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Massacres no Texas

Felipe M. Guerra

(continuação)

Se Renée em nenhum momento passa a imagem de uma mocinha desamparada e que corre risco de vida, a pior interpretação, de longe, é a de McConaughey, que faz um tipo histérico, sempre gritando e querendo ser fodão e assustador, quando na verdade é o vilão mais caricatural e sem graça dos últimos tempos. Quando quer parecer assustador, ele arregala os olhos e começa a gritar, para vocês terem uma idéia da capacidade de interpretação do moço. Mas o pior é quando ele tem um faniquito e começa a se mutilar com uma faca (exatamente como o "Caroneiro" faz no filme original). Por tudo isso, eu simplesmente não consigo entender o que Kim Henkel tinha na cabeça ao fazer esse filme (talvez drogas pesadas), e como nenhum dos envolvidos percebeu a porcaria em que estavam se envolvendo. Até mesmo hoje o filme é um verdadeiro sinônimo de fracasso, e o mais criticado de toda a série - tanto que afundou de vez a franquia!

O filme é tão ruim que foi concluído em 1994, mas só lançado nos cinemas em 1997. Ele foi vendido à Columbia/Tri-Star, que cortou mais de 15 minutos de bobagens e cenas que estavam sobrando, lançando-o com o nome mudado para "The Texas Chainsaw Massacre: The Next Generation". A produtora levava tão pouca fé na obra que, além de lançá-la com anos de atraso (em 29 de agosto de 1997), ainda fez com que estreasse em apenas 15 cinemas... isso contando todos os Estados Unidos! O resultado: uma bilheteria irrisória, que não passou dos 300 mil dólares, e o filme não agüentou nem 15 dias em cartaz, sendo logo chutado para o lançamento em vídeo. Injustiça? Bem, considerando a ruindade do filme, acho que não.

Primeiramente, foi lançada a versão cortada, com o nome "The Next Generation". Algum tempo depois, as duas versões começaram a circular em VHS. A oficial, sem cortes, foi chamada "Return Of The Texas Chainsaw Massacre". Felizmente (ou infelizmente), a cópia lançada no Brasil é esta sem cortes. Ali estão cenas como o padrasto de Jenny tentando abusar dela, no início do filme (uma das seqüências cortadas pela Columbia na versão "The Next Generation"). Mas a única versão lançada em DVD nos States é a cortada. Na versão "The Next Generation", também, a história se passa em 1997, não em 1994, e a trilha sonora é totalmente diferente.

Outra história interessante dos bastidores é que o agente de Matthew McConaughey - que em 1997 já tinha certo nome em Hollywood, aparecendo em "superproduções" tipo "Tempo de Matar", de Joel Schumacher - tentou oferecer dinheiro para os produtores do filme, para que cancelassem o lançamento tardio nos cinemas, com medo de que Matthew saísse queimado (aparentemente, o próprio ator sabia o potencial de bomba do filme). Mas não saiu acordo e o filme foi para os cinemas mesmo, para o horror de todos os envolvidos, que até hoje devem ter vergonha de dizer que participaram da quarta parte de "O Massacre da Serra Elétrica"...

Ridículo, péssimo, mal filmado e editado, totalmente sem razão de existir, "O Massacre da Serra Elétrica - O Retorno" é um dos piores filmes que eu já vi, uma produção que jamais deveria ter sido realizada, nota zero! E até hoje não encontrei uma única alma que falasse bem dessa continuação... Nem mesmo os envolvidos nela - talvez nem o próprio Kim Henkel.

Às vezes eu gostaria que o mundo fosse um lugar menor. Porque aí, talvez, você pudesse dar uma volta na rua e encontrar, por exemplo, o próprio Kim Henkel passeando. E aí poderia chegar para ele, com a maior cara-dura, e perguntar: "Vem cá, cara, o que tu queria dizer com aquele filme?", e ainda dar uma corneteada. Pena que o mundo é tão grande. Ia ser realmente muito divertido cornetear o Henkel...


Curiosidades

• Kim Henkel sempre declarou que o filme era para ser uma continuação direta do original. Ele queria, também, trazer de volta os personagens do filme original, como o Cozinheiro (Jim Siedow) e o Caroneiro (Edwin Neal), mas não conseguiu acertar a participação deles na seqüência. Vilmer (Matthew McConaughey) seria, originalmente, o caroneiro, e W.E. (Joe Stevens) seria o Cozinheiro, se os dois atores originais tivessem concordado.

• Jim Siedow, o Cozinheiro dos dois primeiros filmes, não quis se envolver com esta seqüência. Os produtores lhe ofereceram até mesmo o papel de Vovô, mas ele recusou terminantemente.

• Os cartazes originais do filme são tão ridículos (uma mulher passando um batom em forma de motosserra, numa versão, e um travesti com uma motosserra, em outra), que a distribuidora nacional do filme resolveu utilizar um detalhe do cartaz de "Evil Dead 3" (a mão de motosserra do Ash) na capinha da fita lançada no Brasil.

• Como na Internet tem louco pra tudo, algum maluco criou uma página exclusivamente para "O Massacre da Serra Elétrica - O Retorno". Em http://www.angelfire.com/ca/tcm4, outros desvairados se reúnem para debater teorias sobre as imbecilidades mostradas no filme, tipo a identidade do misterioso Rothman. O pior é que mais de 127 mil pessoas já passaram por ali (até o dia em que eu entrei).

• A versão sem cortes, chamada "Return Of The Texas Chainsaw Massacre" (lançada no Brasil) tem 104 minutos de duração; a versão cortada lançada nos cinemas, rebatizada "The Texas Chainsaw Massacre - The Next Generation", tem 95 minutos.

• Robert Jacks, que interpreta Leatherface no filme, faleceu em 2001.

• Henkel confessou que já imaginava Leatherface como travesti ainda no primeiro filme, mas o diretor Tobe Hooper não gostou da idéia. E não foi só ele que não gostou...


O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA - O RETORNO

(Return of the Texas Chainsaw Massacre ou The Texas Chainsaw Massacre: The Next Generation, 1994, EUA)
Direção: Kim Henkel
Roteiro: Kim Henkel
Com: Renée Zellweger, Matthew McConaughey, Robert Jacks, Tonie Perensky, Joe Stevens, Lisa-Marie Newmyer e James Gale.
Duração: 95 minutos
Lançado em VHS pela Cannes Home Vídeo.
 

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