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Crítica:
Halloween: Ressurreição |
Marcelo Milici
Nunca fui fã de carteirinha da série Halloween. Aliás, o único filme que
eu admiro da franquia é o original, que realmente merece o prestígio que
tem. Sem muita empolgação, fui ao cinema na última sexta-feira (18/07/03)
conferir o ressurgimento de um dos maiores ícones do cinema de horror, ao
lado de Jason Voorhees e Freddy Krueger.
Não é o melhor filme de horror do ano, mas também está longe de ser o
pior. O começo é espetacular e digno de respeito, pois vemos Laurie Strode
no limite de sua sanidade, à espera de mais um confronto com o mascarado.
Numa jogada de mestre (literalmente), a cena impressiona e termina com o
aparecimento do título da produção. Se fosse um curta-metragem, com
certeza estaria entre os melhores filmes do ano e poderia muito bem
receber o título apelativo: Laurie vs Michael Myers. Porém, o filme
mergulha nos clichês do gênero e da franquia, ao mostrar vários jovens -
sempre eles - que abusam das drogas e só querem sexo, envoltos em um
reality show chamado 'A Casa do Pânico'. Exibido como um Big Brother
virtual, o programa consiste na permanência dos sorteados por uma noite,
obviamente de Halloween, na casa do famoso assassino Michael Myers. Os
candidatos à cadáveres aceitam o desafio e partem para uma noite de terror
à medida em que encontram o dono da casa no local.
Neste ponto, é interessante mencionar o aspecto lamentável da casa, toda
queimada e destruída, mas que mantém alguns objetos da infância do cruel
morador - nunca fica claro se foram colocados pelos realizadores ou se já
estavam lá antes -, como uma motosserra em perfeito estado, facas e
objetos perigosos (para um programa desse tipo é de se estranhar que
fossem verdadeiros).
Curiosamente, o local não é isolado da multidão (há uma cena em que
algumas crianças se aproximam e deixam uma abóbora: pense bem, você como
fã de terror, não iria para a frente do local presenciar esse fato
histórico ? Lembre-se da Casa dos Artistas, em que a multidão ficava
fazendo bagunça nas ruas próximas), não há polícias e nem garantia de
segurança. E também os familiares dos participantes nem sequer assistiram
ao acontecimentos trágicos ? Você deixaria seu irmão ou conhecido numa
situação perigosa como essa ?
Apesar dos erros e clichês, 'Halloween: Ressurreição' mantém um clima de
suspense e tensão, tem mortes interessantes e diversificadas, alguns
sustos (na cena do espelho, por exemplo), sangue em demasia e pode ser
considerada uma produção divertida, principalmente no momento em que a
jovem se comunica com um amigo virtual que a ajuda a saber onde o
assassino se encontra e quais são seus movimentos.
Como destaque na produção, está o doente mental que sabe tudo sobre
serial killers e gosta de fantasiar e assumir a atitude deles.
Curiosamente, ele era uma linha do tempo da franquia pois sabia com
exatidão de datas e todos os acontecimentos que marcaram a vida do
perigoso assassino imortal. Pensei até que a produção fosse apresentar o
nascimento de mais um ícone...
(*)
Marcelo Milici (São Paulo / SP) é webmaster do site
de terror Boca
do Inferno e deu nota 7 ao filme "Halloween: Ressurreição".
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