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  • Heitor Villa-Lobos (1889-1959)

Compositor e maestro brasileiro, nasceu no Rio de Janeiro, filho de um músico amador, funcionário da Biblioteca Nacional. Desde cedo aprendeu piano e clarineta e aos 12 anos começou a tocar violoncelo em teatros, cafés e bailes. Também aprendeu violão e conviveu com os chorões (músicos populares que tocavam choros), que com suas canções de rua foram seus primeiros professores.

Sua formação de autodidata foi completada lendo e estudando as obras dos grandes mestres, tratados didáticos como o de d'Indy. Mas são o seu instinto e gênio, peculiar aos grandes mestres, e sua grande admiração por Johann  Sebastian Bach, a força que o impulsiona a compor. O conhecimento do folclore nacional viria também a ser de vital importância para a criação de sua monumental obra nacionalista.

Heitor viajou muito pelo interior do Brasil, fugindo de casa, da sua mãe, que queria que ele estudasse medicina. Nestas viagens coletou vasto material folclórico que viria a ser uma rica fonte para o amadurecimento do seu estilo nacionalista, apesar das suas primeiras composições serem influenciadas por Wagner, Puccini, Franck, compositores da virada do século, do alto romantismo e do impressionismo francês.

Entretanto, com as Danças Característica Africanas, para piano e com os bailados Amazonas e Uirapuru (1917), estas influências começaram a ser ignoradas. Em 1913, conclui a Prole do Bebê, para piano, o Noneto (1923), vocal e instrumental.

A Prole do Bebê são as três suites para piano de Villa-Lobos. A primeira, a mais importante e também a mais conhecida internacionalmente pelo trabalho de divulgação feito por Arthur Rubinstein (1886-1982), célebre pianista virtuoso, grande amigo e admirador incondicional de Villa-Lobos. Rubinstein incorporou a Prole do Bebê ao seu repertório e a executou nos melhores teatros e para as mais exigentes plateias, em programas com composições de Bach, César Franck,  Chopin e Liszt. Desta suite faz parte o Polichinelo, que é frequentemente executado isoladamente e também é bastante conhecido.

Atacado violentamente pela crítica da época, viaja para Paris (1923), juntando-se aos compositores vanguardistas Ravel, Falla, Varèse, Florent e Schmitt entre outros. Durante a permanência em Paris  compôs a extraordinária série dos Choros. Sua estada em Paris, mostra aos europeus sofisticados e intrigados, a arte selvagen, irracional e sensual deste novo compositor. A audição dos Choros, em Paris, revela a nova forma de composição musical, que agrupa variados gêneros musicais brasileiros.

Sua intensa admiriação por Bach manifesta-se em sua plenitude com sua obra mais famosas dos anos 1930-45, as Bachianas Brasileiras, para diversas formas de orquestras. Nesta série de nove obras, denominadas Bachianas Brasileiras, Villa-Lobos com inspiração eminentemente brasileira,  adaptou estas obras as formas barrocas, clássicas e contrapontísticas. A Bachianas N. 1 foi composta para orquestra de violoncelos;  N. 2 para orquestra e tem como tocata final O Trenzinho do Caipira; a N. 3 para piano e orquestra; a N. 4 para solo de piano ou orquestra; N. 5 para soprano e orquestra de 8 violoncelos, começa com a Cantilena, e é a mais conhecida nacional e internacionalmente;  N. 6 , camerística, para flauta e fagote; a N. 7 para orquestra; a N. 8 também para orquestra; a N. 9 para coro a cappella ou orquestra de cordas.

No Brasil, Villa-Lobos fez um trabalho de alta importância para a educação, durante a Revolução de 30, relativamente ao desenvolvimento do canto orfeônico. Nesta ocasião, lança o Guia Prático, extraordinária coleção de temas populares. Em 1932 é nomeado superintendente da Educação Musical no Estado do Rio. Faz um notável trabalho pedagógico, sem par, e em 1942 funda o seu Conservatório Nacional de Canto Orfeónico com a criação de inúmeros corais populares nas escolas. Neste período separa-se da sua primeira mulher e casa-se agora com Arminda Neves de Almeida, que viria a dirigir o Museu Villa-Lobos.

Villa-Lobos teve uma grande produção artistica, cerca de 1500 obras conseguindo realizar-se no espírito nacionalista que dominou sua época. Compôs 12 sinfonias, sendo a mais importante a N. 10, Sumé Pater Patrium, uma obra-prima. Poema sinfônicos, concertos para violino, violoncelo, piano; diversas peças para piano, numerosas melodias com acompanhaamentos de piano ou orquestra.

Sua produção operística é irregular: Izaht, Yerma e outras sem maior importância, num total de 5 óperas e 15 bailados. É nas Serestas para canto e piano, nas suas muitas canções que Villa-Lobos soube muito bem, melhor que ninguém, captar a alma da modinha brasileira. Sua obra pianística, impressionista, é importantíssima: Cirandas, no Ciclo Brasileiro e o virtuosismo de Rudepoema.

Cirandas, esta coleção de 16 peças para piano, inspiradas em motivos folclóricos tais como: Terezinha de Jesus; Fui no Tororó; Vamos atrás da Serra; Calunga; Pai Franciso; e outras joias do cancioneiro popular, nos transporta aos tempos da infância, com as crianças e as brincadeiras de roda.

Rudepoema, esta fantasia pianística (1921-26), obra violenta e inspirada, tem o objetivo de retratar a personalidade musical de seu amigo  e admirador Arthur Rubinstein,  pianista polonês  naturalizado americano que estudou com Barth e Paderewski e gozou de fama internacional.

As quatro suítes orquestrais Descobrimento do Brasil, os 12 Estudos e os 5 Prelúdios para Violão são certamente suas composições mais conhecidas, divulgadas, executadas pelo mundo afora. Mandu Çarará, para orquestra e coros mistos; a fantasia para piano e orquestra Momo Precoce; suas composições religiosas, as obras corais Missa de São Sebastião; Bendita Sabedoria; Magnificat Alleluia e Vidapura; uma Fantasia Concertante para orquestra de violoncelos; concertos para violão, violoncelo, piano e gaita de boca; muita música de câmara para as mais diversas formações.

Em 1945, Villa-Lobos fundou a Academia Brasileira de Música, cujos primeiros 50 membros ele mesmo designou. Em 1948, opera-se nos Estados Unidos de um cancer. Durante a década decorrida após esta operação, viajou regularmente para a França e ao Estados Unidos, países onde sua música encontrou grande sucesso, onde regeu importantes orquestras executando suas próprias composições.


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