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Um dossiê de Felipe Guerra sobre a série Sexta-Feira 13

 

 

 

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Jason já foi para o inferno
(ou "como a cobiça enterrou uma série de sucesso")

Felipe M. Guerra

Momento de confissão: apesar de ser um adorador da série "Halloween", também acho muito divertidos os filmes da série "Sexta-feira 13". Não por acaso, foi com as aventuras de Jason Voorhees perseguindo adolescentes que tive minha iniciação no gênero horror - ainda lembro que os primeiros filmes de terror que vi, na tenra idade, foram "Um Lobisomem Americano em Londres" e "Sexta-feira 13 - Parte 4".

Mas, mesmo sendo um fã declarado da série, devo esclarecer que não gosto da maioria dos filmes. Na verdade, a maior parte dos nove títulos (o décimo em Janeiro de 2002) é tão ruim que acaba ganhando um charme todo especial. A cada seqüência a Lenda de Jason é mais deturpada e sua vingança se estende ao maior número possível de pessoas - até quando vai durar esta vingança, esta é uma boa pergunta. 

O que nos leva a pensar que nenhum personagem, nem mesmo Michael Myers (7 filmes), Freddy Krueger (7), Leatherface (4) ou até o boneco assassino Chucky (4), foi tão humilhado quanto o pobre Jason, cuja série acabou enterrada por produtores gananciosos que lançavam filme atrás de filme preocupados apenas com a bilheteria, e não com a qualidade de cada película.

Se o roteiro de "Sexta-feira 13 - Parte 1" tivesse caído nas mãos de John Carpenter, ao invés de ir parar com Sean S. Cunningham, será que não teríamos um filmaço como "Halloween" ?

É fácil colocar a culpa nos diretores, mas a verdade é que a série "Sexta-feira 13" teve um desfile dos mais medíocres nomes que um dia já foram chamados de "cineastas". O nível já começou baixíssimo com o horrível Cunningham - que produziu bobagens como "A Casa do Espanto" e dirigiu outras, como "O Abismo do Terror". Com Steve Miner a coisa melhorou um pouco (Parte 2) e piorou violentamente (Parte 3). Em seguida foi um desfile de inépcia criativa: Joseph Zito (de, argh!, "Invasão USA", com Chuck Norris), Danny Steinmann (o pior diretor dos anos 80), Tom MacLoughlin, John Carl Buechler, Rob Hedden e Adam Marcus (quem ?).

A verdade é que se o roteiro tivesse sido enviado a Carpenter, ele certamente iria abrir processo contra os produtores por plágio do seu "Halloween". Até não tanto pelo filme original, que tentava uma variação nos personagens e na motivação do assassino - todos sabemos que não é Jason o vilão, mas sim sua mãe, certo ?

Mas a partir da segunda parte, quando Jason é finalmente apresentado, temos um plágio constrangedor de "Halloween", e as novas informações que foram sendo adicionadas com o passar das seqüências só tornaram o personagem mais e mais parecido com Michael Myers, embora em um nível muito inferior e com menos "finèsse".

Vejam só que coincidência: os fatos traumáticos que transformaram tanto Michael quanto Jason em assassinos furiosos aconteceram na infância. Michael enlouqueceu no Halloween de 1963 e matou a irmã a facadas, enquanto Jason "afogou-se" nas águas da colônia de férias Crystal Lake em 1957, aos 11 anos de idade. Ambos nasceram em cidades pequenas: Michael em Haddonfield, e Jason em Wessex County (no Estado de Massachussets).

Os dois também têm a mesma fúria assassina: embora o alvo prioritário de Michael sejam os membros de sua família, ele mata quem aparece em seu caminho, assim como Jason, que tem preferência por assassinar moradores e visitantes de Crystal Lake, mas também mata quem vem pela frente. Tanto Michael quanto Jason preferem armas brancas, jamais utilizando armas de fogo - embora Michael tenha usado um rifle como lança para cravar uma vítima na parede, em "Halloween 4". Enquanto facas são a preferência de Michael, Jason opta pela variedade ao usar ferramentas diferentes para cada assassinato: flechas, arpões, dardos, lanças, facas, facões, machados, pedras...

Os dois assassinos também conseguem se virar consideravelmente bem quando estão desarmados: Michael e Jason têm força descomunal, sendo capazes de arrancar cabeças com socos, esmigalhar crânios e atravessar pessoas com as mãos. Brrrrrrr... E olha que eles não malham...

Jason era, aparentemente, retardado e deformado fisicamente - embora no primeiro filme ele pareça uma criança normal em uma cena de flashback, quando afunda no lago. Mas a hipótese de que fosse debilóide é reforçada por sua mãe no filme original, quando ela diz que os instrutores deveriam estar cuidando dele, porque era um "garoto especial". 

A mãe de Jason, Pamela Voorhees, era cozinheira na colônia de férias, e por isso, quando criança, ele passava muito tempo no local, quando aprendeu bastante sobre a região. Este conhecimento das redondezas do campo Jason guardou até a vida adulta, e usou para ficar sempre um passo a frente das vítimas que perseguia pela floresta.

Em 1957, o casal de instrutores que cuidava de Jason distraiu-se - na verdade, esconderam-se para transar - e o garoto desapareceu. Fortes evidências levaram os monitores a acreditar que ele havia se afogado, já que não sabia nadar. No ano seguinte, o desastrado casal de monitores foi assassinado.

A partir daí iniciou a "Lenda de Jason" e a do "Camp Blood", ou "Campo Sangrento". Todas as tentativas de reabrir a colônia de férias foram marcadas por sabotagens e acidentes. O local foi incendiado em 1961 e em 1962, nas vésperas da reabertura, a água foi misteriosamente contaminada. Isso fez com que Crystal Lake ficasse fechado até 1979, quando Steve Christie investiu na reabertura e mudou-se para lá com um grupo de rapazes e moças para reformar o local.
 

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