
24-04-2002
25 DE ABRIL - A Revolução dos Cravos
O dia 25 de Abril de 1974 representa um marco fundamental na história de Portugal contemporâneo. O imobilismo de um regime ultrapassado originou uma revolução sem sangue e com cravos.
O dia 25 de Abril de 1974 representa um marco fundamental, não apenas na história de Portugal contemporâneo, mas em toda a história da nacionalidade.
Com a Revolução dos Cravos não só se fecha o ciclo imperial iniciado com a expansão marítima no século XV, como se abre a via de integração numa nova entidade política em crescimento - a União Europeia.
Portugal em 1974 era um país atrasado, afastado do contexto das nações, o último país europeu a manter as colónias e a braços com guerras de libertação em Angola, Moçambique e Guiné.
O «eterno» chefe de Governo, Oliveira Salazar, foi incapaz de acompanhar a evolução dos tempos e compreender a legitima aspiração dos povos em comandarem os seus próprios destinos.
O imobilismo do regime faria com que só a estabilização militar fosse requerida recaindo, assim, o peso da guerra e o seu fracasso sobre os militares.
Uma vez no ponto de rotura, o regime decidiu cativar novos quadros militares permanentes, mas fê-lo com desprezo pelos direitos adquiridos e foi essa uma das questões que deu origem ao Movimento dos Capitães.
Entre Setembro de 1973 e Abril de 1974 o Movimento alargou-se, marcou os seus objectivos e saiu à rua acabando por ser apoiado pelo povo, passado o primeiro momento da descrença.
Não foi fácil nem linear a implantação do regime democrático num país vítima de quase meio século de ditadura. A cegueira colonialista do regime autoritário impediu uma transição sem sobressaltos revolucionários radicais para uma democracia parlamentar.
E facilitou a rápida ascensão dos principais grupos oposicionistas, nomeadamente, comunistas e socialistas, os únicos em condições de preencherem o súbito vazio político-ideológico criado, já que os liberais se ressentiam da insipiência das tentativas até então feitas para se organizarem, e a direita conservadora pagava o preço do seu total compromisso com o regime derrotado.
Visto à distância, pode parecer incrível que um movimento de quadros intermédios das Forças Armadas possa ter feito cair em poucas horas e sem derramamento de sangue um regime autoritário e opressivo, mas a explicação está em que os quadros que fizeram a Revolução conheciam e comandavam os seus homens, o regime estava apodrecido e a adesão popular foi quase imediata.
Consumado o golpe de estado, os militares publicaram de imediato o «Programa do Movimento das Forças Armadas» que passou a ser o texto fundamental, que marcou o sentido da revolução, os seus limites e os seus objectivos.
Nos dias que seguiram o 25 de Abril de 1974 dificilmente alguém conseguiria desconhecer os três «dês» - Democratizar, Descolonizar e Desenvolver - em que assentava o Programa do Movimento das Forças Armadas (MFA).
Naquele dia de Abril em vez de uma «conversa em família» do primeiro-ministro, Marcelo Caetano, a poucas horas de iniciar o seu exílio, os portugueses puderam ver e ouvir na televisão pública a Junta de Salvação Nacional que representava o poder nascido do derrube do Estado.
Passado mais de um quarto de século, os objectivos - os três «dês» - parecem atingidos: a democracia está solidamente implantada em Portugal, surgiram sete novos países de língua portuguesa e Portugal integra a União Europeia como membro de pleno direito.

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