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Esta é a primeira de uma série de três matérias inéditas escritas por José de Ribamar de Carvalho, estudioso que durante mais de quatro décadas dedicou sua vida ao ocultismo. Teosofista, rosa-cruz, maçon, José de Ribamar fez parte de mais de trinta ordens esotéricas. Seu conhecimento e prática da fraternidade gerou muitos e bons frutos, dentre os quais a Loja Serapis Bey, representante, em Natal, da Sociedade Teosófica. José de Ribamar deixou este plano físico em outubro de 1994. Esta série é dedicada ao grande homem e ocultista que ele foi e por tudo que representou e ensinou a muitos que, quando o conheceram, estavam dando seus primeiros passos na Senda.
A cultura de todos os povos, em todos os lugares e em todas as eras, sempre foi constituída por conhecimentos que eram dados a todos e outros que eram privilégios de poucos; dos escolhidos, dos que haviam se tornado dignos de recebê-los após um longo tempo de preparo moral e espiritual, ministrado nos templos, após o ritual iniciatório.
Este longo preparo para a iniciação constituía o misticismo e os ensinos dados nos mistérios menores, eram o conhecimento exotérico e ambos constituíam os ensinos do ocultismo.
O esoterismo provêm do grego esterkos, interno, é a doutrina que se oculta à generalidade das pessoas e se revela apenas aos iniciados. Transcendendo a formas e dogmas, pode, por sua universalidade essencial, conciliar os múltiplos e aparentemente divergentes aspectos da verdade. É o conhecimento direto da verdade, acessível aos moral e intelectualmente preparados, e adquirível por meio dos símbolos e alegorias, meditação no seu significado interno, intuição e realização das instruções recebidas.
É aquilo que Jesus disse aos seus discípulos: "a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles (o povo, os não-preparados) não lhes é isso dado. Por isso lhes falo em parábolas, porque vendo, não vêem, e ouvindo, não ouvem, nem entendem" (Mateus 13:11-13).
Embora o esoterismo, nas escolas de mistérios de todos os povos, tenha sido ministrado através do simbolismo e de inumeráveis mitos ou fábulas, ele tem um fundo de significação, que é a essência e o fundamento de todos os grandes sistemas religiosos, adaptados às conveniências culturais e étnicas dos povos e à sua época.
Pode-se mesmo falar de um esoterismo romano, grego, islâmico, judeu e, notadamente, do esoterismo egípcio que influiu em todos os outros.
O esoterismo instituiu o fundamento das escolas de mistérios de Dionísio-Deméter, de Eleusis, Orfeus, Pitagóricos, de Mitra, da Gnose, do Maniqueísmo, dos Sufis, dos Ismaelianos e da Cabala e de todas as outras escolas, ordens ou religiões.
Como o esoterismo egípcio ou hermetismo, no ocidente, é o mais importante, trataremos apenas dele. O esoterismo é a herança cultural dos povos da Atlântida transmitida aos egípcios e conservada nos templos de iniciação.
Ele foi ensinado por Hermes Trimegistro e constitue a Tábua de Esmeralda, uma série de diálogos entre Hermes e seu discípulo Asclépios, acerca da criação, da natureza de Deus, da mônada, do Bem e do Mal, da Vida e da Morte, da constituição espiritual de todas as coisas, etc.
O Livro dos Mortos dos egípcios é, também, um manual de ensinamentos esotéricos.
Os ensinamentos esotéricos foram ocultados no mito de Pã, o Deus-Pastor caprino, o Baphomet, o Arcano XV, o Diabo do Tarô.
Pã, filho de Hermes e da ninfa Salmatis, neto de Zeus e do gigante Atlas, representava tanto o princípio primordial divino, como o material e o humano, ora o feminino, Íris, a natureza humana e das coisas.Hermes, o pai, era também Thot e na forma de Thot, Hermes é a figura intermediária entre o natural, Pã, e o divino, desta forma era, ao mesmo tempo, pai-filho e possuía a mesma natureza.
Hermes, o princípio divino e Pã, a natureza psíquica, ambos formam a natureza humana. Neste mito de Pã-Hermes, encontram-se os fundamentos de tudo o que é superior e inferior da unidade essencial, da expressão do múltiplo, e de todos os ensinos que consiste os fundamentos esotéricos das religiões ditas pagãs e gnósticas.
Para se abordar o esoterismo e compreendê-lo é preciso que se o considere sob dois pontos de vista: o filosófico-científico, que explica, com a ajuda da filosofia e da teologia, o esoterismo como parte do desenvolvimento mental do ser humano.
O ponto de vista mágico-religioso aborda os aspectos numinosos, inteligíveis, os paradoxos do esoterismo, os ensinamentos que só são admissíveis pela fé.
Com a queda do império egípcio e de sua cultura, vem o esoterismo de Pitágoras, de Platão, de Aristóteles, que tiveram profunda influência no cristianismo primitivo.
Por outro lado, o Egito, através de Moisés, exerceu preponderante papel na formação da cultura do povo judeu e de sua religião, na qual vamos encontrar os ensinamentos exotéricos e esotéricos que caracterizam os fundamentos do Talmude, do Torá e da Cabala, bem como das escolas essênias, nazarenas, farisaicas e outras. Do esoterismo originou-se a gnose ou conhecimento transcendental.
Com o advento do cristianismo houve o reencontro entre o esoterismo judaico e o ocidental, acentuado pelas peregrinações e pregações dos apóstolos, que integravam as comunidades esotéricas ou gnósticas, notadamente, Pedro, João, Tiago e Felipe. Entretanto, nem todos os apóstolos eram gnósticos, muitos só eram exoteristas e entre estes Paulo, daí o surgimento do conflito entre o cristianismo e as seitas gnósticas.
Com o passar dos tempos, o cristianismo exotérico com o apoio do Estado romano passou a ser a religião oficial e passava a perseguir as seitas gnósticas que contradiziam seus ensinamentos.
O desenvolvimento do cristianismo exotérico se solidificou quando o bispo de Roma se apropriou do título oficial Ponti Fex Maximus e passou a ser uma igreja católica, herdeira de Cristo e intermediária entre o homem e Deus e a depositária da salvação pela distribuição dos sacramentos.
A Igreja pregava a salvação intermediária de fora, a dualidade inconsciliável da natureza divina e humana, a gnose, ao contrário, ensinava a auto-salvação e a unidade da natureza divina e humana harmonizada pelo esforço pessoal. A Igreja apregoava ser Cristo o único filho de Deus, a gnose afirmava que todos os homens são filhos de Deus.
Apesar de a Igreja ter destruído os celtas, os templários, os cátaros e muitas outras seitas e povos, o esoterismo sobreviveu através dos séculos, nos ensinamentos de Alberto Magno, de Roger Bacon, Theophraustus Bombastos von Hohenhein, Paracelso, Chustionus Rosencreutz, Giusepe Balsamo, Conde de Cagli ostro, Alphonse-Louis Constant, Aleister Crowley, Mathew McGregory e muitos outros. O esoterismo sobreviveu nas ordens Rosa-cruzes, Aurora Dourada, Maçonaria, Martinismo, na Teosofia , na Escola de Gurdijieff, etc.Estudou-se a origem, o significado e o desenvolvimento na História, vamos, agora, estudar os conceitos fundamentais que constituem a doutrina esotérica.
São seus fundamentos as afirmações: 1º) Tudo é um. O divino e o humano não são diferenciáveis na sua essência, mas manifestações de um mesmo princípio em esferas diferentes. Da mesma forma, o Bem e o Mal são verdades eternas; 2º) A unidade de tudo é o ser. O positivo é a essência; o negativo, a substância; 3º) O homem é um microcosmo, ou seja, ele contém em si tudo o que está contido no cosmos; 4º) Existe algo absoluto, a realidade única, que é tanto o ser absoluto quanto o não-ser; 5º) A eternidade do cosmos se manifesta ciclicamente. Inúmeros universos vêm e vão como a enchente e a vazante das marés, como a alternância entre o dia e a noite, como a vida e a morte, como o despertar e o dormir; 6º) No cosmos, cada unidade essencial (alma) traz em si uma centelha do absoluto, a alma transcendental; 7º) Tudo provém de uma causa primordial básica, de um ponto central, com o qual está em relacionamento e com o qual permanece unido; 8º) O cosmos é a manifestação periódica cíclica de um ser desconhecido, absoluto, que pode ser chamado de ELE; 9º) Tudo no cosmos tem consciência, de modo específico e dentro de um limite de percepção; 10º) Não existe nenhum deus que possa ser captado em forma de uma imagem humana. Existe uma energia primordial, denominada Logos, que deve ser contemplada como o criador do cosmos. Esse Logos se assemelha a um arquiteto, criador de uma estrutura, realizada pelos outros, pelos obreiros (as forças que atuam no cosmos); 11º) O cosmos foi criado segundo um planano ideal que está contido no absoluto desde a eternidade, etc.
O esoterismo não é ocultismo, como a parte não é o todo, embora dele faça parte.
O esoterismo é a parte do ocultismo que se refere a instituição espiritual do homem e de sua vinculação com o absoluto.
O esoterista está para o ocultista, como o técnico está para o cientista.
O esoterismo, apesar de integrar os fundamentos dos sistemas religiosos, no Brasil, além da Sociedade Teosófica, é difundido pelo Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento, desde 1909, na cidade de São Paulo, com os objetivos de promover o despertar das energias criativas latentes de cada filiado no sentido de lhe assegurar o bem-estar físico, moral e social, mantendo-lhe a saúde do corpo e do espírito e concorrer, na medida de suas forças, para que a harmonia, o amor, a verdade e a justiça se efetivem cada vez mais entre os homens.
© Copyright da revista ISIS, março de 1996 - by Sandro Fortunato
Segundo de uma série de três artigos inéditos escritos por José de Ribamar de Carvalho - teosofista, rosa-cruz, maçom e membro de mais de trinta ordens esotéricas -, O Ocultismo, dá continuidade ao artigo da edição anterior, O Esoterismo; em maio, encerra-se a trilogia com O Misticismo.
Gervásio de Figueiredo, em seu Dicionário da Maçonaria, define o ocultismo como "a ciência do que está oculto, o estudo de todos os problemas da natureza ainda não resolvidos pela ciência oficial. Em particular é o estudo dos mundos superiores ao físico, o astral, o mental e outros, e o conjunto de métodos ou disciplinas de educação individual com o objetivo de aperfeiçoamento moral, intelectual e espiritual do homem, do que lhe decorrem direitos e deveres inalienáveis".
No Dicionário de Ciências Ocultas, define-se o ocultismo como "a ciência que trata de coisas que transcendem a percepção sensorial e são geralmente pouco conhecidas".
Trata especialmente dos efeitos que não podem ser explicados pelas leis naturais universalmente conhecidas, mas cujas causas são ainda mistério para os que não penetraram tanto os segredos da natureza a ponto de compreendê-los perfeitamente. O que é oculto para uma pessoa, pode ser perfeitamente compreensível a outra.
Quanto mais a espiritualidade e a inteligência do homem se desenvolvem, quanto mais se liberta da atração dos sentidos, mais seu poder de percepção se desenvolverá e expandirá e mais visíveis se tornarão os processos da natureza. Oculto é, de fato, tudo o que transcende o poder de percepção dos sentidos, embora seja perfeitamente perceptível e compreensível ao íntimo entendimento espiritual, depois que os sentidos internos do homem se desenvolveram e se fizeram ativos.
Esta palavra designa também o conjunto de sistemas filosóficos e artes misteriosas derivadas dos conhecimentos secretos dos antigos".
Rudolf Steiner, em sua A Ciência Oculta, declara: " ciência oculta (ocultismo) se propõe a considerar o emprego da atividade mental a respeito da natureza como uma espécie de autoeducação da alma, e aplicar os frutos dessa educação aos domínios do supra-sensorial. Seu modo de proceder consiste em falar, não dos fenômenos sensoriais como tais e sim do conteúdo do mundo sensível. O que ela conserva do método científico natural é a atitude anímica desse método, ou seja, precisamente aquilo que faz da pesquisa natural uma ciência.
"Ao considerarmos a significação da ciência natural na vida humana, percebemos que o pleno valor dessa significação não se pode esgotar com a aquisição de conhecimentos sobre a natureza, já que tais conhecimentos poderão conduzir senão a experimentar algo que a alma humana não é. O elemento anímico não vive naquilo que o homem conhece a respeito da natureza e, sim, no próprio processo de aquisição do conhecimento. A alma experimenta a si própria em sua atividade sobre a natureza. A ciência oculta (o ocultismo) deseja aplicar o resultado desse auto-desenvolvimento em domínios que transcendem a simples natureza. O ocultista, longe de negar o valor da ciência natural, reconhece-o até melhor do que o próprio cientista. Reconhece que, sem a exatidão do pensamento que caracteriza a ciência natural, não seria possível criar nenhuma ciência. Sabe-se também que, uma vez adquirida tal exatidão, pela penetração a fundo no espírito do modo de pensar científico-natural, pode essa mesma exatidão ser mantida pela força da alma para se aplicar em outros domínios".
Pelo já exposto, pode-se deduzir que o ocultismo é a ciência que investiga e estuda o ainda não comprovado ou aceito pela ciência oficial, na natureza, no homem e em suas leis, com o objetivo de proporcionar ao homem meios e métodos para seu auto-aperfeiçoamento, auto-conhecimento, auto-domínio e desenvolvimento de suas faculdades espirituais que lhe permita conhecer os mundos de outras realidades.
Enquanto a ciência, ao estudar a natureza ou o mundo objetivo fenomenológico, através do instrumental científico de exatidão quantitativa que não é mais que o pronlogamento dos sentidos físicos, observa os efeitos daqueles fenômenos, para deduzir suas leis, o ocultismo, utiliza-se de suas faculdades espirituais para observação das causas nos mundos de outras dimensões e de seus efeitos no mundo fenomenológico, com o mesmo critério de exatidão quantitativa e qualitativa.
Enquanto a ciência requer um acervo de conhecimento especializado e de um treinamento minucioso, o ocultismo, além da capacidade intelectual, requer um aprimoramento moral e espiritual, além de um idealismo desinteressado e um profundo amor à verdade.
A ciência é secreta, é oculta para os que não foram, antecipadamente, preparados para o seu mister, o ocultismo também, é secreto para os não qualificados. A ciência é um segredo de status, de classe; o ocultismo é um segredo de moralidade, de espiritualidade.
A ciência nasceu com a introdução da lógica, do racionalismo e da experimentação, entretanto, antes da Renascença, o homem já fazia uma ciência indutiva, resultante de suas reflexões filosóficas e de suas ponderações analógicas a respeito de suas observações da natureza.
É um fato incontestável que os antigos, mesmo não tendo os instrumentos científicos modernos, faziam a trepanação cerebral, o embalsamamento dos cadáveres, previam o movimento dos astros, construíram as pirâmides, tinham conhecimentos médicos, afirmaram a existência dos átomos, e legaram a nossa ciência moderna muitas das suas mais modernas teorias e conhecimentos atuais.
Estes conhecimentos e mais muitos outros, naquela época, constituíam os ensinamentos do ocultismo, só revelados aos iniciados, sábios, após seu preparo moral e espiritual e faziam parte dos mistérios esotéricos ou maiores, ministrados nos templos, tais como os conhecimentos científicos são ministrados nas universidades nos tempos modernos. O ocultismo, portanto, é anterior à ciência moderna, não é um acúmulo de experiências implícitas, nem de deduçõs racionais e lógicas, é um conhecimento direto e subjetivo adquirido através da identidade da alma no mundo oculto, desconhecido pela ciência ortodoxa.
Em todas as épocas e em todos os povos sempre houve sábios, embora nem sempre cientistas, que tiveram conhecimentos superiores a cultura de seu tempo e de sua raça, e eles eram ocultistas, homens de saber e espiritualidade comprovados e cientes de sua responsabilidade moral devida a seus conhecimentos.
O ocultismo não é uma religião, embora possa desenvolver o instinto de religiosidade nata na natureza humana, caracterizado pelo anseio de perfeição e o profundo senso de uma nostalgia por algo perdido. É o apelo da alma pela sua condição originária.
Assim como a ciência, para investigação da natureza, necessita delinear seu campo de observação e parte de pressupostos considerados necessários, como a avaliação de peso, massa, medida, percepção sensorial, grau de concretitude, repetição da experiência observada, utilização dos resultados obtidos e explicação lógica dedutível do observado, o ocultismo também parte de princípios tidos como verdadeiros, lógicos e analógicos que foram comprovados por muitos observadores, através do tempo, e que parecem formar a base do funcionamento da natureza.
São fundamentos ou princípios do ocultismo os axiomas: 1º) a essencialidade unitária de toda existência, isto é, tudo é uma única e mesma essência ou substância primordial; 2º) nada há que exista no mundo fenomênico, que não exista no mundo oculto; 3º) o conhecido é um reflexo do desconhecido e nele tem sua raiz; 4º) no oculto está o modelo de tudo o que é manifestado; 5º) O mundo fenomênico é uma parte do mundo oculto e por ele se acha interpenetrado e integrado e contido; 6º) nada há que seja conhecido que não seja uma idéia divina; 7º) na realidade nada existe que não seja Deus manifestado; 8º) a força, a energia, a matéria, a consciência, o espírito são formas diferentes de uma mesma e única vibração que é puro movimento; 9º) nada há, quer seja simples ou complexo, que não seja o resultado de uma coletividade de causas, que tem sua causa no movimento universal das correntes das ondas de vida; 10º) nada há, no mundo físico,que não tenha sua contraparte correspondente, em todos os outros mundos dimensionais; 11º) não há nada morto, tudo é vida e essência em diferentes graus de expressão; 12º) a matéria física é apenas uma das expressões da consciência, mas suas infinitas densidades se extendem para muito além da percepção dos sentidos. Na realidade, a densidade da matéria física é o resultado das densificações progressivas de uma mesma energia-movimento; 13º) os fenômenos da consciência humana devem ser considerados como atividades de alguma outra forma de Ser Real e não como moléculas em movimento no cérebro. Esse ser real é a mente. As faculdades mentais são modos de comportamento da consciência da mente. A ciência, com seus axiomas e sua lógica racional, reducionista e mecanicista, exclui de seu campo de estudo e de observação, a maior parte da natureza, tudo aquilo que não possa ser explicado pelo seu saber preconceituoso de seu status intelectual, taxando-o de absurdo, inexistente, de não-digno de investigação, de mera loucura.
O ocultismo não vê na sua natureza nada que seja absurdo, nada que não seja digno de estudo e de verificação. Para o ocultista, o absurdo, o não-compreendido de hoje, é a comprovação da possível verdade de amanhã. Para o ocultista, a loucura do homem é a sua ignorância de Deus, mas a loucura de Deus é a sanidade dos homens.
A ciência, em sua não-aceitação do ocultismo, costuma contestá-lo pela alegação da não-existência de provas verificáveis. Como prova, exigia que fosse procedida nos moldes das ciências exatas, em termos de peso, medida, quantificação e instrumentação.
Os aparelhos e instrumentos científicos, por mais perfeitos que sejam, são construídos de elementos e materiais físicos e, como tais, aptos à investigação do mundo físico e incapazes de examinar outras dimensões não-físicas. O ocultista investiga os mundos ocultos utilizando seus instrumentos psíquicos que são suas faculdades espirituais feitas dos mesmos materiais ocultos.
A ciência, em sua exatidão, utiliza-se de pesos e medidas e quantificação. O ocultismo utiliza a mesma exatidão de observação, mas seus pesos e medidas, em vez de materiais, são qualidades psíquicas e morais.
A repetição da experimentação científica requer aparelhos com a mesma exatidão, o mesmo procedimento e experimentador de igual qualificação, do mesmo modo que a repetição do fato oculto requer que as qualidades espirituais e suas qualificações naturais, também, sejam iguais nos experimentadores.
As provas científicas, como já é notório, depende do estado emocional-mental do experimentador. O observador e a observação influem no resultado do observado, daí a possibilidade de haver conclusões diferentes. Como exigir, portanto, que haja unicidade e uniformidade nos conhecimentos ocultistas, notadamente, tratando-se da descrição de um mundo, cuja única fixação é a mutabilidade dinâmica?
A ciência não pode afirmar categorica e irrefutavelmente o que é a matéria, o que é eletricidade, o que é o átomo, dentro de um mundo de incertezas, de indefinição e de não localização. Como não afirmar a existência dos mundos ocultos e a não-realidade do ocultismo?
Parece que seria mais prudente, mais lógico e mais sábio admitir, como possibilidade de estudo e de verificação, a existência do ocultismo e de seus ensinamentos.
Se assim fizesse, a ciência poderia se beneficiar com os ensinos ocultos, e o ocultismo poderia abrir à ciência novos campos de experimentos, dando-lhe uma visão mais holística do mundo e do homem, capacitando-a a construir uma nova civilização mais humana e mais fraterna.
As Ciências Ocultas
O misticismo não é ocultismo. O misticismo é um meio, um método, um procedimento, uma técnica empregada para a devida preparação, para a aquisição dos conhecimentos do ocultismo.
O ocultismo é um conjunto harmonioso de princípios, de axiomas, de verdades que se referem a um modo superior, no homem, na natureza e que constituem a expressão de Deus, tal qual a ciência é um conjunto de axiomas que orientam a pesquisa do homem e da natureza.
As ciências ocultas são aplicações parciais deste conhecimento, em áreas específicas, tais como a Biologia, a Química e a Física são áreas específicas de conhecimento da ciência.
O Ocultismo, como a ciência, é um todo; as disciplinas, como as ciências ocultas, são partes de um todo.
As ciências ocultas podem ser classificadas, segundo Helena Petrovna Blavatsky, em Yajña-Vidyâ, Maha-Vidyâ e Guhiâ-Vidyâ.
Yajña-Vidyâ é o conhecimento dos poderes ocultos despertados na natureza pela realização de cerimônias e ritos religiosos. É o fundamento da missa católica, da consagração da hóstia, dos ritos de sacrifício, dos trabalhos da umbanda.
Maha-Vidyâ é o conhecimento da magia, da feitiçaria, dos poderes dos mundos inferiores, de suas causas e efeitos. É o conhecimento das ordens e religião que professam o mal, que renegam a Deus, ao homem e à natureza. Qualquer conhecimento ocultista ou ortodoxo que fira o princípio de "amai-vos uns aos outros como eu vos amei", é pura magia negra.
Guhiâ-Vidyâ é o conhecimento dos poderes do som usado nos mantras, nas preces e orações, baseado no conhecimento das forças da natureza. Os ritmos musicais estão baseados neste conhecimento, daí seus efeitos psicológicos.
O ocultismo é o conhecimento da natureza espiritual, ao passo que artes ou ciências ocultas são conhecimentos da essência da natureza material, mineral, plantas e animais, tais como: alquimia, astrologia, quiromancia, tarologia, etc.
O ocultismo é o caminho da renúncia do eu, tanto em pensamento quanto em ação. É o caminho no qual o aspirante sacrifica sua alma animal, no altar do Eu Superior, o mestre do santuário interno.
Um ocultista é um cientista do mundo espiritual.
© Copyright da revista ISIS, abril de 1996 - by Sandro Fortunato
Com o presente artigo, encerra-se a trilogia Esoterismo-Ocultismo-Misticismo escrita por José de Ribamar de Carvalho - teosofista, rosa-cruz, maçom e membro de mais de trinta ordens esotéricas. Reiteramos nosso apreço por este grande ocultista que, durante quarenta anos, dedicou-se ao estudo dos mistérios da natureza e dos poderes ocultos no homem.
Misticismo, segundo o Dicionário de Ciências Ocultas, "é a ciência e arte do mistério" .O ocultismo o considera como meio de iniciação baseada sobre a ação pessoal de Deus na alma humana. Sua origem procede da palavra grega Mystes, que significa iniciado nos mistérios.
Seus ensinamentos eram dados aos iniciantes através de mitos. Mito, termo grego derivado de Mythos, fábula ou lenda.
Estes mitos eram a representação objetiva de uma verdade espiritual, que era adotada nos antigos mistérios egípcios e gregos e, atualmente, encontramos no simbolismo dos ensinos maçônicos. Entre a simbologia maçônica deparamos com o mito da construção do templo do rei Salomão, o da morte e sepultamento de Hiram Abiff, a do Real Arco e do sagrado Delta. O verdadeiro significado desses mitos, como eram dados nos templos, em segredo, constituíram os chamados mistérios que, no decorrer dos tempos passaram a significar antigas religiões e escolas ocultas pré-cristãs, dos egípcios, persas, gregos, judeus, romanos, celtas e escandinavos.
Nessas escolas, homens e mulheres de qualquer posição e cultura podiam solicitar sua iniciação nos diversos mistérios, que se dividiam em menores ou exotéricos e maiores ou esotéricos. Nos mistérios menores, a iniciação compreendia quatro estágios: purificação, comunicação do conhecimento, ritual da revelação do objeto sagrado através de um drama e, para encerramento, um banquete sacramental.
Dentre os mistérios maiores mais conhecidos, podemos citar: os mistérios cabéricos ou da samotrácia, os mistérios cretenses, os mistérios cristãos, os de Dionísio, dos caribantes, os druídicos, os de Serapis e Oripes, os escandinavos ou nórdicos, os eleusianos, dos essênios, e outros.
Os mistérios cabéricos, ligados ao elemento Fogo, foram venerados em Tebas, Lemnos, Frégia, Mecedônia e Samotrácia. Nesse mistério venerava-se a Júpiter e a mais sete deuses diante de seu trono e a uma série infindável de deuses menores, cujo ritual girava em torno de quatro irmãos, dos quais três assassinam o quarto. Os mistérios dividiam-se em três graus. No primeiro se celebrava a morte de Cashmala pelos seus três irmãos; no segundo, a descoberta do seu corpo mutilado, cujo os membros haviam sido encontrados e reunidos após penoso labor, e no terceiro, a ressurreição e consequente salvação do mundo.
Os mistérios cretenses exerceram notável influência nas civilizações romana e grega e transmitiram seus símbolos ao cristianismo e à maçonaria.
Em Creta, Cnosso, Sicília e Cumas encontra-se comprovação dos vestígios de rituais que são comuns ao cristianismo, à maçonaria e aos mistérios egípcios e gregos.
Os mistérios cristãos existentes no cristianismo primitivo, pelo menos até o terceiro século, compreendia duas espécies de ensinamento. Os litúrgicos, exotéricos, de caráter geral e preparatório, destinados às massas populares, às quais ministravam preceitos morais, por meio de representações alegóricas, parábolas e cultos públicos e tinham por ideal a realização do Sermão da Montanha, sintetizado na máxima "amai ao próximo como a vós mesmo". Os teúrgicos, esotéricos, de caráter mais específico e subjetivo, destinados a uns poucos já preparados, selecionados por sua vivência dos ensinamentos anteriores, e que se propunham realizar a máxima "amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei", fazer o cristo nascer em si próprio e aperfeiçoar-se na santidade até chegar a ser um varão perfeito, na medida da estrutura completa de Cristo.
Na realidade, os mistérios menores correspondiam ao batismo pela água, feito por João Batista, para o arrependimento. Os mistérios maiores referiam-se ao batismo feito pelo Cristo, o do Espírito Santo, Pentecostes, e do fogo, iniciação.
Os adeptos desses mistérios compreendiam duas classes: a externa e a interna. A externa compreendia as categorias: catecúmenos, competentes e iluminati. A interna abrangia a purificação, a iluminação e a perfeição. A primeira conduzia à santificação, a segunda ao conhecimento interno e a terceira à unificação com Deus.
A comprovação da existência dos mistérios no cristianismo primitivo, pode ser encontrado na terminologia bíblica, tais como: porcos, reino, porta estreita, salvos, condenados, todos termos de sentido dúbio usados nos mistérios; nas declarações constantes Nas constituições dos Santos Apóstolos de Clemente, Bispo de Roma, nos escritos gnósticos dos maniqueus, paulinos, albigenses, catarianos, templários, cavaleiros de malta e de outras ordens místico-filosóficas e nos escritos de Orígenes. Os mistérios de Dionísio ou de Baco foram celebrados na Grécia, na Ásia Menor e em Roma, na Síria, na Fenícia, na Pérsia e na Índia. Estes mistérios baseavam-se na lenda do assassínio de Dionísio pelos Titãs, cujos segredos eram guardados por forças do juramento de seus membros.
Os mistérios caribantes eram celebrados na Frégia, em honra a Atis, o pastor frégio que gozava da benevolência de Cibele a qual, por ciúmes, matou sua esposa, a ninfa Sangáride.
As cerimônias começavam com uma lamentação pública e eram concluídas com a sua ressurreição. Era uma representação dos assassinatos de Atis e de Sangáride por motivo de ciúmes de Júpiter e de Cibele.
Atis era uma figura de Iniciação e do Adeptado.
Os mistérios Druídicos - Os druidas constituiram uma ordem sacerdotal de homens e mulheres instruídos, sob a direção de um Arquidruída, entre os antigos povos celtas na Bretanha, Irlanda e Gália (França). Cultuavam inúmeros deuses identificados com Mercúrio, Apolo, Marte, Júpiter e Minerva e sua origem dada dos ensinos de Orfeu. A lira de Apolo se tornou a harpa de Anjos, o deus do amor, e o culto a Deus se traduzia na divina beleza manifestada através da música.
Em seus mistérios eram submetidos homens e mulheres e exigiam muita purificação física e mental. A iniciação se dividia em períodos trimestrais, durante os equinócios e solstícios e compreendia três graus: Eubates, Bardos e Druidas. Os principais mandamentos impostos eram: obediência às leis divinas, interessar-se pelo bem-estar da humanidade e suportar com fortaleza todos os males da vida, durante o período probatório. Terminado este, o candidato devidamente vestido de branco, azul e verde era encerrado em uma tumba, onde, em jejum, permanecia durante três dias, no fim do qual estava pronto para a iniciação. Após a iniciação , o iniciado jurava guardar segredo desse mistério e era considerado como renascido do ventre da deusa Ceridiem, livre de todas as impurezas e de toda imperfeição.
Os mistérios egípcios - Estes mistérios eram instituições públicas, mantidas pelo Estados; eram centros de vida nacional e religiosa, os quais eram frequentados por todas as classes sociais. Eram constituídos de vários graus e duravam muitos anos. Os que passavam por todos os graus, homens e mulheres, eram considerados ocultos, pois adquiriam os conhecimentos deste mundo e uma nítida compreensão de seu futuro após a morte e das leis que regem os mundos superiores. Os ensinamentos internos e superiores permaneciam selados para o povo, ainda não suficientemente preparado para aprendê-los. Todavia, praticamente toda população egípcia sabia destes mistérios, de tudo que relacionava com a vida depois da morte e de como preparar-se para enfrentá-la corajosamente. Os pormenores dos ensinamentos eram ministrados aos iniciados nos mistérios, até admití-los sob solenes juramentos de guardar absoluto segredo. Das instruções constavam os ensinamentos dos rituais de iniciação, da morte e da ressurreição. Os rituais de iniciação eram realizados nas câmaras das pirâmides. As cerimônias dos mistérios visavam representar a evolução superior do homem, seu retorno à Fonte Divina, donde ele veio, através do desenvolvimento de sua natureza superior. Estes mistérios se classificavam em mistérios menores ou de Ísis e em mistérios maiores ou de Serápis e Osíris. Os primeiros correspondiam ao primeiro grau, de aprendiz, na maçonaria e os segundos, ao segundo e terceiro grau, companheiro e mestre, na maçonaria. Ao iniciado nos mistérios menores, se ensinava a condição da morte após a morte física, sua vida no astral, no Hades ou purgatório; ensinava-se o sentido do que dissera Ísis: "-Eu sou a natureza, a mãe de todas as coisas, a soberana dos elementos, a matriz do tempo" e ministrava-se os conhecimentos de gramática, lógica, retórica, aritmética, geometria, música e astronomia. Aos iniciados nos mistérios maiores, no de Serápis, segundo grau, companheiro na maçonaria, aprofundava-se os conhecimentos de ciência e filosofia, e o estudante empreendia um curso mais adiantado do mundo oculto, aprendia-se sobre o plano mental, o Devacan, o Sukhâvati, o céu, o Nout, a Câmara do meio, os Campos Elísios e os iniciados aprendiam o domínio da mente e o desenvolvimento das suas faculdades internas. Nos mistérios de Osíris terceiro grau maçônico, mestre, o candidato tinham de passar pelas representações simbólicas do sofrimento, morte e ascensão de Osíris, o que incluía suas experiências entre morte e a ressurreição, quando ele subia ao Amenti e se tornava o juiz dos mortos, que a cada alma sentenciada a sua medida de felicidade ou seu retorno a uma nova encarnação terrena para um ulterior autodesenvolimento. A instrução dada referia-se à região do mental abstrato, do plano causal, do terceiro céu, de Nout, onde o iniciado vencia e se liberava de todas as ilusões. O povo egípcio celebrava essa liberação com festas públicas que correspondem às festas católicas atuais da Sexta-Feira Santa e dia de Páscoa.
Encontra-se aí a semelhança deste mistério com o suplício, crucificação, morte, sepultamento e ressurreição de Jesus. Será pura coincidência ou copilação? Além desses três graus haviam outros maiores. Os principais centros de ensinamentos egípcios foram: Sais, Mênfis, Tebas e Heliópoles.
Mistérios Nórdicos - Sua origem se deve aos citas e é citado por Jeremias-4:5-7,46 e Colossenses-3:11. Compreendiam três grandes festividades anuais: a primeira, a mais importante era celebrada no solstício de inverno, dedicada a Thor, filho de Odin e de Friga; ou Fréya, a mãe dispensadora de graças; e a terceira, tributada a Odin. Os mistérios se prendem a linha do assassinato de Balder pelo Hoder e de sua ressurreição, identificando-se na de Osiris e Tifão, de Tammy e Izelubar, de Krishna e Kansa de Cristo e Caifos. A iniciação era uma representação simbólica da ressurreição de Bauder de sua vitória sobre a morte.
Mistérios Gregos, os de Eleusinos - Atribui-se sua origem a Orfeu e seus iniciados foram Píndaro, Sófocles, Isócrates, Plutarco, Heródoto, Platão, Cícero e muitos outros. Os mistérios Eleusinos se dividiam em dois grupos: os menores e os maiores, e cada grupo se subdividia em duas partes: uma exotérica e outra esotérica. Os mistérios menores eram celebrados no templo de Deméter e Coré, em Agra, em Atenas, no mês de março, pelo equinócio da primavera. Os ensinamentos ministrados referiam-se ao conhecimento da vida no astral, bem, como na significação dos mitos de Tântalo, Sísifo, Títio,visando o desenvolvimento moral do candidato, em sua vida honrada e digna. Neste grau, o iniciado recebia o nome de Mistal. Os mistérios maiores eram celebrados no mês de setembro, em Eleusis, inicialmente em celebração pública e depois no templo, entre os iniciados. Neste grau, ensinava-se os mistérios do astral e do plano mental, o domínio e purificação do corpo astral e do mental, fazia-se a interpretação das lendas Proserjisia, Coré, de Narciso, Minotauro, Teseu, Ariádno, e da morte de Baco pelos Titãs. Culminava o cerimonial com exposição de uma espiga de trigo, como símbolo da eterna criação e evolução através de novas formas para alimentar outras formas de vida. Muitos estudiosos vêem esses simbolismo como analogia da última ceia de Jesus, da cerimônia do pão e do vinho, da eucaristia.
Além desses mistérios, que correspondem aos graus superiores, havia também os mistérios ocultos que eram só do conhecimento dos iniciados.
Mistérios Mitríacos - Foram difundidos na Ásia, África e Europa e neles dominava um acentuado estilo militar e demandava de seus fiéis uma pureza quase acética, sendo Mitra, o salvador da humanidade. Este culto de espalha notadamente entre os soldados romanos, os quais construíram inúmeros templos em honra de Mitra. O sistema compunha-se de sete graus: Corax, Eryphius, Miles, Leo, Perses, Heliodramus e Peter. Este culto era próprio para homens e constituía uma fraternidade de armas.
Mistérios Judaicos - Fundados por Moisés, sofre a influência dos mistérios Egípcios como cita o Êxodo 7:8-12 e 4:1-5. Posteriormente, foram fundadas escolas de profetas, para estudo e prática dos mistérios e instruções mais profundas, velados nos antigos ritos. Muitas dessas escolas são citadas na Bíblia, como a de Naisth, de Gilgar, Belthel e Jericó, posteriormente substituídas pelas sinagogas. Na época de Jesus, havia as escolas dos Essênios, Nazarenos, Saduceus, Fariseus que, apesar de terem desaparecidos, influenciaram o cristianismo e outras escolas filosóficas.
Tal como havia previsto Hermes Trimesgistro, nas tábuas Esmeraldinas, estas escolas desapareceram debaixo do jugo romano e das perseguições empreendidas pela Igreja sob as mais diversas formas.
Entretanto, muitas delas procuravam se adaptar às novas circunstâncias, aos novos tempos, tornando-se ocultas, mudando de nomes ou de forma de atividades, fundindo-se com outras escolas, de modo a poderem preservar o patrimônio cultural e espiritual da humanidade, até tomarem as características que apresentam hoje.
Foi traçado em linhas gerais, algumas escolas místicas da antiguidade e seus princípios gerais que independentemente dos rituais e cerimônias adotadas, constituía os seus ensinamentos fundamentais.
Vimos que todas elas tinham como simbolismo um mito ou uma lenda que encobriam profundos ensinamentos espirituais que retratavam a criação, os estágios do desenvolvimento do homem e do mundo, bem como as leis ocultas e dos poderes divinos, e do destino da alma humana, ao mesmo tempo que tratavam de estimular a criação das virtudes, da fraternidade e da moralidade, pelo cultivo e domínio do corpo físico ou sublimação dos sentimentos inferiores e o desenvolvimento e aprimoramento das faculdades mentais.
Aquelas escolas eram classificadas em menores ou exotéricas e maiores ou esotéricas, mas ambas buscavam o aperfeiçoamento pessoal, auto-realização ou a salvação através da imitação e da adoração a um modelo exterior, do qual dependia a sua alma.
A salvação não era o resultado da sua evolução pessoal, mas era devido a graça de um poder maior que devia ser adorado e ao qual lhe devia o atributo do ritual.
O misticismo é, portanto, uma escola, um caminho de dependência e da necessidade de projetar a sua necessidade de segurança para alguém de fora. É um caminho de vinculação Filho-Pai, de eu não tenho, tu me dás.
É uma escola válida para aqueles que se sentem crianças, para os que ainda não amadureceram espiritualmente.
Ela é útil e válida para um determinado estágio do desenvolvimento moral e espiritual, notadamente, para aqueles que estão no estágio emocional.
Se és um místico de qualquer escola ou ordem, mas desejas conhecer a tua religião, estuda-a e procuras por ti mesmo, a tua religiosidade íntima, independentemente do que te ensinaram e te disseram, e sejas tu mesmo o que escolhes o caminho.
© Copyright da revista ISIS, maio de 1996 - by Sandro Fortunato