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Felipe
M. Guerra
(continuação)
O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (remake / 2003)
  
Fã irredutível do filme original, fui um dos maiores críticos quando a
refilmagem de "O Massacre da Serra Elétrica" foi anunciada, no começo de 2003.
Ainda mais quando surgiram os boatos dizendo que Michael Bay (diretor de
"Armageddon" e "Pearl Harbor") estava envolvido na produção e um iniciante diretor
de videoclipes, Marcus Nispel (um alemão de 38 anos), tinha assinado para
"cometer o crime" de dirigir o remake. E as notícias continuaram me deixando com
um pé atrás, como o elenco de caras bonitinhas contratado para os papéis
principais, o fato de Leatherface acabar na pele de um halterofilista (e não de
um gordo escroto como o Gunnar Hansen, no original) e as críticas negativas que
o filme recebeu na imprensa internacional - apesar de ser um sucesso de
bilheteria.
Para piorar, o filme foi lançado em DVD e VHS nos Estados Unidos em janeiro de
2004, quando nem tinha estreado no Brasil ainda. E a estréia por aqui foi
chutada lá para 13 de agosto para a Europa Filmes, aumentando ainda mais a
expectativa. Odeio ver filmes no computador, mas no caso do remake de "O
Massacre da Serra Elétrica" estava tão curioso que não agüentei e mandei vir o filme.
Assisti com uma imagem péssima, super escura e granulada, que não permite
distinguir direito algumas coisas, mas pelo menos tinha legendas em português. E
cheguei a uma conclusão quanto ao filme...
Tudo bem, está bem longe de ser a bomba que eu esperava. Na verdade,
"O Massacre da Serra Elétrica" versão 2003 é um bom filme. A violência do original não foi
atenuada, pelo contrário, foi explicitada. O elenco jovem come o pão que o diabo
amassou. E as cenas mais fortes do original (vítima espetada no gancho de carne,
Leatherface surgindo com a motosserra, marretada na cabeça) continuam todas ali.
Infelizmente, o grande problema do filme é justamente a produção (muito
caprichada, se compararmos com o estilo "documentário" do original, rodado com
uma verdadeira mixaria) e o roteiro, péssimo, que começa bem, mas acaba se
perdendo em idas e vindas totalmente desnecessárias...
Em comparação, vamos dizer que "O Massacre
da Serra Elétrica" original é uma
verdadeira viagem ao inferno, onde quase acreditamos que os atores-vítimas estão
sofrendo mesmo e que os atores-algozes são verdadeiros psicopatas. Já "O
Massacre da Serra Elétrica" remake não passa de uma volta no trem-fantasma de um parque de
diversões: dá seus sustos e diverte, mas no geral é bobo e nada memorável
(alguém lembra detalhes de algum trem-fantasma em que já andou?).
O diretor Marcus Nispel teve alguns acertos, como convidar Daniel Pearl, o
diretor de fotografia do original, para repetir o serviço na refilmagem. E
também chamou de volta o ator John Larroquette para narrar o tétrico texto de
abertura, a exemplo do que ele havia feito no clássico de 1974. Ao contrário de
todos os outros filmes da série, onde o texto explicando a história é mostrado
em letras sobre um fundo preto e narrado, aqui só há a narração, enquanto
imagens feitas em preto-e-branco, com câmera amadora, supostamente nos anos 70,
mostram policiais recolhendo cadáveres e evidências da "cena do crime" - tudo
para enfatizar tratar-se de uma história real, o que todo mundo sabe que não é
verdade. Assim é o novo texto deste remake:
"O filme que vocês verão é baseado na tragédia que se abateu sobre um grupo de
cinco adolescentes. Foi ainda mais trágico pelo fato de eles serem jovens. Mas
se eles tivessem vivido, jamais esperariam ter visto toda a loucura e o macabro
que viram naquele dia. Para eles, um simples final de tarde foi o início de um
pesadelo. Por 30 anos, os arquivos acumularam pó na divisão de casos
não-resolvidos do Departamento de Polícia do condado de Travis, no Texas. Mais
de 1.300 evidências foram recolhidas na cena dos crimes, a residência da família
Hewitt. Mas nenhuma das evidências é mais marcante do que um secreto rolo de
filme feito na cena do crime. Os eventos daquele dia guiaram o desfecho de um
dos crimes mais bizarros dos anais da história americana: O MASSACRE DA SERRA
ELÉTRICA DO TEXAS!"
Ao invés de hippies inofensivos que estão andando em uma van para visitar o
cemitério e a velha casa da família (como no original), aqui temos cinco jovens
que foram ao México comprar maconha e estão indo rumo a um show da banda Lynyrd
Skynyrd (que, na vida real, morreu toda em um acidente aéreo, alguns anos depois).
Os jovens e "carne de churrasco em potencial" são Kemper (que é a cara do
apresentador Marcos Mion e aparece no seriado "Six Feet Under"), o motorista e
proprietário do veículo; sua namorada Erin (a gostosíssima Jessica Biel, de
"Regras da Atração", que não chega aos pés de Marilyn Burns como "scream queen" e
jamais convence), o casal Andy (Mike Vogel) e Pepper (Erica Leershen, de "A
Bruxa de Blair 2"), e Morgan (Jonathan Tucker, de "100 Garotas" e "As
Virgens Suicidas").
Ah sim: nenhum deles é paralítico, como o velho Franklin do filme original. Nem
tampouco há algum parentesco entre eles.
continua >>>
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