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Felipe
M. Guerra
(continuação)
Então chegava a hora de cumprir o acordo e
fazer "O Massacre da Serra Elétrica 2". A pressão da Cannon era imensa
(eles queriam retirar, neste último filme, o lucro que os dois anteriores
não conseguiram). Para se certificar de que Hooper faria tudo certinho,
dentro da sua visão de cinema "popular", Golam e Globus vigiaram o diretor
de perto, passando o maior tempo da filmagem no set, pressionando o
cineasta. Meteram o bedelho em tudo, mudaram a história, forçaram a
refilmagem de cenas e a retirada de outras do corte final. O resultado: a
palhaçada que ficou.
Não que o projeto pudesse sair alguma coisa
que prestasse, pois desde o começo Hooper já queria seguir pelo rumo da
comédia e do esculacho. A desculpa do diretor foi dizer que o primeiro
filme, o clássico, a obra-prima do horror, também era uma comédia de humor
negro, mas ninguém entendeu (realmente, achei muito engraçada a cena da
mocinha pendurada no gancho de açougue, ou a do paralítico serrado para
churrasco!). Assim, segundo o próprio Hooper, tudo que ele fez foi
aumentar o humor negro do primeiro filme. Ahãm, sei...
Mas não tinha como sair boa coisa de um
roteiro fraco como este que Tobe Hooper filmou. Tirando algumas
referências ao primeiro filme, o que restou é uma autêntica refilmagem,
que repete muitas das cenas do original (talvez por pressão dos
produtores, que queriam de volta o que tinha dado certo no primeiro
filme). E tudo aquilo que o clássico apenas sugeria (a violência
implícita, encoberta nas sombras ou off-screen) aqui é atirado na
cara do espectador de forma grosseira, com um excesso de sangreira e
mutilações violentas, criadas pelo mestre Tom Savini em sua melhor forma!
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As filmagens de "O Massacre da Serra
Elétrica 2" foram no primeiro semestre de 1986. O orçamento sofreu cortes
severos: Hooper contava com apenas 4,7 milhões de dólares para fazer a
seqüência de sua obra-prima. O roteiro do texano L.M. Kit Carson é enxuto
e até tenta criar algumas situações diferentes, mas tudo parece esbarrar
na gozação e na produção barata. Complica, também, o fato de Carson não
ser um roteirista de "horror": seu roteiro anterior foi para o dramático
"Paris, Texas" (de Win Wenders), em 1984.
Como o primeiro, "O Massacre da Serra
Elétrica 2" começa com uma tétrica narração (que viraria marca registrada
da série), introduzindo os elementos da história:
"Na tarde de 18 de agosto de 1973, cinco
jovens em uma perua Volkswagen ficaram sem gasolina, em uma estrada no sul
do Texas. Quatro deles nunca mais foram vistos. Na manhã seguinte, Sally
Hardesty-Enright, a única sobrevivente, foi encontrada na beira da
estrada, ensangüentada e gritando 'Mortos!'. Sally disse que havia saído
do inferno por uma janela. Ela contou uma história maluca: uma família de
canibais, em uma casa de fazenda isolada... dedos e ossos serrados... seu
irmão e amigos retalhados... cadeiras feitas de ossos humanos. Logo após,
ela entrou em estado de choque. Foi dada uma busca de um mês, mas não foi
encontrada nem a casa, nem assassinos, nem vítimas. Não houve evidência.
Não houve crime. Oficialmente, nos arquivos, O Massacre da Serra Elétrica
nunca ocorreu. Mas, nos últimos 13 anos, repetidos relatos de assassinatos
com serra elétrica, dos mais bizarros, têm persistido por todo o estado do
Texas. O Massacre da Serra Elétrica não terminou. A idéia ainda assombra o
Texas. Parece nunca ter fim..."
A idéia de os assassinos e as vítimas nunca
terem sido encontrados é interessante, pois transforma os acontecimentos
do filme anterior em uma "lenda urbana", ou seja, algo que todos já
ouviram, mas poucos realmente acreditam e ninguém tem como provar que
realmente aconteceu.
Estamos em 1986, em Dallas, no Texas, num
final de semana onde uma torcida ensandecida está se preparando para ver a
final de uma importante partida de futebol americano, entre as
universidades do Texas e de Oklahoma. Dois jovens dirigem pela estrada em
sua veloz Mercedes, rumo à cidade, bêbados e alegres, atirando em sinais
de trânsito e caixas de correio, ao mesmo tempo em que escutam, no rádio,
a DJ Stretch (Caroline Williams).
Logo, Rick e Buzz resolvem infernizar a
vida da DJ, ligando de seu telefone móvel para falar obscenidades à moça.
Entretanto, quando ainda estão conectados ao vivo, os dois jovens cruzam
com uma caminhonete em uma ponte. Ela segue a Mercedes em marcha a ré
(!!!) e uma figura macabra aparece na traseira, segurando uma enorme
motosserra. É Leatherface (interpretado por Bill Johnson), que usa a
lâmina para serrar a cabeça do motorista no meio, provocando um acidente
em alta velocidade. Na emissora de rádio, Stretch escuta tudo pelo
telefone.
continua >>>
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