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Felipe
M. Guerra
(continuação)
O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA
    
"O filme que verão é baseado na tragédia
que assolou um grupo de cinco jovens, especialmente Sally Hardesty e seu
irmão inválido, Franklin. Foi mais trágico devido ao fato de serem jovens.
Mas se eles tivessem vivido, jamais teriam esperado ou desejado ver o que
veriam naquele dia. Para eles, um simples passeio de domingo à tarde
transformou-se em um pesadelo. Os acontecimentos daquele dia guiaram o
desfecho de um dos casos mais bizarros da história norte-americana: O
MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA."
Assim começa aquele que é,
indiscutivelmente, um dos grandes clássicos do cinema de horror. Você pode
conversar com dez pessoas e, mesmo que oito não tenham visto o filme, com
certeza já ouviram falar nele. O título é tão citado em outros filmes, dos
mais diferentes gêneros, e até em piadas e jogos de videogame, que a obra
acabou se transformando em "cultura pop".
A horripilante narração no início do filme
é feita por John Larroquette, sem fundo musical, com letreiros sobre um
fundo preto, falando sobre os tais “crimes da serra elétrica do Texas”,
que teriam acontecido em 1973, como se fosse um fato real - coisa que os
italianos adoravam fazer em seus filmes sobre canibalismo -, mas, na
verdade, é tudo ficção mesmo. Larroquette anuncia: "O crime é ainda
mais chocante porque as vítimas eram jovens".
Depois, o diretor/roteirista Tobe Hooper,
praticamente em sua estréia cinematográfica, filma uma assustadora e
absolutamente genial abertura com flashes de máquina fotográfica... A
escuridão da tela provoca arrepios no espectador, que ouve sons estranhos
mas nada vê - algo que, quase 30 anos depois, seria usado também
inventivamente em "A Bruxa de Blair". Aos poucos, flashes
fotográficos vão iluminando detalhes de um corpo em decomposição... A cena
vai crescendo em intensidade até que uma voz radiofônica ao fundo fala
sobre vandalismos em um cemitério do interior do Texas. É o fim de
qualquer sutileza. Um cadáver aparece sentado sobre uma lápide, como se
Hooper estivesse falando diretamente ao espectador: “Apertem os cintos,
agora começa a viagem direto ao inferno”. O uso dos flashes
fotográficos ficou tão bom que foi copiado na abertura das partes 3 e 4,
sem bons resultados, obviamente.
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O fato do filme inteiro ter sido rodado em
16 milímetros e depois ampliado é uma qualidade, e não um defeito. Fica
aquela estética de filme amadorzão, caseiro, que dá um ar de realidade, de
documentário ao filme, tornando-o ainda mais assustador. Acredito que, se
tivesse sido filmado hoje, com câmera digital, imagem limpinha,
enquadramentos OK, iluminação perfeita, perderia este mesmo impacto. E a
produção baratíssima (míseros 140 mil dólares) ajuda a dar o tom de
pobreza, forçando os produtores a usarem criatividade para driblar a falta
de recursos.
A história é o feijão com arroz de sempre,
mostrando aquele velho passeio inocente que termina em pesadelo -
argumento emprestado por Wes Craven no posterior "Quadrilha de Sádicos",
que também tem uma família de canibais. Cinco jovens vão passear em uma
van pelo interior do Texas e cruzam com uma família de doidos canibais, em
algo vagamente inspirado no caso do serial killer americano Ed Gein - o
malucão que usava roupas e máscaras feitas com pele de cadáveres.
A personagem central da trama é Sally
Hardesty (Marilyn Burns), que está levando na viagem o irmão paralítico,
Franklin (Paul A. Partain), o namorado Jerry (Allen Danziger) e o casal de
amigos Kirk (William Vail) e Pam (Terry McMinn). O filme se desenvolve
lentamente, jogando as informações aos poucos para o espectador.
Hooper faz um bom aproveitamento do Texas
como cenário árido e selvagem. Até um bêbado atirado no chão o diretor
consegue deixar assustador, quando o velho se contorce e, olhando para a
câmera, diz: "Eles acham que eu sou louco, mas eu vi tudo! Eu vi tudo!",
referindo-se à profanação no cemitério.
Durante a viagem - que tem como destino a
velha casa de campo da família de Sally e Franklin -, a van com os cinco
jovens passa por uma estrada deserta, cenário que depois seria utilizado
em muitos outros filmes de horror - de "A Morte Pede Carona" a "Olhos
Famintos". Ali, eles cometem o erro fatal de dar carona a um estranho, o
maluco "Caroneiro" anônimo (Edwin Neal), que revela-se um psicopata.
Ex-trabalhador de matadouro, o Caroneiro se diverte mostrando fotos de
gado esquartejado para os amigos. Mas logo revela sua verdadeira natureza,
cortando a própria mão violentamente e apunhalando Frank no braço, antes
de ser expulso do veículo.
continua >>>
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