Compositor e maestro brasileiro, nasceu no Rio de Janeiro, filho de um
músico amador, funcionário da Biblioteca Nacional. Desde cedo aprendeu piano e clarineta
e aos 12 anos começou a tocar violoncelo em teatros, cafés e bailes. Também aprendeu
violão e conviveu com os chorões (músicos populares que tocavam choros), que com suas
canções de rua foram seus primeiros professores.
Sua formação de autodidata foi completada lendo e estudando as obras dos
grandes mestres, tratados didáticos como o de d'Indy. Mas são o seu instinto e gênio,
peculiar aos grandes mestres, e sua grande admiração por Johann Sebastian Bach, a
força que o impulsiona a compor. O conhecimento do folclore nacional viria também a ser
de vital importância para a criação de sua monumental obra nacionalista.
Heitor viajou muito pelo interior do Brasil, fugindo de casa, da sua mãe,
que queria que ele estudasse medicina. Nestas viagens coletou vasto material folclórico
que viria a ser uma rica fonte para o amadurecimento do seu estilo nacionalista, apesar
das suas primeiras composições serem influenciadas por Wagner, Puccini, Franck,
compositores da virada do século, do alto romantismo e do impressionismo francês.
Entretanto, com as Danças Característica Africanas, para piano e com os
bailados Amazonas e Uirapuru (1917), estas influências começaram a ser ignoradas. Em
1913, conclui a Prole do Bebê, para piano, o Noneto (1923), vocal e instrumental.
A Prole do Bebê são as três suites para piano de Villa-Lobos. A
primeira, a mais importante e também a mais conhecida internacionalmente pelo trabalho de
divulgação feito por Arthur Rubinstein (1886-1982), célebre pianista virtuoso, grande
amigo e admirador incondicional de Villa-Lobos. Rubinstein incorporou a Prole do Bebê ao
seu repertório e a executou nos melhores teatros e para as mais exigentes plateias, em
programas com composições de Bach, César Franck, Chopin e Liszt. Desta suite faz
parte o Polichinelo, que é frequentemente executado isoladamente e também é bastante
conhecido.
Atacado violentamente pela crítica da época, viaja para Paris (1923),
juntando-se aos compositores vanguardistas Ravel, Falla, Varèse, Florent e Schmitt entre
outros. Durante a permanência em Paris compôs a extraordinária série dos Choros.
Sua estada em Paris, mostra aos europeus sofisticados e intrigados, a arte selvagen,
irracional e sensual deste novo compositor. A audição dos Choros, em Paris, revela a
nova forma de composição musical, que agrupa variados gêneros musicais brasileiros.
Sua intensa admiriação por Bach manifesta-se em sua plenitude com sua
obra mais famosas dos anos 1930-45, as Bachianas Brasileiras, para diversas formas de
orquestras. Nesta série de nove obras, denominadas Bachianas Brasileiras, Villa-Lobos com
inspiração eminentemente brasileira, adaptou estas obras as formas barrocas,
clássicas e contrapontísticas. A Bachianas N. 1 foi composta para orquestra de
violoncelos; N. 2 para orquestra e tem como tocata final O Trenzinho do Caipira; a
N. 3 para piano e orquestra; a N. 4 para solo de piano ou orquestra; N. 5 para soprano e
orquestra de 8 violoncelos, começa com a Cantilena, e é a mais conhecida nacional e
internacionalmente; N. 6 , camerística, para flauta e fagote; a N. 7 para
orquestra; a N. 8 também para orquestra; a N. 9 para coro a cappella ou
orquestra de cordas.
No Brasil, Villa-Lobos fez um trabalho de alta importância para a
educação, durante a Revolução de 30, relativamente ao desenvolvimento do canto
orfeônico. Nesta ocasião, lança o Guia Prático, extraordinária coleção de temas
populares. Em 1932 é nomeado superintendente da Educação Musical no Estado do Rio. Faz
um notável trabalho pedagógico, sem par, e em 1942 funda o seu Conservatório Nacional
de Canto Orfeónico com a criação de inúmeros corais populares nas escolas. Neste
período separa-se da sua primeira mulher e casa-se agora com Arminda Neves de Almeida,
que viria a dirigir o Museu Villa-Lobos.
Villa-Lobos teve uma grande produção artistica, cerca de 1500 obras
conseguindo realizar-se no espírito nacionalista que dominou sua época. Compôs 12
sinfonias, sendo a mais importante a N. 10, Sumé Pater Patrium, uma obra-prima. Poema
sinfônicos, concertos para violino, violoncelo, piano; diversas peças para piano,
numerosas melodias com acompanhaamentos de piano ou orquestra.
Sua produção operística é irregular: Izaht, Yerma e outras sem maior
importância, num total de 5 óperas e 15 bailados. É nas Serestas para canto e piano,
nas suas muitas canções que Villa-Lobos soube muito bem, melhor que ninguém, captar a
alma da modinha brasileira. Sua obra pianística, impressionista, é importantíssima:
Cirandas, no Ciclo Brasileiro e o virtuosismo de Rudepoema.
Cirandas, esta coleção de 16 peças para piano, inspiradas em motivos
folclóricos tais como: Terezinha de Jesus; Fui no Tororó; Vamos atrás da Serra;
Calunga; Pai Franciso; e outras joias do cancioneiro popular, nos transporta aos tempos da
infância, com as crianças e as brincadeiras de roda.
Rudepoema, esta fantasia pianística (1921-26), obra violenta e inspirada,
tem o objetivo de retratar a personalidade musical de seu amigo e admirador Arthur
Rubinstein, pianista polonês naturalizado americano que estudou com Barth e
Paderewski e gozou de fama internacional.
As quatro suítes orquestrais Descobrimento do Brasil, os 12 Estudos e os
5 Prelúdios para Violão são certamente suas composições mais conhecidas, divulgadas,
executadas pelo mundo afora. Mandu Çarará, para orquestra e coros mistos; a fantasia
para piano e orquestra Momo Precoce; suas composições religiosas, as obras corais Missa
de São Sebastião; Bendita Sabedoria; Magnificat Alleluia e Vidapura; uma Fantasia
Concertante para orquestra de violoncelos; concertos para violão, violoncelo, piano e
gaita de boca; muita música de câmara para as mais diversas formações.
Em 1945, Villa-Lobos fundou a Academia Brasileira de Música, cujos
primeiros 50 membros ele mesmo designou. Em 1948, opera-se nos Estados Unidos de um
cancer. Durante a década decorrida após esta operação, viajou regularmente para a
França e ao Estados Unidos, países onde sua música encontrou grande sucesso, onde regeu
importantes orquestras executando suas próprias composições.