Wicca e

Feminismo

 

 

A aproximação entre Wicca e o movimento

feminista começou no final dos anos 60.

Ativistas dos direitos das mulheres perceberam

no paganismo uma proposta de novos valores

sociais, em oposição ao carater rígido e

conservador das religiões tradicionalmente

apoiadas em figuras masculinas, onde Deus,

os Papas, pastores e a maioria dos santos,

profetas e iluminados são homens.

 

 

O predomínio masculino na religião inibiu a expressão de valores femininos como a beleza, a intuição e a livre manifestação de sentimentos que, por não se encaixarem nas religiões patriarcais, foram identificados com o a ação do demônio. A opressão exercida pelo patriarcado se extende da sociedade humana para toda a Terra. Na Bíblia judaico-cristã, Deus diz: "Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se arrasta sobre a terra" (Gênesis, 1:26). Mais adiante, se lê: "Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra" (Gênesis, 1:28). Justifica-se, assim, toda ação depredatória, de conquista e sujeição "em nome de Deus".

Já o paganismo, centrado na Natureza, valoriza os ciclos e a geração da vida. Sugere uma aproximação do matriarcalismo das primeiras sociedades humanas, quando a descoberta da agricultura pelas mulheres foi responsável pela fixação dos grupos humanos em torno das plantações e pelo surgimento dos primeiros clãs. A observação dos ritmos e da fecundidade da terra inspira respeito e propõe uma relação de cumplicidade entre masculino e feminino, simbolizada pela relação entre Deusa e Deus.

Daí para uma aproximação com os ideais feministas foi um passo. Porém, embora a religião esteja focada na Grande Mãe, é preciso lembrar que Feminismo e Wicca não são sinônimos, e nenhum desses conceitos está contido no outro. Existem grupos, como o Diânico, que se dedicam a honrar aprenas deusas, e há mesmo aquelas que só aceitam mulheres em seus covens; isso faz parte da individualidade e liberdade de culto características do Paganismo. Mas o sentido maior da identidade pagã é justamente o de liberar homens e mulheres de seus papéis rígidos e estereotipados para que possam viver em comunhão entre si e com o Universo.

A Deusa devolve à mulheres e homens sua dignidade e grandeza humanas, sendo que podem nela se reconhecer como partes igualmente importantes da divindade, tendo o mesmo direito ao poder e à fragilidade.

Fonte: Luna (http://members.xoom.com/MMerlin/Luna/Luna.html)