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10-08-2002
SONDAGEM
Código do Trabalho beneficia patrões
A ESMAGADORA maioria dos portugueses (69,6%) considera que o Código do Trabalho agora proposto pelo Governo beneficia mais os patrões.
De acordo com uma sondagem EXPRESSO / Rádio Renascença / Eurosondagem, apenas 9,1% dos inquiridos pensam que o código irá beneficiar mais os trabalhadores.
Os portugueses apresentam-se divididos quanto à possibilidade desta reforma das leis laborais aumentar a produtividade: 40,2% acreditam que sim e 40,8% dizem que não.
Relativamente a algumas das novidades do documento de Bagão Félix, os inquiridos manifestam também opiniões distintas, ora rejeitando a proposta ora apoiando as ideias do ministro da Segurança Social e do Trabalho.
No primeiro caso está a criação de duas novas causas para o despedimento - as baixas fraudulentas e os atrasos reiterados ao trabalho. Mais de metade (50,6%) opõem-se a esta medida, que, no entanto, tem o apoio de 42,1%.
Em contrapartida, os portugueses colocam-se ao lado do ministro quando inquiridos sobre o princípio de se ter direito a mais dias de férias por ano (até um máximo de três) como um incentivo à assiduidade: 65,4% concordam, enquanto apenas 24,1% dizem que não.
Estas percentagens aumentam ligeiramente quando a pergunta se refere à proposta de gozo dos feriados à segunda-feira, para evitar as «pontes», sistema que também faz transitar o feriado quando este calha ao fim-de-semana. Esta novidade do Código do Trabalho recebe o apoio de 65% dos inquiridos e é rejeitada por 25,5%.
O anteprojecto do Código do Trabalho tem 687 artigos que reúnem toda a legislação laboral. Foi aprovado em Conselho de Ministros e apresentado aos parceiros sociais em Julho passado, seguindo-se agora um período negocial de três meses.
Isabel Lopes
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Ficha técnica - Julho 2002 |
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A sondagem, realizada pela Eurosondagem para o EXPRESSO e Rádio Renascença, foi efectuada nos dias 24 a 26 e 29 e 30 de Julho de 2002 e teve por objecto a intenção de voto e 23 perguntas de carácter geral. O universo é a população com 18 anos ou mais, residente em Portugal Continental e habitando em lares com telefone.
A amostra foi estratificada por Região - Minho, Douro Litoral e Trás os Montes (21,1%), Área Metropolitana do Porto (12,6%), Beiras, Estremadura e Ribatejo (30,4%), Área Metropolitana de Lisboa (26,3%), Alentejo e Algarve (9,6%). Foram efectuadas 1454 tentativas de entrevistas telefónicas, sendo que 27,5% (400) recusaram responder.
A escolha do lar foi aleatória nas listas telefónicas e entrevistado, em cada agregado familiar, o elemento que fez anos há menos tempo.
Desta forma resultou em termos de sexo: feminino 51,5% e masculino 48,5%; e no que concerne à faixa etária: dos 18 aos 25 anos 14,6%; dos 26 aos 35 anos 19%; dos 36 aos 45 anos 19%; dos 46 aos 59 anos 21,9%; e mais de 60 anos 25,5%. O erro máximo da amostra é de 2,5%, para um grau de probabilidade de 95%.
Nota: a diferença para 100% corresponde às respostas Não sabe/não responde e Indiferentes. As percentagens apresentados são arredondadas à unidade.
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