá opinião sobre os "assuntos de homem", que são todos aqueles que não dizem respeito aos assuntos domésticos. Por sua vez, o homem deveria ser sempre o machão. Aquele que manda, que sustenta a casa, que sabe o que é bom para si mesmo e para a sua esposa.
Dentro desse sistema, foi criada a imagem de que o sexo é sujo. Afinal, foi ele que levou à queda de Adão e Eva do Paraíso. Então, o sexo só deveria ser feito dentro do casamento e ainda assim apenas com o objetivo de procriação.
Essa visão dos papéis do homem e da mulher e do sexo é estática e tacanha. Já vemos no mundo como esse sistema se tornou obsoleto. O feminismo surgiu como uma reação ao patriarcalismo, para que se colocassem as coisas em ordem e se acabasse com essa dominação da mulher pelo homem e esse ascetismo tão castrador e prejudicial.
A Wicca no final da década de 60 passa a ser influenciada pelo feminismo (embora ainda hajam muitos wiccans que não sejam feministas, mas respeitam o equilíbrio mulher-homem). Se estabelece então como uma religião que combate os valores patriarcais e procura instaurar novos valores, mais igualitários e adaptados aos novos tempos. O homem e a mulher passam a ser vistos como iguais e complementares. Um não é mais importante do que o outro. A mulher ganha o seu devido respeito. O homem deixa de ser a grande autoridade.
Os papéis dos dois gêneros passa a ser mais flexível. A mulher não precisa mais escolher entre ser a santa ou a puta e o homem entre a bicha e o machão. Agora, o homem e a mulher podem escolher ser como quiserem. Podem pensar, sentir, agir como bem escolherem. Afinal, é o que nos diz o Dogma da Arte: "Faça o que quiser, desde que não faça mal a nada nem ninguém." Longe de ser uma religião castradora, a Wicca é uma religião libertária.
O sexo também passa a ganhar mais flexibilidade. Deixa de ser visto como sujo e pecaminoso para se tornar sagrado. As pessoas agora têm o direito de acharem o sexo algo bom, essencial, prazeroso, com diversas funções além da reprodutiva. Não se deve esconder o sexo. Deve-se lidar com ele em liberdade.
Faz parte da flexibilidade do papel do homem, da mulher e do sexo, a garantia do direito à homossexualidade. A Deusa celebra a diversidade e por isso não condena quem escapa dos padrões mais comum de sexualidade. Se o sexo cumpre outras funções, além da reprodutiva, como condenar a homossexualidade? Todos os seres humanos têm direito ao Amor, independente da sua opção sexual. Por isso, na Wicca inclusive se realiza entre homossexuais o casamento.
A nudez também não é mais algo com o que devemos nos envergonhar. O corpo não é sujo. Afinal, o material deve ser tão valorizado quanto o espiritual. A válvula de escape do patriarcalismo em relação à proibição do sexo e da nudez foi a pornografia, aquela forma bruta de se expor a sexualidade. Na Wicca a pornografia passa a ser substituída pelo erotismo, uma forma mais natural e respeitosa de se mostrar o corpo e o sexo, sem nem banalizá-lo nem escondê-lo.
Muitos wiccans realizam seus ritos "vestidos de céu", isto é, nus. A nudez é o símbolo da pureza e da liberdade. O símbolo de que não nos escondemos atrás de máscara alguma. Nos mostramos como realmente somos. É um ato de entrega. Não há barreira entre o ser humano, o mundo e o Divino. É o que a nudez ritual nos diz.
Mas a nudez não é obrigação, é uma opção. É muito comum os wiccans realizarem seus ritos solitários ou ao lado da pessoa amada em nudez. São poucos os que o fazem em rituais em grupo. Normalmente, nesses rituais, os wiccans preferem vestir as suas túnicas. Infelizmente, ainda temos muita influência patriarcal e judaico-cristã incutida na nossa mente. Mas é importante termos consciência de que abraçar uma nova religião é adotar um novo corpo de valores, diferente dos valores que nos são impostos pela sociedade. Vencer o medo da nudez faz parte de abraçar a religião Wicca.
Em rituais grupais, a nudez mostra que não só nos mostramos sem máscaras e em liberdade para o Deuses, como também para os nossos companheiros de fé. Que nos entregamos a eles sem medo. Que estamos em "Perfeito Amor e Perfeita Confiança", o que deve ser o lema de todo grupo wiccan o Coven deve adotar.
É hora agora de se abordar uma questão mais delicada dentro desse tema: o sexo ritual. Sexo ritual é aquele feito entre dois wiccans em um ritual, normalmente um esbá. A finalidade é representar a união da Deusa e do Deus. Pode haver também finalidade mágicas.
O sexo ritual está longe de representar a libertinagem. Não se faz sexo ritual entre duas pessoas completamente desconhecidas. Os parceiros são sempre cuidadosamente escolhidos e devem ter intimidade e cumplicidade um com o outro. Conseqüentemente, não há orgias em rituais de Wicca. É importante frisar isso, pois mentes tacanhas e preconceituosas podem fazer tal acusação (e o fazem). O sexo ritual é sempre um ato íntimo entre duas, com um objetivo sagrado. Wicca é coisa séria e não desculpa para trepadas.
O sexo ritual na Wicca é chamado de Grande Rito. Nem todos os wiccans realizam o Grande Rito. Em sua substituição, surgiu o Grande Rito simbólico. Nele, a sacerdotisa ergue o cálice, símbolo do ventre da Deusa, e o sacerdote introduz nele o athame (punhal ritual), símbolo do falo do Deus Cornífero. O união dos Deuses é representada perfeitamente por esse rito, um ato de muito poder.
5 - Os Ritos Mágico-Religiosos da Wicca
OS ESBÁS
Os esbás são os rituais que seguem o curso da lua e da Deusa. Portanto, devem ser sempre observados pelo wiccan. O esbá deve ser feito na primeira noite de lua cheia o plenilúnio momento em que a Deusa se mostra a nós na sua face de Mãe, a Grande Deusa, Criadora de Tudo.
Resumidamente, o esbá ocorre da seguinte forma: e traçado o círculo mágico, em que o wiccan demarca a área no qual o ritual se dará, formando uma barreira entre esse local e o resto do ambiente, de modo a afastar energias perniciosas e conter o Poder dentro dele. Após traçar o círculo, segue-se a invocação dos guardiões. Então, invocam-se a Deusa e o Deus (ou apenas a Deusa, se o wiccan preferir trabalhar apenas com Ela).
Após a invocação acontece algum ritual de adoração dos Deuses, para que se entre em comunhão com eles. Então, vem a hora de se trabalhar a magia, se necessário. É a hora de se fazer os feitiços que o wiccan estiver precisando fazer.
Depois disso, se realiza o Grande Rito e então é a hora do Bolos e Vinhos. É a parte em que se consagra o pão e o vinho para depois consumi-los. Um pouco do pão e do vinho sempre é jogado no chão (ou no caldeirão, caso o ritual se dê em ambiente fechado) em oferenda aos Deuses. Se o ritual for em grupo, essa é a hora da confraternização entre os participantes, a hora da descontração e da conversa.
Após o Bolos e Vinhos, é a hora de se concluir o ritual. Primeiro se agradece aos Deuses pela Sua e depois os guardiões são dispensados. Então se abre o círculo, para que a sua energia volte ao Infinito e não permaneça no local. O esbá está concluído.
Os esbás da lua cheia são obrigatórios. Todo wiccan deve observá-lo. Opcionalmente, pode-se também observar os esbás da lua negra, dedicados à Deusa Negra. Alguns também celebram os sabás da lua crescente e da minguante. Cada fase da lua tem a sua finalidade. E cada feitiço tem a sua fase da lua certa para ser realizado com sucesso.
Apresentei aqui um modo bem básico de se fazer um esbá. Mas o modo de fazê-lo varia muito de tradição para tradição da Wicca (mais pra frente veremos o que é uma tradição) e de wiccan para wiccan. Não há regra específica. Mais do que a regra, a intuição e o bom-senso é que são valorizados.
OS SABÁS A RODA DO ANO
Os sabás são datas muito importantes de serem observadas. Eles representam o deslocamento da Terra em relação ao Sol, a mudança das estações climáticas e o ciclo de vida, morte e renascimento do Deus Cornífero. São oito sabás: quatro menores (solstícios e equinócios) e quatro maiores (datas intermediárias entre os solstícios e equinócios). O sabás menores são: Yule, Ostara, Litha e Mabon. E os sabás maiores são: Imbolc, Beltane, Lughnasadh (também chamado de Lammas) e Samhaim.
Cada sabá tem o seu jeito próprio de ser realizado. E um mesmo sabá pode ser realizado de diversas formas diferentes. Assim como para os esbás, não há regra que governe esses ritos.
Há uma questão importante a ser discutida sobre esse assunto. Desde que os sabás seguem o ciclo das estações, o mais óbvio seria que as datas dos sabás do hemisfério norte e do hemisfério sul fossem invertidas. Assim, enquanto no norte se estaria comemorando o equinócio de primavera (Ostara), aqui no sul se estaria comemorando o equinócio de outono (Mabon).
Porém, nem sempre se faz assim. Há wiccans que preferem não inverter as datas e comemorar, por exemplo, o equinócio de primavera em pleno outono. À primeira vista parece absurdo, mas há uma explicação. Ao se celebrar pelo norte, está-se conectando à egrégora que os festivais do norte foram. É uma egrégora antiquíssima e, por isso, muito forte. Além disso, realizamos os sabás dentro do círculo mágico, ou seja, no "entremundos". Desde que dentro do círculo estamos além dos limites de tempo e espaço, pode-se comemorar o equinócio de primavera no outono sem problemas.
Há também aqueles que simplesmente não se sentem à vontade com isso e preferem inverter as datas. Esses, ao invés de se conectar à egrégora nortista, preferem se ligar às energias telúricas da terra, comemorando determinado sabá perfeitamente alinhado com a estação do ano. Essa é mais uma questão que deve ser resolvida por cada wiccan. Se o wiccan é mais ritualístico e prefere se ligar a egrégora nortista, que comemore pelo norte. Se é um wiccan mais telúrico, então vai se dar melhor comemorando pelo sul.
Os nortistas normalmente também usam o argumento de que as estações no Brasil não são tão bem marcadas como no norte e, por isso, não tem muita importância celebrarmos os sabás em desacordo com as estações. Realmente em certas regiões do Brasil as estações não são tão bem marcadas, mas é sempre possível se notar os sinais de determinada estação na Natureza.
Agora irei apresentar sucintamente o significado de cada sabá:
Yule: Essa data, que é o menor dia do ano, marca o nascimento do Deus Cornífero. A Deusa é a Mãe e o Deus é uma criança. Ele, que é o sol, nasce para trazer luz ao mundo. No norte é comemorado no dia 21 de Dezembro. No sul, no dia 22 de Junho. Dele se originou o Natal cristão.
Imbolc: Dedicado à Deusa Brigit, uma das mais importantes deusas celtas. A Deusa já se recuperou do parto e o Deus está mais crescido e forte. É um sabá de purificação e fertilidade. Comemorado no norte em 02 de Fevereiro e em 1 de Agosto no sul. Também chamado de Candlemas, dele surgiu a festa da Candelária no Cristianismo.
Ostara: Dedicado à Deusa Eoster. É a senhora de fertilidade e seu símbolo é o coelho. É o período de plantio, de renovação. O dia e a noite tem a mesma duração, o que significa que logo a luz vencerá a escuridão. Um ovo colorido é um símbolo desse sabá. Comemorado em 21 de Março (norte) ou 21 de Setembro (sul). A páscoa cristã surgiu desse feriado pagão.
Beltane: O Deus agora é um jovem desejoso, no auge da sua fertilidade e virilidade. Ele se apaixona pela Deusa, um linda Virgem e a conquista. Eles fazem amor, é o momento da sua união. Beltane é o mais sexual dos sabás. Na antigüidade era uma noite de orgias, o que já não acontece mais. No norte se comemora Beltane em 01 de Maio e no sul em 31 de Outubro.
Litha: Estando o Deus no grau máximo do seu poder, o sol brilha como nunca e esse é o dia mais longo do ano. Todo auge é o começo do declínio e logo o Deus irá ficar doente e se preparar para morrer. É comemorado no dia 21 de Junho (norte) ou 21 de Dezembro (sul).
Lughnasadh: Dedicado ao Deus Sol celta, Lugh. É a época da primeira colheita, em que o sol passa a brilhar menos e as noites passam a ser mais longas. O Deus está doente e sabe que dentro em breve irá morrer. A Deusa se entristece com isso, mas sabe que ela carrega a Sua semente no seu ventre desde Beltane de onde Ele irá renascer. A sua data é o 01 de Agosto no norte e 01 de Fevereiro no sul.
Mabon: A segunda colheita, data dedicada ao Deus celta Angus, Deus do Amor. Novamente a duração do dia e da noite é a mesma. Sendo o equinócio de Outono, toda a Natureza se recolhe para enfrentar o duro Inverno. Assim como a Natureza, o Deus se recolhe e se prepara para morrer. Comemorado em 21 de Setembro no norte e 21 de Março no sul.
Samhain: A terceira colheita. O Deus morre e chega o inverno. É o período sem luz, em que o véu entre os mundos se torna mais tênue, facilitando a comunicação com os mortos. É uma época em que os antepassados são honrados, nunca em conotação de tristeza, mas sempre de saudade e alegria. Essa é uma festa de divertimento, em que o caos impera. É o famoso Dia das Bruxas (Halloween). Comemorado em 31 de Outubro no norte e 01 de Maio no sul.
E após o Samhain (pronuncia-se "Sauin" ou "Sauain") virá novamente o Yule, o que dará continuidade ao ciclo de vida, morte e renascimento do Deus e da mudança das estações da Natureza. Vemos com a Roda do Ano que o tempo na Wicca não é visto de uma forma linear, como costumamos ver na nossa sociedade pragmática. Ao contrário, é visto de uma forma cíclica. Tudo o que foi, será. Tudo o que será já foi. Presente, passado e futuro são construtos humanos e não realidades perenes.
6 - A Magia na Wicca
É de conhecimento geral que bruxas e bruxos praticam a magia. Embora grande parte das pessoas não acredite que nossos feitiços funcionam, qualquer bruxo irá garantir que sim. E o fará simplesmente porque é verdade.
A Magia é um aspecto muito importante na Wicca. Dificilmente alguém que segue esse caminho não faz algum feitiço de vez em quando. Esses feitiços têm sempre alguma finalidade positiva. Usam-se feitiços para melhorar a nossa vida e a vida daqueles a quem se quer bem. Em geral, os feitiços são de amor, prosperidade, proteção ou cura. Neles podemos, por exemplo, pedir aos Deuses que enviem alguém para amar; pedir dinheiro para pagar um determinada conta que nos incomoda; proteger de uma série de imprevistos que possam estar causando danos; ajudar algum amigo a se recuperar de uma enfermidade etc. Há também uma infinidade de outros fins para a magia. O limite é a imaginação.
Ao se trabalhar a Magia, costumamos fazer com que o ritual coincida com uma determinada fase da lua e hora astrológica, para que a energia dos astros influa positivamente nas nossas ações. Além de trabalhar com essas forças planetárias, trabalhamos com as forças da terra (ervas, pedras, conchas etc, os quatro elementos, os elementais), as forças divinas (quando invocamos os Deuses para que nos ajudem) e a nossa própria força, que é a mais importante de todas.
Ao contrário do que se costuma pensar sobre bruxas e bruxos, eles não praticam a magia negra (com algumas exceções...). Por magia negra se pense aquela magia voltada para causar danos à terceiros ou interferir no livre-arbítrio de alguém. Bruxos wiccans não são desocupados que não tem nada mais na vida para fazer além de sopa de criancinhas com asas de morcego ao molho de sangue de jacaré. A Magia Wicca é voltada para fins positivos. Mesmo porque wiccans seguem o Dogma da Arte ("Faça o que quiser, desde que não prejudique a nada nem ninguém") e acreditam no poder da Lei Tríplice ("Tudo aquilo que é feito para o bem ou mal retorna para você triplicado, nesta encarnação"). Assim, ao tentar fazer alguém ter um gripe, o que se conseguiria seria uma pneumonia para si mesmo. Um ato nada inteligente.
Por isso, não se preocupe, nenhum wiccan genuíno irá roubar os seus filhos para servi-lo no jantar ou lhe lançar um mau olhado. Magia negra é coisa para gente desequilibrada que ignora o fato de que tudo o que fazemos retorna a nós mesmos. Esses sempre pagam sempre muito caro pelos seus atos, pois despertam forças impossíveis de serem controladas.
7 - A Estrutura da Wicca
Aqui vou apresentar um pouco sobre como a Wicca se estrutura. Veremos que nesse ponto é uma religião bem livre, com algumas poucas "normas" que determinam como é o caminho wiccano.
O FIM DA HIERARQUIA
Para começar, a Wicca não tem um poder central. Wiccans não têm um papa ou um dalai lama que decide por todos os rumos da sua religião. A Wicca é uma religião de livres-pensadores, de pessoas que tomam decisões por si mesmos. Isso garante que não se caia no dogmatismo e que não se forme uma instituição religiosa que seja deturpada, afastando-se dos reais princípios da religião, como vimos acontecer com a Igreja.
Por isso, muitos wiccans divergem em diversos pontos da religião. Isso pode parecer caos e falta de união, mas na realidade significa a liberdade de pensamento que têm. As brigas em relação às diferentes opiniões devem ser sempre evitadas. Como já foi dito anteriormente, a Deusa celebra a diversidade. E o wiccan deve celebrá-la com Ela.
Cada wiccan é um sacerdote por si mesmo. Não é necessário haver intermediários para o contato com o Divino. Cada um mesmo deve procurar esse contato. Wicca não é uma religião de pastores e rebanhos.
É possível perceber claramente essa característica nos esbás e sabás. Na maioria das religiões, os fiéis vão a um templo e ficam de frente a um sacerdote (padre, rabino etc), simplesmente ouvindo o que ele tem a dizer, em atitude passível. O sacerdote fica no púlpito, num plano acima dos fiéis, enquanto que estes ficam sentados, num plano abaixo.
A estrutura dos esbás e sabás é bem diferente. Ao invés de ficar o sacerdote de um lado e os "fiéis" de outro, todos se dispõem em um círculo, numa posição que elimina a hierarquia e põe todos em situação de igualdade.
Para terminar a explicação sobre a falta de hierarquia na Wicca, é sempre bom lembrar que não respeitamos ninguém pelos seus títulos conquistados. O respeito deve ser conquistado pelo bom caráter da pessoa, seu conhecimento e sabedoria. E títulos não são garantia de nenhuma dessas qualidades.
TRADIÇÕES WICCANAS
A Wicca é marcada pela existência de diversas Tradições em seu meio. As Tradições seriam como que "sub-grupos" da Wicca. Todas elas seguem mais ou menos o mesmo pensamento - que é basicamente o que exponho neste texto como um todo mas possuem as suas particularidades. Basicamente, cada tradição difere da outra nas especificidades de sua teologia e em suas práticas rituais.
Assim, temos a Tradição Gardneriana, que é a primeira que surgiu, com ênfase na magia cerimonial; Tradição Alexandrina, que inclui em sua estrutura elementos de cabala hermética; Tradição Diânica, mais feminista; Tradição das Fadas, com algo cunho psicológico e baseado no trabalho com os elementais; Seax-Wicca, parecida com a Gardneriana, com influência mais saxônica; Wicca Celta, que, como o nome diz, possui forte influência da religião celta, entre muitas outras Tradições.
Impossível contar o número certo de Tradições. São inúmeras e sempre tem uma nova surgindo. Não há uma Tradição melhor do que outra. Cada uma tem o seu valor e cada wiccan se identifica mais com uma do que com outra.
Há tradições que usam o sistema de graus para identificar o nível de aprendizado dos seus participantes. Os graus variam de um à três. A Tradição Gardneriana , por exemplo, possui três graus: iniciado(a), sacerdote/sacersotisa e grão-sacerdote/grã-sacerdotisa. Cada grau leva um ano e um dia para ser completado, que é o tempo de se passar todo uma roda do ano. Outras Tradições, como a Diânica, não usam esse sistema de graus. Nessas, após um ano e um dia, o wiccan já é considerado sacerdote.
INICIAÇÃO E CAMINHO SOLITÁRIO
Nem todo wiccan faz parte de uma Tradição. Para ser iniciado em uma, o wiccan deve ser convidado por alguém que já sofreu todo o processo de iniciação daquela determinada Tradição. As Tradições fazem segredo de si mesmas e há segredos que só são revelados para aqueles que ingressam nelas.
Ao ingressar numa Tradição, o wiccan é guiado por alguém mais experiente, seu mestre, que lhe ensina tudo sobre a sua Tradição sua teologia, seus rituais e magia. Após o tempo de treinamento necessário, o wiccan passa pelo ritual de iniciação. Nele, ele é investido do grau de Alto Sacerdote, podendo a partir daí iniciar outras pessoas na sua Tradição.
Assim funciona a iniciação de quem segue uma determinada Tradição. Mas, como foi dito, nem todos fazem parte de uma. Esses seguem o que se chama de caminho auto-iniciático. Nele, é o próprio wiccan que se treina. Ele vai se basear no material público sobre Wicca, estudar, praticar, procurar orientação com pessoas mais experientes (sem ser formalmente treinado por ela) e se desenvolver sozinho e, talvez, com as dicas de pessoas mais experientes. Ele, obviamente, não pode iniciar outras pessoas. Afinal, como fazer alguém passar por algo que ele mesmo não passou? No caminho solitário não há Iniciação, pois na Iniciação uma egrégora deve ser recebida pelo iniciando e isso só se faz mediante um mestre já Iniciado.
Muitos desprezam o caminho solitário, pois nele o wiccan não tem acesso aos segredos das tradições, não foi treinado formalmente por um mestre e não recebeu uma egrégora. Mas é um caminho muito válido também. O wiccan, sozinho, pode não chegar aonde um wiccan iniciado chega, mas pode aprender muito e se desenvolver bastante assim mesmo.
É comum alguém primeiro seguir o caminho solitário por algum tempo antes de ingressar em uma Tradição. É interessante que às vezes quando isso acontece, o wiccan descobre dentro das Tradições certas práticas sigilosas que ele já praticava por intuição, o que mostra que ele pode ter sido inspirado pelos Deuses anteriormente.
COVENS, CÍRCULOS E BRUXOS SOLITÁRIOS
Covens são grupos iniciáticos, filiados a alguma Tradição, formados por entre duas e treze pessoas. Normalmente, considera-se o ideal haver treze pessoas no grupo, cada uma representando um mês lunar do ano.
O coven se reúne sempre na lua cheia e, em determinadas Tradições, também na lua negra. É nesses encontros que os coveners (integrantes do coven) realizam o seu esbá (ou sabá, se for a data), confraternizam uns com os outros, treinam os que ainda estão em processo de iniciação, discutem questões relacionadas à Arte etc.
Um coven não é apenas um grupo de trabalho. É uma pequena família. Os seus integrantes devem ter afinidade, devem ser amigos e cúmplices. Seus integrantes costumam também viajar juntos, ir ao cinema, a bares e tudo o que amigos fazem juntos. A ligação formada entre os membros de um coven é forte. Até kármica.
Há grupos mais flexíveis do que um coven, chamados Círculos. Um Círculo é formado por bruxos, iniciados ou não, que gostam de realizar seus esbás e sabás em conjunto, mas não desejam arcar com o forte compromisso de um coven. Não é um grupo iniciático, não estando ligado a nenhuma Tradição. Os membros de um Círculo também devem ter afinidade entre si, mas não é necessária a mesma intimidade da de um coven. A ligação de um Círculo não chega a ser tão forte.
Muitos wiccans trabalham um bom tempo em Círculos, antes de ingressarem em um coven. E alguns nunca o fazem. Círculos são bons ambientes para se trocar experiências sobre o Caminho da Wicca, para se conversar entre amigos e praticar a Arte.
Da mesma forma que há wiccans que gostam de trabalhar em grupo, há os que preferem o caminho solitário. Como diz o nome, nesse caminho o wiccan realiza seus rituais sozinho. Assim, ele ganha em flexibilidade. Pode fazer o que quiser sem consultar ninguém. Nesse caso, a sua troca de experiências, conversas sobre a Arte etc, se dá em encontro sociais que envolvam wiccans. Muitos wiccans conjugam o trabalho em grupo (coven ou Círculo) com o trabalho solitário.
8 - O Chamado da Deusa
Para finalizar a nossa Introdução à Wicca, é preciso falar do Chamado da Deusa. É algo que todo wiccan genuíno sente dentro de si um dia. Só pode entender quem realmente o sentiu. Quando a Deusa chama o seu filho, ele se sente impulsionado para Ela com tal força que nada pode pará-lo. Ele irá correr para os seus braços, como quem volta ao seu lar (que é o que realmente acontece). Aquele que "ouviu" o Chamado não se desvia do seu caminho.
Infelizmente, a Wicca se tornou uma "moda esquisotérica embalada para consumo" no mundo todo, como já foram moda os famosos "anjinhos da guarda". Há uma profusão de pessoas usando pentagramas no pescoço e se dizendo grandes bruxos que não faz sentido. Esse modismo é resultado do fascínio que uma religião com poucas regras, que cultua Deuses Antigos e lida com uma magia fácil de ser realizada causa nas pessoas. As pessoas que entram na Wicca por moda (infelizmente hoje esse tipo de gente representa a maioria dos wiccans) não ouviram realmente o Chamado. E é por isso que não continuarão nesse Caminho, pois não é realmente o Caminho deles.
O fato de se dizer que apenas alguns ouvem esse Chamado pode parecer algo elitista, como se só alguns tivessem o direito supremo de cultuar a Deusa e Seu Consorte. Mas as coisas não são bem assim. Quer-se dizer com isso que a Wicca não é um Caminho para todos, assim como nenhuma religião é Caminho para toda a Humanidade. Cada ser humano tem o seu próprio Caminho a seguir e deve seguí-lo.
Assim, quem ouvir o Chamado da Deusa, deve seguir um caminho regido por Ela, como a Wicca. Quem foi chamado por Jesus Cristo deve seguir o Cristianismo. Quem foi chamado por Krishna deve seguir o Hinduísmo. Cada pessoa só será feliz no seu caminho real. Não adiante seguir um outro caminho, por qualquer razão que seja, como o modismo. Simplesmente não dará certo.
E é por essa razão que na Wicca não se tenta converter ninguém. Cada um deve ouvir o Chamado da Deusa por si mesmo. Só a Deusa saberá o momento de chamar os seus filhos para si e aos seus filhos cabe saber sentir esse chamado. Proselitismo é uma prática considerada abominável na Wicca e nas religiões pagãs em geral.
Acaba aqui essa Introdução à Wicca. Espero que o texto tenha lhe ajudado a compreender o que é a nossa religião e que, se esse for o seu Caminho, ajude-o a trilhá-lo. Há muito mais sobre Wicca a ser dito. Se quiser saber mais, pesquise, leia, entre em contato wiccans experientes e se informe. Atualmente há bons títulos de livros em português e outras línguas sobre o assunto e diversos sites na Internet (como este mesmo, o EntreMundos: www.entremundos.cjb.net). Procure e achará.
Abençoado(a) seja!