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Massacres no Texas

Felipe M. Guerra

(continuação)

Cruzando o Texas, entre papos imbecis sobre maconha e sexo e uma intimação de Erin para Kemper sobre casamento, o grupo passa por uma moça que anda cambaleando pela estrada de chão, como se estivesse perdida. Param e lhe oferecem carona, mas a mulher não fala coisa com coisa, como se tivesse passado por um trauma terrível. Mesmo assim, os cinco jovens resolvem lhe dar carona. Dentro da van, a "Caroneira" (sentiu a referência ao filme original?) começa a falar coisas sem sentido, dizendo que toda a sua família foi morta. Quando passam por um velho matadouro, a garota fica histérica e grita que "não quer voltar para lá". Quando Kemper se recusa a voltar, ela tira um revólver que trazia enfiado no meio das pernas (ui!) e se mata com um tiro na cabeça. E a câmera de Nispel faz questão de passar por dentro do buraco, em um divertido movimento de câmera.

Desesperados com a situação, os cinco jovens resolvem procurar o xerife para explicar todo o caso. Afinal, levam um cadáver com a cabeça explodida no banco de trás de sua van! Parando em uma loja que vende carne para churrasco (outra citação ao original), eles descobrem que o homem da lei está em um velho moinho. Como vai demorar para voltar, resolvem ir até lá, levando o cadáver no banco de trás. No moinho, entretanto, eles encontram tudo, menos o xerife. Ali há vários carros abandonados e até dentes humanos espalhados pelo chão - mas nenhum dos jovens chega a desconfiar disso por um momento.

Erin e Kemper resolvem ir até uma casa próxima em busca de um telefone para ligar para o xerife, deixando os amigos para trás. Na tal casa vive a família Hewitt. O casal é atendido por um velho aleijado e furioso, em uma cadeira-de-rodas, que permite apenas que Erin entre na casa para fazer o telefonema, deixando seu namorado do lado de fora. Mas o bisbilhoteiro Kemper resolve entrar na casa mesmo assim. E, ao passar por um corredor escuro, descobre, da pior forma possível, que está no lar de Leatherface, ao ser atingido brutalmente na cabeça com uma marretada. A cena recria a primeira morte do filme original, onde Kirk (William Vail) era abatido dessa forma, mas não consegue atingir o mesmo nível de brutalidade e choque do filme de 1974.

Enquanto o cadáver de Kemp é arrastado para o porão escuro por Leatherface (o marombeiro Andrew Bryniarski, filho de Christopher Walken em "Batman Returns" e intérprete do russo Zangief na bomba "Street Fighter 2"), Erin sai achando que o namorado voltou para a van. E naquele momento, o trio que ficou para trás recebe a visita do esquisito xerife (interpretado pelo veterano R. Lee Ermey, que praticamente repete seu papel de psicopata do clássico "Nascido Para Matar", de Stanley Kubrick). Falando dezenas de palavrões por segundo e de um jeito durão e neurótico, o xerife obriga Andy e Morgan a embalarem o cadáver da caroneira suicida com plástico, embarcando-o depois em sua viatura e deixando o grupo para trás. É quando aparece Erin e o grupo se espanta ao saber que Kemper está sumido. Eles voltam à casa, e então finalmente se deparam com Leatherface e sua motosserra.

E assim o filme avança praticamente recriando o filme original, com parte do elenco sendo picotada pela motosserra de Leatherface e a outra parte descobrindo que não dá para confiar nos moradores do Texas, pois a maioria das pessoas que encontram são parte integrante da família Hewitt. No programa, ainda, muita tortura psicológica, incluindo uma cena de forte suspense onde o xerife psicopata tenta obrigar uma de suas vítimas a explodir a própria cabeça com um revólver.

Quem conhece o original sabe que a maior parte da violência é implícita, ainda que o filme seja violentíssimo. Já o remake apela para a sangreira e para a brutalidade gratuitas. Há doses cavalares de sangue e cenas fortes, como o jovem que tem a perna serrada no meio por Leatherface ao tentar escapar; depois, ele é arrastado ainda vivo para o porão, tenta se agarrar nas paredes e tem as unhas arrancadas no atrito! O nível de sadismo também é maior, com o tal jovem sendo pendurado no gancho de carne (como Pam do filme original) e ainda tendo que agüentar Leatherface passando sal grosso no toco da perna decepada! Sem limites para a brutalidade, o diretor Nispel chega a filmar closes do gancho de carne entrando e saindo das costas do rapaz! Também foi quintuplicada a violência na cena do esquartejamento de um dos rapazes para virar "churrasco". Se no filme original víamos Leatherface serrando sua vítima "off-screen", aqui presenciamos toda a preparação do esquartejamento, como se o rapaz fosse um animal tipo um porco ou um boi, sendo inclusive barbeado antes de acabar pendurado nos ganchos de carne.

Se há mais violência, por outro lado desapareceram todas as referências a canibalismo (ninguém comenta o assunto abertamente e nem há a famosa cena do jantar que caracteriza os outros quatro filmes). E o roteiro logo se revela um grande fiasco, repleto de idas e vindas sem cabimento, partindo do nada para o lugar nenhum e acabando de forma totalmente inverossímil.

 

continua >>>
 

 

 

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