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A consagração de
um instrumento mágico
Para começar, vamos refletir um pouco sobre o que é um instrumento mágico e o que é a consagração.
Um instrumento mágico, obviamente, é algo que irá te ajudar a realizar magia. Não há mistério nisso. Mas um punhal, um pentagrama, um caldeirão etc em si não ajuda ninguém a realizar magia. São objetos como quaisquer outros.
A consagração fornece energia ao objeto, ele ficará carregado dela. Ao se usar o objeto, então mágico, se usará essa energia. Como toda energia se dispersa, é uma boa reconsagrar os instrumentos mágicos, quando se sentir que eles estão ficando descarregados.
Mas a idéia da consagração vai além. Na minha opinião, a consagração é um ato que dá vida ao objeto. Eu considero meus instrumentos como se fossem seres vivos. E por isso também eles são tão importantes para mim.
A consagração é o nascimento de um instrumento mágico. Quando um filho nosso nasce, o que fazemos? Uma das coisas que fazemos é apresentá-lo ao mundo, dar um nome a ele, mostrá-lo aos amigos e familiares etc. É com base nisso que a consagração que eu ensinarei aqui inclui apresentá-lo ao mundo. Esse é um passo que tenho visto ser muito negligenciado nos rituais de consagração que eu vejo por aí. Esses ritual, embora sejam realmente efetivos, me parecem meio "mecânicos", sem dar "amor" ao objeto...
Mas vamos parar de blá-blá-blá e ir logo ao...
... Ritual de consagração
O que eu vou descrever não é um roteiro a ser seguido à risca. Ele pode e deve ser adaptado por quem for usá-lo. E pode ser feito de maneiras diferentes a cada vez que você for realizar uma consagração. Eu nunca consagro um instrumento exatamente da mesma maneira. Sempre mudo alguma coisa dependendo do meu humor no dia.
Primeiro limpe direito o seu instrumento com uma água que não seja da torneira. Depois consagre-o.
De preferência, realize a consagração dentro de um círculo mágico. Vá ao leste e passe ele na fumaça de um incenso, de preferência um incenso purificador, como de alfazema. Então você precisa apresentá-lo aos seres desse quadrante. Fale o que quiser, como por exemplo: "Eu apresento esse ____________ (pentagrama, athame etc) aos seres do quadrante leste, que eles o abençoem e o carreguem para que ele seja útil nos meus atos de magia". Caso deseje, mude as palavras para o que achar melhor.
Faça o mesmo em todos os quadrantes, até chegar ao norte. Ao sul, passe-o no calor da chama de uma vela vermelha.
No oeste, esparja água sobre ele. Mas não da torneira, por favor!!! Pelo menos use água mineral. Ou, se for possível, água do mar ou água da nascente, por vc mesma coletada. É interessante (mas não obrigatório), um dia antes do ritual, deixar essa água a noite inteira sob a lua (cheia, de preferência, ou crescente, alternativamente). Retire a água do lugar aonde você a deixar antes do sol nascer. Isso tudo dará uma grande força mágica pra essa água.
Ao norte, passe o instrumento em sal grosso.
Ok, agora que você consagrou o instrumento nos quadrantes e o apresentou para os seres que neles vivem, faça um outro passo inventei na hora de consagrar um objeto meu. Achei bem eficaz na ocasião.
Eleve o instrumento para cima e apresente-o aos céus.
Depois aponte o objeto para baixo, talvez tocando o solo, se quiser, e apresente-o para à terra.
Obviamente é melhor que essa consagração seja feita ao ar livre. Mas é possível fazê-la em casa também.
Bom, agora você pode querer apresentar o objeto aos deuses também. É uma boa idéia. Pode ser simplesmente à Grande Deusa e ao Deus Cornífero ou algum(a) deus(a) de sua preferência.
Depois disso, eu normalmente beijo o objeto com todo o meu carinho. Afinal, na consagração acabamos de parir um filho!
Starhawk, em seu livro A Dança Cósmica das Feiticeiras, fala para passar no objeto a sua saliva e/ou outras secreções (imagine quais...) a fim de criar um elo com ele. Nunca fiz isso, mas parece-me interessante.
Outra coisa que se pode fazer é assoprar bastante o objeto inteiro, para impregná-lo com a sua própria energia.
Enfim, as possibilidades são várias. Tendo contato com elas, monte o seu próprio ritual de consagração. Não há ritual melhor do que aquele que nós mesmos criamos.