Roberto Gómes Bolaños, o "Chespirito".
Seu nome é Roberto Gomez Bolaños, um senhor que hoje tem 71 anos.
Ele é a mente criativa por trás do sucesso do Chaves e do Chapolin. É ele o baixote
de 1,60m que interpreta ambos os protagonistas das duas séries. Mas ele é mais conhecido
mesmo pelo apelido de Chespirito. Mas o que quer dizer Chespirito?
O diretor de cinema mexicano Agustín P. Delgado foi quem deu este apelido ao pequeno
Roberto. Chespirito é uma forma carinhosa de dizer que ele é um pequeno Shakespeare, por
causa do seu tamanho. (Shakespearito, que passado para o espanhol virou Chespirito).
Se Bolaños foi comparado com o William Shakespeare, alguma coisa de bom o pintor de rodapé
deve ter, né? E tem.
Chespirito chegou a concluir uma faculdade de Engenharia, mas graças a Deus nunca exerceu
a profissão. Por que, graças a Deus? Porra, o cara é escritor, publicitário, ator de cinema,
televisão e teatro, diretor, compositor e letrista de música popular e ainda tem tempo para
ser pai de seis filhos! Haja Chespirito pra tanto moleque!
Foi na década de 50 que o baixinho começou a aparecer no cenário artístico mexicano,
e daí ele não parou mais! Era programa para o rádio, roteiro para cinema e programas
para televisão, tudo ao mesmo tempo! Aliás, foi na TV que ele mais se destacou. Entre
1960 e 1965, dois programas estavam pau a pau pela disputa dos dois primeiros lugares
de audiência da televisão mexicana: 'Estudio de Pedro Vargas' e 'Cómicos y Canciones'.
Os dois eram de autoria de Bolaños. Chespirito estava tão em alta que até o prestigiado
comediante Mario Moreno, o Cantinflas, tinha aprovado uns roteiros para um programa que
ele estrelaria, escrito por Bolaños. Mas deu um enorme rolo com o patrocinador e a idéia
não vingou.
Chespirito ganhou um espaço só seu na emissora de TV TIM. Naquela meia hora,
só seriam transmitidos programas de sua autoria. E foi aí que ele começou a arriscar
alguns quadros como ator. Em 1970, depois do baita sucesso que os programas dele fizeram,
o espaço aumentou para uma hora, e aí surgiu o programa chamado "Chespirito": nele, tínhamos
vários sketches, nos quais apareciam muitos tipos criados por ele. O cara já estava bem mais
seguro como ator, e revelou uma veia cômica que nem ele sabia que tinha. E toda a galera que
povoa o seriado do Chaves já estava com ele, fazendo uma série de personagens variados. Foi
aí que surgiram dois personagens, que começaram a ganhar cada vez mais espaço dentro do
programa: Chapulín Colorado (Chapolin) e El Chavo Del Ocho (Chaves). Os dois fizeram um
sucesso tão grande que cada um acabou ganhando um programa só seu, com excelentes horários
durante a semana. Foi a glória. Aumentou-se o tempo, criaram-se novos personagens e a equipe
foi crescendo, crescendo, até se tornar o que conhecemos.
E o mercado internacional estava pronto para receber as obras de Chespirito de braços
abertos! E lá foram Chaves e Chapolin se espalhando pelo mundo, tomando de assalto nossos
lares e ocupando altos índices de audiência. Com a morte de Ramón Valdes, que interpretava
o Seu Madruga, e com o afastamento de Carlos Villagrán, que interpretava o Quico
(dizem as más línguas que por querer um espaço maior para seu personagem), os elencos
de Chaves e Chapolin perderam a força. Foi nesta época que se inventou uma viagem para o
Quico e que Seu Madruga desapareceu misteriosamente, dando lugar à velhota Dona Neves,
"biscavó" da Chiquinha". Nesta época também surgiu Jaiminho, o Carteiro, e Dona Florinda
abriu seu restaurante. Mas não adiantou, e Chaves e Chapolin tiveram seu fim.
A mesma equipe ainda tentou realizar outro êxito, o seriado 'Chómpiras'
(exibido durante algum tempo no Brasil pela CNT, com o nome de 'Chespirito').
Apesar de engraçado, o seriado não tinha o mesmo fôlego de seus antecessores, e
não atingiu o sucesso deles. Aos poucos, a equipe foi se separando, até que cada
um resolveu seguir seu próprio caminho. Edgar Vivár, que fazia o Seu Barriga e o
Nhonho, escreve alguns programas para TV e tem um circo com seu nome, onde vez por
outra faz apresentações como seus antigos personagens. María Antonieta de Las Nieves,
que fazia a Chiquinha e também a Dona Neves, também tem um circo só seu onde incorpora
suas antigas personagens. Carlos Villagrán também tem um circo onde mantém vivo o
personagem do Quico. Aliás, este circo esteve aqui há algum tempo, e Quico esteve no
Jô Soares e no Programa Livre. Se vocês tem boa memória, tentem sacar que o mesmo Quico
tentou emplacar um seriado no qual ele era o protagonista, lembram? Até passou um tempinho
aqui no Brasil, mas, pelo que deu pra perceber, também não convenceu. O Quico só é engraçado
quando está junto do Chaves e do Seu Madruga. Quico e Seu Madruga juntos formam a dupla mais
engraçada de todo o seriado!
Já o nosso querido Chespirito continua escrevendo programas, filmes e peças de teatro, e
é um artista bastante festejado e premiado. Ao seu lado, está a sempre amiga e esposa Florinda Meza,
que interpretava a Dona Florinda, e que sempre está envolvida nos projetos de autoria de seu
marido.
Chespirito, apelido que foi criado a partir de um carinhoso nome, Shakespirito, o Shakespeare baixinho...