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Opinião: Halloween 9 [*]
Alexandre Sobrïno
(continuação)
Elemento 2:
Flashbacks ou personagem "linha-do-tempo"
Após oito filmes (e seis continuações diretas
do clássico original, todas produzidas pelo mesmíssimo Moustapha Akkad por
meio de sua companhia Trancas International Films), este editor acredita
que já esteja mais do que na hora dos produtores brindarem a audiência com
um bem-elaborado flashback ou, na impossibilidade (já que a
exibição de cenas de filmes anteriores dependeria, basicamente, de
autorização dos estúdios envolvidos), trazer um personagem do tipo
"linha-do-tempo" para contar rapidamente a saga de Michael Myers em algum
momento do próximo capítulo, apresentando fatos da história do irmão de
Laurie Strode, certamente desconhecida de boa parte do público que hoje
acompanha a série.
Uma tentativa interessante (mas limitada) de
inserir um personagem deste tipo na série nasceu justamente em Halloween:
Ressurreição, no qual um dos internos, após receber a faca das mãos do
próprio Michael Myers, elencou as datas de alguns dos ataques do psicopata
em Haddonfield ("esquecendo", obviamente, de mencionar as investidas de
Michael contra a própria sobrinha, Jamie Lloyd para não confundir os fãs
mais jovens da série e manter a péssima tradição de ignorar H4, H5 e H6).
É também importante destacar a verdadeira
celeuma entre os fãs causada pela exclusão de uma despretensiosa (mas
muito bem realizada) cena de Halloween:
Ressurreição (na opinião deste editor, um engano realmente imperdoável
dos realizadores), mostrando que o público da série sempre esteve ávido
por observar mais de perto o comportamento do personagem, mesmo que em
situações sem muita profundidade: estamos naturalmente falando do famoso
vídeo caseiro da década de 60 que mostraria um arredio e aborrecido Michael Myers durante
um churrasco da família, tentando se esquivar, em vão, da câmera do pai,
enquanto sua mãe segurava a irmã Judith, futura vítima do irmão psicopata,
no colo.
Na humilde opinião deste editor, portanto, tanto cenas
de flashback como um personagem linha-do-tempo seriam
elementos de conexão entre os capítulos bastante atraentes para os fãs e
certamente elucidativos para não aficcionados pela série; resta apenas saber (e é bem possível que o
problema resida justamente aí) como os produtores passariam por cima de
situações, digamos, "razoavelmente constrangedoras" em termos de continuidade - por
exemplo, como o fato de Laurie Strode, usando o nome falso de Keri Tate em
Halloween H20, sequer mencionar a existência de sua filha
Jamie Lloyd (vista em Halloween 4 e
Halloween 5)... :)
Elemento 3:
Ambientação ("mood")
Como fã da série ("das antigas",
como se diz), não posso
deixar de observar que um dos momentos mais interessantes de Halloween:
Ressurreição aconteceu justamente antes da invasão do sanatório por Michael Myers, com a apresentação
dos créditos e da música-tema. De fato, desde
Halloween 6, a série tem sido visualmente descaracterizada e sofrendo seriamente com a falta de
"ambientação" dos capítulos.
Por ambientação, quero dizer: a) a falta da
tipologia e das clássicas legendas que são a marca registrada dos primeiros filmes
da série; b) a veiculação
da música-tema em momentos estratégicos ou de tensão dos capítulos; c) a
ausência quase que total de takes em primeiro plano mostrando a
visão de Michael Myers e d) a ambientação dos ataques em uma sombria
Haddonfield no
próprio dia de Halloween, o que obviamente passa pela decoração típica e
por pessoas fantasiadas pelas ruas (se você não está muito certo do que estou
falando, assista Halloween 4 mais uma
vez e comprove o belíssimo trabalho de pesquisa feito pelo diretor Dwight
H. Little - e do diretor de fotografia, em busca de imagens e planos capazes de simbolizar e valorizar o
próprio dia de Halloween).
E você?
O que achou das considerações do editor? Quais suas
idéias para Halloween 9? Que elementos são dignos de valorização?
Clique aqui para ler outro artigo sobre este assunto e
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opinião sobre o filme.
[*] Artigo escrito em Julho de 2004.
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