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Halloween - A Noite do Terror
(Halloween) |
Renato
Rosatti
(continuação)
O ator Donald Pleasence interpretou o mesmo personagem (Dr. Loomis) durante todos os filmes da série Halloween, exceto nas partes 3 (cujo filme está fora do ambiente de Michael
Myers) e 7 (filmado em 1998, após sua morte em 95) e juntamente com os também falecidos Bela Lugosi, Boris Karloff, Lon Chaney, Vincent Price, Peter Cushing, John Carradine e Peter Lorre, e do ainda vivo Christopher Lee, foi um dos grandes vilões do cinema do horror de todos os tempos. Nascido em 5 de outubro de 1919 em Worksop, Inglaterra, e falecido em 2 de fevereiro de 1995 em St. Paul de Vence, França, ele participou de aproximadamente 150 filmes de todos os gêneros, na maioria como coadjuvante, porém ficou marcado e é muito lembrado por suas participações em filmes de horror como "A Carne e o Diabo" (1959, ao lado de Peter Cushing), "Circo dos Horrores" (60), "Viagem Fantástica" (66), "THX 1138" (71), "Estranhas Mutações" (73), "Drácula" (79), "Fuga de New York" (81), "Drácula em Veneza" (86), "Príncipe das Sombras" (87) e "Enterrado Vivo" (89), entre outros.
A atriz Jamie Lee Curtis nasceu em Los Angeles em 22 de novembro de 1958, sendo filha de artistas, do casal de atores Tony Curtis e Janet Leigh, e sua estréia no cinema ocorreu em "Halloween". Com esse filme e outros que fez em seguida, ela ficou conhecida como
scream queen ou "rainha do grito", termo utilizado para definir uma atriz ligada aos filmes de horror com gritaria e sustos. Sua participação em filmes fantásticos é pequena mas ela sempre é lembrada por sua atuação nos dois primeiros filmes da série "Halloween" e mais recentemente por voltar em "Halloween H20" (1998). Em sua filmografia destacam-se "Fog - A Bruma Assassina", "Fuga de New York", "Trocando as Bolas" (83), "Um Peixe Chamado Wanda" (88), "Meu Primeiro Amor" (91), "Eternamente Jovem" (92), "True Lies" (95, com Arnold Schwarzenegger), "Vírus" (99) e "O Alfaiate do Panamá" (2001).
Algumas curiosidades interessantes podem ser observadas em "Halloween", como o fato de apenas ocorrerem quatro mortes durante o filme inteiro, e apenas três delas foram mostradas (de duas amigas de Laurie e do namorado de uma delas, e ainda assim de forma pouco explícita). Isso mostra uma diferença grande em relação aos filmes posteriores de séries como "Sexta-Feira 13" e "A Hora do Pesadelo", ou ainda mais recentemente com "Pânico", onde os assassinatos chegam a dezenas por filme, de todas as formas previsíveis, ficando a cargo do público apenas esperar para descobrir quantos morrerão e de que maneira. Esse excesso de violência gratuita banalizou um pouco os filmes de psicopatas, pois os roteiros deixaram de priorizar a qualidade dos argumentos em detrimento de situações óbvias com mortes fáceis de adolescentes idiotas. "Halloween" deu mais importância para o envolvimento da história, o suspense que envolve o público com o surgimento de um psicopata assassino à espreita no meio da noite. Os próprios filmes seguintes dessa franquia não mantiveram a mesma linha do original e utilizaram os mesmos recursos baratos de excesso de sangue desproposital nas similares produções de Jason Voorhees e Freddy Krueger.
Todos os modernos psicopatas do cinema tem suas próprias características. Assim como Jason Voorhees utiliza uma máscara de jogador de hóquei (a partir do terceiro filme, pois no segundo ele esconde o rosto com um
saco de pano, e no original o assassino é na verdade sua insana mãe), Freddy Krueger tem o rosto deformado por queimaduras, utiliza uma camisa listrada e uma mortal luva de facas em uma das mãos, e Leatherface utiliza uma máscara de pele humana e uma motosserra para dilacerar suas vítimas, Michael
Myers também utiliza uma máscara para cobrir seu rosto e prefere uma enorme faca de cozinha para retalhar seus inimigos. Em "Halloween" percebemos também sua respiração ofegante durante todo os momentos em que aparece, mostrando talvez uma dificuldade em respirar sob a máscara.
Alguns temas musicais de filmes de horror são tão bem elaborados que tornam-se eternamente lembrados e associados às suas origens, como notamos por exemplo na música da famosa cena do assassinato no chuveiro do psicopata Norman Bates (Anthony Perkins) no clássico "Psicose" (1960), dirigido por Alfred Hitchcoch, ou no tema da série de televisão "Além da Imaginação" (1959-64), criada por Rod Serling, ou ainda na balada do clássico absoluto "O Exorcista" (1973), de William Friedkin. Em "Halloween", o tema musical de autoria também de John Carpenter, é uma balada ao piano memorável e sempre associada ao filme, que também se junta ao grupo de temas inesquecíveis do cinema de horror.
"Halloween" é claramente um filme de produção de baixo orçamento, com um custo de apenas trezentos mil dólares, e que graças ao talento de Carpenter e do elenco tornou-se altamente rentável com um excelente faturamento nas bilheterias e transformando-se num filme cultuado por uma imensa legião de fãs do gênero ao redor do mundo. No Brasil, existe um site de grande qualidade especializado na franquia, onde se encontra tudo sobre a série como resenhas de todos os filmes, artigos, notícias, informações diversas, curiosidades, fotos, links, biografias dos artistas, etc.
Editado por Alexandre Sobrïno, pode ser acessado no endereço: Halloween: o site brasileiro de Michael
Myers - http://www.myers.cjb.net.
Outro detalhe interessante, e que vemos com frequência no cinema, são as homenagens que os diretores fazem em seus filmes referenciando outras produções do passado. Nesse caso de "Halloween", quando a babá Laurie está tomando conta de duas crianças, a televisão exibia cenas de dois grandes clássicos da ficção científica mundial. Trata-se de "O Monstro do Ártico" (The Thing), filmado em 1951 por Howard Hawks pela RKO, e "Planeta Proibido" (Forbidden Planet, 1956) da MGM, onde aparece a nostálgica cena em que uma nave espacial aterrissa lentamente no planeta Altair IV. Foram duas justíssimas e oportunas homenagens que John Carpenter proporcionou em seu filme. Aliás, em 1996 foi a vez de "Halloween" ser homenageado por Wes Craven quando numa cena de "Pânico", um grupo de adolescentes assistem ao clássico de Carpenter na televisão e reverenciam Jamie Lee Curtis.
A saga de Michael Myers teve ainda mais 6 sequências, todas lançadas em vídeo VHS no Brasil e inferiores ao filme de 1978: Halloween
II (Halloween 2, 1981) de Rick Rosenthal, co-roteirizado por Carpenter e lançado pela Tec Home (este é o único no mesmo nível do original); Halloween
III, A Noite das Bruxas (Halloween 3, Season
Of The Witch, 1983) de Tommy Lee Wallace e o único sem nenhuma ligação com a série (em VHS pela VTI); Halloween 4 (Halloween 4,
The Return Of Michael Myers, 1988) de Dwight Little e lançado pela Top Tape; Halloween 5 (Halloween
5, The Revenge Of Michael Myers, 1989) de Dominique Othenin-Girard (Top Tape); Halloween 6, A Última Vingança (Halloween - The Curse
Of Michael Myers, 1995) de Joe Chappelle (Play Arte); e Halloween H20 - Vinte Anos Depois (Halloween H20 - Twenty Years Later, 1998) de Steve Miner (Paris Filmes).
E já foi lançada a oitava parte da franquia, dando continuidade à série sangrenta do imortal psicopata do dia das bruxas. Trata-se de "Halloween:
Resurrection" que foi lançado em 2002 com direção de Rick Rosenthal (o mesmo da parte 2) e novamente
com a presença da atriz Jamie Lee Curtis. A história fala de alguns estudantes universitários que foram selecionados para passar uma noite na casa onde viveu Michael Myers na infância com transmissão ao vivo pela internet e que são surpreendidos como o aparecimento do psicopata, sedento por sangue.
Por sorte, "Halloween" é frequentemente exibido na televisão e felizmente para os fãs e colecionadores do cinema de horror estão disponíveis as versões em vídeo VHS e DVD para que o filme possa ser imortalizado, apreciado e reverenciado como uma das produções de grande importância para história do gênero fantástico. E principalmente como um exercício nostálgico de puro entretenimento, ou seja, uma noite de terror...
Halloween - A Noite do Terror (Halloween, EUA, 1978) - Cores, 90 minutos, VHS pela Reserva Especial, DVD pela Revista Set Terror e Ficção # 1 - Outubro/2001 (Editora
Peixes). Direção e música de John Carpenter. Produção de Debra Hill. Roteiro de John Carpenter e Debra Hill. Fotografia de Dean Cundey. Maquiagem de Erica Ulland. Elenco: Jamie Lee Curtis, Donald Pleasence, Nancy Loomis, P. J. Soles, Charles Cyphers, Kyle Richards, Tony Moran, Will Sandin, Brian Andrews.
(*) Artigo gentilmente cedido pelo autor para
Halloween: o site brasileiro de Michael
Myers.
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