No passado dia 24/06/2001, Maria Jos?ave comemorou cem anos de vida. Fomos ter com ela a uma festa magestosa promovida pela sua filha Maria de La Salete e o seu genro Manuel Santos Pinheiro. Toda a populacao das Castanheiras e parte de Peraboa, amigos e familiares estiveram presentes na comemoracao e que encheu por completo o largo da Casa do Povo. O programa do aniversario iniciou-se com a celebracao da missa solene na capela de Nossa Senhora de Lurdes pelo paraco Joao Saraiva Andre, a eucaristia foi acompanhada pelo coro daquela comunidade, logo depois seguiu-se o convivio entre todos os presentes e a saudosa confaternizacao entre os familiares que vieram de todos os pontos do pa?para a homenagem centenaria. Estiveram a acompanhar as celebracoes os meios de comunicacao regionais e nacionais. Estive presente e mais tarde em conversa com a Dona Maria Jose fiquei a saber de grandes historias que fizeram a historia na vida desta senhora, a sua surdez nao reflete a sua lucidez, com uma memoria prodigiosa, um autentico computador (disse a filha que nos ajudava na comunicacao), guarda promenores da sua vida que nos levam a viver o tempo dos seus acontecimentos, falou-nos da sua infancia em Peraboa, dos tempos de fome e amargura, lembra-se do tempo da 1 guerra mundial em que muitos homens perderam a vida a defender a Patria. A sua crenca religiosa fez-nos recordar momentos deliciosos como a alegria sentida nas festas do Santissimo, do Espirito Santo e do Coracao de Jesus, dos bailes e da sua primeira visita a Fatima aos 22 anos. Fui a Fatima duas vezes. viveu sempre da agricultura e recorda o ganhao (junta de bois que lavravam a terra), dos pais que lhe deram a educacao e uma vida tranquila. Casou aos 30 anos por ser muito exigente, como em tudo na vida, casou e foi viver para as Castanheiras onde teve 3 filhos: o Jose, o Manuel e a Maria de La Salete. Tem 30 afilhados, 4 netos e 2 bisnetos e o pai, recorda, tinha 63 afilhados. Entre algumas historias que nos colam ao acento para as ouvir atentantamente ate ao fim, a Dona Maria Jose n?esquece o seu primeiro meio tostao, foi a escava? videiras, os dinheiros, os reis e a miseria que as outras pessoas viviam, dizia maes choravam pelos filhos, falou-nos de um compadre viuvo e do seu filho que para se alimentarem comiam sopa de hortigas com sebo das ovelhas mortas pela doenca. O tempo e outro, chove menos e existe mais calor, comentou quando lhe sujestionei que falasse do tempo. - Ainda trabalha, e muito prendada: limpa a casa, descasca batatas, escolhe a roupa que quer vestir, faz rodilhas, parte lenha e ainda no outro dia enfiou uma agulha e cozeu-me uma meia que tinha jogado no lixo por estar rota. Comentou a filha. Encara a vida de um modo sabio e tudo o que diz e por nos respeitado e admirado. Aguardo a vinda da comadre. A sua saude recomenda-se apesar da sua ulcera no estomago. Uma biblioteca do sec.XX personificada na Dona Maria Jose Gomes mas que e conhecida por Maria Jose Nave. Carlos Roque |