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| Dissecando Freddy Krueger |
Felipe
M. Guerra
(continuação)
Não dá para esquecer quando a empresa de
brinquedos Glasslite lançou a luva com navalhas (de plástico, obviamente)
de Freddy, um dos brinquedos mais populares daquele ano. Meu irmão de 9
anos tinha uma e achava o máximo. Dá para imaginar uma coisa assim nessa
época politicamente correta em que vivemos agora, com toda a discussão
sobre como o cinema deixa as crianças e jovens mais violentos?
E olha que a fama de Freddy nem se
restringia às telas do cinema: o sucesso dos filmes gerou uma série de TV
chamada "Freddy´s Nightmare" ("O Terror de Freddy Krueger" aqui no
Brasil), que chegou a ser exibida no SBT bem tarde da noite e também foi
lançada em vídeo pela extinta (bem extinta mesmo) distribuidora Herbert
Ritchers. Algumas locadoras ainda têm uma que outra fita, e não deixa de
ser uma curiosidade. São episódios muito fracos onde Freddy nem aparece
direito, só faz comentários sobre a história. Realmente, era uma outra
época, quando a TV americana ainda podia exibir uma certa dose de
violência nos seriados - também havia as séries de TV "Sexta-feira 13 - O
Legado" e "A Guerra dos Mundos", que eram bastante violentas.
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Não sei se eu que fui envelhecendo ou se
foi Freddy Krueger que começou a ser esquecido, mas, com o passar dos
anos, não se falou mais nele. Os filmes começaram a sumir das locadoras,
no cinema ele não aparecia mais com tanta freqüência, informações sobre
novos filmes sumiram da mídia, assim como todos aqueles produtos
inspirados na série "A Hora do Pesadelo". Chegou uma época em que o
veterano matador acabou ultrapassado, sendo atropelado pela nova leva de
filmes de horror teen, como as séries "Pânico" e "Eu Sei o que Vocês
Fizeram no Verão Passado".
Mas o que, diabos, isso tudo tem a ver com
aquela citação bíblica no começo do texto????
Bem, permitam-me mais uma filosofada, antes
de começar a, finalmente, falar sobre os filmes "A Hora do Pesadelo":
quando fui forçado a reassistir todos os filmes para escrever este dossiê,
percebi que eles já não tinham a mesma graça, o frescor de quando eu os vi
na minha infância e início da adolescência. Descobri que, de alguma forma,
certas coisas da infância são eternas (revistas Disney, goma de mascar,
jogar War, videogame Atari, milkshake, "Os Goonies", "Gremlins", etc.
etc.), mas outras perdem um pouco a graça quando se passa de uma
determinada idade - infelizmente, a série "A Hora do Pesadelo" está entre
elas.
Fazia tempo que eu não reassistia aos
filmes de Freddy, e constatei que muitos são tão infantis que me
provocaram bocejos - aqueles mesmos filmes que me faziam vibrar de emoção
quando eu estava lá com os meus 12 ou 13 anos de idade! São, também,
inacreditavalmente ruins, em comparação com outras coisas feitas na mesma
época e que eu só vim conhecer depois (os filmes de horror italianos de
Lucio Fulci, Lamberto Bava e Ruggero Deodato, por exemplo).
A bem da verdade, tirando os dois primeiros
filmes, os outros não passam de Sessão da Tarde, filmes-família que não
assustam e nem trazem grandes sustos ou cenas de horror. São exatamente
filmes feitos para o público infanto-juvenil, grande responsável por lotar
os cinemas entre os anos 80 e 90 (e hoje também). São filmes na linha "Os
Garotos Perdidos" e "A Hora do Espanto", com mais humor e menos sadismo e
violência.
Foi então que eu percebi que o meu outrora
querido Freddy Krueger não tinha o mesmo carisma de Michael Myers e Jason
Vorhees, cujos filmes ainda hoje assisto com prazer (até quando?). Mesmo
assim, são filmes interessantes e obrigatórios para os fãs de horror, com
todas as suas qualidades e defeitos.
É triste constatar que Freddy sofreu do
mesmo mal de Jason e Michael: a estagnação e a banalização provocadas pelo
excesso de cobiça dos produtores, que fizeram muitas continuações às
pressas para explorar o fascínio provocado pelo personagem. Estas
continuações, infelizmente, pareciam mais refilmagens, com poucos novos
elementos além das mortes sádico-divertidas que fazem a alegria do
público. Felizmente para os fãs de "Halloween", Michael Myers nunca chegou
ao ponto de ganhar sua própria série de TV, como aconteceu com os dois
companheiros (embora Jason não aparecesse no seriado inspirado em
"Sexta-feira 13").
Bem, depois desta introdução nostálgica,
talvez excessivamente longa, convido a todos vocês, fãs (como eu já fui)
ou não da série "A Hora do Pesadelo", para acompanhar-me nesta jornada
rumo ao mundo maligno de Freddy Krueger, e tentar entender porque ele
perdeu sua imagem de assassino cruel para se tornar uma piada nas mãos de
produtores inescrupulosos (tal qual Jason e Michael).
continua >>>
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