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Sonhos (4)

 

 

 

 

 

Artigo 6:  Pesquisa inédita mostra que outros animais sonham como os humanos. 

Artigo 8: A Arte de Bem Sonhar.

Artigo 9:  O Sonho da Humildade.

 

 

 

Artigo 6:

Pesquisa inédita mostra que outros animais sonham como os humanos 

 

Uma equipe de pesquisadores americanos conseguiu detectar, pela primeira vez no história, sinais de que os humanos não são os únicos animais que sonham. Segundo os médicos, testes neurológicos realizados com ratos de laboratório indicaram fortes evidências de que eles também têm experiências similares ao sonho enquanto dormem – no caso dos animais testados, a lembrança de um labirinto percorrido por todos eles durante a experiência.

Os resultados da pesquisa, realizada por médicos do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e publicada na revista científica Neuron, são revolucionários por dois motivos: dão pistas inéditas sobre o sono dos animais e ajudam na investigação do sonho nos humanos.

As quatro cobaias da experiência foram treinadas para percorrer um labirinto recebendo recompensas (como chocolate) quando completavam o percurso. Durante esta etapa, os ratos tiveram suas ondas cerebrais detalhadamente mapeadas.

O próximo passo foi medir novamente as ondas cerebrais dos animais, agora enquanto eles dormiam. O resultado foi surpreendente: o padrão de impulsos elétricos no cérebro dos ratos repetia o que foi registrado no labirinto.

Segundo os pesquisadores, estes impulsos foram registrados exatamente nas fases do sono em que os humanos geralmente sonham, e eram tão precisos que era possível indicar exatamente em que parte do labirinto os ratos estavam no decorrer do sonho.

Lembranças simples - Para Matthew Wilson, que liderou a pesquisa, não há provas absolutas de que os animais sonharam. Ele diz que o sonho é uma experiência subjetiva. "Nossa possibilidade de perguntar para os animais o que eles sentiram é bem limitada", brincou. Mesmo assim, ele garante que esta é a maior evidência até hoje de que os animais têm uma atividade similar ao sonho humano.

O estudo indica ainda que os padrões de impulsos nervosos – extremamente precisos e detalhados – não poderiam ser confundidos com qualquer outra coisa, pois eles eram alterados quando os ratos percorriam outro labirinto ou faziam qualquer outra atividade. E a explicação para o tema prosaico dos sonhos destes animais seria simples: "Eles levam vidas tediosas", afirmou Wilson. "Se eles fossem ratos que vivem nos túneis do metrô, provavelmente teriam sonhos complexos como os nossos."

Sono e memória – Segundo outros cientistas, o trabalho é fundamental também para ajudar a entender os nossos sonhos. A pesquisa apóia a teoria de que dormir é uma parte fundamental da formação de nossa memória. O estudo prova, pela primeira vez, que lembranças instantâneas e complexas são "reprisadas" no cérebro dos animais. Elas possivelmente são consolidadas em nossa mente e registradas em definitivo.

A relação entre sono e memória, ainda bastante controversa, pode mudar de enfoque agora. "Eu estou muito satisfeito, pois a pesquisa dá pistas de que dormir é importante para o processo de aprendizado e memorização", disse John Allan Hobson, professor de psiquiatria em Harvard.

 Notícia originalmente publicada no site Veja on-line em 26/01/2001

 

 

 

Artigo 8

A Arte de Bem Sonhar

Autor: Regis Mesquita

 

        Quem tem o prazer de ler a bíblia percebe a quantidade de vezes que, através dos sonhos, as pessoas receberam mensagens e orientações. São dezenas de citações nas quais os sonhos atuam como intermediários entre o plano espiritual e a vida cotidiana, e entre o inconsciente e o consciente. Cada um destes sonhos produziu uma decisão importante. O sonho pode ser profético, de alerta, de orientação, de integração, e todos eles são direcionados principalmente para a pessoa que o sonha. Naqueles tempos bíblicos era assim, hoje não. Atualmente a maioria das pessoas não tem mais (ou não se lembram) este tipo de sonhos. Por que será? O que precisamos para voltar a ter estes sonhos que tanto podem nos ajudar?

            José, pai de Jesus, dormia. Um “anjo do Senhor apareceu em sonho e lhe disse: levanta-te, toma contigo o menino e sua mãe, e foge para o Egito”. (Mateus 2:13) José acreditou no aviso e partiu. Neste exemplo, vemos que José considerou o sonho. Levou-o a sério. Este é o primeiro traço importante para voltar a ter este tipo de sonhos: deve-se acreditar que eles são possíveis e leva-los a sério (isto não quer dizer que devemos sempre fazer o que aparece nos sonhos). O fato de a pessoa não acreditar nesta potencialidade dos sonhos faz com que a chance destes sonhos acontecer fique muito restrita. O segundo traço importante é a abertura interior para receber este tipo de mensagem.

            Paulo se ligou a um grupo de estudos espirituais, começou a estudar e estava sinceramente tentando se transformar. Um dia ele sonhou e neste sonho ele se via junto a uma pessoa estudando, e a pessoa comenta que ele estava atrasando sua transformação porque estava com vergonha das pessoas conhecerem suas novas idéias e atitudes. Depois desta lição noturna, Paulo conseguiu finalmente avançar em seus estudos. A este tipo de sonho damos o nome de Bem Sonhar. O terceiro traço importante para Bem Sonhar é o envolvimento. Neste caso se enquadram os que estão envolvidos com alguma coisa de valor mais elevado ou espiritual, que estão estudando ou estão pesquisando algo importante para a comunidade, estão vivenciando um determinado tema de vida.

            Maria ia se casar. Sua felicidade só não era completa porque seus pais já haviam falecido e ela estava com muita saudade deles. Naqueles dias, ela rezou várias vezes pensando nos pais. Uma noite ela sonhou com eles e uma voz lhe dizia que eles estavam bem e felizes com ela. Depois deste sonho Maria casou em felicidade completa. Neste relato de sonho temos o quarto traço: valores. É mais fácil ter este tipo de sonhos quando estamos sintonizados com altos valores morais e espirituais.

            Pedro era um homem justo. Estava tendo problemas na sua firma e não queria demitir ninguém sem antes saber quem era o culpado. Passou a observar atentamente o que acontecia, mas não conseguia chegar a nenhuma conclusão. Envolvido com o problema, sonhou que entrava em uma casa e descobria que ela era muito antiga. Ao entrar numa sala se assustou com o luxo. No outro dia Pedro resolveu visitar a casa dos suspeitos e dessa forma descobriu o culpado. O quinto traço: observação. Aqueles que observam o que acontece a sua volta e fazem o exercício de tentar entender a realidade conseguem mais facilmente Bem Sonhar.

            Crença, abertura interna, observação, envolvimento e valores, compõem a base principal para aqueles que querem desenvolver a arte do Bem Sonhar. Como recompensa somos ajudados a encontrar um caminho para nossas dificuldades.

 

 

Artigo 9

 

O Sonho da Humildade.

 

Autor: Regis Mesquita 

 

 

             Os sonhos na antiguidade eram tratados de forma extremamente séria. Entre os judeus ter um bom sonho, junto com ter um bom rei e ter um bom ano eram considerados os sinais para se saber se Deus os estavam abençoando. Havia entre eles até a crença de que se uma pessoa passasse sete dias sem lembrar de seus sonhos era porque Deus havia se esquecido dela.  Não era diferente nas regiões vizinhas à Judéia. Em todas elas havia a idéia de que Deus e os espíritos mandavam mensagens durante os sonhos.

            Conta-nos a Bíblia Sagrada (Daniel 1-5) que Nabucadonosor, rei da Babilônia era o homem mais poderoso do mundo. Certa feita teve um sonho e convocou os sábios do seu reino para decifrá-lo. Caso não decifrassem seriam mortos. Porém, para ter certeza de que iria ter uma interpretação correta exigiu que os sábios descobrissem primeiro qual era o sonho. Naturalmente foi uma mortandade de sábios, que só parou quando o profeta Daniel conseguiu descobrir qual era o sonho e sua interpretação.

            Nabucadonosor era prepotente, orgulhoso, não agia segundo a justiça, era esnobe, vaidoso. Possuía muitos traços comuns daqueles que possuem um poder ditatorial. E assim viveu orgulhoso de si e do seu poder até que um novo sonho o perturbou. O sonho: “havia uma árvore gigantesca bem no centro da terra. A árvore tornou-se grande e forte: sua copa chegava até o céu, e sua imagem, até as extremidades da terra. Sua folhagem era bela e seus frutos, abundantes: havia nela alimento para todos. Sob ela se abrigavam os animais dos campos, nas suas ramagens pousavam os pássaros do céu, e dela se alimentava toda a carne. ... e eis que descia do céu um Vigilante, um Santo. Ele gritou com voz forte: "Derrubai a árvore e cortai sua ramagem! Despojai-a de sua folhagem e joguem fora seus frutos! Que os animais fujam de debaixo dela, e os pássaros de sua ramagem! Mas deixem no chão o toco com suas raízes, com as correntes de ferro e bronze, no meio da grama do campo! Ela será banhada pelo orvalho do céu, e terá como herança a erva da terra com os animais. Seu coração será mudado para que não seja mais um coração de homem, e lhe será dado um coração de animal. Depois, sete períodos passarão sobre ela. A sentença se dá por decreto dos Vigilantes, e a questão por ordem dos Santos, para que os viventes reconheçam que o Altíssimo é soberano da realeza dos homens, que ele a dá a quem quer e exalta o mais humilde dos homens." (Daniel 9:7,14). Novamente Daniel foi chamado para interpretar o sonho. Com a coragem que lhe era costumeira avisou o poderoso rei que ele iria enlouquecer, que perderia seu trono e na sua insanidade iria viver como os animais em puro instinto. E que passados sete anos, quando finalmente aprendesse a lição da humildade ele poderia recuperar seu trono. Assim aconteceu e o poderoso rei assim descreveu sua lição: “Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, exalto e glorifico ao Rei do céu, porque todas as suas obras são verdade, e os seus caminhos justos, e pode humilhar os que andam na soberba” (Daniel 4:37).

            O rei poderoso e injusto aprendeu a lição. Tudo foi descrito pelo sonho antes que tudo acontecesse. Certamente, muitos outros sonhos ele deve ter tido, buscando alertá-lo para o caminho que estava seguindo. Esta é uma das mais importantes funções dos sonhos: nos alertar sobre desequilíbrios em nossas vidas.

De certa forma somos todos Nabucodonosor, tomamos decisões erradas, agimos por orgulho, vaidade, egoísmo e entramos em desequilíbrio. Mas Deus, em sua bondade, nos deu os sonhos para nos alertar e nos ajudar a buscar o equilíbrio e o justo caminho para a vida.

Podemos concluir que os sonhos são meios que a própria natureza humana utiliza para se auto-regular, a fim de permitir que o ser humano esteja em equilíbrio e tenha maior possibilidade de desenvolver, amadurecer e evoluir em sua missão de vida.

Como os antigos, devemos valorizar os sonhos. Como os antigos, devemos buscar aprender com os sonhos. Como modernos podemos utilizar os melhores recursos que o conhecimento psicológico nos coloca a disposição.

 

 

 

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