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Halloween: Ressurreição
(Halloween: Resurrection)


Cotação do editor:

Alexandre Sobrïno

Após o excepcional resultado nas bilheterias de Halloween H20, esta continuação tornou-se irresistível para os realizadores. Mesmo assim, se você assistiu aos episódios anteriores, antes de assistir conferir mais este, prepare-se para assistir a dois filmes distintos: um com cerca de 15 minutos (com um confronto final entre Michael Myers e Laurie Strode) e outro com pouco mais de uma hora de duração e sem qualquer conexão com a primeira parte.

Aqui vai a história: três anos após trocar de lugar com um azarado e inocente paramédico (e que foi decapitado por engano por sua irmã no final do filme anterior), o assassino Michael Myers (Brad Loree), em um prólogo excepcionalmente bem conduzido, invade o Sanatório Grace Anderson e trava um combate mortal com sua torturada irmã Laurie Strode (boa performance de Curtis), que finalmente sucumbe aos ataques do irmão. Esta longa sequência de abertura, que antecede o próprio título, é qualitativamente superior ao restante do filme e, juntamente com os créditos de abertura (e à fortíssima música-tema deste capítulo), marca um início tremendamente promissor e tem a cara da série.

A partir deste ponto, começa o "segundo" filme, totalmente independente do primeiro (!!!) e centrado na exibição de um reality show via Internet intitulado "Casa do Pânico" (do original "Dangertainment"), organizado pelo empresário Freddie Harris (o rapper Busta Rhymes que, observamos claramente no cinema, apesar de mau ator, tem a habilidade de cativar a audiência) e no qual seis jovens deverão passar a noite na velha casa dos Myers tentando descobrir pistas (claramente plantadas pela equipe do programa) capazes de explicar o comportamento do assassino. Desnecessário dizer que, durante a transmissão, o psicopata (que, sabe-se lá como, está morando no porão da casa), possivelmente já "de férias" de sua incansável tarefa de perseguir seus pobres familiares, resolve abrir uma exceção (bem... algumas) e promover o seu já tradicional massacre de Halloween.

Tecnicamente bem produzido, "Halloween: Ressurreição" tem como principal mérito de trazer (contratualmente obrigada) de volta a "Rainha do Grito" Jamie Lee Curtis (que, vamos aproveitar o trocadilho, tentou "gritar" para não participar desta sequência) em uma aparição-relâmpago e o empenhado diretor Rick Rosenthal, o mesmo de Halloween II (1981), que se esforça para conseguir criar uma atmosfera adequada, conseguindo conduzir alguns bons momentos (o convincente flashback no início do filme e a sequência no sanatório são dois deles): entretanto, a história de Larry Brand, que poderia funcionar melhor como um stand-alone movie, não se enquadra na proposta da série e comete a heresia de ignorar até mesmo algumas características do assassino e todos os episódios anteriores a H2 (o encontro entre Michael e Freddie, uma cena até engraçada, termina de forma inexplicavelmente absurda e impensável, se lembrarmos do que Michael fez com Bucky - o eletricista de H4 - por muito menos). O elenco é apenas providencial, com exceção da jovem Sara Moyer (Bianca Kajlich), justamente a principal "oponente" feminina de Michael neste episódio, que é mal explorada (e, talvez por isso, muito pouco carismática) e de coragem pouco crível. Duas cenas, em especial, funcionam para aqueles que não dispensam um bom susto: o encontro de Michael com Bill (Nicholas, da série "American Pie") e a cena final no necrotério (apesar da obviedade desta última, presenciei vários sustos genuínos no cinema).

Uma justa e isenta constatação final: apesar dos pesares, analisado pura e simplesmente pelo fator entretenimento (e desvinculando-o dos demais filmes da série), "Halloween: Ressurreição" funciona adequadamente bem, atraindo uma nova audiência (certamente, um dos principais objetivos dos realizadores) e conseguindo divertir sem compromisso através de uma temática atual - não sendo, porém, igual ou superior a Halloween H20, mas também (esta sim a grande surpresa) conseguindo estar longe de ser o pior filme da série. Já como capítulo de transição, "Halloween: Ressurreição" certamente não foi feito para fãs da franquia, sendo uma produção covarde, limitada e que deixa um azedo abacaxi nas mãos dos produtores - que certamente encontrarão dificuldades para preencherem o vazio deixado pela ausência de Laurie e dar novo sentido à existência de Michael.

Halloween: Ressurreição
(Halloween: Resurrection)

(EUA, 2002)
Direção: Rick Rosenthal
Com: Busta Rhymes, Bianca Kajlich,
Sean Patrick Thomas, Thomas Ian Nicholas,
Jamie Lee Curtis, Brad Loree.

Distribuição: Imagem Filmes

 

 

 

 

 

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