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Opinião: Halloween 9 [*]
Alexandre Sobrïno
Devo confessar inicialmente a você que o cargo de webmaster deste site me
deixa, por vezes, em uma situação incômoda: se por um lado posso sempre
contar com sua opinião para o próximo filme da série (vide nossa crescente seção
H9: o debate:
clique aqui para abri-la em uma nova janela), por
outro acabo, sem perceber, deixando de manifestar o que penso sobre
Halloween 9 até que alguns detalhes do roteiro sejam finalmente
divulgados.
Como não consegui fazer isso na época da pré-produção de Halloween 8 (e
que posteriormente viria a ser conhecido por
Halloween: Ressurreição), vou tentar quebrar esta regra desta vez e
apresentar a você três simples elementos - de roteiro e de filmagem - que,
pessoalmente, creio que sejam de alguma forma esperados pelos fãs da série
(especialmente os da "velha guarda") e que ficaram parcialmente esquecidos - ou mesmo, foram totalmente
ignorados pelos produtores -, resultando no apenas morno resultado do
oitavo capítulo da saga de Michael Myers nos cinemas do mundo inteiro.
Cabe uma observação final: antes que me seja dito que a utilização de tais
argumentos não garantiria um bom filme, devo dizer que concordo
plenamente; entretanto, e aí é você quem há de concordar comigo, não há
como negar: todas as lacunas a seguir, se somadas, tornariam o oitavo
filme da série uma experiência muito mais rica e divertida, tanto para não
fãs como para os aficcionados pela franquia.
Elemento 1:
Michael Myers vs... (ou caçando) quem?
Embora já tenha externado que considero
Halloween: Ressurreição um
filme no mínimo divertido para não fãs (mas covarde como parte de uma série
razoavelmente vitoriosa), não há como deixar de observar que, além de
Laurie Strode (cuja participação no último filme, embora impactante, limita-se a
pouquíssimos minutos de tela), não há como
se identificar com nenhum dos heróis do oitavo capítulo da série.
A inexistência de um personagem (nem vou dizer
"ator" para evitar um argumento incontestável) à altura do
obstinado Dr. Sam Loomis após o falecimento do ator britânico Donald
Pleasence em 1995 acabou trazendo para a série dois rappers: o
esforçado LL Cool J (Halloween
H20: Vinte Anos Depois) e Busta Rhymes (na prática, o real "protagonista"
de Halloween: Ressurreição) -
aparentemente visando criar vínculo com uma nova faixa de público e
renovar a audiência da série. Com isso, quebrou-se um ciclo de
continuidade elogiável mantido pelos produtores até
Halloween 6 e, também não há como negar,
adicionou-se uma inevitável comicidade à série e tirando um pouco da
respeitabilidade de Michael Myers (cabe observar que, ao longo dos filmes,
o obstinado psiquiatra Sam Loomis jamais subestimou o personagem, resgatando, a cada
novo filme, a "reputação" do psicopata criado por John Carpenter
- muitas vezes, por meio de sombrios monólogos).
Falando especificamente do último episódio da série até aqui, a fraca empatia da bela
atriz Bianca Kajlich (a Sara Moyer de "Halloween:
Ressurreição" - formalmente considerada a "heroína" deste filme)
e a curiosa simpatia do público pelo falastrão personagem de Busta Rhymes
exigiram que a Miramax optasse por adiar a estréia do episódio e a regravar
seu final de modo que Freddie Harris, personagem do rapper, sobrevivesse.
Vale destacar que Michael Myers, no último episódio, nada fez além de
defender sua casa de um grupo de adolescentes, deixando de, seja lá por
qual motivo, perseguir seus familiares, de modo que este editor jamais se
atreveria a comparar o último filme da série até aqui com, por exemplo,
Halloween 4, no qual uma bastante convincente
sobrinha do assassino seria o mais novo alvo do maníaco (idéia que,
descobrimos recentemente, pode ser a tônica do futuro
Halloween 9:
clique aqui para ler, em uma nova janela, mais a respeito).
Por fim, na prática, este editor não acredita que Sara
Moyer tenha força suficiente para sustentar uma nova sequência e imagina que a
"grande força" do filme (sim, as aspas representam uma ironia) é quem voltará em Halloween 9 para, em uma
(por favor!) rápida aparição no melhor estilo Jamie Lee Curtis em Halloween:
Ressurreição, ser eliminado pelas mãos de Michael. Aliás, vale destacar que este
fato foi divulgado pelo próprio Moustapha Akkad, pai da franquia, que
aventou em entrevista o retorno do personagem de Busta Rhymes ("nós não descartamos a idéia e estamos em conversações para que Busta
possa fazer um tipo de aparição").
Resta torcer para que os produtores
sejam inteligentes o suficiente para criar algum tipo de vínculo com os
filmes anteriores, fazendo com que Michael encontre um nemesis que
ao menos nos lembre (e, acima de tudo, respeite) o legado do psicopata.
Talvez os xerifes Leigh Brackett (Halloween e
Halloween II) ou Meeker (Halloween
4 e Halloween 5) se configurassem em
ótimas opções, sendo o primeiro, obviamente, o mais marcante e indicado
para capitanear o ataque de Michael (até porque sua própria filha foi
assassinada no primeiro filme da série).
continua >>>
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