Antepassados

 

 

Por Gwydion Drake

Bem...

Depois que encontraram o Túmulo de Osiris, é o próprio, o Deus foi enterrado como um ser humano, ou seria um ser humano transformado em Deidade?

Eram os Deuses seres humanos? Os deuses não seriam nada mais que nossos ancestrais ?

Avaliando isto, posso chegar a conclusão, remexendo minha arvore genealógica, que sou descendente da Deusa Afrodite, pois, é verdade; Minha avó paterna é de uma família Patrícia, (sem Labrys) as famílias romanas que descendem diretamente de Enéias, o herói da guerra de Tróia, que veio dar no Lacio, tanto lugar pra dar?, mas vamos em frente, Enéias era filho de Anquises com Afrodite, foi criado pelas ninfas e educado por Quiron, durante a guerra de Tróia foi por diversas vezes protegidos pelos deuses, e ao seu final, fugiu carregando o Paládio e os Penates de Tróia, rodou tanto quanto Ulisses, e terminou no Lacio, onde se casou com Lavinia dando origem as famílias que junto com Rômulo e Remo fundaram Roma. Rei do Lacio após a morte de seu sogro desapareceu numa batalha e sendo adorado pelos romanos como Júpiter Indigete.

Portanto, se tenho sangue Patrício, também sou descendente dos deuses, aliás, vovó Afrodite geralmente é boa comigo, me pegando no colo, e, olha, colo da vó Dite dá uma boa sorte no amor.

Poderia também, no sobrenome paterno achar uma descendência de Silves ou Silvano, o deus dos bosques Etrusco. Uma espécie de Pã, misturado com Cronos.

Brincadeiras a parte, venho falar dos deuses familiares, os Manes, Lares, Penates e Lemures. Que muita gente só descobriu quando viu o Gladiador.

Os Manes, assim como os Lares, Penates e Lemures, eram os espíritos dos antepassados divinizados, habitavam a casa onde viveram e eram cultuados por seus descendentes. Alguns Manes chegaram a ser considerados deuses, mas na sua maioria eram apenas os benevolentes, que buscavam auxiliar aos membros de sua família. Deuses da casa, adorados junto ao fogo de Vesta.

Os Lares iam alem do recinto da casa, protegendo seus familiares nos caminhos, e recebiam culto também nas encruzilhadas.

Os Penates também eram divindades familiares, eles cuidavam da despensa, velando para que não faltasse alimento, durante as refeições recebiam as primícias, junto ao fogo de Vesta. Existiam também os Dii Penates Publici, que protegiam o estado, e eram venerados junto ao templo de Vesta.

E sobraram os Lemures, espíritos de mortos que não foram cultuados, alguma coisa como alma penada.

Portanto, para um romano, e também para os gregos e muitos povos anteriores, os antepassados mortos eram seus deuses protetores, mais ainda que os grandes deuses públicos.

As penas aos que esquecessem os seus deuses familiares eram terríveis, por que sem culto, os mortos se dissolviam no Hades, e eles ficariam sem proteção, como também não ser cultuado após a própria morte, engrossando as hostes dos Lemures, condenados ao sofrimento.

O Culto aos antepassados era associado ao culto de Hestia ou Vesta, a deusa do fogo sagrado, do lar e do estado. Em todas as casas, permanecia sempre aceso o fogo de Vesta. Este não era um fogo comum, para aquecer ou cozinhar era o fogo sagrado que mantinha vivos os espíritos familiares. Era aceso apenas com a luz do sol, ou com fricção de dois pedaços de madeira e alimentado apenas com madeiras especiais, era o fogo da pureza, e não podia ser contaminado.

As Vestais, sacerdotisas do fogo sagrado, eram consideradas sagradas, no extremo caso de uma ser condenada a morte, por perda da virgindade, esta era emparedada, pois nenhum humano poderia ser o causador da sua morte. O fogo de Vesta era o centro da casa e das cidades, quando um núcleo de cidades saía para fundar outra cidade, levavam consigo o fogo de Vesta, ao redor deste era construído o centro político da nova cidade e neste fogo eram acendidos os outros, das residências e edifícios públicos.

O culto ao fogo sagrado, foi provavelmente um dos primeiros rituais do ser humano, o domínio do fogo, deu proteção e aqueceu nossos antepassados, por isto o fogo sagrado Hestia/Vesta tem a Primazia ante todos os Deuses Grecos-Romanos, mesmo antes de uma hecatombe, o sacrifício de cem touros para Zeus, era invocada Hestia. Todas as primícias de cada estação era oferecida a Hestia/Vesta, e aos deuses familiares, os antepassados.

O culto pagão era familiar, voltado aos antepassados, cada família tinha o seu próprio panteão, e a medida que se reuniam em grupos e núcleos, os deuses da família dos chefes guerreiros eram entronizados como deuses Clânicos ou Tribais. Os grandes deuses de todos os povos pagãos eram os deuses urbanos, os deuses da cidade, ou do estado e seu culto era mantido pelo governo, porém nas residências eram os Manes, Lares e Penates quem recebiam os cultos, junto as lareiras de Hestia/Vesta.

Quando vejo as discussões nas listas neo-pagãs, sobre panteões e culto aos deuses, vejo que buscam sempre os grandes deuses, vejo que pedem a deuses de cidades ou deuses nacionais, e pouco vejo de culto aos antepassados. Acredito que tenha muito mais intimidade com os mortos da minha família do que com os deuses de povos antigos, que nem me conhecem, que não tem nenhuma afinidade comigo. Esta noção de Grandes deuses onipresentes e oniscientes, é resquício do deus judaico cristão. Os deuses do paganismo não tem estas características, nem estão em todos os lugares, nem sabem tudo. O que liga um deus pagão ao seu fiel é a simpatia, a afinidade e o culto. Como podemos querer obter resposta de um deus que nem sabemos como ele gosta de ser cultuado?

Para grandes deuses, grandes ritos. É aí que vejo um engano, a grande maioria dos neo-pagãos busca cultuar os grandes deuses, porém os cultuam como se estes fossem deuses familiares, ou seja, nem agradam aos grandes deuses e de quebra afastam os deuses familiares, que por ciúme ou falta de culto, se afastam e se perdem.

Todos falam de egrégora e não usam a egregora mais forte que têm disponível, a egregora da linhagem sanguínea, esquecendo a sua força e abandonando seus ancestrais.

Para os antigos, os grandes deuses eram sagrados demais para serem mantidos próximos. Era de mal agouro trazer os deuses da cidade para dentro da própria casa. Junto de si, apenas os deuses da família, os complacentes, os que tinham afinidades com a sua linhagem de sangue.

A montagem e a manutenção de um altar aos antepassados é mais simples, fácil e poderoso que a manutenção de um altar domestico à Grande Mãe, além de que seus avôs e avós serão mais complacentes amistosos que qualquer entidade estrangeira. Quando falo estrangeira, quero dizer que os deuses pagãos era deuses de uma nação, portanto se não tivermos esta identidade nacional, vai dar muito trabalho convencê-los a responderem para um estrangeiro.

Um altar doméstico aos antepassados é muito simples de ser feito, e se bem trabalhado, é a melhor proteção e fonte de força para uma casa e uma família.

Devemos ter num altar aos ancestrais um fogo sempre aceso, por isto devemos como medida de segurança usar um recipiente de cerâmica ou de metal que proteja este fogo evitando riscos de incêndio. Dentro deste recipiente, pode-se usar estas lamparinas de mecha com estes combustíveis especiais para isto, que evitam fumaça pois o fogo de Hestia/Vesta deve ser um fogo puro (nota do site: essas lamparinas são as lamparinas de S.Jorge, que podem ser facilmente encontradas em lojas de Umbanda). Em sua volta devem ficar as fotos e objetos dos antepassados. Minha avó dividia em porta retratos a esquerda e a direita, os vivos e os mortos, mostrando aos que morreram o quanto a linhagem continuava crescendo forte e firme. E assim obtendo proteção para todos os membros da família, cada membro que nascia, ela corria para colocar uma foto junto dos vivos, e sempre pedia fotos novas de todos para manter o altar dos vivos atualizado.

Tendo o fogo e as fotos dos antepassados, pode-se colocar também uma pedra ou um pouco de terra do cemitério onde estão enterrados alguns de seus ancestrais e um recipiente com água, que deve ser trocada todos os dias e eventualmente alguma comida ou fruta.

Você não perde mais que 10 minutos por dia com o altar, é o tempo de um papo rápido, abastecimento do combustível e a troca da água, sendo que a usada deve ser despejada na terra para que alimente vida, no caso de apartamento, pode ser jogada num vaso com plantas. Simples né...